Guerra Irregular mostra a importância da imprensa para guerrilheiros e forças do Estado

Livro Guerra Irregular de Alessandro Visacro

As guerras do século XXI serão todas irregulares, com terrorismo, guerrilhas, movimentos de resistência e não mais com grandes batalhas, bombardeios, emprego de tanques e batalhões de infantaria. Nessas novas guerras, a que já estamos assistindo, a liberdade da imprensa e a mídia são vitais tanto para os insurgentes, sejam eles quais forem, como para as Forças Armadas regulares.

A colocação é do livro Guerra Irregular – terrorismo, guerrilha e movimentos de resistência ao longo da história, do coronel Alessandro Visacro, do Exército Brasileiro. A obra não é nova, foi publicada pela Contexto em 2009, mas ganha atualidade ao afirmar que situações como as das favelas do Rio de Janeiro, de onde o Estado foi alijado e onde os insurgentes – leia-se traficantes – às vezes têm apoio da população, caracterizam-se efetivamente como guerrilha, com a diferença de que, em vez de lutarem por uma ideologia, lutam por ganho econômico.

O livro mostra que a imprensa é uma arma vital para conseguir a vitória e cita dois exemplos pouco conhecidos, mas importantes. Em 1971, na luta contra o IRA, na Irlanda, o comando do exército britânico liberou todos os soldados para falarem com jornalistas e TV. Eles contavam como seus companheiros foram assassinados pelos insurgentes, mostravam-se como jovens cumprindo o seu dever para com o País e sendo massacrados por bombas que matavam civis e militares indiscriminadamente. Apesar de uma ou outra bobagem dita às câmaras, o resultado foi o apoio da opinião pública e o isolamento dos militantes, que não conseguiram colar nos repressores a imagem de “porcos fascistas” que tentaram difundir.

Outro exemplo, também pouco conhecido foi na guerra do Iraque, quando o Exército americano lançou a operação Mídia Embutida, pela qual 500 repórteres, fotógrafos e cinegrafistas foram incorporados a unidades do exército e dos fuzileiros, compartilhando alojamento, alimentação e combates junto com as tropas.

“Quando os jornalistas participaram, a história correta passou a ser contada”, afirma a coronel Melanie Reeder, citada na obra; “quando não receberam informações, o resultado foi especulação, desinformação e inexatidão da matéria”. E essa visão não é recente pois, ainda segundo o cel. Visacro, já na Primeira Guerra o famoso T.E. Lawrence escreveu que “a imprensa é a melhor arma no arsenal do comandante moderno”.

O livro leva o leitor a comparar o efeito dramático das entrevistas de pessoas do povo que tiveram suas casas invadidas por policiais ou seus filhos mortos por balas perdidas das forças repressoras, com a insossa e repetitiva entrevista dos oficiais superiores que, falando de um gabinete, afirmam sempre que “um inquérito será aberto e que os fatos serão apurados”.     

Com uma bibliografia completa, à qual não falta a visão do jornalista, como a obra do repórter policial Percival de Souza, o livro mostra também porque é vital o apoio da população na guerra irregular, em que não se luta por terreno ou domínio de cidades, mas por “corações e mentes”.

(Colaboração de Luiz Roberto de Souza Queiroz)

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