Vanessa Adachi e Natalia Viri lançam site de negócios e investimentos sustentáveis

Projeto nasceu como newsletter semanal e agora ganha a web

Vanessa Adachi e Natalia Viri

Estreou em 29/5 o site Reset, veículo de jornalismo econômico voltado para negócios e investimentos sustentáveis. Assim como outros criados antes por profissionais que deixaram as grandes redações, o Reset é digital e não conta com versão impressa. “Nosso foco é tirar o tema da sustentabilidade dos negócios do nicho e trazê-lo para o mainstream“, explica Vanessa Adachi, que decidiu deixar para trás os 17 anos de Valor Econômico, de onde saiu em dezembro, para criar algo nessa área. Ela diz que a ideia é “aplicar a essa cobertura a mesma régua profissional usada durante os anos de experiência na cobertura de negócios e finanças em veículos relevantes”.

Vanessa tem como sócia Natalia Viri, vinda do Brazil Journal: “Fiz o convite em fevereiro, quando o projeto começava a tomar forma, porque a Natalia fazia um excelente trabalho na cobertura de negócios. E ela topou embarcar. Tornou-se sócia e cofundadora do Reset. Ela é antenadíssima, tem apuração rigorosa e um texto fluído e com muita sacação, que é a cara do digital”.

Vanessa concedeu a este J&Cia a entrevista que segue:

Jornalistas&Cia – Como nasceu a ideia de lançar o Reset?

Vanessa Adachi – Nasceu da constatação de que existia um vácuo nessa cobertura no Brasil, ainda muito nichada. E também da vontade de contribuir para catalisar o debate em torno de uma tendência que ganha força no mundo todo: a de repensar como se fazem negócios e investimentos para incluir os impactos ambientais e sociais na equação, ao lado do lucro.

J&Cia – Com qual estrutura vocês contam?

Vanessa – Começamos modestos, pequenos, com uma estrutura superenxuta.

J&Cia – O tema sustentabilidade está em alta, sobretudo em tempos de pandemia. Mas qual a real dimensão desse mercado?

Vanessa – No mundo, hoje, já existem US$ 31 trilhões aplicados em investimentos considerados sustentáveis – esse número não para de crescer, inclusive na pandemia − e cada vez mais vozes que formam opinião no mundo dos negócios, como Larry Fink, CEO da BlackRock, a maior gestora de fundos do mundo, têm defendido essa revolução. Aliás, o nome Reset vem dessa ideia de que o capitalismo, as empresas e os investidores precisam dar um reset e atuar de um jeito novo.

J&Cia – O início foi com uma newsletter,confere?

Vanessa – Antes mesmo de o site estrear, o Reset já vinha produzindo conteúdo exclusivo, entregue na forma de newsletter semanal para assinantes, todas as sextas-feiras. Foram oito edições até agora.

J&Cia – Vocês apostam muito também numa cobertura diferenciada, de temas até certo ponto inusuais na mídia. Pode dar alguns exemplos?

Vanessa – Um dos nossos hits foi uma reportagem que mostrou que o MST acessou o mercado de capitais e outro foi a matéria da semana passada, contando a estratégia do BTG Pactual na área de impacto. Nossa ideia é mesclar temas mais técnicos a boas histórias, cases e entrevistas. Ser um guia da evolução do ESG – Environmental, Social and Governance − no País, ajudando a entender o que funciona e vai bem e também o que precisa melhorar. Estaremos muito atentos ao que é simplesmente marketing verde e social, que devem crescer muito conforme a tendência ganhe força.

J&Cia – Como estão trabalhando a audiência e a monetização do projeto?

Vanessa – O mailing da newsletter vem encorpando semana a semana, com a entrada de um público variado, de profissionais que já atuam na área de impacto e sustentabilidade a executivos de bancos, gestoras e empresas que começam a buscar mais informações sobre esses temas, passando por investidores institucionais e individuais que querem entender como podem aplicar melhor o seu dinheiro. Importante enfatizar que o conteúdo é aberto e gratuito, porque nessa fase a prioridade é ampliar a audiência.

J&Cia – Como sustentar o negócio?

Vanessa – Nessa fase inicial, contamos com três fontes de receita. Para tirar o projeto do papel, contamos com doações de indivíduos e famílias que valorizam o jornalismo independente e acreditam na importância da cobertura dessa área. Esses doadores não têm qualquer influência editorial e nossa independência é resguardada em contrato. A partir de agora, anúncios de empresas e marcas que tenham afinidade com o conteúdo também serão uma fonte de receita importante, para ajudar-nos a crescer. Por fim, criamos uma campanha de assinatura espontânea recorrente no Catarse. É um jeito de conscientizar desde cedo o nosso leitor sobre o fato de que informação de qualidade custa e abrir a porta para que aqueles que percebem esse valor possam contribuir para o nosso jornalismo.  Para o futuro, vemos outros caminhos para monetizar o negócio.

J&Cia – Chegaram a temer pelo negócio, com a chegada da pandemia?

Vanessa – A pandemia nos pegou quando estávamos aquecendo os motores. Como escrevemos em nossa primeira newsletter, chegamos a temer pela relevância de um veículo jornalístico voltado para investimentos e negócios sustentáveis num mundo que está no modo de sobrevivência. Mas, passado o pânico inicial, vimos que o cenário é exatamente o oposto. A pandemia tornou a pauta social dos negócios mais concreta e escancarou também quão alto pode ser o custo da inação diante da emergência climática.

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