30.5 C
Nova Iorque
sábado, julho 13, 2024

Buy now

MJ Macedo lança A espetacular vida da Morte

O romance de estreia de MJ Macedo conta a história de Horácio Portobello, um jornalista atrapalhado que se torna vendedor de cachorro-quente após cobrir uma pauta ?bombástica? envolvendo ninguém menos que… a filha de seu chefe! Na nova profissão, porém, Horácio se vê diante de uma possibilidade de furo de reportagem quando a Morte, em pessoa, aparece à sua frente pedindo um ?dogão duplo?. Em entrevista ao Portal dos Jornalistas, MJ ? como gosta de ser chamado ? fala sobre a inspiração para escrever seu primeiro romance, carreira e suas múltiplas habilidades, que vão do Jornalismo à Publicidade, passando por quadrinhos e arte-finalização. Portal dos Jornalistas ? A espetacular vida da Morte é seu primeiro romance. Como o definiria em uma palavra? MJ Macedo ? Eu o definiria como “lúdico”. Sempre o enxerguei assim: como uma grande brincadeira. Me diverti muito ao escrevê-lo e queria que os leitores tivessem a mesma sensação ao lê-lo. Portal dos Jornalistas ? Já havia rabiscado alguma coisa de romance antes? Por que resolveu enveredar por esse estilo? MJ ? Sempre gostei de contar histórias, desde que me dou por gente. Passei grande parte da minha adolescência escrevendo roteiros, contos, anotando ideias e pensando em como poderia colocá-las em prática. A ideia do livro surgiu naturalmente e creio que reflete muito do que sou e do que gosto como público. Portal dos Jornalistas ? Em quem se inspirou para criar Horácio? MJ ? A proposta inicial era que apenas a Morte fosse a personagem principal. Ela tinha aquele jeito inocente de enxergar qualquer situação, por mais bizarra que fosse, com uma naturalidade absurda. E uma falta de entendimento absoluto sobre coisas simples e rotineiras, do mundo “mortal”. Porém, conforme fui desenvolvendo a história, vi que o Horácio ganhava uma importância cada vez maior, dividindo o papel principal com a Morte. Portanto, ele deveria ser engraçado por si só. Logo me vieram à mente as antigas comédias do [ator britânico] Peter Sellers. Não só o inspetor Clouseau de A Pantera Cor de Rosa, mas também alguns outros personagens dele, como o Hrundi V. Bakshi de Um convidado bem trapalhão. Dali tirei o DNA principal do Horácio, com uma pitada de Jerry Lewis [comediante e diretor norte-americano]. Portal dos Jornalistas ? Alguma vez, em seu trabalho, envolveu-se em uma confusão parecida com a de Horácio? MJ ? Muitas vezes. Creio ter uma aptidão natural para atrair situações constrangedoras (risos). Eu, assim como Horácio, sou muito distraído e isso já me colocou em episódios bem complicados. Portal dos Jornalistas ? Por exemplo? MJ ? Certa vez, nem tão distante assim, minha mãe, que mora no interior, estava fazendo uma limpeza na garagem dela e achou uma réplica de arma que eu tinha quando era moleque. Daquelas que atiravam bolinhas de pressão de plástico. Nem me lembrava que tinha mais aquilo. Conversando com um amigo, ele perguntou se eu podia dar a réplica para ele. Concordei e, quando fui visitar minha mãe, peguei a tal arma de brinquedo e coloquei na mochila. Na volta, tinha que ir para um congresso em um hotel de luxo, aqui em São Paulo, e, devido ao trânsito na entrada da cidade, não tive tempo de passar no meu apartamento. Estava no saguão principal, atrasado, apressado, procurando meu crachá e, compenetrado, falando ao telefone com meu chefe, resolvendo um problema bem sério. E, nessas, puxei a arma da mochila, pra desenroscar o cordão do crachá preso nela. Juro que demorei alguns momentos para entender porque todos aqueles gringos, paranoicos com terrorismo e essas coisas, começaram a se jogar no chão. Fiquei olhando em volta, tentando encontrar o que estava assustando a todos e pensando se ficava parado ali ou me jogava no chão também, enquanto meu chefe gritava, perguntando o porque eu estava mudo. Então me dei conta de onde meu crachá tinha ficado enrolado e porque as pessoas estavam apavoradas. No mesmo instante guardei a réplica de plástico, mas já havia um batalhão de seguranças vindo na minha direção e um estado de histeria ao meu redor. Graças a Deus, antes de ser morto pelos seguranças do local consegui explicar o malentendido e entrar no congresso. Mas todo mundo ficou me olhando estranho o resto da tarde (risos). Portal dos Jornalistas ? Você é um profissional de muitas habilidades. Consegue eleger uma favorita? MJ ? É difícil. Sempre fiz tudo com muito amor e afinco. Mas acredito que minha maior paixão é criar histórias e gerar ideias. Não importa como. Seja em palavras, desenhos ou qualquer outra forma. Nada dá mais prazer que ver uma proposta concretizada. Portal dos Jornalistas ? O que veio primeiro em sua carreira: quadrinhos ou Jornalismo? MJ ?Sempre quis trabalhar com quadrinhos, mas acabei me envolvendo com Jornalismo e Publicidade primeiro. Acho que por serem mercados mais acessíveis, mesmo com toda a competição existente em ambos.  Portal dos Jornalistas ? Fale um pouco mais sobre como desenvolveu sua carreira… MJ ? Entretenimento sempre foi meu foco. Gosto muito de trabalhar com isso. Quando era mais jovem passava muito tempo pensando em como entrar na área. Hoje, mesmo ainda sendo um setor bem restrito, é bem mais fácil do que dez anos atrás, por exemplo. Analisando a história de outras pessoas que trabalhavam com entretenimento, percebi que muitos haviam trabalhado antes com Jornalismo, Publicidade ou algum outro setor de Comunicação. Então resolvi trilhar o mesmo caminho. Sempre tive facilidade para aprender a mexer em programas sozinho e isso me garantiu emprego como arte-finalista, em gráfica, enquanto estudava. Aprendi demais sobre a parte técnica de impressão, diagramação, custos etc.. Pouco depois fui chamado para diagramar um jornal e, posteriormente, trabalhar na Redação. Passei um bom período alternando entre Jornalismo e Publicidade/Marketing, em vários locais diferentes. Sempre tive perfil inquieto. Até hoje não sei se é algo bom ou ruim (risos). Como tinha experiência tanto com textos quanto com a parte gráfica, tinha facilidade para transitar de um para o outro e ? ainda bem ? vários convites de trabalho. Durante todos esses anos, paralelamente, estudava sobre mercado de entretenimento e aprimorava minhas técnicas de desenho e escrita. Além de preencher minhas horas vagas com trabalhos menores para algumas editoras e produtoras. Em 2010 julguei já ter know-how suficiente e um bom portfólio para me dedicar integralmente aos quadrinhos e à concept art. E isso foi um passo muito importante. Embora seja bem puxada a rotina de um quadrinista, trabalhar por conta própria me deu a liberdade que sempre quis para me dedicar a projetos pessoais e colocar em prática os planos de anos. Portal dos Jornalistas ? Você também fez a adaptação de Cidade de Deus do cinema para o HQ. Como foi a experiência? Já havia feito algum trabalho semelhante? MJ ? Trabalhar com o Fernando Meirelles e o pessoal da O2 [Filmes] é um experiência maravilhosa. O Fernando, sempre digo, é um amor de pessoa. Humilde, gentil, atencioso e extremamente flexível. Não houve, em momento algum, imposições ou restrições. Tive liberdade, do início ao fim, para sugerir o que quisesse e defender minhas convicções do que seria melhor para o projeto. Eu nunca havia adaptado antes um filme e foi algo desafiador. Fazer essa conversão entre dois formatos tão distintos é mais complexo do que parece. Você deve manter-se fiel à obra original, mas saber os momentos corretos de intervir e modificar as cenas e diálogos para que se adapte bem às HQs. Em momento algum eu poderia perder o tom narrativo do Fernando. Era uma história dele, não minha. Era a voz dele que deveria permanecer ativa, ou seria só mais uma adaptação do livro, e não do filme. Portal dos Jornalistas ? Tem novos projetos à vista? MJ ? Estou envolvido em vários projetos no momento, inclusive um nacional bem grande e um europeu, que é algo que me dará muito orgulho, quando puder contar mais. Infelizmente são contratos bem engessados em termos de sigilo. Estou, também, preparando há um ano e meio um canal de animação de humor com personagens meus. Tem uma proposta diferente, que consegue agradar a crianças e adultos. Inicialmente será divulgado no youtube, para disseminação mais rápida. Mas já estamos negociando histórias em quadrinhos e álbuns de luxo, produtos franqueados e iniciando conversas com alguns canais por assinatura. O bom é que hoje em dia tenho acesso a essas pessoas com mais facilidade. Recentemente fechei contrato com uma editora americana de quadrinhos para a publicação de cinco títulos voltados para o publico adulto, com personagens meus. São histórias de super-herói, ficção e terror, com um toque muito particular. Conversando com o editor, adiamos para 2013, para conseguir conciliar com a minha agenda e a dos artistas que convidei para o projeto. E, para finalizar, a ideia é publicar mais três livros ano que vem, também pela Gutenberg. Um segundo livro da Morte, que é uma história independente e não uma continuação, e outros dois de fantasia. É uma saga que cultivo com carinho faz bastante tempo e só não desenvolvi melhor antes porque queria algo realmente diferente do que o pessoal tem feito por aí. Sem elfos, fadas, anões, lobisomens, vampiros e toda essa mesmice. Já tenho grande parte desse material pronto. A ideia, a longo prazo, é só ficar com meus personagens e projetos. Desenvolver um negócio sólido de entretenimento em torno disso. E, em algum momento dessa maluquice toda, descansar um pouco e, se der, dormir (risos).SERVIÇOLivro A espetacular vida da Morte, de MJ MacedoEditora: GutenbergNúmero de páginas: 248Preço: R$ 34,90 Disponível para compra aqui.

Related Articles

22,043FãsCurtir
3,912SeguidoresSeguir
21,900InscritosInscrever

Últimas notícias

pt_BRPortuguese