Por Luciana Gurgel

O silêncio do noticiário contrasta com a escala da violência. Um novo relatório global mostra que, embora uma em cada três mulheres já tenha sofrido violência sexual ao longo da vida, temas como assédio, feminicídio, violência doméstica, abuso sexual, estupro, sexismo e misoginia seguem ocupando uma fatia mínima da cobertura jornalística.
O levantamento aparece no The Global Misogyny News Coverage Tracker, assinado pela pesquisadora Luba Kassova, uma das principais vozes no debate sobre mídia e gênero no mundo. O trabalho analisou 1,14 bilhão de notícias online, em 65 idiomas, publicadas entre 2017 e 2025.
Segundo o relatório, esses temas representaram apenas 1,3% do noticiário online global em 2025, o menor nível desde 2017. No pico do movimento #MeToo, em 2018, essa proporção havia chegado a 2,2%.
O estudo também aponta que a cobertura tende a tratar crimes como episódios isolados, sem conectá-los a desigualdades estruturais. Mesmo em reportagens sobre violência contra mulheres, homens continuam predominando entre as vozes citadas: entre 2017 e 2025, houve 1,5 homem citado para cada mulher. Em 2025, a proporção subiu para 1,6.
Outro dado chama atenção: enquanto a cobertura sobre misoginia e violência contra mulheres recua, as menções ao termo “ideologia de gênero”, expressão utilizada em narrativas contra a igualdade, cresceram 42 vezes no noticiário global entre 2020 e 2025. Na América do Sul, o aumento foi de seis vezes.
O relatório recomenda que redações adotem uma abordagem mais centrada nas sobreviventes, ampliem a presença de mulheres como fontes, evitem linguagem passiva e contextualizem crimes individuais dentro de sistemas mais amplos de desigualdade.
Leia mais sobre o relatório e acesse o documento em MediaTalks.
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