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sábado, julho 13, 2024

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#diversifica – Especial: Subjetividades – Transcrição: Ep. 6 – Entrevistado: Erick Mota

[ LUANA IBELLI / APRESENTAÇÃO ] 

 

Olá! Seja muito bem-vindo e bem-vinda a mais um episódio do #diversifica, um podcast sobre diversidade, equidade e inclusão no jornalismo. Vamos para o sexto e último episódio dessa série especial que se chama Subjetividades

 

Eu sou Luana Ibelli, e durante todo esse tempo eu pude conversar com jornalistas incríveis, que representam vários aspectos da diversidade nas redações, e hoje eu recebo mais uma pessoa pra falar de um tema que pra mim, pessoalmente, toca assim no fundo da alma, mas vocês vão entender porque ao longo dessa conversa.

 

Bom, o nosso convidado é um jovem profissional com passagem por grandes veículos. É um empreendedor incansável que ultimamente tem se dedicado a usar a própria experiência pra ajudar outras pessoas que passam pelo mesmo que ele. 

 

Pra falar de neurodivergências, nosso convidado é o Erick Mota, seja muito bem vindo, Erick, obrigada por ter aceitado o nosso convite 

 

[ ERICK MOTA ] 

 

Ah, obrigado você, eu quero duas coisas de você, primeiro te agradecer por me chamar de jovem…

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos]

 

[ ERICK MOTA ] 

 

…com 30 anos, as pessoas daqui tem… nasceu ali nos anos 2000 já nos chamam de tio e tia… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos]

 

[ ERICK MOTA ] 

 

E segundo, quero que você me mande essa apresentação pra eu usar nas minhas redes! Muito boa, inclusive [risos]. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Ai, que bom que você gostou, eu tô me esforçando, né, pra apresentar os nossos convidados porque é uma honra ter tanta gente legal aqui, pra falar desse tema, esse tema de saúde mental e neurodivergência é uma coisa bem importante, eu acho, né, hoje em dia, então eu tô com muita expectativa pra essa conversa. 

 

[ ERICK MOTA ] 

 

Eu tô com uma expectativa bem alta também, obrigado pelo convite. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Vou começar, Erick, pedindo então pra você se apresentar um pouco pra gente, contar um pouquinho da sua trajetória, o que te formou, esse jornalista que você é, e o que você tá fazendo hoje.

  

[ ERICK MOTA ] 

 

Claro, vamos lá! Bem, eu sou filho de baianos, eu sou baiano, uma surpresa até, quando eu cheguei aqui, apesar desse sotaque puxado, fui criado em Curitiba, mas eu sou baiano… Sou filho de uma manicure com um caminhoneiro… fiz faculdade graças ao FIES, não tinha dinheiro, como né… boa parte da população brasileira, e aí, a partir da faculdade, as coisas mudaram. 

 

Quando eu entrei na faculdade, eu resolvi que ia montar um blog que é o Regra dos Terços ponto com ponto br… porque, eu não tinha como fazer estágio. Eu precisava ter dinheiro pra me sustentar. E estágio, como todo mundo sabe, no jornalismo, não paga o suficiente pra você se sustentar. 


E foi nessa que eu percebi que eu tinha que fazer algo porque senão eu não ia poder entrar no mercado. E o que eu fiz então, eu criei o blog. Nesse blog eu cobria eventos culturais, e tudo o mais, relacionados a essa área, e foi aí que eu criei uma experiência.

 

Apesar de que desde os 16 eu já tinha webrádio, tá, essas coisas, porque, hiperativo… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos]

 

[ ERICK MOTA ] 

 

… sempre fui na onda da comunicação, webdesign, fotografia, sempre. 

 

Mas aí eu criei um site focado pra eu treinar o jornalismo, mesmo. E aí eu consegui o contato de um diretor de uma TV católica, TV Evangelizar, o José de Melo, mandei email, me chamaram pra uma entrevista, na hora eu lembro que perguntaram… 

 

Eu trabalhava como representante comercial, na época, e fazia faculdade de jornalismo, e tocava o meu site de madrugada. Então, tipo, dormia três, quatro horas pra conseguir tocar tudo porque eu sabia que precisava disso. 

 

…E aí perguntaram, você tem experiência? Eu falei, tenho. Produzo eventos, produzia mesmo… Faço coberturas, faço reportagens… Faço assessoria… Que eu tinha um amigo que era cantor, o W…

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos]

 

[ ERICK MOTA ] 

 

…e eu ajudava ele [risos].

 

Mas na hora, ali, eu precisava me vender, né. Faço assessoria…

 

E deu certo! Me contrataram, então assim, eu consegui burlar o estágio, e enfim, terminando a facul-

 

Burlar no sentido de não precisar fazer o estágio, porque eu fiz o meu próprio site… o Regra, eu fui tocando desde então.

 

E paralelo a isso, terminando a faculdade eu consegui um trabalho na Band, aí eu passei pela Gazeta do Povo, aí eu fui pra RIC, que é a Record do Paraná, tudo isso em Curitiba… que foi quando a minha esposa foi transferida pra Brasília, eu fui, passei pelo instituto socioambiental, fiz uns freelas de editor no Correio Braziliense, no jornal mais popular que o Correio tem… que eu nem lembro o nome agora, como bom neurodivergente, eu esqueci…

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos]

 

[ ERICK MOTA ] 

 

Mas o jornal que pinga sangue do Correio Braziliense. 

 

[Risos] 

 

Depois disso eu fui pro Congresso em Foco, aí eu resolvi que eu ia fazer a chave do Regra dos Terços virar. Falei, agora o Regra vai dar dinheiro, porque eu preciso viver disso, porque eu tenho esse site desde que eu entrei na faculdade. Eu entrei na faculdade em 2014. 

 

E foi aí que eu comecei a atender alguns clientes que tinham a ver com a nossa pauta, e em dezembro do ano passado, a gente já tinha se associado à Ajor, que foi um divisor de águas na história do Regra… foi então que a gente conseguiu, através da Ajor, o primeiro edital, ter dinheiro, nisso eu já tava na Band também, tava como repórter de rede da Band em Brasília, e tocava o Regra… e aí eu pude parar de atender clientes no Regra porque eu não queria misturar, eu só tinha misturado jornalismo e atendimento porque era necessário… E como surgiu outra fonte de renda, eu separei, parei de atender clientes pelo Regra… voltamos pra Curitiba porque a gente ganhou os editais, eu e a minha esposa a gente ia pra fora do Brasil, tava tudo certo, tirando que ela deixou eu responsável por organizar os documentos… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Hum… [risos] 

 

[ ERICK MOTA ] 

 

… E não deu muito certo. E aí a gente ia ter que submeter tudo de novo. Só que eu não consigo lidar com coisas burocráticas, e quando… 

 

Não é que eu não consigo, é que eu sou muito ruim nisso, e a gente vai explicar o motivo, que eu acho que a gente não falou.  

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos] 

 

[ ERICK MOTA ] 

 

E nessa, deu tudo errado, ficamos em Curitiba, e o errado deu certo, fiz mais uns frilas de apresentação pra própria TV Evangelizar, e agora, eu tô como repórter da Record lá do Paraná, e tocando o Regra, paralelamente, conforme dá, tenho o podcast Distraídos, que é um podcast sobre neurodivergência, por que? 

 

Porque eu tenho Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, como deu pra perceber através da minha história, famosos TDAH, por isso que eu sempre fiz tudo ao mesmo tempo e continuo fazendo até hoje. 

 

Essa é a minha história resum- 

 

Eu acho que eu nunca consegui resumir em tão pouco tempo, Luana! Olha só…

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Pois é, olha…

 

[ ERICK MOTA ] 

 

Você não se chama de Luana aqui, né? Você falou… você se apresenta como? 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Luana Ibelli, é o meu sobrenome, porque tem que… é sério, a gente como profissional tem que assinar, né, o sobrenome ali… a gen-… [risos] 

 

[ ERICK MOTA ] 

 

É muito bonito, Luana Ib- Vou começar a chamar…

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Que bom… pode chamar de Luana também, né, que a gente se conhece de outras…

 

[ ERICK MOTA ] 

 

Vou chamar de Lu… eu chamo… puxo logo pra intimidade, entendeu? 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos] 

 

Não, tá liberado, que aqui a nossa conversa né, vai ser mais tranquila, e a gente… não é como se a gente não se conhecesse, né, da internet, justamente de falar desses temas…  

 

Eu tenho uma curiosidade sobre o Regra dos Terços…

 

[ ERICK MOTA ] 

 

Manda bala. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

… por que que chama Regra dos Terços? 

 

[ ERICK MOTA ] 

 

Regra da fotografia. Quando eu criei o Regra, era pra cobrir cultura, eu era aficcionado por cultura… 

 

TDAH tem uma coisa chamada… hiperfoco.

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Hiperfoco. 

 

[ ERICK MOTA ] 

 

O hiperfoco, pra quem não conhece o termo, o próprio nome indica já, né, é um foco hiper, ou seja, você tem um super, ultra foco em uma coisa, por isso o nome hiperfoco. E por um tempo o meu hiperfoco era cultura independente.

 

E como eu falei, com 16, 17 anos, eu já trabalhava como editor fotográfico, comprei minha primeira câmera com 18, então fotografia era minha paixão, é até hoje, e foi aí que eu resolvi criar o Regra… 

 

Cobrir cultura, amava fotografia, daí tem a regra dos terços da fotografia, na qual o objeto não fica centralizado e sim mais pra periferia da imagem… Eu não queria cobrir grandes bandas, eu queria cobrir banda independente. Foi aí, pra dar uma visão diferente…

 

E na época, o nosso slogan era Vendo a Vida por outro Ângulo. Inclusive é um slogan que eu ainda vou ressuscitar… Vendo a Vida por outro Ângulo, Veja Vida por outro Ângulo…

 

Porque a ideia era essa, não pegar o ângulo central, que a grande mídia coloca, e sim o ângulo mais periférico. E aí, surgiu o Regra dos Terços. 

 

Hoje a gente faz isso, mas hoje que a gente se profissionalizou, a gente faz isso através dos Direitos Humanos e a pauta da neurodivergência, também.      

[ LUANA IBELLI ]

 

Ai, muito bom. Tá vendo, a gente deu uma dispersadinha mas acho que faz parte aqui do tema. 

 

Você tava falando então do TDAH, né, vou aproveitar pra avisar também que eu também tenho TDAH, por isso que esse tema é tão importante, né… também tenho transtorno bipolar, posso compartilhar um pouquinho mais ao longo da conversa, né, então vai ser uma conversa meio nesse sentido, né, duas pessoas compartilhando um pouco dessa nossa experiência. 

 

Conta pra gente, Erick, como que foi esse diagnóstico de TDAH, né, como que surgiu na sua vida e como que você tem lidado com isso agora, se puder puxar um pouquinho pra esse lado profissional, né… 

 

[ ERICK MOTA ] 

 

Claro. 

 

O TDAH, como ficou óbvio, sempre… vamos lá, primeiro ponto, pra quem nunca ouviu esse termo, TDAH não surge, ninguém vira TDAH, TDAH você nasce com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

 

Muitas pessoas falam erroneamente em TDA, sem o H, e tem gente que fala eu sou TDA, sem o H, não existe. Isso já caiu por terra. Comunidade científica já derrubou isso. Todo mundo que tem TDAH, tem o H. Por que? 

 

Porque, por mais que você não seja hiperativo fisicamente, você é hiperativo, no mínimo, psicologicamente. Mentalmente falando. Então, só primeiro esclarecendo isso. 

 

No meu caso, eu tenho certeza de que eu sou o tipo combinado, existem três tipos de TDAH, TDAH majoritariamente hiperativo, majoritariamente desatento e o combinado. Eu tive dois processos de diagnósticos e nenhum dos dois eu fui até o final pra… [risos] 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos]

 

[ ERICK MOTA ] 

          

…identificar porque TDAH tem essa característica, a gente cansa. E quando a gente cansa, a gente larga.

 

Só não larguei o Regra porque é meu hiperfoco de vida é a comunicação. Mas eu quase larguei umas duas, três vezes. Porque a gente cansa, até das coisas que a gente ama.

 

E eu sempre com essa hiperatividade, sempre fazendo tudo, até que chegou um momento em que eu tive muita ansiedade, e eu entrei em depressão, em Brasília, já. Tive outros processos depressivos durante a vida e hoje eu sei que era um TDAH não tratado. E nesse momento que eu cheguei… nesse momento de depressão eu tinha acab- 

 

Pouco tempo depois que eu cheguei em Brasília, eu tava fazendo assessoria pra um lugar maravilhoso, incrível, um lugar assim, ó, de pessoas sensacionais, mas eu não gostava. Porque… Não é que eu não gostava do lugar, era muito pacato pra mim. Essa é a verdade.   

 

Era o trampo dos sonhos, pra qualquer pessoa, porque era um trabalho que eu podia terminar de almoçar, e ter uma hora e meia de rede, se eu quisesse. Era um lugar maravilhoso. Pessoas sensacionais, mas eu ficava muito quieto, e a minha hiperatividade, resultado, entrei em depressão, essas pessoas nem sabem, porque a culpa de longe nem é delas porque elas são incríveis, quero elas pro resto da minha vida…

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos]

 

[ ERICK MOTA ] 

 

E aí, minha esposa olhou pra mim e falou, você vai fazer terapia, ela já tava falando pra eu fazer terapia há muito tempo, daí ela falou nã-nã-nã-nã… você vai fazer terapia, porque se você não fizer, eu vou ter que fazer pra lidar com você. Cabou, você vai fazer terapia. 

 

Hoje os dois fazemos, né.

 

E eu fui pra terapia, depois de um tempo, a terapeuta me indicou um psiquiatra, que eu, teoricamente, tinha ansiedade, isso é muito comum em quem é TDAH… tomei remédio pra ansiedade por mais um tempo, até que um dia, minha esposa conversando com a terapeuta dela, a terapeuta da minha esposa falou, essas características que você tá falando do teu marido, é coisa de TDAH. 

 

Aí ela.. tá…    

 

[ LUANA IBELLI ]

 

O que é isso? [risos]

 

[ ERICK MOTA ] 

 

…Amor, minha psicóloga disse que você pode ter TDAH, e já e me mandou um link da Alpin, isso aí ninguém sabe, acho que nem a Alpin, não sei se a Alpin sabe. Já mandou o link do tweet da Alpin… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Que legal.    

 

[ ERICK MOTA ] 

 

… e falou, lê esse tweet, ele vai te explicar. 

 

Porque eu acho que a terapeuta dela, deve ter… imagino, eu nunca perguntei isso pra ela, tem que perguntar, deve ter falado, pesquise e apresente pra ele porque ele não vai atrás, porque gente TDAH não vai de coisa chata. A gente não vai atrás. E aí… 

 

…A não ser que seja o hiperfoco da pessoa, né, gente, cada pessoa é um mundo…

 

[ LUANA IBELLI ]

 

É… 

 

[ ERICK MOTA ] 

 

…nem todos os TDAHs são iguais, vamos deixar as coisas claras.   

 

E aí a minha… eu li, cara… eu lembro da sensação assim de me emocionar e falar, sou eu. 

 

Assim, ó, me emociono já, eu sou muito chorão, gente… [risos]

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Eu tive esse momento também, acho que quem não teve… 

 

[ ERICK MOTA ]  

 

E… eu olhei e falei, cara, sou eu aqui, tipo, tem alguém que sente o que eu sinto.  

 

E foi nesse momento que eu falei, tá, vou ter que ir atrás…

 

[voz embargada]

 

…porque… [risos]

 

Não tem nem vinte minutos de entrevista. 

 

[Risos, limpando lágrimas dos olhos]  

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos]

 

[ ERICK MOTA ]  

 

Vou ter que… 

 

Porque isso mexe muito, cara. Porque a minha vida podia ter sido outra, se eu tivesse sido diagnosticado antes.

 

E foi nesse momento que eu fui atrás de saber. Eu fui num psiquiatra, dessa…

 

Porque eu já fazia acompanhamento, por conta do remédio de ansiedade, e eu cheguei pro psiquiatra e falei, cara, eu acho que eu…   

 

Ah, daí eu… TDAH, quando me ativou um negócio, uma chavinha, virou a chavinha, acontece o hiperfoco. 

 

E aí eu… [gesto de mergulho]. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Aí você quer saber tudo, ler tudo, e vira um especialista naquilo… 

 

[ ERICK MOTA ]  

 

Eu descobri sozinho o tal do ASRS-18, que é o teste pra TDAH, não conhecia ainda nenhum podcast sobre… [suspira]. 

 

E através disso, eu fiz, eu gabaritei assim, eu falei, cara, não é possível…sentei com a minha esposa, e fui fazendo, aí falei, ah, isso aqui eu sou um pouco, daí ela, não não não não não… muito! Acontece muito com você! 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos] 

 

[ ERICK MOTA ]  

 

É tipo, ah, tal situação, você age assim… não, não ajo assim…daí ela, age! [risos]. 

 

E foi aí que eu fui atrás, cheguei no médico, e já falei, doutor, eu acho que eu tenho TDAH. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos] 

 

[ ERICK MOTA ]  

 

Aí ele falou, porque que cê acha?

Foi um outro médico, porque o que eu tava não prestava, porque senão ele teria me diagnosticado, não teria feito… desculpa o termo que eu vou usar, não teria feito o diagnóstico porco.

 

Que tem muito psiquiatra que não presta atenção nos seus pacientes. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Sim, infelizmente…

 

[ ERICK MOTA ]   

 

Não tô falando contra a comunidade científica, deixar claro isso, não tô falando contra os médicos…

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Mas é comum. 

 

[ ERICK MOTA ]   

 

…mas infelizmente, a rotina… não tô nem culpando, não sei como é ser psiquiatra, mas tem muito médico que não liga pros seus pacientes. Foi o caso, o meu caso por anos… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Essa história é muito comum, né? O meu também. Eu fiquei anos até ter um diagnóstico também, e aí esse psiquiatra…

 

Eu também tive esse momento como você teve, né, de ler os sintomas…

 

Na verdade eu já fazia tratamento pro transtorno bipolar, que veio primeiro, esse diagnóstico, e aí um dia, conversando com o psiquiatra, muito atento, né, depois de ter passado por vários psiquiatra que não eram nada bons, esse era ótimo… 

 

E aí depois que eu estabilizei do transtorno bipolar, ele olhou pra mim e falou, eu acho que pode ter um TDAH aí… eu nunca tinha ouvido falar disso e tive esse mesmo momento, só que eu não achei um lugar afetivo, assim, eu fui direto no Google, e aí…

 

Olha, gente, apagou aqui o nosso telão, faz parte… [risos]

Daqui a pouco volta, mas vai ficar esse pretinho aqui… 

 

Eu me distraí agor- [risos]

 

[ ERICK MOTA ]   

 

Não, hoje tem dado muitas coisas… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Peraí que eu vou lembrar o que eu tava falando… é… 

 

[ ERICK MOTA ]   

 

Que aí, depois de um tempo, ele falou, pera… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Voltou aqui, o nosso… [apontando para o telão]. 

 

[ ERICK MOTA ]   

 

…além do transtorno, você também pode ter o TDAH.

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Isso, você pode… TDAH. Aí eu fui… achei no Google, um… também um trecho, falando, e me marcou muito porque tinha algumas coisas falando, ah, muitas vezes essas pessoas são tidas como egoístas, e como pessoas que não prestam atenção nos outros, nas demandas dos outros…  

 

E eu tava passando por um período assim, aquilo me pegou profundamente, só que eu saí num processo ruim, assim, do tipo, não é possível, eu já sou bipolar, vou ser TDAH também, o que que tá acontecendo, sabe? [risos]  

 

Até eu entender que, não, tá tudo bem, são coisas diferentes e faz parte…foi bem difícil.

 

Mas eu acho que a gente passa mesmo por esse processo, né, de rever a sua vida inteira sob essa nova ótica, né, porque a gente nasce, né…

 

O transtorno bipolar veio depois na minha vida, mas o TDAH sempre esteve ali de alguma forma, e foi muito impactante saber disso, e imagino que pra você também, né. 

 

[ ERICK MOTA ]   

 

Muito, muito! 

 

O maior impacto pra mim, na verdade, foi depois que eu comecei a tomar o remédio, né. Que aí, eu falei isso pro médico, ele fez várias perguntas, basicamente repetiu lá o ASRS-18, me deu… 

 

Tem várias formas, gente, de diagnóstico, a minha é uma forma que só eu tive, que eu nunca vi…

 

O meu primeiro diagnóstico, e depois eu fui investigar mais a fundo, não terminei pra saber a minha… qual que é a minha preponderância, mas enfim. Eu literalmente me dei por satisfeito quando ele falou, o segundo médico, neurologista, ah… pegou os exames de imagem, ah, você não é autista, você é TDAH. Eu olhei, e falei… Eu podia ser autista? Que eu nem sabia que tinha essa… que cê tava investigando isso, né. [risos]

 

Porque tem muita similaridade entre o TDAH e o autista. Muita…    

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Sim! 

 

[ ERICK MOTA ]   

 

…muita similaridade, mas muita! 

 

E isso faz com que muitas pessoas confundam. Muitos autistas nível de suporte 1 são TDAHs e são diagnosticados, e vice-versa, por que? Muito médico não se aprofunda no paciente.     

 

Mas enfim, e aí eu cheguei pro médico, e aí ele me passou o remédio, a Ritalina, e falou, cara, esse remédio só vai funcionar se você for TDAH, porque a Ritalina ela só funciona pra quem tem TDAH. Inclusive, quem tá nos ouvindo e acha que a Ritalina vai aumentar a inteligência pra fazer um concurso, pare! Não vai aumentar a tua inteligência…     

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos] 

 

[ ERICK MOTA ]   

 

Desculpa. Você vai ter que estudar pra aumentar a tua inteligência. Porque a Ritalina, ela só funciona pro TDAH. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

E nem pra gente aumenta a inteligência, né, na verdade ela facilita… ela facilita com que a gente consiga fazer algumas coisas, né…   

 

[ ERICK MOTA ]   

 

Fez silêncio, Lu…

 

[ LUANA IBELLI ]

 

O silêncio… é, a primeira vez que você toma o remédio é isso, parece que tudo… 

 

Nossa, é assim que a cabeça funciona? 

 

Eu sentia como se a minha cabeça fosse um rádio desregulado assim, sabe? Que uma estação entra na outra, você não consegue diminuir o volume, cê vai apertar o botão de diminuir o volume, ele não diminui. Aí de repente, o seu rádio está regulado, você pode desligar, você ouve as estações separadas, eu não sei nem explicar… [risos] essa sensação… 

 

Ou… outra sensação também que eu tive, a primeira vez que eu tomei o remédio… eu era um piãozinho, assim, sabe, um pião rodando, rodando, rodando, mexendo assim muito desgovernado, aí de repente, eu era um metrô… [risos]

 

[ ERICK MOTA ]   

 

[Risos]

 

[ LUANA IBELLI ]

  

…parando numa estação [risos] depois da outra… 

 

[ ERICK MOTA ]   

 

Muito bom!

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Não é essa a sensação? 

 

[ ERICK MOTA ]   

 

Muito bom, sim! 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Foi essa a sensação que eu tive. Enfim… 

 

[ ERICK MOTA ]   

 

Cara, a mente do TDAH funciona assim, eu lembro que tinha vezes que eu falava pra minha esposa… 

 

Eu criei um nome pro que eu sentia, que depois eu descobri que existe, mas na época eu não sabia que existia, então eu chamava o que eu sentia desse nome, eu falava, eu tô com transtorno da mente acelerada. 

 

Existe esse transtorno, eu não tenho esse transtorno até onde eu sei, mas na época que eu nem sabia que existia eu tinha dado esse nome que foi o que veio na minha mente pra eu explicar, porque… 

 

Você tá falando comigo, e eu não… não é que eu não quero prestar atenção em você, eu quero muito prestar atenção em você, você tá me falando algo muito legal, Luana, e eu tô pensando… pô, o cara tá ali fazendo câmera de corte, ele tá fazendo corte, mas eu nunca vi mesa de corte…

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos]

 

[ ERICK MOTA ]   

 

…com essas câmeras aqui, como será que ele conectou isso ali? Nossa, teve aquela vez que eu tentei conectar e deu prob- Será que nele deu problema?

 

E aí, no momento que a Luana vai respirar, eu falo, Luana, sabia que uma vez eu fui fazer uma cena de uma gravação de um filme… 

 

E a Luana fala… Erick, eu tava falando pra você que meu cachorro morreu… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos]

 

[ ERICK MOTA ]   

 

 …você não tá prestando atenção em mim. 

 

Porque é assim que funciona a mente do TDAH, ela não para, ela não para, é muita informação, é muita informação… aí quanto eu tomei o remédio, parece que… acalmou. 

 

Resolveu? Não, porque TDAH não tem cura, mas diminuiu. Se eu andava a 200 por hora… 

 

Os neurotípicos, acho que a gente vai entrar nesse tema daqui a pouco, os neurotípicos andam a 60, eu andava a 200, hoje eu ando a 120. É muito mais do que a média? É muito mais do que a média…  

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos]

 

[ ERICK MOTA ]   

 

…mas eu já consigo fazer uma curva. 

 

Às vezes eu bato, às vezes dá até umas capotada, mas eu consigo fazer a maioria das curvas. 

 

Hoje, pra vir pra cá, eu mudei a minha rotina, deixei café em casa, que eu ia tomando pro trabalho, derrubei café no meu colo quando eu cheguei aqui, fiquei o dia inteiro com a gravata aqui no colarinho, o dia inteiro! 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Sem ver… [risos]

 

[ ERICK MOTA ]   

 

Eu tava contando pra eles… eu tava conversando aqui, eu fal- 

 

Aí eu peguei aqui, eu falei, o que é isso aqui? Eu tava com uma gravata, aqui, o dia inteiro… Eu gravei, Luana, VT, eu gravei matéria com a gravata dentro desse, dessa camisa aqui, desse suéter… porque eu não, eu comec- 

 

Eu lembro do momento que eu comecei a tirar, e tava trocando uma ideia com o cinegrafista. Aí eu não sei o que eu fiz naquele momento…

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Deu um apagão… 

 

[ ERICK MOTA ]   

     

… porque isso acontece com o TDAH. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Sei bem. 

 

[ ERICK MOTA ]   

 

Uma vez minha esposa me deixou na frente da gôndola pra pegar o arroz, fazendo as compras, ela falou, pega o arroz pra gente? Pego!

 

A gente que ganha pouco faz o que? Olha o preço. Eu tava olhando os preços. Corta pra gente no dia seguinte, cadê o arroz? 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Cadê o arroz?

[ ERICK MOTA ]   

 

Não sei.

 

Mas eu deixei você na frente do negócio. 

 

Eu lembro que você me deixou. 

 

O que que cê fez depois? 

 

Não sei. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos]

 

[ ERICK MOTA ]   

 

É isso que é ter TDAH. Aí…

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Entre muitas outras coisas, né, pequenos fragmentos da vida de um TDAH.

 

Erick, e no trabalho, assim, né… você teve esse diagnóstico tardio, né, a gente tá falando de meses, né, que cê falou em outubro de 2021, e aí você voltou, assim, né, pro jornalismo, você é repórter, hoje, de TV, como que você vê o TDAH influenciando na sua trajetória profissional? 

 

[ ERICK MOTA ]   

 

Pra mim influencia muito mais positivamente. Sendo bem sincero. 

 

Tem impactos negativos, óbvio, mas funciona mais positivamente, Por que? Como o meu hiperfoco é a comunicação, eu tenho uma facilidade muito grande pra me comunicar. Eu teria dificuldade de fazer o que você tá fazendo, seguir um roteiro. Mas se… 

 

Eu sentaria aqui e falaria com você sem ter roteiro. No máximo três tópicos. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Nossa, não consigo. 

 

[Risos]

 

[ ERICK MOTA ]

E eu iria… então assim, facilita, por esse lado.

 

Como eu sou hiperativo, quando eu fui repórter de rede da Band em Brasília, eu era vídeorepórter, pegava a minha mochila, com todos os equipamentos, saía sozinho pro Congresso… saía lá suando, de terno e gravata, com o equipamento nas costas, arrumava o tripé, dava play e entrava ao vivo, e eu entrava pro Band News TV, pra Band News Rádio, Rádio Bandeirantes, TV Agromais, Band aberta…fazia VT, que é matér-

 

É, esse aqui é o Portal dos Jornalistas, todo mundo sabe o que é VT. 

 

[ LUANA IBELLI ]

    

[Risos]

 

[ ERICK MOTA ]

 

Fazia VT… 

 

E tinha dia que eu fazia mais de dez links. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Caramba. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Tem o VT e o link da TV aberta, vocês que… na TV aberta nacional, você escreve o texto, bate com o editor, você decora o texto e entra. Então, eu fazia tudo isso. 

 

E eu ouvia muito da equipe aqui de São Paulo, que era cabeça de rede, Erick, você é o repórter do Brasil que mais entra ao vivo. 

 

Então, pra mim, dava super certo. Por que? Eu não conseguia ficar quieto.

 

Eu tô aqui cobrindo a CPI da pandemia, tô cobrindo CPI da pandemia…começou a ficar monótono, pego o celular, que que tá rolando? Nossa, fulano falou isso… Deputado, isso aqui, é isso mesmo? Tá. Fulano, dep- Fulano falou isso, o que o senhor tem a dizer sobre isso? Tal coisa. Beleza, já batia mensagem… é… sei lá, Tati, que era a minha editora, beijo Tati, se você tiver vendo, saudades.      

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos]

 

[ ERICK MOTA ]

 

Que era a editora de São Paulo. Tati, tem esse assunto também. Erick, demorou, entra. Entrava, terminava, CPI da pandemia de novo, tá chato? Qual o próximo assunto? 

Então assim, eu levo um ritmo de produção que a maioria das pessoas… neurotípicas não aguentam, essa é a verdade. Seria quase o nosso superpoder, muitas vezes a hiperatividade. 

 

Agora, atrapalha? Às vezes que eu mais gaguejei na vida foi quando me botaram pra fazer link sobre o Ministério da Economia. Eu não gosto de economia, eu não entendo, balanço, superávit primário, sei lá o que, não sei isso. 

 

Então, o que eu fazia, eu tentava decorar alguma coisa e entrava com alguma decoreba horrível. Geralmente errada. Porque eu não sei fazer isso. E quando o TDAH não gosta…        

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Fica muito difícil, né?

[ ERICK MOTA ]

 

Pra o neurotípico fazer algo que ele não gosta, é chato. Pro TDAH é tortura.

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos]

 

[ ERICK MOTA ]

 

As pessoas não imag- 

 

Porque quando você não gosta, você não hiperfoca, você não se concentra, você não consegue. 

 

Eu acho que é importante, desculpa Luana, não sei se eu tô atropelando…

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Não, pode falar. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

… mas eu acho importante a gente explicar. 

 

O que que é o TDAH? Vamos lá. O diagnóstico do TDAH. O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, ele é causado por uma deficiência no lóbulo pré-frontal do cérebro, que é a parte do cérebro responsável por criar, né, por produzir as enzimas de, da… noradrenalina, endorfina, e outras mais que agora sumiu da minha mente, como um bom TDAH, a gente esquece de muitas coisas, gente. 

 

[Risos] 

 

E aí, o que que esses… elementos bioquímicos fazem no nosso cérebro? Eles nos dão paixão, tesão pela… desculpa o palavreado…

   

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos]

 

[ ERICK MOTA ]

 

Eles dão, é… vontade de fazer aquela coisa… Satisfação, essa é a palavra mais socialmente aceita. 

 

Satisfação por fazer aquela coisa. Então, como a gente tem satis- Quando você tem satisfação em olhar essa caneca, você vai olhar essa caneca com muito cuidado porque você tá gostando daquilo. 

 

Erick, mas eu não tenho satisfação em olhar a caneca, quando eu tenho que olhar eu olho, porque eu sou um adulto responsável! Algumas pessoas me diriam… que acham que o nosso caso é falta de responsabilidade. 

 

O que as pessoas não entendem é, não é que quando ela precisa fazer alg- 

 

Olhar uma caneca que ela não gosta, ela consegue, porque ela é incrivelmente focada. Incrivelmente responsável, não. É porque o cérebro dela entende a seguinte informação. Que depois que você olhar a caneca, essa tarefa vai estar concluída. E a sensação de uma tarefa concluída é uma sensação de prazer. Independente de qual for a tarefa. 

 

Então a pessoa, o cérebro da pessoa calcula isso e libera a endorfina pra ela se sentir microm- pouquinho satisfeita, com uma satisfação futura que ela vai ter, inconscientemente.

 

O nosso cérebro TDAH, como nós temos uma deficiência no lóbulo pré-frontal, de liberação desses elementos bioquímicos, a gente… o nosso cérebro não manda pra gente essa mensagem de, véi, parceiro, na hora que tu terminar, meu parça…

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Vai ser muito legal…

 

[ ERICK MOTA ]

 

…vai tá de boa. Você se livrou desse B.O., e você vai tá de parab- 

 

Vai ganhar uma estrelinha na testa, que nem na escolinha. 

 

Nosso cérebro não manda essa mensagem. 

 

Erick, mas agora que você sabe, é só você pensar… 

 

Você não tá entendendo, meu amigo, não é racional o negócio.  

 

[ LUANA IBELLI ]

 

É muito difícil, né? 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Então, eu acho que essa seria a explicação do que é o TDAH. Por isso que a gente não consegue se concentrar naquilo que a gente não tem prazer, e aí me atrapalhava. 

 

Me atrapalhava quando eu tinha que fazer algo, ou tenho, de um assunto que não gosto. Essa é a minha maior dificuldade do Regra… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

E isso… é. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

… cuidar do administrativo, porque eu não gosto. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

E isso faz parte da vida de qualquer pessoa, né, lidar com assuntos que a gente não gosta, mas pra gente é essa sensação de frustração, né, e de um cansaço muito maior pra fazer uma atividade banal, né… e enfim, é muito difícil de explicar. Você tava… 

 

Eu tava lembrando da minha vida de repórter, gente, fazendo link, eu já era muito ruim de lembrar, né, as informações. Então, assim, as pessoas costumavam falar que eu mandava bem, mas era muito aflitivo porque eu não conseguia lembrar as informações,  eu não decorava, eu não conseguia decorar texto, ou falava demais. 

 

Então sempre tinha que ter alguém aqui no ponto falando, Luana, tá dispersando, Luana, volta, Luana, já acabou o tempo! 

 

Uma vez, fechou o jornal na minha cara porque…   

 

[ ERICK MOTA ]

 

[Risos]

 

[ LUANA IBELLI ]

 

…o editor não tava aqui no ponto, foi traumático…

 

Só pra dizer que cada um vai… vai se desenvolvendo, né, e eu não tenho só o TDAH, né, eu tenho o transtorno bipolar que tem outras dinâmicas também, mas assim, a gente vivencia né, esses sintomas ou essas características de formas muito contextuais, também, individuais, né…  

 

[ ERICK MOTA ]

 

Sim! 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

…por mais que a gente compartilhe isso. 

 

Então, é tão interessante quando você fala o quanto você ser muito hiperativo te ajudou, né, pra mim, eu sentia que era muito difícil a coisa da rotina, então pra mim era muito difícil todo dia tá na rua fazendo, sendo… indo com a equipe pra rua, pra mim funcionava muito melhor cada dia eu tá fazendo uma função diferente, então de repente, um dia eu gravava, o outro eu tava na redação fazendo é… o meu VT, enfim… eu sinto que… 

 

E a gente vai descobrindo também qual é o formato melhor pra gente, e enfim, como que a gente pode expressar isso pras pessoas. 

 

E aí eu queria te perguntar, você… como que tá sendo falar isso agora, você sabe agora que você tem TDAH, você tem vários projetos falando sobre isso, você fala abertamente hoje, nessa mídia tradicional que você tá, como que as pessoas enxergam isso, você tem medo né, de sofrer preconceito, de ser prejudicado? Como que tá sendo isso?    

 

[ ERICK MOTA ]

 

Eu sempre fui muito polêmico na minha vida. Polêmico no sentido de ir pro embate, nesse sentido de polêmico, sabe? Inclusive eu achava muito que eu ia mais pra um lado de colunista, por culpa disso, porque o TDAH também tem uma coisa, a gente tem um pouco de dificuldade de medir a consequência dos nossos atos. 

 

Então, se você for ver um jornalista que fala muito sobre as suas opiniões, ele fecha muitas portas. E pra gente é muito difícil entender que a gente tá fechando portas. E quando eu descobri o TDAH, eu falei… 

 

Quase soltei mais um palavrão aqui, gente, esse aqui é um lugar respeitoso… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos] 

 

[ ERICK MOTA ]

 

É que no Distraídos a gente é bem solto.    

 

Eu falei, dane-se, eu vou falar pra todo mundo, vão ter que me engolir, porque é isso mesmo…

A minha esposa até brinca que é a autoestima do homem branco, hétero, classe média, ela fala, é muito a tua autoestima de homem branco, hétero, classe média, você ficar batendo no peito toda hora… 

 

Que eu bato no peito e falo, eu vou encarar! Eu vou encarar, eu vou fazer! E quero ver não me engolir. Vamos ver sei lá o que… 

 

Então, eu tenho isso comigo. 

 

Pode ser sim, pode ser nem do TDAH, pode ser essa autoestima que a minha esposa tanto denuncia. Que eu olho os outros homens, a maioria dos homens tem essa autoestima [risos]. 

 

Pode ser fruto do machismo mesmo. É… confesso.  

 

E nesse momento, quando eu descobri, eu falei, cara, como assim ninguém sabe disso? Como assim eu não sabia disso até agora? Mas eu me acovardei um pouco, porque eu esperei sair da Band. Enquanto eu tava… 

 

Eu fiquei na Band até dezembro. E quando eu saí pra voltar pra Curitiba, foi ali que eu falei, ok, eu vou falar. Porque aí eu já não tinha mais nada a perder, que eu ia embora mesmo do Brasil, que achava que eu ia, deu tudo errado, mas eu achava que eu ia…

 

E nesse momento, eu fiz uma thread no Twitter e eu lembro que eu tava… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Eu lembro dessa thread… 

 

[ ERICK MOTA ]

 

É, foi um marco pra mim, assim… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Foi quando, eu lembro… foi quando eu descobri você, assim, olha, um repórter também TDAH, eu vou acompanhar ele porque com certeza a gente [risos] tem muito em comum, assim… Você trazendo essas experiências, foi muito legal esse compartilhamento, né. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

E foi libertador, Luana, foi libertador

 

[ LUANA IBELLI ]

 

É…

 

[ ERICK MOTA ]

 

E ali, eu falei, OK, agora é isso, agora todo mundo sabe, não tem mais volta, agora eu sou o Erick TDAH, e não tem outra maneira. 

 

Porque ali tava todo mundo, das redações que eu conheço, tá no Twitter. Todos os meus amigos, todos os meus ex-chefes, tá todo mundo ali. 

 

Eu falei, agora todo mundo tá sabendo

 

E aí eu resolvi… eu entrevistando a Alpin, no meio da entrevista, eu falei, Alpin, vamos montar um podcast? Foi assim que surgiu o Distraídos, eu não conhecia ela. Podia dar… tinha tudo certo pra dar errado, sabe?   

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos] 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Tudo certo pra dar errado? Porque a gente podia não dar match. Mas ainda bem que deu, estamos aí com cinco meses de podcast, e aí quando eu comecei a falar, aí eu, ai… me libertei. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Tem muito esse momento, né, de… da importância de falar… 

 

O meu processo aconteceu porque… eu era concursada, né, então isso também… 

 

Mas é que eu não consegui esconder, porque eu tive crises públicas, assim, do transtorno bipolar, durante o trabalho, né. E foi muito traumático. E aí, quando veio o diagnóstico, eu tive aquela sensação de, nossa, tem uma explicação, né… não é que eu sou fraca, ou não tô querendo fazer o meu trabalho, mas eu tenho um transtorno, né, que… compartilhado com muitas pessoas, e é isso aí… E vou tratar, vou saber o que é isso. 

 

Então, eu passei um bom período também, falando muito sobre isso. Eu lembro que as conversas na minha casa só giravam em torno disso, o transtorno bipolar, o transtorno bipolar, eu hoje eu fico brincando que o transtorno bipolar é como se fosse uma pochetinha. 

 

Eu vou explicar. Ele já foi uma mala muito pesada na minha vida, um baú desse tamanho que ficava no meio da minha sala, sabe? E o TDAH depois de um tempo também, são processos diferentes. 

 

Mas com o passar do tempo, conforme eu fui melhorando e entendendo, entendendo outras coisas na minha vida, ele foi se tornando cada vez menor, assim, então hoje ele ocupa menos espaço, ele tá muito ali na minha vida, o tempo todo, até porque, também, eu tô estabilizada, então eu não tô lidando com isso o tempo inteiro, então é uma pochetinha que tá sempre comigo, ali, carregando, não é mais tão pesada porque eu já sei lidar melhor, né… 

 

E aí depois veio o TDAH e me atropelou de novo… e aí eu, ai, eu vou ter que lidar com isso de novo, com outro processo diagnóstico… 

 

E agora, tô melhorando nesse sentido, mas a gente passa muito por isso, né, falar ou não falar. 

 

E aí, sabe uma coisa que me fez, eu acho que você talvez se identifique com isso também, que você falou em algum momento, ai, como eu vivi tanto tempo sem saber disso?    

 

Quando eu descobri, e todo mundo viu as minhas crises, e foi um negócio super complicado, e eu descobri e comecei a falar com as pessoas muito naturalmente, que era, olha, gente, é isso, eu tenho transtorno bipolar, ponto. 

 

E muita gente começava a conversar e perguntar mais coisa, assim, muito interessado, sabe? É mesmo? Ah é… E falava uns termos muito específicos, e eu ficava… cê tem algum amigo, alguém que você conhece né, que tem algum transtorno? Ah, é um amigo, um primo. Aí dava um pouquinho mais de conversa, a pessoa falava que era ela.

 

E eu fiquei pensando, gente, qual o problema, porque que as pessoas não falam sobre isso, porque que as pessoas tem tanta vergonha e tanto medo de falar sobre isso? 

 

E isso me incentivou muito a querer falar sobre o assunto, sabe, e aí eu comecei a falar, enfim, fiz perfil na internet, depois parei um pouco de falar porque também é um processo bem doloroso, tem perseguição, muita exposição, a gente não sabe quem são as pessoas que tão vendo a gente falar… a gente não sabe as portas que estão se fechando pra gente, né…     

 

[ ERICK MOTA ]

 

Sim! 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

…porque muita gente não vai falar, então é um processo bem complicado, né. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Eu passei por esse medo, assim. De estar fechando portas, sabe? Mas eu tinha uma vantagem, que, como eu tinha tido uma carreira já até ali, apesar de curta mas já muito inten- 

 

Já tinha sido repórter em Brasília, o que dá um peso né, pro currículo. Então, tipo, eu olhei e falei, cara, algum peso, alguma coisa pra mostrar que eu tenho competência, eu tenho. 

 

E aí, recentemente, eu cheguei na RIC, na Record lá do Paraná, e aí eu cheguei pra minha chefe já na entrevista, assim… na entrevista não, foi uma conversa informal, que ela me chamou pra trocar uma ideia, tal, pra ver se eu topava, e aí falei pra ela, falei, ó, eu topo, só não abro mão do Distraídos, que é o meu podcast sobre neurodivergência. 

 

E a conversa não andou pra frente. E aí, esses dias, um mês, duas semanas, cheguei pra ela e falei… 

 

Inclusive é uma dica pros outros TDAHs, falei, Ivete, lembra que eu te falei do meu podcast? Então, sabe essa coisa de ser muito hiperativo, e fazer muita coisa ao mesmo tempo? É porque eu tenho TDAH, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. E isso faz com que eu…      

 

Daí eu primeiro puxei as vantagens que eu tenho por ter TDAH. Meu hiperfoco é comunicação, então eu me comunico com muita facilidade, eu consigo entrar ao vivo com um minuto, pra me preparar, eu entro ao vivo sobre qualquer assunto, vambora… Porém, eu tenho essa, essa e essa dificuldade. 

 

E aí, eu percebi que essa metodologia funcionou muito bem. Primeiro eu mostrei… é que tem vantagens em ser neurodivergente, porque a gente não é neurodivergente só pro lado de ser esquecido, a gente também é neurodivergente pra ser hiperfocado, a gente também é neurodivergente na hora de ultraproduzir algo quando a gente gosta. Então foi assim. 

 

E aí, eu acho que esse processo de sentar com a pessoa, eu não tinha tido a oportunidade, eu falei, senta aqui, deixa eu te falar. Foi libertador.  

 

Que esses dias, eu esqueci de falar que eu vinha pra cá…

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos]

 

[ ERICK MOTA ]

 

…que eu ia precisar trocar meu horário, eu cheguei pra ela e falei, lembra que eu te falei que eu tinha TDAH, e que às vezes eu esquecia de umas coisas? Esqueci, preciso trocar meu horário na sexta-feira, dia 19 [risos].

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Nossa, eu ainda tenho muita dificuldade, sabia, eu ainda mascaro muito assim… …eu falo muito pras pessoas… 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Masking. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

É, exatamente. 

 

… que eu tenho, e as pessoas vêem o tempo todo, eu tô sempre com os meus fidgets, se alguém pergunta, eu falo, falo da minha medicação, mas tem algumas coisas que às vezes ainda é difícil, sabe, olha, eu não consegui fazer isso porque eu não consegui acordar, eu não consegui fazer isso porque, enfim… 

 

Ainda me cobro muito, sabe, de tá dentro de um padrão e de não errar. Porque eu acho que isso também é uma coisa importante de falar, né, eu acho que é muito importante que as pessoas saibam que sim, existem vantagens e que existem coisas muito positivas, mas às vezes podem não existir, assim, à vezes você pode produzir abaixo da média…

 

…Se você você tem uma pessoa que tá passando por um período depressivo, enfim… e nós não deveríamos ser aceitos só a partir do momento que a gente oferece ser muito mais, né…  

 

[ ERICK MOTA ]

 

Sim… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

… eu acho que é também uma baita discussão, né, o quanto tem um nível de produção, né, que é esperado pra todo mundo, enfim, e se você não atinge aquilo, você tá pra trás, né. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Sim, mas eu acho que qualquer pessoa, independente de ser neurodivergente ou não, vai ter pontos muito legais pra ressaltar sobre algumas coisas. Então, se você tá numa área há muito tempo, é porque alguma coisa você tem a acrescentar. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Uhum. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Então essa pessoa, de repente, pode levantar esse ponto, sabe? Porque… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Porque a gente também é muito acostumado a só falar do negativo, né? 

 

[ ERICK MOTA ]4

 

Exatamente!

[ LUANA IBELLI ]

 

E se sentir sempre muito mal.

 

[ ERICK MOTA ]

 

Exatamente. E vamos lá, a gente é legal pra caramba. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos] 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Nós, neurodivergentes, somos muito mais criativos… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

É, tão dizendo que a gente gosta de se achar especial, né…    

 

[ ERICK MOTA ]

 

Somos mesmo! 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos]

 

[ ERICK MOTA ]

 

Nós somos incríveis! 

 

Desculpa, neurotípico… em regra geral vocês são mó chatos… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos] 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Porque? Porque vocês não conseguem viajar que nem a gente, a gente viaja nas parada.

Eu tô aqui conversando com você, se a gente parar dois minutos, a gente vai pra Nárnia, entendeu? Isso é muito mais legal!    

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Por isso que eu tô tentando fazer aqui o roteiro, porque… 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Vai lá, vai lá, desculpa, desculpa, desculpa…

 

[Risos]

 

[ LUANA IBELLI ]

 

… não, é porque…

 

[Risos]

 

Não, eu não tô te cortando não, eu tava justificando o meu roteiro… 

 

[Risos]

 

[ ERICK MOTA ]

 

[Risos]

 

Fica tranquila, eu tô brincando.

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Não, mas então, até perdi, o que a gente tava falando? 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Ó, essa frase, gente, quando vocês ouvirem o Distraídos, vocês vão entender que essa frase é comum. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Essa acho que foi a primeira vez que eu soltei, porque com as outras pessoas eu fico tentando segurar e disfarçar um pouco as minhas distrações, que eu esqueci, aí eu tento dar uma contornada, não gente, eu tenho controle sobre o que tá acontecendo… 

 

[ ERICK MOTA ]

 

[Risos] 

 

Ai, a nossa vida é um caos… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Aqui, a gente já tá…eu tô assim, ó… é isso. 

 

[ ERICK MOTA ]

Mas ó, se você… a questão também é que eu sou um carrinho desgovernado, então eu te levo pro caos…

 

Mas eu só queria fechar, esse assunto pra falar, ressaltar algo muito legal. O acolhimento que eu tive lá onde eu tô hoje. Sabe? 

 

Porque o que eu tinha de medo era… eu vou chorar de novo [risos]. 

 

Era de não ser aceito. Dá esse medo. Porque isso que eu te falei, cara, eu vou sentar e vou falar pra ela, porque o que que eu pensei, uma hora minha chefe vai ver nas redes, uma hora ela vai ver, porque eu não vou parar de falar disso. Então eu preciso falar pra ela. E o acolhimento foi muit-  

 

Tanto foi legal, que eu tô aqui hoje. Ela trocou meu horário, porque eu expliquei pra ela que não é que eu não falei pra ela porque eu sou irresponsável, eu não falei pra ela lá atrás porque eu esqueci, e eu já tinha avisado ela que algumas coisas eu ia esquecer. 

 

Esses dias eu cheguei atrasado, também, ela só olhou pra mim e falou… eu cheguei atrasado, todo tumultuado, meu Deus… ela olhou… ontem, ontem, inclusive, do dia que a gente tá gravando, um dia anterior. 

 

Ela falou, Erick, tá difícil seu dia, né? Eu falei, ai, Ivete, hoje eu me atrapalhei. Ela chegou, ela brincou, ainda, ela falou, vou fazer um reiki, aqui…      

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos] 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Alguma coisa assim, ela falou. 

 

Então, que legal quando é assim, sabe? Que legal quando é assim, cara. Então, por isso que eu acho importante falar. 

 

Eu sei que tem alguns ambientes que não é possível. Mas eu digo que nesse ambiente que eu tô hoje, por exemplo, eu tô falando pra todo mundo. Pra quem eu ainda não falei, em algum momento eu vou falar. Eu só não tive oportunidade.

 

Porque quando eu fizer alguma coisa que é típica do TDAH, não é que… 

 

Gente, não é uma desculpa. Os neurotípicos passam pelas mesmas coisas que a gente passa? Sim. Só que com uma frequência muito menor. É muito comum o TDAH falar…   

 

Esses dias aconteceu, minha barba tá bem ralinha, a minha barba era bem mais grossa, até mesmo quando eu tava na TV, eu passava máquina três, quatro. Passei máquina dois sem querer, daí eu publiquei isso no stories, um grande amigo comentou, ah, já aconteceu isso comigo também. Aí fica aquela coisa, tipo… ah, acontece com todo mundo, não é porque você é TDAH…  

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Isso é muito comum, né… 

 

[ ERICK MOTA ]

 

…só que comigo acontece com frequência. 

 

Hoje eu esqueci o café em casa, fiquei o dia inteiro com a gravata, derrubei café em mim, desculpa, o dia do neurotípico não tem tanta trapalhada. Dificilmente. 

 

Então, assim, que legal que eu fui acolhido, e eu sei que isso não é nor- 

 

Não é comum, mas eu fico muito feliz…  eu não tô falando isso pra puxar saco não, eu nem precisava, era só ignorar esse assunto, e eu que pedi pra você pra gente falar disso, porque eu precisava ressaltar, eu tô… 

 

Eu fico emocionado mesmo, porque era o que eu achava ideal. E hoje eu tô tendo o ideal, com a equipe que eu tenho, eles me valorizam, eles sabem o profissional que eu sou, e que legal, cara, sabe? 

 

Que pena que todas as redações não são assim. Que pena. Porque faz uma diferença pra gente. E eu trabalho muito mais confiante hoje em dia. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Com certeza! Você pode deixar de lado… 

 

A gente conversou sobre isso em outros episódios, né, Erick, o quanto essa inclusão, né, e esse acolhimento, de você… realmente acolher essas diferenças permitem com que a gente possa fazer outras coisas e ser um profissional muito bom, né, e ser o jornalista que a gente pode ser, porque você não tá preocupado em esconder um grande segredo… Em não falar pras pessoas o que tá acontecendo, né, eu acho que isso é tão importante, né?

[Suspira]

 

[ ERICK MOTA ]

 

Muito. 

 

[Suspira]

 

Muito importante. 

 

[ LUANA IBELLI ]

E já que a gente falou, né… quero inserir outro assunto, da gente falar desses termos, né, neurodiversidade, neurodivergência, que a gente veio falando aqui. Queria explicar um pouco pras pessoas o que é esse movimento né, de pessoas que tão se afirmando enquanto neurodivergentes, e esse movimento da neurodiversidade, que tem tudo a ver com esse papo. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

A neurodivergência, como o próprio nome já indica, é uma divergência neurológica, ou seja, alguém que diverge, né? Alguém que não segue aquilo que é o mais tradicional, que é o mais comum. 

 

Eu não sei o termo… eu não lembro agora, na verdade, o termo tecnicamente falando, mas as lógica basicamente é essa, todo mundo que é… que segue uma entoada é chamado de neurotípico, porque neurologicamente falando essa pessoa é típica, é comum que as pessoas sejam como essa pessoa é.  

 

E neurotípico [neurodivergente], ou neuroatípico, tem as duas formas de dizer, tá tudo na mesma coisa, é uma pessoa que neurologicamente falando tem uma atipic-

 

Atipici… como é?    

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Atipici…dade? [risos]

 

[ ERICK MOTA ]

 

É esse negócio aí, que cês entenderam que a gente quer dizer. 

 

É atípico. [Risos] 

 

Esqueci. 

 

Atipicidade, atipicidade? 

 

[embola a língua] 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Acho que sim, é… 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Blabla, esse negócio aí. A pessoa tem essa parada aí.

 

E portanto uma pessoa que é atípica, é neurologicamente atípica é chamada de neurodivergente, porque a gente diverge da média da população. 

Isso quer dizer que a gente é menos inteligente? Não.

 

Isso quer dizer que a gente tem menos capacidade de alcançar algo? Não.

 

Quer dizer que a gente pode encontrar algumas barreiras.   

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Funciona diferente, né basicamente. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

É outra frequência. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

É importante também que é um termo que foi criado pelas pessoas, né, que tem a vivência, isso também é importante, né, é um termo que foi criado ali em comunidades da própria internet pra se dizer, então… pessoas autistas, principalmente, né, TDAH, enfim, é um termo em disputa, eu acho que é importante falar né… 

 

Mas eu, pelo menos, tenho usado bastante, porque eu acho que a gente acaba se encontrando enquanto comunidade e naturalizando também, né, essa condição.

 

Não é um termo médico, por exemplo, neurodivergente é um termo que tá sendo usado pelas pessoas que se identificam eu acho, né. 

 

E na toada da neurodiversidade também, né, que é essa ideia de que todas as mentes são diferentes, isso inclui, inclusive, neurotípicos, né, que é a forma que a gente se refere a pessoas que não tem condições é… não sei se neurológicas, mas mas do neurodesenvolvimento, de saúde mental, né, crônicas, é… enfim… 

 

Abarca toda essa diferença, essa diversidade de mentes que é o que faz do ser humano ser tão legal como ele é, né? Cada um pode contribuir de uma forma diferente. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

É porque neurodivergência, ela não é um chip. Eu não vou implantar na Luana um chip TDAH e a Luana vai seguir o script do Erick TDAH. 

 

Eu falei que eu tenho hiperfoco… que cê me dá duas linhas de texto, eu fico dez minutos falando. Você também é TDAH e você também é jornalista, você também já foi repórter de TV, mas você não necessariamente vai ser assim, e tá tudo bem. 

 

Vai ter algo que você faz com muito mais facilidade do que eu, dentro da sua neurodivergência, e tá tudo bem eu não fazer igual a você. 

 

É isso, porque cada mente é um mundo. Existem alguns padrões que se repetem, como a hiperatividade, a desatenção, no caso do TDAH, mas isso não quer dizer que todo TDAH é igual. 

 

Assim, todo TDAH é desatento e hiperativo. Não quero dizer que a gente pense igual, que a gente aja igual, que a gente reaja igual. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Claro, e dependendo do contexto também, né. Existem contextos em que vai ficar mais ou menos evidente também, e tem tudo a ver com a inclusão, né.

 

Se você tem um ambiente que pode acolher essas características, aquilo não vai ser visto como um empecilho, né. É isso, se você tivesse, talvez, num ambiente que não te aceitasse como você é, o seu atraso seria visto como uma coisa, meu deus do céu, é o fim do mundo, eu me atrasei, ai, mas eu sou um lixo mesmo, tá vendo, é o TDAH que acaba com a minha vida. 

 

Mas você tá num ambiente mais acolhedor? Tá bom, aconteceu hoje, vamos tentar maneiras de contornar isso, e aí a conversa muda totalmente, né, eu acho.   

 

[ ERICK MOTA ]

 

Sim, sim, com certeza!

E faz com que… é isso, eu chego confiante pra trabalhar, por que? Porque o ambiente em que eu estou inserido são de pessoas que me acolhem. Sabe? E não precisava ser assim. 

 

Porque eu não sou a única pessoa que faz o que eu faço, não precisava no sentido de que eles não tinham… eles não fazem isso porque eles precisam fazer… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Uhum. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

… é isso que é mais legal, sabe? Eles fazem isso porque eles querem. Porque eles entendem. E porque eles sabem que, tá, beleza, tem alguma coisa que o Erick vai vacilar, mas tem outras que o Erick vai entregar, e tudo bem. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Assim como qualquer pessoa, isso é ótimo, nós somos pessoas [risos] como outras qualqueres e qualquer ser humano vai ter os seus momentos de dificuldades, né, e acho que é isso, né, porque…

 

Por isso que a gente tá falando de diversidade, né, acolher as diversidades é justamente entender a singularidade de cada pessoa, as dificuldades, as potencialidades.  

 

[ ERICK MOTA ]

 

A minha esposa tem ansiedade, então não sei se chega a ser uma neurodivergência, eu acho que não, né. Mas a minha esposa, ela tem muita dificuldade de acordar cedo.  

 

Se a Kelli, que é uma profissional excelente, tem que trabalhar às sete horas da manhã, ela vai ser uma péssima profissional até dar meio-dia…

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Tamo junta, Kelli.

 

[ ERICK MOTA ]

 

E depois do meio-dia, a Kelli vai ser a melhor profissional que eu já vi na minha vida. Então, pra contratar a Kelli, se você obrigar ela ir de manhã, cê tem que tá ciente de que naquele período ela não vai produzir. Mas tudo bem, porque à tarde ela vai produzir pra caramba. 

 

Então, cada pessoa é um mundo! E nós, neurodivergentes, não somos…

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Diferentes… 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Divergentes nesse ponto. 

 

[Risos] 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos] 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Que a gente também é um mundo. Com as nossas qualidades, e os nossos defeitos. 

 

Infelizmente, às vezes, o que mais sobressai pra essas pessoas são os nossos defeitos. É por isso que eu cheguei e expliquei que que sou TDAH, o que que é o TDAH, e eu acredito que eu tenho mostrado que mesmo sendo TDAH, eu continuo sendo um bom profissional, e eu continuo entregando conteúdo de valor, eu continuo fazendo as minhas reportagens com a melhor… que eu posso, e ser aceito deveria ser óbvio, mas infelizmente não é.  

 

[ LUANA IBELLI ]

Não é.

 

[ ERICK MOTA ]

 

Que bom que eu sou, sabe? Que bom que eu sou. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Agora eu quero entrar num outro assunto que tem a ver, um pouco, com isso de… dos lados negativos, e como as pessoas veem de forma negativa, né.  

 

A cobertura do jornalismo, quando se trata desses temas, né, quando a gente vai falar de transtornos mentais, de neurodivergências, enfim, como que você vê… eu sei que isso é uma coisa que te incomoda, ultimamente, enfim, sempre que aparece algum tema nesse tipo, você comenta, né, o quanto é incômodo ver o quanto a mídia nos estigmatiza. 

 

Você pode compartilhar um pouco de como você vê isso? 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Eu falei aqui, mais cedo, que eu era polêmico, aí a Luana provando que era verdade, que eu sou mesmo. 

 

Mas é verdade, porque o que que acontece… recentemente, um site todo progressista, publicou uma matéria falando que… olha que incrível, essa menina é autista e TDAH e fez um mestrado. 

 

Desculpa, você falaria, sei lá… essa pessoa albina… é albina e fez mestrado? Não, não tem nada a ver. 

 

Falaria que essa pessoa que se locomove através de uma cadeira de rodas fez mestrado, não, você não falaria. Ou não deveria.

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Até falaria. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Ou é, por isso que eu voltei atrás… [risos]

 

[ LUANA IBELLI ]

 

É, até falaria [risos] 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Eu percebi! Por isso que eu voltei atrás. Infelizmente… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos] 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Mas tipo, você falaria, sei lá, essa pessoa com nanismo fez mestrado, essa pessoa… eu tô pensando em pessoas que as outras pessoas olham e falam, essa pessoa  é diferente da média, eu tô citando alguns casos, né.

 

Ou não falaria, ou não deveria, né, obviamente, o nanismo, o albinismo, não sei se albinismo, o nome, mas pessoas albinas, não tem nenhum problema neurológico só por ser albino ou ter… nanismo, que fala? 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Nanismo.

 

[ ERICK MOTA ]

 

Nanismo, né? Ou por ter nanismo. É, então você não falaria, ou não deveria falar, obviamente.

 

Porque que com um autista ou um TDAH você tá falando? Porque você acredita que nós temos menos capacidade de chegar lá. 

 

E eu uso o nós porque isso reforça aquilo que a gente tava falando mais cedo, que a gente precisa… eu que sou TDAH, sou repórter, e tal… você que é TDAH e é repórter, e tal, eu acho que a gente tem que botar a cara a tapa, porque nós somos pessoas públicas também… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Uhum. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

…tem que falar, eu sou neurodivergente. Eu sou neurodivergente. 

 

Quando cê fala de um autista, cê tá falando de alguém que é meu primo, é meu primo, não é meu irmão porque não é TDAH, mas é meu primo. 

 

Porque que essa menina que é autista e TDAH não pode ter feito mestrado, porque, o que que é notícia? 

 

Vamos lá, gente, básico do jornalismo. Fica aqui pras redações. O beabá do jornalismo que você aprende na faculdade, o cachorro mordeu o homem não é notícia, o homem mordeu o cachorro é notícia. Não era isso que a gente aprende na faculdade?

 

Eu lembro desse dizer até hoje… e porque que você tá fazendo uma matéria do cachorro mordeu o homem? 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Uhum.

 

[ ERICK MOTA ]

 

Não é normal o cachorro morder? Porque… claro que não, mas você entendeu o que eu quero dizer. Não todo cachorro que é violento. Mas, porque? Um cachorro andou sobre quatro patas. Você não faz essa matéria. Agora, um homem andou por… sei lá, ficou trilouco, lá, bebendo, sei lá o que, cê faz, porque? Porque é diferente. E porque você tá fazendo a matéria que a menina autista e TDAH fez faculdade, mano? Sabe? Então, aí eu fico revoltado. Porque falta… 

 

Ainda mais quando eu vejo que são, nesse caso, era uma página progressista. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

É. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Aí eu falo, tá, peraí, você levanta toda uma bandeira das pessoas entenderem a diversidade, desculpa, você não pode errar. Sabe? 

 

Se eu vejo um jornal tradicional errando, eu tendo a perdoar mais fácil. Mas se eu vejo alguém que se sustenta levantando essas bandeiras, desculpa, você não pode errar. 

 

Então fica aqui a minha revolta. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Essa pauta é muito invisibilizada, né… mas assim de uma forma geral também, acho que o caso que mais me chocou, ultimamente, foi o caso daquela mulher bipolar que enfim, é…o caso do mendigo… [riso nervoso]

 

Assim, o caso é todo tão errado… 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Do início ao fim. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Do início ao fim, né, e acho que foi um caso que mostrou muito, assim, como realmente as pessoas não tem noção, né, de preservar né, é… essas vulnerabilidades, então, a mulher que tava ali em surto… 

 

CORTE de 51:54 a 52:02 

 

E a gente é sempre muito exotificado, né? 

 

Então, nossa, gente, olha, um delírio, um surto… ou não acreditam ou usam isso como puro sensacionalismo, ou é a pessoa com esquizofrenia que empurrou alguém na linha do metrô, é sempre nesse tipo de coisa. 

 

A gente nunca é chamado pra falar das nossas experiências de uma forma positiva, né, então quando vão falar de, vamos combater a psicofobia. É sempre um psiquiatra e um psicólogo que tão falando. 

 

Isso me irrita muito… 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Ou a mãe de alguém que tem. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

É, exatamente. Nunca é a gente… 

 

Claro que, também existe um processo de, tipo, as pessoas se preservam, muita gente tem medo de falar ainda, mas a gente sabe que isso não é desculpa, sempre você consegue encontrar alguém que possa falar dessa visão. 

 

Então me incomoda muito como a gente nunca tá bem representado, sabe, nessas reportagens, se apropriam das nossas histórias de uma forma muito sensacionalista, muito insensível, e na hora de falar as coisas positivas, né, é sempre nesse lugar, ou vai procurar um psiquiatra, um acadêmico, que ficam debatendo pontos totalmente divergentes sobre o que faz bem pra gente, o tipo de tratamento que poderia acontecer, e ninguém pergunta o que a gente acha sobre isso, né, você só aparece pra ser mais um caso da pessoas que surtou, da pessoa que ninguém vai acreditar, da pessoa que empurrou o outro no metrô, então, queria deixar esse meu incômodo. 

 

CORTE DE 53:25 A 55:11 pode fazer uma transição leve de edição, porque na hora que ele entra falando a câmera está em mim. Não precisa parecer que não foi cortado, só deixar a transição suave no vídeo. Quem ouvir só o áudio nem deve perceber o corte.   

 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Aí a importância de ter jornalistas nas redações, Luana. Aí tá a importância. Porque, se você tem uma jornalista, especialmente nesse caso… um jornalista não bastaria, teria que ser uma jornalista…  pra falar, pera…calma… 

 

E não só na redação, de preferência em cargo de chefia, né. Alguém com neurodivergência pra falar, calma, calma, eu entendi que vai dar acesso, a história é polêmica, mas veja bem, aí tá a importância. 

 

Aconteceu uma coisa esses dias, lá em Curitiba, é… o Kaito, um menino autista e TDAH, foi entrar num ônibus com o seu cão de serviço, e não deixaram. Aí pararam ele, foi o maior auê… ele filmou, falaram que ele não poderia entrar, que ele não ia entrar, e ele precisava voltar pra casa… e aí ele começou a ter crise, enfim, a história do Kaito, a gente contou também no Regra dos Terços, também no Distraídos, mas o que mais me impactou foi, a Alpin mandou o vídeo… o Kaito é de Curitiba, a Alpin não, mas, a Alpin é minha parceira de podcast, do Distraídos, é a minha host, comigo…

 

Ela me mandou o vídeo o vídeo e falou, Erick, ajuda o Kaito. Eu não sei o que fazer. 

 

E foi nesse momento que eu cheguei pra chefia e falei, primeiro pra pauteira e falei, cara, olha essa história. Me ajuda? Vamos? Ela, vamos. Vendeu pra chefe de pauta, vamos? Vamos! E daí eu falei, OK, vamos cobrir, mas deixa eu te falar. O Kaito é autista, então… 

 

Aí eu conversei com ela… não liga direto, manda um whats, só fala, posso te ligar? Só pra ele não pegar… não pegar o cara no contrapé… Quando marcar com a equipe, deixa a equipe chegar lá com tempo, pra equipe chegar de boa, não chegar acelerando o menino, tal… 

 

E a pauteira era muito sensível, ela fez um trabalho sensacional, tanto que ela virou amiga dele, assim, uma pessoa incrível. E aí, depois disso, a repórter, foi a repórter… que a pauteira provavelmente deve ter trocado essa mesma ideia, conversou, e… você vê o material no ar, em resumo, Curitiba tá discutin-

 

Liberou o Kaito entrar no ônibus, depois de toda a pressão da RIC, uma coisa incrível que aconteceu em menos de uma semana, deu a carteirinha, liberou só pra ele, e tá fazendo assembleias e vai liberar pra todos. E não só pra quem é autista. 

 

E isso tá acontecendo graças a uma reportagem… como que essa reportagem foi pro ar? Porque tinha um neurodivergente lá, eu nem autista sou. Mas eu sou neurodivergente, então essa pauta me pegou.

 

E eu sou um neurodivergente que sabe que é neurodivergente, e que tá no meio, então eu sabia como tratar o Kaito. Né… ele é meu amigo, eu sei como fala com ele, e mesmo que ele não fosse meu amigo, eu saberia, tipo… autista, você não chega com os dois pés no peito… porque a pessoa, ela costuma se programar, você não vai quebrar a rotina da pessoa, porque você pode desorganizar todo o dia dela, então vamos respeitar a neurdivergência do Kaito, e dos outros autistas. 

 

Então, quando eu troquei essa ideia, a pessoa, a outra pessoa também tem…não basta ter um neurodivergente, a outra pessoa foi sensível, e cara, ela foi sensacional, assim… ele agradeceu muito, ele virou amigo dela. 

 

Então, se eu não tivesse lá, primeiro a pauta não tinha chegado, e talvez teria chegado, e teria acontecido o que aconteceu com uma outra emissora, que eu só não vou citar por uma questão de ética, mas a maior emissora… fica no ar… 

   

O produtor entrou em contato com ele. Entrou em contato com os dois pés no peito, do jeito que é a rotina de TV, que TV é assim. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

TV é assim. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Você liga falando, oi, tudo bem, eu posso ir aí agora? É assim que é TV… o outro cara ligou assim, marcou, desmarcou porque atrasou, tentou fazer pra duas horas depois, aí tava chovendo, queria que ele saísse na chuva, pediram pra entrar na casa dele…

 

Causaram quase uma crise, só não causaram porque ele bateu o pé e falou, eu não vou mais atender vocês… 

 

Porque se essa outra pessoa, ou fosse neurodivergente, ou tivesse algum neurodivergente ali na coordenação, ali naquele meio… não precisava ser na coordenação, mas algum neurodivergente na redação, naquele momento, podia ver esse produtor fazendo isso, ia olhar pro produtor e falar, cara, calma…você desmarcou hoje, vê qual dia que ele pode, e vamos se adequar a ele, o tempo dele não é o nosso tempo. 

 

Só que eu não tô culpando o produtor, porque ele não tem contato com isso, por isso tem que ter neurodivergente na redação. 

 

[ LUANA IBELLI ] 

 

E posso dizer que nem precisa ir muito longe, porque eu acho muito difícil que as redações não tenham neurodivergente, tipo… nós somos muitos né, assim… 

 

Dizem que tem uma proporção… aqui eu tô expandindo, né, não só neurodivergente, mas por exemplo, eu sei que TDAH é de três a seis por cento da população… se não me engano, isso é muita gente…   

 

[ ERICK MOTA ]

 

Existem dados que chegam a falar em dez. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Dez? Então, isso é muita gente…

 

[ ERICK MOTA ]

 

Porque tem dado que fala sobre subnotificação. 

 

CORTE: de 59:53 a 01:00:40

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Então assim, tudo isso, toda essa dispersão, pra dizer que se a gente cria ambientes mais acolhedores, você vai ter pessoas que vão se sentir mais confortáveis, né, pra falar desse assunto, e vão se expressar, e vão, enfim…né… fazer a diferença ali no ambiente. 

 

Porque, é isso, eu acho que, a gente não tá falando necessariamente de fazer um processo seletivo para pessoas neurodivergentes, é muito difícil isso, né, é muito difícil você quantificar isso.

 

Mas eu acho que você criando ambientes que sejam mais acolhedores nesse sentido, com certeza vão aparecer mais pessoas, com certeza as pessoas que já estão nas redações, elas vão se sentir mais à vontade pra falar… 

 

Eu lembro que… eu tava te falando, né, quando eu trabalhava, e descobri meu diagnóstico, cara, depois eu descobri tanta gente… numa redação de 80 pessoas, eram pelo menos ums 4 bipolares, uma moça já tinha diagnóstico de esquizofrenia, fora os TDAHzinhos que na época eu nem sabia, então assim… 

 

Essas pessoas estão aí, já, né?      

 

[ ERICK MOTA ]

 

Algumas pessoas não tem coragem de sair do…

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Sair… ou não sabem, né… 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Eu não gosto de usar esse termo, né… eu não gosto de usar porque esse termo não é nosso, mas de sair desse armário da neurodiv-

 

Da neurotipicidade, do armário do neurotípico, a pessoa não tem coragem de sair e falar, ei, eu não sou isso aqui não. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

É. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Porque às vezes, ela não tem o acolhimento. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

É, exatamente. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

E se cria um ambiente acolhedor, as pessoas se sentem à vontade, e elas passam a ser mais felizes. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Você tem algumas ideias de como as redações poderiam ser mais acolhedoras para pessoas neurodivergentes? 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Primeiro, seguindo esse exemplo, que eu citei, que aconteceu comigo, que eu fiquei impressionado… positivamente falando. Esse exemplo de sentar e entender e acolher a pessoa com suas diferenças.

 

Então, isso é o primeiro exemplo, né. Entenda, porque cada um vai ter um problema. Vai ter as Kellis, que às vezes não é neurodivergente mas não consegue acordar cedo. Porque você vai forçar esse profissional a acordar cedo? Vai ser ruim pra tua empresa, cara! 

 

Ô chefe de redação, vai ser ruim pra tua equipe! A matéria ou vai ficar um lixo, ou ele vai… 

 

Sabe o que eu já vi acontecer muito? Nas redações que eu passei na vida? Colegas que não conseguem acordar cedo, ou que tem insônia, qualquer coisa… é obrigado a entrar de manhã, essa pessoa toma… reparem, você que é chefe de redação e obriga os funcionários a chegarem seis horas da manhã, sete horas da manhã, pessoas que não gostam, que tem gente que gosta. Eu sou um que não ligo. 

 

Mas pega alguém que não gosta. Cê vai perceber que de manhã ela levanta cinco, seis, sete vezes pra tomar café num intervalo de duas horas, e ela só… e quando ela senta onze horas da manhã, meio… até meio dia ela fez três pautas.

 

Por que? Aí ela acordou. Mas você pode falar, não, porque fulano enrola o dia inteiro, mas quando ele senta pra fazer, ele faz! Mas a minha pergunta pra você é, será que se fulano chegasse na hora que o fulano acha que é mais confortável, o fulano não ia produzir até mais? 

 

Será que você não tá jogando o teu próprio dinheiro fora, o dinheiro que cê tem ali pra gerir a tua equipe? Então é uma coisa que os chefes de redação tem que se tocar. 

 

Então, senta com o teu funcionário, conversa, e tenha esse acolhimento que eu acabei de ter, porque é algo incrível, que pra mim fez muita diferença, eu não me emocionei aqui à toa, e que eu… a verdade é que eu passei a minha vida inteira não tendo, mesmo sabendo que eu não tinha TDAH, passei poucas e boas na minha vida, sempre me senti um lixo, hoje eu sei que eu não sou…

 

Eu me emociono não porque eu me sinto hoje, eu me emociono porque, cara, eu passei… eu me sentia muito mal! E eu sei que eu não era um mau profissional. Desde os 16 anos eu trabalho com comunicação. Como que eu era um mau profissional, olha tudo que eu fiz! 

 

Eu nunca passei fome, sabe, Luana, mas eu cansei de comer arroz com farinha… e olha onde eu cheguei! Sabe? Então eu não era um mau profissional. Só que eu me achava um mau profissional. Por que? Porque tiravam sarro de mim, porque eu via que eu não conseguia seguir o ritmo das outras pessoas, e eu era cobrado a seguir… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Sim…

 

[ ERICK MOTA ]

 

… aí falavam… 

 

Eu tô hoje, eu girei essa caneca umas 20 vezes, isso aqui não incomoda ninguém! É isso aqui que é ter o TDAH. E eu fazer isso aqui, pra mim é um alívio.

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Uhum.

 

[ ERICK MOTA ]

 

E pra voc-

 

E aí as pessoas vêm e falam, ai, Erick, para quieto! Erick, para com essa mão, Erick, você vai derrubar essa caneca… aí eu falava, nossa, gente, eu sou uma pessoa muito… muito diferente de todo mundo, né, nossa gente, eu não consigo ser um adulto. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Um ótimo momento pra introduzir um tema que eu tava doida pra falar, porque… algumas pessoas ficaram curiosas porque eu costumo manipular alguns objetos durante a entrevista, e isso tem tudo a ver com a gente acolher, né, as nossas diferenças. 

 

Quem tá só ouvindo não vai ver, mas quem tá assistindo, eu tenho os fidgets aqui, né, Erick, não sei se você tem o costume de usar…

 

[ ERICK MOTA ]

 

Eu esqueci o meu, mas eu tenho.  

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Pois é. Os fidgets, eles são brinquedos e são também ferramentas que no nosso caso, eles ajudam a gente  a se concentrar, e justamente isso que o Erick falou, né, vocês não tão vendo, mas o meu pé tá mexendo constantemente, a cadeira não para… 

 

E esses brinquedos, eles ajudam a gente a extravasar isso, né, então pra gente é muito bom às vezes, fazer uma atividade secundária… acho que todo mundo, se você tá assistindo uma palestra muito tempo, você vai ver que a pessoa vai desenhar, e tal… pra gente, isso é numa décima potência.

 

Então você acaba pegando o celular, né, e às vezes a pessoas acha que você não tá prestando atenção, mas não é isso, você tá tentando extravasar essa hiperatividade mental e também se concentrar. 

 

Então, esse ato, que é fidgeting, por isso que eles chamam fidgets, é esse ato de você tá sempre muito inquieto, mexendo nas coisas, e esses… essas pequenas ferramentas aqui, que eu tenho na minha mão, elas ajudam a gente a fazer isso de uma forma deliberada. 

 

E tá sendo uma experiência tão legal, pra mim usar isso, porque é dizer pro mundo que não tem nada de errado em ser como eu sou, inclusive eu estou espalhando a palavra dos fidgets, porque agora, na minha equipe, lá no Brasil de Fato, as pessoas olham os meus fidgets, elas falam, eu quero um pra mim! Tem uma produtora que pegou um pra ela, e ela tá amando usar… que é um até mais barulhento que eu deixei ali no canto porque eu amo ele, eu ia ficar mexendo e ele ia fazer barulho e atrapalhar a entrevista.

 

Mas pra mim, é muito um exemplo de como, sabe? Isso aqui não faz mal pra ninguém…

 

[ ERICK MOTA ]

 

Eu confesso que eu ainda não levei o meu pra redação… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Cara… não levou pra redação, você não teve…

 

[ ERICK MOTA ]

 

Por medo. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Por medo? 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Aí, por medo. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

É, então, eu sempre levo. E na pandemia, eu fiquei muito apegada. Então, hoje eu chego, eu já jogo na mesa. As pessoas ficam curiosas, muitas não têm coragem de perguntar o que é… algumas ficam meio olhando, assim, tipo, ah, o que será que essa menina tá brincando, né, o que será que ela tá na mão? 

 

E tem umas pessoas que tem uma visão bem capacitista, né, eu já ouvi falando que isso aqui é coisa de retardado. Esse termo, que ninguém usa…   

 

[ ERICK MOTA ]

 

Meu deus… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

É… ai, fica brincando com essas coisas de retardado. 

 

Então, assim… primeiro que esse termo é horrível, e segundo que isso aqui faz bem, sabe…

 

[ ERICK MOTA ]

 

Desculpa, mas a minha coisa de produtor… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Você nunca ouviu… 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Você tá engolindo o microfone! 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Eu tô engolindo o microfone? 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Você tá com o queixo pra cima do microfone!

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Eu fiquei empolgada de falar com os meus fidgets, gente, desculpa. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

[Risos]

 

A minha coisa de produtor de podcast… Meu deus, meu deus, meu deus… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Tá atrapalhando, Léo? 

 

[ ERICK MOTA ]

 

[Risos] 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

É…

 

[ ERICK MOTA ]

 

Meu deus, tá ficando ruim! 

 

[Risos] 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Brigada pelo…  [risos]

 

[ ERICK MOTA ]

 

[Risos] 

 

Desculpa! Ó, a mente TDAH aqui… 

 

[Risos]

 

Me deu até calor… [tira o casaco] 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Você perdeu… perde a linha de raciocínio, que a gente se desconcentra, né?

[Risos] 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Desculpa! Perdão, perdão… gente, tô até tirando a jaqueta, me deu até calor… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Não, mas é isso. 

 

Não, era isso que eu queria falar, tipo, eu acho que eu tava muito querendo falar… 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Isso aí seria uma coisa legal pra se adotar…

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Hum? 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Isso aí seria uma coisa legal pras redações adotarem.

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Então, pois é, porque muita gente às vezes… 

 

É isso, né, tem sempre um padrão que você tem que seguir… eu tenho que ficar olhando pra você, se não você acha que eu não estou prestando atenção no que você está falando, e não é, as nossas… 

 

A mente funciona diferente, né, todo ser humano tem a suas formas de funcionar, então isso tá sendo uma experiência muito legal, de usar essas coisinhas, porque você sabe como funciona, você sabe o que pode te ajudar, e a minha concentração hoje é outra, eu pego muito menos no celular, eu consigo manter conversas… 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Sim… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

… às vezes eu tô conversando com alguém, eu vejo que a minha concentração vai embora, até em casa, às vezes meu companheiro chega em casa querendo contar alguma  coisa do dia dele, eu começo a viajar, eu já pego. É outra vida, entendeu?

 

[ ERICK MOTA ]

 

Exato. 

 

Por isso que quando eu tô muito ansioso… eu diminui também muito o uso do celular, inclusive minha mãe reclama, porque agora eu respondo menos no Whatsapp [risos].

 

E… Fidgets seriam uma coisa legal, não tinha pensado nisso ainda… eu não levo porque eu nunca vi ninguém levando e eu tenho medo das pessoas pensarem que eu tô brincando com o meu brinquedinho. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Então, é bom sempre… 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Normatizar essas coisas, normatizar a pessoa botar uma música pra trabalhar, por exemplo, já ajuda muitos neurodivergentes, porque eu funciono muito melhor quando eu tô ouvindo uma música…

 

Normalizar a pessoa levantar e dar voltas… por exemplo, no dia que eu conversei com a minha chefe sobre o meu TDAH, eu falei assim, você já percebeu que a cada meia hora eu levanto, dou uma volta na garagem e volto? Ela falou, já. Aí eu falei, é por isso. É porque eu cansei, quando eu canso, eu preciso dar um restart. Eu levanto e dou uma volta, e volto. Cinco minutos depois eu tô aqui de novo e vou produzir muito mais do que se eu ficasse sentado. Porque se eu estendo aquilo que a minha concentração já delimitou que é o meu limite, vai ser horrível, eu não vou conseguir produzir.

 

E ela aceitou, sabe? Repito, eu tô trazendo como exemplo positivo porque eu confesso que… eu descobri que eu era TDAH, saí de uma redação e não tinha voltado pra uma redação, e eu tinha medo. Eu tinha… 

 

Talvez até fosse por isso que eu achava que eu não ia voltar pra redação. Porque eu contei pra todo mundo que eu era TDAH, e talvez fosse até uma fuga… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

E na verdade, a gente sabe que essa é a realidade, né, Erick, tipo, na real, ainda tem um estigma muito grande e eu tenho certeza que muitas pessoas deixam de contratar sim…

 

[ ERICK MOTA ]

 

Sim. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

… por causa disso. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

E não sabem o que estão perdendo. 

[Risos]

 

[ LUANA IBELLI ]

 

E mais ainda… pessoas que tem o diagnóstico… se qualquer pessoa me perguntasse, em qualquer entrevista de emprego, ai, mas você mesmo tendo essa questão, você acha que você dá conta? Eu falaria, meu filho, tem gente que não sabe dos próprios problemas, a gente sabe, a gente sabe lidar…   

 

[ ERICK MOTA ]

 

Tá medicado… 

 

[Risos] 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Eu tenho todas… 

 

E mesmo que eu não tivesse medicad-

 

Porque às vezes, eu não tô medicada, mas… [risos] 

 

Também… exatamente…

 

A gente sabe, também, pontos fracos, sabe manejar, entendeu… se alguém tá incomodado com os meus fidgets… eu sinto muito [risos], porque é o nosso modo de ser né, cada um tem o seu jeito, e a gente sabe lidar, isso é muito poderoso, quando você descobre o que é, quando você dá nome, quando você se apropria isso de uma forma natural e fala, gente, tá tudo bem… é outra vida, né. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Cara, quer ver, Luana, uma coisa simples pra acolher um neurodivergente na sua redação, que faz toda a diferença? Uma coisa simples, simples… toda redação tem uma mesinha pra um café. Em algum canto vai ter. Se você arruma um espaço pra essa mesinha, arruma só mais um espacinho, qualquer lugar, pode ser até embaixo da escada. 

 

Pra quando a pessoa TDAH tiver com a hiperatividade muito aflorada, ela poder sair dali e trabalhar num canto isolada. Porque a gente… o que acontece com o TDAH, eu tô aqui falando com você, eu tô amarradão nesse papo, mas eu percebi todas as vezes que ele levantou a mão aqui pra te falar, primeiro foi 20 minutos, o primeiro sinal que ele te deu… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos] 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Eu não olhei pra lá, mas eu tô percebendo o que ele tá fazendo. Eu percebi todas as vezes que o nosso diretor de cortes levantou e conversou aqui, e fez um sinal, ele acabou de entregar uma coisa, você viu eu olhando pra lá? Eu não olhei pra lá.

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos] 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Ele acabou de entregar uma coisa na mão dele aqui. Eu não sei o que que foi, mas eu vi ele entregando. Porque eu fico prestando atenção em tudo ao meu entorno. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

É uma antena parabólica que não para nunca… 

 

[ ERICK MOTA ]

 

É aquilo que eu te falei, é bom e ruim… 

 

É bom que, se eu tô no meio de uma manifestação, eu consigo dar mais detalhes, e é ruim porque se eu tô num dia… 

 

E hoje eu não tô hiperativo, viu? Hoje eu tô de boassa

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos] 

 

[ ERICK MOTA ]

 

E, se eu tivesse num dia muito hiperativo, ele ia entregar, eu ia fazer isso aqui [olha na direção dos bastidores], já era… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Já era, perdeu totalmente… 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Minha mente… [sinal de explosão]

 

[ LUANA IBELLI ]

 

É… 

 

[ ERICK MOTA ]

Hoje, eu tô conseguindo me concentrar, que apesar de ter acordado cedo e ter sido desastrado o dia inteiro, como eu contei…

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos]

 

[ ERICK MOTA ]

 

… eu tô tranquilo. 

 

Mas, sabe, então… um cantinho. 

 

Você cons- 

 

Vai, vai, vamos lá, vai, um cantinho cê consegue. E outra, notebook… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

E conversar com a pessoa, né… 

 

[ ERICK MOTA ]

 

…tenha um notebook na redação. 

 

CPU você não consegue levantar e ir pra qualquer canto. Dá um notebook pra pessoa, vai, que que custa? 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

É verdade, a pessoa… 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Notebook, hoje em dia, tá tão barato, tenha um notebook, dá na mão do neurodivergente, fala, ó, quando você tiver muito cansado, pega o notebook e vai pra onde você quiser. 

 

Porque isso, cara, isso muda. Olha como é simples. Acolher… acolher no sentido de falar, senta aqui, me conta, o que você tem? E tá, como que eu posso te ajudar? Ok, você quer contar pros outros ou você não cont- 

 

Porque isso é importante! 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Isso é importante. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

A minha neurodivergência é a minha neurodivergência. Se eu te contei, meu chefe, contei pra você. Não é pra ninguém não, parceiro. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Exatamente. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Então assim… conversa, entenda como a pessoa quer lidar com isso perante o público, libera e abraça a pessoa. E cria um cantinho… pra quem quiser ir, não é só neurodivergente, vai ter alguém que algum dia vai estar mais ansioso naquela redação. 

 

Ter um cantinho não custa! Porque é muito difícil você se concentrar quando você tá ansioso, e teu colega tá falando no telefone, o outro tá fazendo uma piada, o outro tá pegando café, o outro tá falando que a Globo News deu um assunto, cadê, a gente não deu, porque a gente não tem? Você não consegue se concentrar se você tá num dia de maior dificuldade. 

 

É isso. São dicas… ó como são simples, não é simples tudo o que eu falei aqui? 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Sim.

 

[ ERICK MOTA ]

 

É só querer, mano. É só querer.

 

[ LUANA IBELLI ]

 

No final das contas, é o que a gente tá falando, né… 

 

[ ERICK MOTA ]

 

É ser humano!

 

[ LUANA IBELLI ]

 

É. 

 

Inclusão… não constranger as pessoas, né, isso que você falou de respeitar também, se a pessoa quer ou não quer falar. É tudo muito importante. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Cara, no Regra, hoje no Regra… O Regra dos Terços, a gente é uma equipe pequena, é… eu, que trabalho mais na administração, hoje em dia, à distância, minha esposa que faz apenas o tráfego pago, que ela toca uma agência de comunicação, ela faz essa parte pra gente, aí eu tenho dois estagiários e uma jornalista, então somos só nós, por enquanto. 

 

E… teve uma vez que uma pessoa que passou por… nós… eu não sei, eu senti… sabe quando você… eu tenho uma coisa muito de intuição, eu senti que tinha algo diferente. 

 

Eu chamei essa pessoa pra conversar, eu falei, não, vamos fazer uma reuniãozinha? Vamo. Eu só falei, tá acontecendo alguma coisa, você quer desabafar, você quer um tempo pra você? 

 

Primeiro que a pessoa chorou porque ela não esperava isso de um chefe… eu odeio esse termo, mas enfim… E segundo que eu falei, faz o seguinte, tipo, cuida desse problema, cuida desse problema, vai lá, tá de boa. 

 

Resultado, essa pessoa se entregou muito mais ao trabalho depois desse dia. Então assim, eu dispensei a pessoa, eu não tô rasgando dinheiro, eu tô falando, ei, ser humano, você que tá aqui na minha frente, você tem teus problemas, resolve eles, eu vou tá aqui por você.

 

Sabe? Cara, você ganha… se você não for fazer isso porque você é um ser humano legal, que pode ser que você não seja, você que tá ouvindo, não sei se você é, não te conheço…   

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos]

 

[ ERICK MOTA ]

 

Pode ser que você seja um chefe que só pensa em dinheiro. Se você é um chefe que só pensa em dinheiro, saiba que vai te dar muito mais lucro. Sabe, ter esse funcionário satisfeito, as pessoas felizes…

 

Hoje se a minha chefe… desculpa, mas se a minha chefe fala, Erick, quero que você trabalhe sábado e domingo. Cara, eu não vou dizer não. Olha o acolhimento que eu tive! Olha o acolhimento que eu tive, como que eu vou dizer não pra essa pessoa? 

 

Então, eu sei que ela não fez isso por isso, mas tipo… sabe? 

 

Eu acho que falt- 

 

O que que custa, cara? O que que custa? Não custa nada! E vai ser bom pra você, você vai ganhar o coração… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Sim. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Não tenha… é… jornalista pelo medo de perder o emprego, de passaralho, e tudo o mais. Ter o jornalista porque ele quer tá ali, porque se o jornalista não quer tá com você, na sua redação, ele não vai produz- 

 

E outra, eu vou te dizer, como sendo alguém que tá nas duas pontas hoje em dia. Numa pequena empresa e numa empresa maior, e eu já fui editor-chefe, já coordenei equipe de programa ao vivo, por um tempo, fui diretor, já fiz de tudo que você possa imaginar em televisão, e em outros veículos.

 

Tendo essa minha experiência, eu afirmo. Se o funcionário tá insatisfeito, se ele pegar uma puta de uma matéria, ele não vai publicar no teu veículo. Ele vai passar pro colega. Por que? Não, meu chefe é um babaca. Meu chefe vai gritar comigo. Se eu apresentar isso aqui, não, não, não, porque dá muito trabalho, aí eu vou ter que ficar meia hora justificando, sei lá o que. 

 

Se você for um babaca com o teu funcionário, ele vai passar o… melhor coisa pro amigo dele que tá numa empresa legal, que acolhe. 

 

Então, assim. É bom pra você ser um chefe legal. 

 

Repare que eu não tô falando de neurodivergência. Isso é o ponto.  

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Sim. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Como é que lida com neurodivergente? Como você deveria lidar com qualquer ser humano. Respeitando limite, respeitando o espaço, respeitando as vontades, os desejos…

 

Ei, onde você quer chegar?  

 

No meu caso, eu quero ser apresentador. É lá que eu quero chegar. Minha chefe tá ciente disso. Porque ela me perguntou. 

 

O que que custa perguntar? É isso, sabe? 

 

Então, como lidar com neurodivergente? Sendo humano. Sendo humano. Crie espaços que seriam bons para seres humanos nas maiorias das hipóteses. Cabou. Parece simples.

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Perfeito. Perfeito. 

 

E resume muito, muito, muito de tudo o que a gente falou em todos esses episódios, né. 

 

[ LUANA IBELLI / INDICA AFLUENTE E PÕE NA ESTANTE ]

 

Eu vou dar uma pausa pra gente respirar, porque que eu quero fazer aquela indicação de conteúdo, que a gente sempre faz, né… é pra quem se interessa por podcast e por jornalismo, não é à toa que tá aqui ouvindo ou assistindo a gente. 

 

Nós temos o selo da Rádio Guarda-Chuva, que tem um catálogo variado de podcasts, todos de altíssima qualidade… e hoje eu tenho duas indicações pra você. 

 

A primeira é o Afluente, podcast narrativo do jornalista Bruno Tadeu que discute a Amazônia em profundidade, sempre pautado pela diversidade de vozes. Já tem duas temporadas disponíveis por lá, com temas como identidade, meio-ambiente, luta pela terra, saúde, e muito mais, vale super à pena.  

 

O outro podcast é pros apaixonados por literatura. Se você sempre tem espaço pra mais um livro na sua vida, então o Põe na Estante é pra você. Apresentado pela Gabriela Mayer, ele é um clube do livro em áudio, então a apresentadora e os convidados leem o mesmo livro e trocam ideias e impressões sobre a obra. 

 

A sétima temporada do Põe na Estante estreia no próximo dia 9 de setembro, e o tema vai ser Leia África, ou seja, cada episódio vai ser sobre um livro de um autor ou autora do continente africano. Demais né? 

 

Então, vai lá! Pra ouvir essas indicações muito legais é só procurar por Afluente e Põe na Estante no seu tocador favorito.

 

[ ERICK MOTA ]

 

E a Gabriela é maravilhosa, já trabalhei com ela na Band…

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Ela é maravilhosa, não é maravilhosa? 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Um ser humano incrível. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Também pude conhecer pessoalmente, recentemente, e ela é linda mesmo, maravilhosa. Fica aí, tá vendo, mais essa indicação de quem conhece. 

 

Erick, vamos pro final da nossa conversa, a gente teria muitos assuntos pra ficar falando sempre, mas a gente… 

 

[ ERICK MOTA ]

 

É que TDAH fala pra dedéu… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Fala pra dedéu, nossa… eu me segurei tanto, tanta coisa que eu queria fazer intervenção, mas a gente vai poder continuar essa conversa de outras formas… Eu queria que você entrasse… você falou um pouc- 

  

Acabou de adiantar um pouquinho, né, do seu sonho, então eu queria que você compartilhasse mais com a gente, dos seus sonhos profissionais e pessoais, sejam eles relacionados à pauta da neurodivergência, ou não.  

 

[ ERICK MOTA ]

 

Eu sonho, como eu falei, em ser apresentador. É um sonho que eu tenho… eu entrei na faculdade pra isso, basicamente. Sempre tive isso muito fixo na minha mente. É… esse é um sonho que eu tenho e independe… eu gosto tanto de me comunicar que independe da proporção, sabe? 

 

Não ligo, nunca liguei, assim… ah, é nacional, é regional, não, eu só quero ser apresentador, porque eu gosto disso, eu gosto dessa espontaneidade aqui.

 

Eu também sonho em que o Regra dos Terços seja um veículo viável financeiramente, a gente tá alcançando números razoavelmente bons, a gente veio… era um veículo que até dezembro, fazia uma média de 2 mil acessos por mês, e eu tava contando aqui, agora há pouco que a gente fez 60 mil nesse mês, a gente tá gravando, que dia que é hoje? Dezenove… No dia que a gente tá gravando. Então, ainda, o mês não acabou, a gente vai fazer uns 75, por aí, talvez 80. 

 

Saímos de 2 mil, então, ótimo, cresceu pra caramba, legal, Erick, agora deu boa! 

 

Não, porque falta o faz-me rir. O que que é o faz-me rir? Dinheiro! 

 

[Risos]       

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos] 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Então, eu sonho que o Regra seja, financeiramente falando, viável. A gente fala sobre direitos humanos, diversidade, tem um pouco de cultura e lazer também, porque nem só de… porque cultura e lazer também faz parte dos direitos humanos, nem só de B.O. vive a pauta dos direitos humanos, então a gente fala um pouco sobre tudo isso, e quando eu falo do Regra, obviamente inclui o Distraídos. 

 

Eu acredito que se o Distraídos chegar mais longe, de público mesmo, o Distraídos vai causar um impacto social. Eu acho que a gente já tá causando, eu não tenho falsa modéstia. Eu sou bem honesto, eu acho que a gente tá causando, a gente foi ouvido por mais de 19 países, se não me engano, em cinco meses… a gente tem uns ouvintes fixos, e eu sonho que isso se torne algo maior do que eu possa lidar.

 

Porque é uma pauta tão importante, e a verdade é que eu nunca me encontrei tanto, sabe, Luana? E eu finalmente me encontrei, assim. Fazendo o Distraídos eu acho que hoje, de tudo o que eu faço…[tosse].

 

Eu tava segurando essa tosse há muitas horas, perdão.   

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos] 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Fazendo o Distraídos, de tudo o que eu faço, é o lugar onde eu me desnudo. E assim, é um lugar que eu falo do meu problema, da minha dor, que eu choro sem medo, sabe? Apesar de que eu sou um chorão, como você pode perceber… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos] 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Que eu falo de tudo, então eu queria muito que o Distraídos se tornasse maior do que a gente, maior do que eu e a Alpin, porque é a pauta da neurodivergência que a gente traz lá, não é só a pauta do TDAH, e nem só a pauta do autismo. A Alpin também é autista e tem altas habilidades, superdotação. A gente fala sobre neurodivergência, então eu queria muito que, junto com o Regra, o Distraídos crescesse. 

 

E se eu tiver que falar de sonho pra sociedade, é… seria que a sociedade fosse mais humana mesmo, sabe? Porque o que a gente vê, essa briga toda que a gente vê na política, e tudo o mais, é tudo por falta de consciência do que é ser humano. 

 

Ah, Erick, ser humano, neurodivergência, aquilo outro, isso é uma pauta, tá sendo um esquerdista, um comunista… 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos] 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Tipo, amigo, assim… se defender o ser humano…todo… 

Se você tá me ouvindo, e tá compreendendo o que eu tô falando, automaticamente você é um ser humano. E se isso… defender isso, você quiser me rotular com o que você quiser, me rotula, tá tudo bem. Pra mim tá tudo bem. Provavelmente eu nem vou querer saber da tua opinião. A depender da tua linha de raciocínio. 

 

Porque… eu acho que o que falta também nas redações é essa relação mais humana. Então, eu sonho que a humanidade seja mais humana. E automaticamente, a redação precisa espelhar isso. 

 

Hoje eu tenho uma relação, que eu me surpreendi positivamente, mais humana, e eu acho que já deu tempo, né, parceiro, da redação ter grito, de pô, nãnãnã! Já deu. Isso já foi. Já tá mais que provado que não é isso que produz. 

 

Então é isso. Mais humanidade. Entre os seres humanos. Esse seria o meu sonho master, assim. Que aí inclui tudo. Neurodivergencia, comunidade LGBTQIAPN+, comunidade preta, enfim… PcDs… Eu aprendi ouvindo aqui que PcD tá caindo… não deveria ser usado, tô tentando tirar, eu ouvi aqui. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

É Pessoa com Deficiência… 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Pessoa com Deficiência, enfim. Seria isso. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Ai, muito bom, tem tudo a ver. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

E agora eu vou chegar emotivo em casa, que eu tô todo emotivo aqui, você percebe que eu já não tô com a animação que eu tava quando eu comecei [risos]. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Mas isso toca em pontos tão sensíveis da gente, né… e gostei muito de tudo isso que você falou, e tem tudo a ver com essa proposta, mesmo, o que a gente quer com esse projeto é justamente levar essa humanidade, né, e que as pessoas entendam o quanto é positivo ter pessoas diferentes fazendo jornalismo, porque a gente consegue ser mais democrático, e o quanto todas essas subjetividades, essas experiências diferentes de vida podem trazer mais humanidade pro jornalismo. 

 

Muito obrigada, Erick. Antes da gente encerrar de uma vez, mesmo, queria que você falasse pras pessoas as suas redes sociais, como elas podem te achar e os projetos que você queira, claro, também, divulgar. 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Pega caneta e papel.

 

[Risos]

 

[ LUANA IBELLI ]

 

[Risos] 

 

[ ERICK MOTA ]

 

Não, são três. São três, brincadeiras à parte. 

 

As minhas redes sociais pessoais são erickmotaporai, Erick com CK, Mota com um T só. erickmotaporai, todas elas, todas as redes. 

 

O Distraídos, é o @distraidospod, distraídospod, você pode procurar por Podcast Distraídos no seu agregador de podcast que você preferir, mas distraidospod no Insta e no Twitter, e por último, que eu não poderia deixar de fazer, siga o Regra dos Terços, @regradostercos em todas as redes sociais, acesse regradostercos.com.br, seriam essas três, a minha, a do Distraídos, a do Regra, porque a minha sou eu, a do Distraídos é o meu projeto do meu coração, e o Regra é um sonho que tá virando realidade, então, gostaria que as pessoas ajudassem, dessem uma moralzinha lá que a gente se esforça pra fazer um trabalho legal… 

 

E Lu, eu preciso te falar que eu fiquei muito feliz de vir aqui…

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Ai, que bom! 

 

[ ERICK MOTA ]

 

…muito feliz mesmo, é… brigado! 

 

Valeu muito à pena ter acordado cinco horas da manhã no dia mais frio do ano em Curitiba, tá? Valeu… não foi o dia mais frio, mas foi o segundo. Valeu muito à pena, eu fiquei bem feliz e foi um papo muito gostoso… geralmente eu convido as pessoas, foi muito legal ter sido convidado por você, e parabéns pelo projeto. 

 

Não só do podcast, como o do próprio Portal dos Jornalistas, vocês são incríveis, parabéns. Obrigado. 

 

[ LUANA IBELLI ]

 

Ai, que bom! Que bom, brigada. E que bom a gente poder encerrar esse projeto com esse tema, que é um tema muito próximo do meu coração, assim, que é tão difícil falar e que ainda mexe tanto comigo, né… esse projeto tem muito de pessoal, meu, né, que veio de coisas que eu mesma passei nas redações, né, ao tentar falar de diversidade, enfim, vou tentar não me emocionar, mas é muito legal ver tanta gente bacana passando por aqui, ver que a gente não tá sozinho, ver que essas questões, elas perpassam por muitos jornalistas e cada um, na sua diversidade, tá fazendo a diferença, né, e tá pautando coisas muito importantes pra sociedade, e é isso que eu espero com esse projeto, eu espero abrir mentes, abrir corações, fazer um jornalismo melhor, mais democrático, seja qual for a sua diversidade, se você não tiver diversidade… até homem hétero hoje em dia, às vezes, tem uma cota pra eles… na diversidade [risos]… Todo mundo pode entrar nesse bonde, porque é um bonde que a gente quer ver pra melhorar isso que a gente faz, né. 

 

Então, gente, eu queria encerrar mesmo, eu queria agradecer você que acompanhou a gente nesses seis episódios, esse projeto foi feito com muito amor, com muito carinho, foi um projeto muito esperado pela equipe do Portal dos Jornalistas, e é incrível ver ele acontecendo, e encerrar dessa forma pra cima, né, com muita alegria, enfim, a gente espera ter outras coisas, pra você que acompanha a gente, mas por hoje a gente vai encerrar aqui esse projeto… 

 

Divulgue, né, pensei sobre todos esses temas que a gente falou, porque eles não se esgotam, existem muitas outras diversidades acontecendo, não só essas que a gente trouxe aqui, mas eu acho que a gente já começa um debate, né, justamente sobre isso, sobre como a gente pode ser mais humano, mais democrático, e melhorar o debate jornal- jornalístico de uma forma geral. 

 

Então, muito obrigada, nossa audiência, todo mundo, enfim, que ouviu, que tá com a gente, que divulgou, esperamos voltar e falar muito mais sobre esse tema. 

 

[ LUANA IBELLI / ENCERRAMENTO ]

 

Então, vamos pro nosso encerramento, queria agradecer a equipe maravilhosa do Portal dos Jornalistas, Anna França, estagiária, Fernando Soares, editor, e  Victor Félix, repórter. 

 

Tem os nossos apoiadores, Ajor, Associação de Jornalismo Digital, a ICFJ, International Center for Journalists, [Meta Journalism Project], a Imagem Corporativa, e a Rádio Guarda-Chuva.  

E tem também os nossos parceiros institucionais, a Énóis Conteúdo e a Oboré Projetos Especiais

Gente, até um próximo projeto, um beijo, tchau!  

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