Célia Rosemblum

(Célia Beatriz Rosemblum) ? ?Entrei no Jornalismo de Economia meio no susto. Estava formada havia dois anos, tinha trabalhado um ano em uma revista setorial de moda, o Guia Oficial da Moda Brasileira, outro como assessora de Comunicação da KSR, uma distribuidora de papel, e havia feito uns ?frilas? para o caderno de Informática da Folha de S.Paulo e algumas publicações especializadas. Foi quando a Daniela Chiaretti, minha companheira de turma na ECA-USP, me indicou para um programa de trainees que a Gazeta Mercantil estava iniciando. Foi ela quem me apresentou ao Matias Molina, que comandava a Redação e foi para mim, como para uma grande turma que passou por lá, um grande professor. Dei sorte e fui contratada, em 1985, para a editoria de Trabalho, que cobria movimento sindical, emprego, previdência e um pouco do movimento dos executivos no mercado, além de tendências de gestão de recursos humanos. Naquele tempo em que as matérias literalmente ?desciam? para a composição, uma das tarefas que eu tinha era ?pentear?, ou melhor, preparar os textos que chegavam das sucursais e agências por telex para publicação. Tive um chefe, José Casado, que me ensinou com humor peculiar a ir atrás da notícia e a supervisão vigilante do Molina que, diariamente, lia com lupa o jornal inteiro e questionava cada vírgula da matéria que considerasse inadequada. Foi um período feliz. Redação pequena, onde todos se conheciam, conversavam, trabalhavam em equipe e bebiam juntos. Uma parte desta turma está reunida hoje no Valor Econômico. Aliás, acho que é porque tive a sorte de estar nessa época na Gazeta Mercantil que hoje tenho a sorte de estar no Valor. O Molina sempre dizia que ?lugar de repórter é na rua?. Não cansava de tamborilar os dedos na mesa e repetir essa frase quando estávamos ao telefone. Lembro com saudades das tardes que passava percorrendo sindicatos, Fiesp, fábricas, junto com os colegas de outros jornais, que sempre se mostravam companheiros. Só sobrevivi à minha primeira coletiva, por exemplo, graças a ajuda de um superjornalista. Era uma das primeiras divulgações do nível de emprego feitas pelo Seade/Dieese e eu estava completamente perdida entre o ?desemprego oculto pelo desalento? e o ?desemprego oculto pelo trabalho precário?. A ajuda para decifrar os enigmas veio de forma espontânea do Rolf Kuntz, que já trabalhava no Estadão. Fui repórter de Trabalho por alguns anos e aí passei para a Política, também comandada pelo José Casado, tendo feito a cobertura da primeira eleição direta presidencial. Depois de um tempo, virei editora de Trabalho. Da Gazeta Mercantil, na qual fiquei quase oito anos, fui para o Estadão, como redatora na Política. Por questões pessoais, passados dois anos, fui trabalhar na área de traduções. Mas, aos poucos, um ?frila? aqui, outro ali, retomei o contato com o Jornalismo. Quando estavam montando o Valor, a Rosvita Saueressig e a Vera Brandimarte me convidaram para integrar a equipe, como editora-assistente de Suplementos Especiais. A Rosvita logo assumiu uma área mais ampla e eu fiquei responsável pela editoria, que faz desde o Guia Veículos às revistas setoriais. O trabalho inclui o primeiro caderno regular da imprensa sobre responsabilidade social corporativa, o Empresa & Comunidade, um dos projetos que mais satisfação me trouxe profissionalmente. Quando não estou trabalhando, adoro ficar com minhas filhas e cuidar de plantas. Só lamento que, por enquanto, nenhuma das moças tenha mostrado interesse por ser também jornalista.”

Extraído do livro Jornalistas Brasileiros – Quem é Quem no Jornalismo de Economia (Mega Brasil/Call Comunicações, 2005).

 

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