O repórter Thalys Alcântara, do Intercept Brasil, foi vítima de uma tentativa de intimidação por parte de Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, ex-sargento da Aeronáutica, condenado por envolvimento em esquema de jogo do bicho, em Goiás. Em encontro em Brasília, Dadá questionou Thalys a respeito de uma reportagem publicada pelo Intercept sobre repasses do Banco Master a empresas de Ronaldo Vieira Bento, ex-agente da Polícia Federal e ex-ministro da Cidadania do governo de Jair Bolsonaro.
Em relato enviado a assinantes do Intercept Brasil, Thalys contou que foi vítima de uma armadilha: Ele foi contactado por um homem chamado Josiel Ferreira, que se apresentou como jornalista e o convidou para um encontro presencial para discutir uma proposta de trabalho. Em um primeiro momento, o repórter achou estranho, mas acabou aceitando, pois já havia recebido propostas de trabalho das quais só se falava pessoalmente, e já tinha se encontrado com fontes que queriam repassar informações sigilosas presencialmente.
Os dois marcaram de tomar um café e, ao chegar no local marcado, Josiel estava acompanhado do ex-militar Dadá, que chegou a ser condenado a mais de 15 anos de prisão por trabalhar diretamente para Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, suposto comandante do esquema de jogo do bicho em Goiás. Thalys destacou que Dadá só não está preso porque o processo “foi temporariamente suspenso por possíveis erros na coleta de provas na operação que investigou o caso”.
Dadá disse que estava ali a pedido de um ex-agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), chamado Jairo, que supostamente trabalhava para o advogado de Ronaldo Vieira Bento, ex-ministro da Cidadania do governo Bolsonaro. Dadá questionou Thalys sobre uma reportagem, assinada por ele, que abordava repasses do Banco Master a empresas de Ronaldo Vieira Bento. Posteriormente, o repórter do Intercept descobriu que o Jairo citado na conversa tratava-se de Jairo Martins, um ex-funcionário da Abin que também foi investigado por conexão com Carlinhos Cachoeira.
Ao longo da conversa, Dadá chegou a dizer que queria chegar a um “clima legal” em relação à investigação conduzida por Thalys, conversar “olho no olho” e destacou mais de uma vez que “trabalhava para várias pessoas, incluindo o Carlinhos Cachoeira”. Em relato na newsletter do Intercept, o repórter contou que, em um primeiro momento, demorou a perceber o que estava acontecendo, e que se sentiu intimidado com o ocorrido.
Thalys entrou em contato com Ronaldo Vieira Bento para questioná-lo sobre a tentativa de intimidação. O ex-ministro respondeu, via assessoria, que não tem qualquer contato com Dadá, Jairo ou Josiel. O repórter do Intercept também enviou mensagens a Carlinhos Cachoeira, que negou ter “relações contemporâneas com Idalberto Matias (Dadá), sobretudo de índole profissional”.
Este é um dos bastidores de reportagens que o Intercept Brasil passará a compartilhar com seus assinantes na nova newsletter Fechamento. Interessados podem assinar o conteúdo aqui.








