Empresário flerta com retorno do Diário de SP, mas ex-funcionários seguem sem receber

Notícia veiculada nessa segunda-feira (7/10) no site www.spdiario.com.br anuncia o possível retorno do Diário de S.Paulo. Uma das mais tradicionais publicações da imprensa paulista, o jornal fundado em 1884 teve sua falência decretada no início de 2018, após amargar anos de crise e constantes mudanças em seu comando.

Quem está por trás desse possível retorno é Kleber Moreira, presidente do Grupo Bom Dia, que edita o jornal Bom Dia Rio Preto. Curiosamente, o Grupo Bom Dia fazia parte do mesmo conglomerado que editava o próprio Diário de S.Paulo, vendido em 2013 à Cereja Comunicação Digital, pela Traffic, de J. Hawilla.

Kleber Moreira

De acordo com o comunicado, a versão impressa do jornal retornará “com uma proposta arrojada para suas versões impressa e web, priorizando o dinamismo e seriedade”, e será comandada “por um grupo de executivos com décadas de experiência na área da comunicação”.

Segundo apurou o repórter Ivan Martínez-Vargas, da Folha de S.Paulo, Moreira arrematou, em leilão, um pacote com 32 marcas relacionadas ao jornal. O valor total da transação foi de R$ 30 mil, sendo R$ 6 mil pagos na entrada e o restante parcelado em seis vezes de R$ 4 mil. O valor arrecadado será pago à massa falida das empresas Minuano, Editora Fontana e Cereja.

Candidato derrotado a deputado estadual nas últimas eleições pelo Patriotas, Kleber Moreira responde até hoje por dívidas relacionadas à campanha. Dentre elas, ao jornalista Roberto Egydio Lofrano, a quem deve R$ 10 mil por serviços de assessoria de imprensa prestados em sua candidatura. “Eu enfrento processos de dívidas devido à dificuldade do mercado”, defendeu-se o empresário. “Os veículos de comunicação estão sofrendo com a crise”.

De mãos abanando – Quase dois anos após o fechamento do jornal, os ex-funcionários da publicação seguem sem terem recebido seus salários atrasados e verbas rescisórias. Todos os casos já foram julgados, com ganhos de causa para os profissionais.

“O problema é que a interventora designada pela justiça recebe cerca de R$ 100 mil por mês para cuidar do caso, e por isso não tem interesse em dar andamento e encerrar os processos”, reclamou um dos jornalistas que preferiu não se identificar. “Já estamos nos organizando para contratar um advogado especializado em falências para ver se conseguimos finalmente desatar esse nó e receber o que nos é de direito”.

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