Por Assis Ângelo

No lugar denominado Pedra Bonita, em Pernambuco, havia um feiticeiro de nome Pedro. Zé Pedro, levado às páginas do livro Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vaie-Volta, de Ariano Suassuna.

A multidão de infelizes presentes em Pedra Bonita era na maioria retirantes desesperados à espera de um milagre que os salvasse por um momento qualquer.

Além de Suassuna e seu conterrâneo José Lins do Rego, o fluminense Euclides da Cunha abordou na sua obra acontecimentos desse episódio.

Zé Lins escreveu Cangaceiros, continuação de Pedra Bonita.

Cangaceiros, um clássico da literatura brasileira, foi lançado em 28 de abril de 1953, em São Paulo.

Carlinhos é um menino bem pequeno que assiste ao assassinato da mãe pelo pai. Chocante. O pai é preso e posto num asilo de loucos, onde acaba morrendo. Órfão, o menino é levado a morar num engenho do avô José Paulino.

Esse Paulino foi quem criou o órfão identificado como Carlinhos.

Carlinhos vai crescendo e se inteirando do dia a dia do engenho do avô.

Muitas coisas acontecem na vida do menino. Tem um momento em que ele conhece um ídolo do povo: Antônio Silvino, cangaceiro.

Isso se acha no livro Menino de Engenho.

Menino de Engenho é o primeiro livro de José Lins do Rego. Isso tudo mundo sabe ou deveria saber, até porque o segundo livro desse autor, Doidinho, é continuação do primeiro.

Doidinho é obra-prima.

Em Doidinho há um personagem chamado José João.

José João é apelidado carinhosamente de Coruja. É o melhor amigo de Carlinhos.

Carlinhos, a essa altura, é Carlos de Melo. Tem 12 anos. Conversa vai, conversa vem, Coruja revela que jamais deixará de sentir-se culpado por ter cegado um dos olhos da irmã, quando com ela brincava nos seus tempos de criança.

No terceiro livro de Zé Lins, Banguê (1934), não aparece nenhum personagem cego. O cego na leitura desse livro está presente metaforicamente. Em vez de cegos ou cegas, o autor faz oportunas referências a cachorros.

Cachorro ou cadela é bicho doméstico que aparece muito frequentemente na literatura brasileira e estrangeira.

Em 1954, o vaqueiro pernambucano Raimundo Jacó foi assassinado covardemente. Pelas costas, meteram-lhe uma pedra sobre a sua cabeça. Dois dias depois, foi encontrado morto e ao seu lado, um fiel cão.

Essa história rendeu e ainda rende muita discussão no Nordeste brasileiro.

A Morte do Vaqueiro é uma música clássica do repertório de Luiz Gonzaga.

Em Odisseia, obra do cego Homero, o herói Ulisses volta para casa 20 anos depois dela sair. Foi lutar em Troia e de lá saiu herói. O primeiro ser vivo que o identificou foi o cachorro Argos. Ao notar a presença do seu dono, embora cego, Argos balançou o rabo e morreu.

Contatos pelo http://assisangelo.blogspot.com

0 0 votos
Article Rating
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários