Na segunda-feira (17/5), Renata Afonso, anunciada em 13 de abril como a nova CEO da CNN Brasil, assumiu oficialmente o canal. Em comunicado, a empresa declarou que a programação jornalística seguirá sendo o carro-chefe, e que Renata terá o objetivo de expandir a marca da emissora e focar na ampliação de soft news, como viagens, economia, diversidade, saúde e documentários.
Ao lado de Renata, estarão a COO Jercineide Castro e cinco vice-presidentes: Américo Martins (Conteúdo), Anthony Doyle (Distribuição), Leandro Cipoloni (Jornalismo), Marcus Vinícius Chisco (Comercial) e Virgílio Abranches (Programação).
O clima na CNN Brasil, porém, é tenso e de temor, segundo Ricardo Feltrin, colunista do UOL. Os profissionais temem uma “limpa” na redação, especialmente os que foram trazidos e convidados diretamente pelo ex-CEO Douglas Tavolaro. Feltrin informa que todo o círculo que trabalhava com Tavolaro já foi dispensado: secretárias, assistentes, ajudantes e até mesmo a assessoria que prestou serviço à CNN Brasil nos últimos 12 meses.
O medo maior, no entanto, segundo o colunista, refere-se aos repórteres, comentaristas editores e diretores. Feltrin acredita que cortes e mudanças na programação aconteçam em breve.
Sobre o assunto, a CNN Brasil emitiu nota informando que “nenhum corte foi feito na equipe da emissora e nem está previsto”, e que “Renata Afonso está totalmente focada em estratégias de expansão da marca”.
Há limites para liberdade de expressão? Onde ela começa e onde termina? Faltando pouco menos de 80 anos para chegarmos a 2100, talvez seja meio cedo para apostar em qual vai ser o “embate ideológico do século”. Mas esse é um forte candidato.
A proposta inclui a criminalização de funcionários públicos que vazem documentos oficiais, com a criação de um novo órgão para julgar se a revelação de uma informação confidencial foi motivada por “interesse público”, o que justificaria o vazamento.
A dificuldade de legislar sobre a questão fica evidente no texto de apresentação, que assegura o compromisso do país com a liberdade de imprensa, mas ao mesmo tempo sustenta que vazamentos podem prejudicar o país e as pessoas.
Aí mora o problema. A quem o vazamento prejudica? A um governante cujas que viu suas más escancaradas? Ou ao país, se a informação ajudou terroristas ou potências estrangeiras hostis?
Não se sabe ainda a forma final da lei, mas se for aprovada com está na proposta vai ficar mais arriscado para funcionários públicos revelarem à imprensa informações que poderiam até ser de interesse público. Quantos vão se arriscar a perder o emprego e ir para a cadeia?
Jornalistas nas redes sociais, mais um capítulo
O limite para a liberdade de expressão também é seguidamente colocado à prova no âmbito das empresas, sobretudo as jornalísticas.
Mas, ao se manifestar após o desligamento, Adeel Raja questionou o pensamento ocidental por defender os direitos humanos e a liberdade de expressão mas não admitir que ele possa ter sua opinião. Sem entrar no mérito da declaração, inaceitável sob qualquer ponto de vista, o que ele aponta é aplicável a outras situações em que os limites não são tão evidentes.
Nesse ponto, as redes sociais tornaram ainda pior o que já era difícil, porque é planetário o alcance da opinião de um indivíduo associada ao jornal ou à empresa onde trabalha.
Não houve uma onda de punições. Mas não é difícil imaginar que os profissionais da rede tenham passado a pensar duas vezes antes de emitir opiniões, seja para não constranger a empresa onde trabalham ou para evitar reprimendas dos chefes. Mais uma situação em que o tal limite é difícil de ser traçado.
Liberdade de expressão, Big Techs e democracia
A opinião do público sobre o valor da liberdade de expressão foi medida em 53 países pela pesquisa Índice de Percepção da Democracia, apresentada na semana passada em Copenhagen. O estudo revelou que a desigualdade econômica é vista como maior ameaça ao Estado democrático.
Em seguida vem o medo de que restrições à liberdade de expressão afetem a democracia local. E em quarto lugar, depois de fraudes nas eleições, aparece o poder das plataformas digitais globais.
Não deixa de ser um paradoxo, já que em países com regimes autoritários e meios de comunicação sufocados as redes sociais emergem como único canal para ativistas se manifestarem e denunciarem ilegalidades praticadas por governos. E assim exercerem a liberdade de expressão.
Ainda faltam 79 anos para 2100. Pode ser que até lá o ponto de equilíbrio seja encontrado.
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O prêmio é uma das atividades do Projeto Respeito e Diversidade, cooperação entre o CNMP e o Ministério Público Federal, por intermédio da Procuradoria-Geral da República e da Escola Superior do Ministério Público da União.
O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) divulgou em 19/5 no Diário Oficial da União as regras para participação no PrêmioRespeito e Diversidade. Com inscrições gratuitas de 1 a 30/6, a premiação, dividida nas modalidades Imprensa e Sociedade, é de R$ 20 mil para o primeiro colocado, R$ 15 mil para o segundo e R$ 10 mil para o terceiro, , nas duas modalidades. O prêmio é uma das atividades do Projeto Respeito e Diversidade, cooperação entre o CNMP e o Ministério Público Federal, por intermédio da Procuradoria-Geral da República e da Escola Superior do Ministério Público da União.
A inciativa é um concurso cultural nacional que busca estimular e valorizar atividades voluntárias e a produção de trabalhos jornalísticos veiculados na imprensa brasileira, desenvolvidos com a finalidade de informar e conscientizar a população sobre a importância da diversidade, do respeito e da valorização das diferenças.
Podem se inscrever jornalistas, radialistas e repórteres, com registro profissional reconhecido pela Secretaria do Trabalho do Ministério da Economia, o qual deverá ser apresentado, digitalizado e legível, no ato da inscrição. As reportagens submetidas devem ter sido publicadas em jornal impresso, revista, rádio, TV ou web e terem sido veiculadas de 10/12/2020 a 1/6/2021. Cada candidato poderá inscrever um único trabalho em cada segmento.
A modalidade Imprensa premiará matérias e reportagens que tragam informações e promovam a conscientização sobre valores basilares de uma sociedade democrática e livre de preconceitos, concebida como espaço de diálogo, de liberdade e de respeito, na qual equidade, acesso à vida digna e justiça social são vitais para o fortalecimento da democracia. Contando com duas categorias distintas, Jornal impresso, Revista Impressa e Webjornalismo; e Radiojornalismo e Telejornalismo, as reportagens precisam ter sido editadas e publicadas em língua portuguesa. A categoria Sociedade premiará atividades voluntárias que tenham objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, esportivos, ambientais, recreativos ou de assistência à pessoa, que visem ao benefício e à transformação da sociedade com o engajamento de voluntários.
Poderão concorrer organizações da sociedade civil sem fins lucrativos que já estejam legalmente constituídas há pelo menos um ano e que estejam atuando em qualquer unidade da fFederação com, no mínimo, uma sede. Cada participante poderá inscrever apenas um único projeto para concorrer à premiação.
Débora Pratali aceitou convite e há algumas semanas assumiu a recém-criada Diretoria de Comunicação da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, o Einstein. Chega para ser responsável pela gestão de reputação do sistema Einstein, que compreende 13 unidades de saúde privada, incluindo o Hospital Israelita Albert Einstein e o Órion (Goiânia), 28 Unidades do SUS e as áreas de Ensino, Pesquisa, Inovação e de Responsabilidade Social.
O escopo do trabalho abrange a estratégia e operação da comunicação corporativa, incluindo o relacionamento com stakeholders e com a mídia; parcerias editoriais; comunicação digital; publicações e conteúdos institucionais e de educação e conscientização para a saúde; plataformas proprietárias e multimídias, além de eventos institucionais, gestão de crises e marca corporativa.
Ao longo da carreira, Débora atuou em FSB, onde esteve por 15 anos, JeffreyGroup e, por último, InPress Porter Novelli. Antes, trabalhou em jornais do interior e na Folha de S.Paulo. E sua relação com o Einstein não é recente. Em 2017, quando estava na JeffreyGroup, dirigiu a conta até final de 2019.
Débora disse ao Jornalistas&Cia: “O convite para assumir a posição foi um presente, já que poderei trabalhar a comunicação com o mindset empreendedor, aliado a um propósito claro e verdadeiro, que já está incorporado a todas as atividades do Einstein e em sua missão. A disseminação de informação de qualidade será uma grande e importante prestação de serviço para toda a sociedade. Queremos que o conhecimento gerado no melhor centro de saúde da América Latina seja compartilhado, para que ajudemos a transformar o futuro da saúde no Brasil e fora dele. E a comunicação será decisiva nesta empreitada. Vamos criar canais para levar a informação de qualidade a cada stakeholder, munir a mídia com fatos relevantes, que empoderam o paciente, gerar o debate com temas estruturais do setor e criar conexões com os players deste ecossistema”.
Ela reporta-se ao diretor-geral Henrique Neves, que está no comando da operação há mais de 15 anos. “A criação da diretoria é um reconhecimento do Einstein à importância da comunicação na estratégia das organizações modernas, mas principalmente porque acreditamos no potencial de sua contribuição para a melhoria da saúde da população e das pessoas”, explica Henrique.
“Para cumprirmos a missão do Einstein de levar saúde a todos os cidadãos é fundamental vencer os desafios que o setor nos impõe”, afirma Sidney Klajner, presidente do Einstein. “A comunicação de qualidade para a educação da população, visando o engajamento do autocuidado e prevenção, assim como o empoderamento dos pacientes, será parte fundamental na transformação da saúde que precisa acontecer. Desta forma, também se faz necessária a relação com os diversos stakeholders e a geração do debate em torno dessas mudanças tão necessárias. Esse novo direcionamento para o papel da comunicação dentro de todo o sistema Einstein passa a fazer parte fundamental de nossa estratégia. Débora, com sua experiência e alinhamento de valores, chega para liderar este desafio”.
O presidente Jair Bolsonaro acumula 3 mil declarações falsas ou distorcidas desde o início de seu mandato. A informação é do contador da agência de checagem Aos Fatos, que compila as falas do presidente em discursos, entrevistas, postagens nas redes sociais e encontros com apoiadores desde janeiro de 2019. A média é de 3,4 alegações enganosas por dia.
A Covid-19 é o tema mais frequente das falas distorcidas de Bolsonaro, com presença em mais da metade das declarações (1.507 frases, cerca de 50,2%). Em relação à vacinação contra o coronavírus, até dezembro de 2020, foram contabilizados 28 erros e mentiras do presidente sobre o tema. Em 2021, já são 157 declarações falsas sobre os imunizantes.
Os outros dois temas que mais estão presentes em discursos distorcidos do presidente, além da pandemia, são economia (219 frases ou 7,3% do total) e meio ambiente (204 frases, ou 6,8% do total). O principal meio pelo qual Bolsonaro propaga desinformação são as transmissões semanais ao vivo (30,6% do total), seguidas por entrevistas (26,1%) e discursos (18,4%).
Justiça aceita recurso contra Aos Fatos por difamação do Jornal da Cidade Online
O desembargador Dácio Tadeu Viviani Nicolau, da 3ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) suspendeu em 14/5 uma liminar que impedia Aos Fatos de mencionar que a Revista Oeste veiculou informações falsas. As duas checagens que tiveram trechos censurados foram restabelecidas na íntegra.
Segundo o desembargador, não havia elementos que embasassem a remoção do conteúdo, e as checagens “não trazem afirmações difamatórias ou caluniosas quanto à honra objetiva da Revista Oeste nem representariam excesso da liberdade de informação e de crítica jornalística”. Ele destacou ainda que “a liberdade de pensamento, expressão, crítica e imprensa são pilares fundamentais do Estado Democrático de Direito, e recebem especial proteção da Constituição Federal”.
Tai Nalon, diretora executiva e cofundadora de Aos Fatos, comemorou a decisão e declarou que “censura deve ser repudiada sempre, e restabelecimento do direito à liberdade de expressão, celebrado”.
À época, a decisão foi repudiada por Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Aos Fatos recebeu ainda a solidariedade de Agência Lupa, UOL Confere, Boatos.org, Congresso em Foco e Ponte Jornalismo.
O grupo do Facebook Paga esse para mim? Socorre brasileiros em dificuldade reunindo os que precisam de ajuda e os que podem ajudar.
Vítor Alexandre Kenji Ogawa, 46 anos, de Londrina (PR), resolveu criar um grupo no Facebook em abril deste ano para ajudar pessoas que, do dia para a noite, com a pandemia de Covid-19, viram-se sem recursos para arcar com as contas básicas. O grupo Paga esse para mim? hoje conta com pouco mais de dois mil membros e socorre brasileiros em dificuldade, reunindo no mesmo ambiente virtual os que precisam de ajuda e os que podem ajudar.
Em entrevista ao UOL, Ogawa relatou que viu surgir no cenário de crise por causa da pandemia várias iniciativas para arrecadar e doar cestas básicas, alimentos, mas nada que ajudasse as pessoas a pagarem aluguel, contas de água, luz, gás, internet. Ele disse que o perfil dos participantes do grupo é bastante diverso. Há desde pessoas que tiveram de fechar seus negócios até estudantes e pessoas que ficaram desempregadas, de várias regiões do País e de diferentes faixas etárias.
Afirmou ainda ter presenciado pessoas ajudando desde o estudante que passou no vestibular e não tinha dinheiro para a matrícula até uma profissional do sexo que não pode trabalhar durante a pandemia, e que é universitária e estava com as contas e o aluguel atrasados. “Ela estava para ser despejada e conseguiu quitar um dos aluguéis com a ajuda de alguém.”
O objetivo dele agora é expandir o grupo. Desde que o lançou, Victor divulgou-o somente entre seus contatos da rede social por causa da limitação de convites no Facebook.
Ele diz que se sente feliz e satisfeito a cada história de sucesso, mas lembra que existem muitas pessoas que precisam de ajuda, o que o deixa bastante aflito: “O grande desafio tem sido encontrar pessoas que possam pagar esses boletos, já que a demanda de pessoas precisando não para de crescer, chegam pedidos inbox todos os dias”.
A jornalista palestina Reema Saad foi uma das vítimas de um bombardeio israelense realizado na última semana no bairro de Tal al-Hawa, na cidade de Gaza. O ataque vitimou também seu marido, Mohammed al-Telbani, e seus dois filhos, Zaid e Mariam, de quatro e dois anos, respectivamente. Reema estava grávida de quatro meses.
Reema Saad estava grávida de quatro meses
Na última semana, Israel bombardeou ainda dois edifícios que abrigavam veículos de comunicação: a Torre Al-Shoroug, em 13/5, que contava com escritórios de 15 veículos de comunicação, e a Torre Al-Jawhara, atacada no último dia 11, que era endereço de outros 13 escritórios de mídia e ONGs.
A Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) repudiou os ataques sistemáticos à mídia pelos militares israelenses e pediu que a comunidade internacional responsabilize Israel pelos crimes contra a liberdade de imprensa. A FIJ acusa Israel de tentar silenciar os jornalistas que informam sobre a onda de violência no Oriente Médio e pediu uma ação internacional imediata.
O secretário-geral da FIJ, Anthony Bellanger, pediu que a comunidade internacional não faça “vista grossa ante a violação sistemática dos direitos humanos e aos ataques deliberados contra meios de comunicação e jornalistas. São necessárias ações urgentes para responsabilizar internacionalmente os responsáveis por esses crimes”, disse Bellanger.
A Federação Internacional denunciou ainda que autoridades israelenses detiveram 27 profissionais de imprensa desde que começou a onda de violência entre Israel e Palestina e pediu que o governo hebreu repare os jornalistas diante da destruição de seus equipamentos pelo bombardeio.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) lançou nesta terça-feira (18/5) o e-bookO impacto das plataformas digitais no Jornalismo. Fruto do trabalho de jornalistas e pesquisadores de diferentes áreas, com o apoio da Fundação Friedrich Ebert, a publicação reúne artigos que tratam do impacto político, econômico e cultural das megacorporações mundiais da internet no ecossistema jornalístico brasileiro.
Segundo a entidade, “o livro tem o objetivo de traçar, de forma interdisciplinar, ao longo de sete capítulos, o retrato de como a internet está estruturada no País, seu impacto na contemporaneidade, as consequências da sua presença na sociedade e, especialmente, seu reflexo no jornalismo”.
A organização é do diretor de Relações Institucionais da Fenaj, José Augusto Camargo, e a obra conta com textos de Beth Costa, Dão Real Pereira dos Santos, Jefferson Martins de Oliveira, Marcos Dantas e Victor Pagani.
“Com a emergênia das redes sociais na internet, o mercado publicitário vem transferindo seus investimentos da mídia impressa para a mídia digital”, comenta José Augusto. “Isto causou uma crise no modelo de financiamento da imprensa tradicional. Os jornais e as revistas vêm, ano a ano, perdendo espaço publicitário (…). As empresas de jornais estão fechando, diminuindo suas tiragens, diminuindo o número de trabalhadores, algumas acabam encerrando as edições impressas e ficando exclusivamente com edições na internet E isto tudo tem impactado, inicialmente, o mercado de trabalho dos jornalistas; segundo, a saúde financeira das empresas; terceiro, tem uma consequência na própria organização da sociedade brasileira, porque a informação veiculada pela internet não apresenta, no geral, a mesma qualidade daquela que era veiculada na imprensa escrita. A imprensa digital carece do trabalho de edição criterioso, de seleção, da apuração, que é a essência do trabalho do jornalista profissional”.
No final do e-book, o leitor toma contato com o projeto proposto pela Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) de taxar as grandes plataformas digitais, visando à constituição de um fundo para fortalecimento do jornalismo e pela valorização das e dos jornalistas. Ambas as propostas estão em estudo pela Fenaj, que, em meados de 2020, formou um grupo de trabalho para tratar da questão.
Para Maria José Braga, presidente da entidade, “é papel do poder público garantir ao cidadão informação jornalística de qualidade. É a informação de qualidade que produz exercício da cidadania. Então, o financiamento público para a produção jornalística é essencial. Ele precisa ser transparente. Google e Facebook ampliaram seus programas de suporte e custeio a novos projetos jornalísticos, mas a grande questão é se tais iniciativas pontuais são capazes de resolver problemas estruturais causados pela ação predatória das plataformas sobre o jornalismo e sobre o trabalho das e dos jornalistas. Com a proposta de taxá-las e criar, com essa arrecadação, um fundo de apoio à atividade jornalística, a FIJ e a Fenaj estão fazendo um enfrentamento direto às chamadas big techs”.
A biografia Raymundo Souza Dantas: o primeiro embaixador brasileiro negro, foi escrita pelo historiador e professor Fábio Koifman para a Sagga Editora.
Nascido no interior de Sergipe, Souza Dantas começou a trabalhar em oficinas de jornais em Aracaju, até transferir-se para o Rio, então Capital Federal. Aí completou sua alfabetização e conheceu Joel Silveira, queo indicou para trabalhar como contínuo. Galgou postos em jornais, colaborou com diversas publicações, aprendeu francês, escreveu cinco livros. Foi nomeado por Jânio Quadros embaixador do Brasil em Gana, o que lhe rendeu preconceito e oposição. Foi mais tarde embaixador na Argentina e publicou ainda outros dois livros.
O autor pesquisou a carreira de Raymundo Souza Dantas e, em entrevista ao site Café História, descreve: “Tentei trazer para os leitores um pouco do que o público que acompanhava a imprensa sabia a respeito de Souza Dantas, o contexto relacionado ao momento em que o primeiro brasileiro negro foi nomeado embaixador e as estratégias daqueles que se opuseram à nomeação e a utilizaram para desmerecê-lo e atacá-lo”.
Koifman entrevistou ainda parentes para retratar o lado humano do diplomata. Entre as memórias afetivas, a neta e também jornalista Íris Faria comentou que o avô precisava manter uma imagem pública rígida, por causa do racismo, mas, em família, na informalidade, era meigo e adoçou sua infância. Íris trabalha na assessoria do Tribunal de Justiça do Rio e é filha de Paulinho da Viola, genro de Souza Dantas.