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domingo, janeiro 23, 2022

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Abraji denuncia 96 agressões a jornalistas em protestos desde junho

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo publicou nota em seu site condenando todos os atos de violência contra jornalistas, sejam praticados por manifestantes ou por policiais, e cobrou “mais preparo das autoridades para agir de maneira a garantir o direito de a imprensa trabalhar – e não o contrário, como parecem vir fazendo”. Diz a nota ser “inaceitável que o Brasil tenha quase 100 episódios de agressão, hostilidade ou prisão de jornalistas em pouco mais de quatro meses. Esse índice não é compatível com a democracia e fere o direito de toda a sociedade à informação”.

A nota da Abraji deve-se a seguir aberta a temporada de caça aos jornalistas que trabalham na cobertura dos conflitos de rua, com resultados cruéis. Nesta 2ª.feira (21/10), a cobertura dos enfrentamentos entre a polícia e os manifestantes, em protestos que antecederam o leilão do campo de Libra, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, vitimou alguns deles. Aline Pacheco, da TV Record, foi agredida com um soco nas costas por participantes do protesto, que depois viraram e queimaram um carro da emissora. Outro da Band foi pichado. Gustavo Oliveira, da agência internacional de repórteres fotográficos independentes Demotix, foi atingido por uma pedra. Marco Mota, cinegrafista da TV Brasil, foi atingido por bala de borracha disparada pela Força Nacional.

Sofrem as pessoas na carne, e ainda veem destruídos os meios de produção que lhes permitem um trabalho com mais qualidade. Mas ninguém como Pablo Jacob, fotógrafo da Infoglobo, teve tão dupla exposição à selvageria. Na semana anterior, durante os protestos dos professores (em 15/10), Pablo foi agredido por policiais com golpes de cassetete. Alexandro Auler, que cobria os protestos como frila, registrou esse momento e teve sua foto publicada no Estadão.

Na nota de repúdio aos ataques a jornalistas, a Abraji ressaltou que ele estava “ostensivamente identificado como repórter” pelo seu capacete em que se lia press, como nas zonas de guerra ao redor do mundo. Pablo voltou a cobrir a soltura das pessoas presas após o protesto dos professores, na 6ª.feira (18/10), e foi novamente atingido, desta vez por manifestantes. Nesse mesmo dia, Carlos Wrede, de O Dia, e Luiz Roberto Lima, do JB Online, também foram agredidos pelos que protestavam. Pablo é filho de Alberto Jacob Filho, presidente da Arfoc-Rio, e neto de Alberto Jacob, o primeiro paparazzo brasileiro. Seu avô, conhecido como Jacozão, enfrentou constrangimentos por fotografar à revelia Christina Onassis fazendo topless. Bons tempos em que os problemas eram esses.

A Abraji também citou nominalmente os fotógrafos Yan Boechat (frila) e Guilherme Kástner (Metrô News), ambos agredidos por policiais quando cobriam as manifestações de 15/10 na capital paulista; e a repórter Tatiana Farah, de O Globo, atingida por dois disparos de balas de borracha nos protestos de sábado (19/10) em São Roque, no interior de São Paulo. Com isso, segundo a entidade, os ataques a jornalistas desde o início dos protestos chegam a 96, sendo 25 por manifestantes e 71 por policiais. A planilha atualizada pode ser conferida em http://bit.ly/1752d23.

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