Veríssimo diz que saída de ZH foi “decisão administrativa”

Veríssimo: “Foi uma decisão administrativa, estão fazendo muito isso com os velhos, que têm salários mais altos. Mas não ficou nenhum trauma, não” – Crédito: Igor Sperotto

Prestes a completar 81 anos (no próximo dia 26/9), Luis Fernando Veríssimo está oficialmente fora do Grupo RBS desde 1º de setembro. Demitido de ZH depois de mais de 40 anos de contribuição quase diária, ele deixou de fazer as tiras Família Brasil.

Em entrevista a Rafael Ilha, do jornal Extra Classe, do Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul, em 15/9, disse que realmente estava trabalhando com coisas demais, “então, foi só para trabalhar menos. Como fui demitido da Zero Hora, não tinha mais sentido manter só para um jornal (O Estado de S. Paulo)”.

Sobre a demissão, garantiu que foi um processo normal: “Apenas deixei de ter vínculo com a empresa, agora eles compram meu material da Agência Globo. Foi uma decisão administrativa, estão fazendo muito isso com os velhos, que têm salários mais altos. Mas não ficou nenhum trauma, não”.

Escritor, cronista, músico, desenhista e pensador, ele tem agora o desafio de manter atualizado o recente contrato de comodato que firmou com a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

O acervo de textos, rascunhos, traduções, cartuns e outras criações está sendo transferido para a biblioteca do novíssimo campus de Porto Alegre. São 382 livros, entre títulos do autor, antologias e edições estrangeiras, mais de mil títulos de periódicos, além de troféus, quadros, esculturas e outros objetos recebidos pelo escritor como forma de homenagem. Difícil porque Verissimo ainda está em pleno exercício produtivo. E também porque não pretende morrer tão cedo.

“Eu acho que o acervo devia ser apenas de obra acabada, o que evidentemente não é o caso. Então, digamos que seja um meio acervo de um autor meio vivo”, disse ele a Ilha com sua costumeira ironia. O acervo vai ocupar, segundo Verissimo, “um cantinho” da biblioteca da Unisinos e estará disponível para consulta por estudantes, pesquisadores e público em geral.

Na entrevista, ele relatou um pouco sua relação com a escrita, as preocupações com a onda reacionária que toma conta do País e o arrependimento por não ter seguido a carreira de músico – é saxofonista amador desde os 16 anos.

Confira a entrevista.

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