Evento na PUC-SP discute a Vaza Jato e o jornalismo de dados

Da esquerda para a direita: Leonardo Sakamoto, Carla Jiménez, Glenn Greenwald e Sérgio Dávila

A mesa Por dentro da operação Vaza Jato, da 41ª Semana de Jornalismo da PUC-SP, realizada no teatro TUCA, em 8/10, promoveu um grande debate sobre o vazamento de dados e o jornalismo proveniente desse fenômeno.

O evento foi mediado por Leonardo Sakamoto, colunista do UOL e professor da PUC-SP, e teve a participação de Carla Jimenez (El País), Glenn Greenwald (The Intercept) e Sérgio Dávila (Folha de S.Paulo).

Os principais temas discutidos foram a questão ética por trás do vazamento de dados, se de fato é necessário e relevante publicar as informações, ainda que preservando os direitos e a imagem dos cidadãos. Também se falou sobre a operação Vaza Jato, capitaneada pelo Intercept, da origem às consequências, bem como a postura e o futuro do jornalismo frente aos vazamentos, cada vez mais frequentes nos dias atuais, tornando o debate ainda mais rico.  

Para Greenwald, um dos responsáveis pela Vaza Jato, “o vazamento de dados é o futuro do jornalismo. Afinal, como é possível copiar milhares de documentos muito sensíveis e secretos sem ser detectado? É um enorme desafio. Com a tecnologia de hoje, as instituições mais poderosas do mundo estão salvando seus dados, documentos e informações na forma digital. Este fato mostra que vamos ter muito mais vazamentos no futuro, como os que já ocorreram nos últimos anos”.

Greenwald também refletiu sobre o significado da palavra corrupção, que, segundo ele, é muitas vezes entendida e utilizada de forma equivocada: “Corrupção tem um significado muito estreito no Brasil. Não é só caixa dois ou propina para um deputado ou um senador. Também há corrupção jornalística, no Ministério Público e no Judiciário”.

“Se pararmos para pensar, muitas das grandes reportagens e produções jornalísticas veiculadas na grande mídia nos últimos anos são fruto de vazamentos criminosos e ilegais. Então, é importante entender que o abuso de poder dentro da Polícia Federal ou dentro do Ministério Público, por exemplo, mantendo sob sigilo informações que deveriam vir a público, como manda a lei, é uma forma de corrupção”, diz o jornalista do The Intercept.

Ele concluiu afirmando que o trabalho realizado na Vaza Jato está se fortalecendo: “Estamos revelando e tornando pública a corrupção que está dentro do Ministério Público, da força-tarefa da Lava Jato. Para mim, esse é o propósito do jornalismo”.

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