O dia em que o âncora falou demais

Paulo Sotero e William Waack

A notícia que tomou conta de todos os jornais e, principalmente, da internet completou oito dias nesta quarta-feira (15/11). Exatamente uma semana atrás, a Rede Globo decidiu pelo afastamento por tempo indeterminado do âncora do Jornal da Globo William Waack. O anúncio foi feito poucas horas depois do vazamento de um vídeo em que o jornalista faz comentários racistas durante a cobertura das eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2016.

“A Globo é visceralmente contra o racismo em todas as suas formas e manifestações”, iniciou o comunicado da emissora, proferido também pela substituta de Waack no Jornal da Globo, Renata Lo Prete.

Ao condenar ou defender, os comentários se multiplicaram – deixando o nome Waack nos trending topics das redes sociais. Houve de tudo: desde quem defendesse a ideia de que o jornalista estaria sendo usado como bode expiatório, passando por teorias conspiratórias de que a Globo já teria intenção de dispensá-lo, por isso vazou o vídeo, até análises sobre a escravidão no Brasil e o racismo veladamente difundido em todo o País (como ensaiou The News York Times).

Quando calar é o melhor remédio

O tema é outro, mas a violência, não. No mesmo dia (8/11) em que William Waack dava o ar de sua graça preconceituosa por meio de um VT antigo extraído da ilha de edição da maior empresa de comunicação do País, o chefe de gabinete da Prefeitura de São Paulo falava em barrar a imprensa.

O áudio de Lucas Tavares, número dois da Comunicação do município, também vazou, expondo seu caráter ditatorial e sem limites. Nele, Lucas afirma sua pretensão de fazer tudo o que for “formal e legal” para “botar dificuldade” no acesso à informação por jornalista até fazê-lo “desistir da matéria”. O secretário chega a citar nomes de profissionais dos quais pretendia dificultar o trabalho. Ele pediu exoneração após a repercussão negativa.

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