João Paulo Arruda lança no final deste mês, pela editora Máquina de Livros, Garrafas ao mar – Diário de um repórter internado para tratamento de alcoolismo. Será em 28/5, às 19h, na livraria da Travessa de Ipanema (rua Visconde de Pirajá, 572).
Com duas décadas de trabalho em jornais importantes, como O Globo e Extra, só admitiu que precisava de ajuda radical depois de ser demitido, no início de 2024, aos 48 anos. Na redação, andava cambaleante e sofria apagões em casa ou na rua. Chegou a internar-se duas vezes, mas encarou com superficialidade, e recaiu. Seu desempenho profissional piorou e culminou na demissão.
Ele conta: “A essa altura, eu já era conhecido como o bêbado do bairro”. Foi então levado por um amigo e a namorada a um novo tratamento, desta vez encarado com humildade por reconhecer que estava doente e a morte era iminente. Durante os 110 dias de internação em uma clínica no Rio, Arruda fez um relato corajoso sobre a fragilidade humana diante da dependência do álcool. O diário, sob forma de crônicas, expõe sua própria queda e narra a reconstrução de uma vida.
Escrito em tempo real, enquanto os fatos se desenrolavam, o autor preservou o olhar e a sensibilidade de repórter. Conta em detalhes sua rotina na clínica e narra histórias suas e da convivência com outros pacientes. Alguns, dependentes de álcool e drogas, outros, do vício em sexo e em jogos, o que vem se multiplicando nos últimos anos.
Mais do que um testemunho sobre a luta contra o alcoolismo, o livro é o registro de quem reaprendeu a caminhar, e pode servir como espelho para tantas pessoas e famílias atingidas. “Limpo” desde o ano passado, Arruda retomou a carreira de jornalista. “Não escrevi os textos imaginando que publicaria um livro. Foi como se eu estivesse jogando garrafas ao mar, uma forma de reconexão comigo mesmo”, ele resume.









