O adeus a Celso Pinto, criador do Valor Econômico

Celso Pinto. Foto: Cacalos Garrastazu-3/1/2000-Valor/Ag. O Globo

Morreu nessa terça-feira (3/3) em São Paulo Celso Pinto, que foi um dos mais influentes jornalistas de economia do País e criador do jornal Valor Econômico. Afastado das redações desde maio de 2003, quando sofreu uma parada cardiorrespiratória, Celso foi internado com pneumonia há duas semanas e não resistiu a complicações decorrentes da doença. Ele tinha 67 anos. Deixa a esposa Célia de Gouvêa Franco, editora executiva do Valor, dois filhos, Pedro e Luis, e um neto. O velório foi às 10h, no Cemitério do Morumbi, e o enterro às 14h.

Nascido em São Paulo, formado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e Jornalismo pela Faculdade Cásper LÍbero, Celso começou a carreira em 1974 como repórter de Economia na Folha de S.Paulo. Cinco meses depois, com apenas 22 anos de idade, foi destacado para cobrir uma reunião da Organização Internacional do Café, em Londres. Saiu-se tão bem que foi recompensado na volta ao Brasil com o primeiro aumento de salário.

Após alguns meses, seguiu para a Gazeta Mercantil, onde foi editor de Finanças e Assuntos Nacionais, trabalhou em Brasília e como correspondente em Londres. Em 1996, voltou à Folha como colunista, a convite do publisher do jornal, Octavio Frias de Oliveira (1912-2007). Escrevia quatro vezes por semana no primeiro caderno e seus artigos tornaram-se leitura obrigatória para ministros, banqueiros e empresários.

Em 2000, quando os grupos Folha e Globo uniram-se para lançar o Valor Econômico, Celso foi chamado para liderar o projeto. Ele o desenvolveu com uma equipe que chegou a reunir 160 jornalistas, incluindo vários colegas que tinham trabalhado com ele na Gazeta e na Folha. O jornal chegou às bancas em maio daquele ano, com Celso como diretor de Redação. Mas ele manteve uma coluna semanal no jornal até 2003, quando passou mal durante uma partida de tênis e teve a carreira interrompida abruptamente.

Em 2016, o Grupo Globo comprou a parte da Folha no Valor e passou a controlar o jornal sozinho. Celso foi membro do Conselho Editorial da Folha até 2019.

Ele tocava piano, usava suspensórios e, segundo quem o conheceu, tinha um humor que surpreenderia os leitores de seus artigos sóbrios. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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