Está previsto para o segundo semestre deste ano o lançamento de O vazamento (Editora Fósforo), novo livro de Natalia Viana, cofundadora e diretora executiva da Agência Pública, que conta a história de sua colaboração para o projeto Cablegate.

A investigação, comandada pelo site Wikileaks, de Julian Assange, expôs entre 2010 e 2011 milhares de documentos secretos norte-americanos, dentre eles telegramas das embaixadas estadunidenses relativos ao Brasil. Em 2010, convidada para investigar e coordenar a divulgação dos telegramas referentes ao Brasil, Natalia Viana abrigou-se por dias no QG de Assange, em Ellingham Hall, na Inglaterra.

Em O Vazamento, ela relata como enfrentou o poder da mídia tradicional, o machismo dos poderosos, além do constante medo de tratar de documentos sigilosos de uma das maiores potências mundiais que de nenhum modo ponderou o uso de sua força política. Desde a incerteza e a solidão dos primeiros dias pré-vazamento até uma viagem para que os documentos fossem usados por jornalistas em outros países da América Latina, Natalia narra em detalhes as aventuras e o empenho necessário para se fazer jornalismo a serviço dos fatos e da informação.

Natalia Viana e Julian Assange (lustração: Helton Mattei/Agência Pública)

Os desdobramentos da trajetória e a consequente perseguição política a Julian Assange, que nesta semana está tendo seu recurso final contra a extradição para os Estados Unidos julgado pela Suprema Corte do Reino Unido, assombram o desfecho da história, que, apesar de ainda estar em curso, já é trágica e violadora dos direitos humanos.

Catorze anos depois, esse relato pungente serve para uma reflexão acerca do papel do jornalismo, da revolução tecnológica, do imperialismo americano e da misoginia que as mulheres devem enfrentar, entre outros temas da atualidade.

É, mais do que tudo, uma nova leitura sobre um momento de virada na história da humanidade: a revolução da internet, que marcou uma década de revoltas, nas quais jovens do mundo todo compreenderam o poder de ter acesso livre à informação – e saíram às ruas para tentar moldar a política dos seus países em busca de um futuro melhor.

0 0 votes
Article Rating
Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments