Sobre Carlos Castello Branco, pai de todos os colunistas políticos

Castelinho (Crédito: Jair Cardoso)

Por Edson Pinto de Almeida

Começo dos anos 1980, eu, um jovem redator da Rádio Cidade, que pertencia ao Jornal do Brasil. Trabalhava na mesma redação da sucursal de São Paulo, comandada por Armando Figueiredo. Ficávamos ali na Paulista, no edifício Eluma.

Eu chegava cedo, às 6 da manhã, para escrever as primeiros notícias para a rádio. Ainda de manhã, Castelinho chegou, a redação ainda vazia. Deu bom dia, perguntou a que horas o pessoal costumava chegar e sentou-se próximo de onde eu ficava. Pegou algumas laudas e começou a batucar a sua coluna diária. Era como já estivesse tudo pronto em sua cabeça. Datilografou tudo de forma rápida, o que me deixou impressionado. Quando terminou, deu uma rápida conferida e mostrou-me o texto. Quer dar uma lida?, perguntou. Fiquei ali, espantado, incerto sobre o que fazer, mas peguei o texto e li. Nenhum erro, texto limpinho do começo ao fim. Imagine isso com máquina de escrever, não havia computador.

Sem saber o que dizer, devolvi o texto e perguntei a ele outra coisa. Paulo Francis, em um de seus livros, dissera que a única vez em que empregou a expressão “via de regra” foi no Diário Carioca. E que Castelinho ao ler o texto riscou a expressão e anotou em vermelho: via de regra é vagina. Dali em diante Francis conta que nunca mais escreveu aquilo.

Perguntei a Castelinho se a história era verdadeira. Ele sorriu, disse que não lembrava, mas que era possível. Levantou-se, agradeceu e saiu para tomar um café.

Fiquei ali admirando a simplicidade com que me tratou. E me deixou feliz por ter uma história para contar aos netos: o foca pôde assistir ao vivo Castelinho escrever sua coluna e ainda por cima ler direto na lauda. E de lambuja conferir se Paulo Francis contou mesmo a verdade. Foi bom demais.

Edson Pinto de Almeida

A história desta semana é de um estreante neste espaço: Edson Pinto de Almeida, editor assistente no Valor Econômico, na área de Projetos Especiais. Tem carreira de 43 anos, dividida, a partir dos anos 1980, entre o jornalismo econômico e a comunicação corporativa − metade para cada. Na mídia impressa, trabalhou em Folha de S.Paulo, Exame, Forbes e Veja.


Tem alguma história de redação interessante para contar? Mande para baroncelli@jornalistasecia.com.br.

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