A inaceitável tentação da censura dá as caras novamente no confronto entre PGR e STF

Sem meias palavras, entidades denunciam que iniciativa do STF é pura censura à revista Crusoé e ao site O Antagonista

O Brasil, como mostra a ampla repercussão do tema, sobretudo na mídia, assiste estarrecido aos embates de Brasília envolvendo a PGR e o STF, com respingos em várias outras instituições e setores da sociedade. A censura determinada pelo ministro Alexandre Moraes, a pedido do colega e presidente do STF, Dias Tofolli, mostrou-se um tiro no pé, não necessariamente deles, mas de todo o País, que vê na falta de compostura de vários de seus “líderes” um cenário de terra de ninguém e de desesperança.

A censura à revista Crusoé e ao site O Antagonista foi prontamente denunciada por entidades jornalísticas como ABI, Abraji, Aner e ANJ, que classificaram a decisão como atentado à liberdade de imprensa. A ABI chamou a medida de “teratológica”. A Abraji afirmou ser “grave acusar quem faz jornalismo com base em fontes oficiais e documentos de difundir fake news, independentemente de o conteúdo estar correto ou não”. Aner e ANJ declararam em nota conjunta que “a decisão configura claramente censura, vedada pela Constituição, cujos princípios cabem ser resguardados exatamente pelo STF”. A OAB também emitiu nota condenando a decisão.

A mídia, de um modo geral, está cumprindo o seu papel de defender a liberdade de imprensa, não como uma atitude corporativista, mas sim no interesse maior da sociedade. E certamente estará mais atenta ainda aos próximos passos dessa barafunda em que se meteram atores institucionais que deveriam ser exemplo e farol da nação. E não o contrário.

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