Memórias da Redação – Memórias das memórias

Por motivo mais do que justo, deslocamos para este espaço o texto a seguir, de Eduardo Brito da Cunha (edubrito@senado.gov.br), ou apenas Eduardo Brito, editor de Política do Jornal de Brasília, originalmente enviado como depoimento sobre a edição 1.000.

 

Memórias das memórias

 

Jornalistas&Cia sempre foi uma referência importantíssima para mim. Tendo trabalhado em São Paulo e em Brasília, mas também em veículos com sede no Rio, acompanhei e acompanho pelo antigo FaxMoagem toda a movimentação do mercado ao longo desses 20 anos. Recebi, ao longo desse tempo, muitas informações que tiveram grande relevância profissional. Poderia contar histórias sérias, mas, como a questão é pessoal, prefiro algo mais leve. Aí vai.

Com 21 anos, já tinha quase quatro de Estadão. Já viajara bastante pelo Brasil, inclusive a trabalho, a alguns vizinhos latino-americanos e visitara meus pais nos Estados Unidos, onde meu pai tinha sido professor-visitante na Universidade do Texas. Mas não conhecia a Europa. Um colega de redação, Luiz Roberto de Souza Queiroz, o famoso Bebeto, também não. Àquela altura, estava chegando ao último ano da Faculdade de Direito e namorando uma colega de classe. Combinamos todos de viajar. Lá fomos, nós dois, Bebeto e sua primeira mulher, a divertidíssima Marina. Estivemos em Londres, Amsterdã, Paris, percorremos Suíça e Itália de trem. Voltamos por Portugal, ainda salazarista.

Passaram-se os tempos. Uma manhã de sexta-feira, meu filho Nicolau aparece, olhos arregalados, com um texto nas mãos. “Isso aconteceu mesmo?”, perguntava. Olho e era um texto do Jornalistas&Cia. Nas Memórias da Redação, Bebeto contava nossa viagem, em um texto engraçadíssimo. Lógico, com as, digamos, adaptações indispensáveis para as histórias ficarem ainda mais divertidos. Havia um episódio em que, no trem em que viajávamos, eu trazia um pedaço de papel higiênico em que estava impresso Deutsche Bundesbahn e dizia: “Olha, eles avisam que isto é um papel de bunda alemão”. O episódio aconteceu mesmo, mas evidentemente quem descobrira o papel higiênico fora o Bebeto.

Mas o que impressionara o Nicolau não era o papel higiênico, mas a revelação de que, precisando driblar o conservador pai da namorada, nós havíamos dito que viajaríamos em uma excursão e, para fortalecer a história, costumávamos tirar fotos com grupos de viajantes, fossem de onde fossem. Segundo Bebeto, valia até bando de japoneses com suas máquinas fotográficas. E lá vinham incidentes divertidos a respeito. Tive de dizer que era tudo verdadeiro, exceção a um ou outro detalhe. O que facilitou é que, três anos depois, nós havíamos casado e o pai que patrulhava as viagens – aliás, nem tanto assim – vinha a ser o avô materno do Nicolau, que só ficou sabendo da fuga dos pais pelo texto do Jornalistas&Cia e que evidentemente levou o texto aos irmãos Eduardo Filho e Lorena.

Fica só uma curiosidade. Não foi pelo “meu” exemplar de Jornalistas&Cia que o Nicolau acessou o texto, mas por mensagem de um grande amigo, meu e da mãe dele, um brilhante advogado que, nada tendo a ver com o meio jornalístico, adora acessar o Jornalistas&Cia e, antes mesmo que eu lesse, espalhou a história do Bebeto entre todos os conhecidos.