A Conferência Brasileira de Jornalismo de Dados e Métodos Digitais (Coda.Br) realiza em Belém nestas quarta e quinta (27 e 28 de julho) a Coda Amazônia, primeiro evento regional da iniciativa. As inscrições são gratuitas.
Organizado pela Escola de Dados, da Open Knowledge Brasil (OKBR), em parceria com a coalizão de organizações do programa Vozes pela Ação Climática Justa (VAC), reunirá palestrantes e especialistas, e terá treinamentos práticos sobre temas como mudanças climáticas, geojornalismo, colonialismo de dados, análise de redes e ciência de dados.
O evento será presencial na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Pará (UFPA). Ao todo, serão mais de 36 horas de atividades, 12 delas práticas e três grandes painéis transmitidos ao vivo pelo YouTube: Colonialismo de dados e desafios na Panamazônia; Comunicando as mudanças climáticas com dados; e Desconferência: tessituras e futuros do ecossistema de dados abertos na Amazônia.
Entre os participantes estão Gustavo Faleiros (Pulitzer Center), Juliana Mori (InfoAmazonia), Lorena Regattieri (Mozilla Foundation), Edna Castro (Universidade Federal do Pará) e Paola Ricaurte Quijano (Berkman Klein Center).
Jornalistas interessados em cobrir presencialmente o evento devem fazer o credenciamento de imprensa até esta terça-feira (26/7), enviando nome, veículo, contato e documento para [email protected] ou [email protected].
((o))eco, veículo especializado na cobertura de conservação da natureza, biodiversidade e política ambiental, completou 18 anos de atuação. Para celebrar o marco, a publicação lançou o e-book Olhar perto, enxergar longe, que reúne diversos artigos de Marcos Sá Corrêa, um dos fundadores da iniciativa.
A obra, que é também uma homenagem a Marcos, contém ao todo 98 artigos publicados pelo jornalista de 2004 a 2010 em ((o))eco, atemporais e sobre temas variados, “desde mudanças climáticas e áreas protegidas, até trilhas e beija-flores”. O e-book foi organizado por Lorenzo Aldé, um dos primeiros editores de ((o))eco, com prefácio de Miguel Milano, da Associação O Eco, e apoio da Fundação Grupo Boticário.
O livro traz também atualizações dos textos de Marcos, para mostrar aos leitores o que aconteceu com os personagens citados, ou como está a situação dos problemas apontados: “Que urgências permanecem ou se agravaram? Que crítica mudou de dimensão diante do panorama atual? A que distância reside hoje o passado ou o futuro descritos nesta ou naquela crônica? Por onde anda tal personagem, que fim levou tal projeto? No processo de edição, foi-nos jornalisticamente irresistível procurar responder a algumas dessas curiosidades, de modo que várias crônicas são acompanhadas por atualizações, apuradas especialmente para o livro”, detalha Lorenzo Aldé na introdução do e-book.
Referência e um dos precursores do jornalismo ambiental, Marcos Sá Corrêa trabalhou em Veja, Jornal do Brasil e O Dia. Desenvolveu interesse pela pauta ambiental, o que o incentivou a criar uma iniciativa que se dedicasse especialmente à cobertura do tema. Foi então que surgiu ((o))eco, cuja primeira matéria foi ao ar em julho de 2004. Hoje, aos 75 anos, Marcos está afastado do jornalismo desde 2011, após sofrer um acidente doméstico.
O denunciante do vazamento conhecido como Panama Papers falou pela primeira vez sobre o caso depois de seis anos. Ele procurou recentemente dois jornalistas que fizeram parte do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), que coordenou o vazamento na época, e que hoje estão na revista alemã Der Spiegel. O informante, identificado como pelo codinome de John Doe, conversou com os repórteres Bastian Obermayer e Frederik Obermaier.
Na entrevista, publicada simultaneamente por 53 veículos de 41 países – entre eles o Poder360, único representante brasileiro no grupo −, John Doe declarou que está seguro, e explicou por que só agora decidiu dar sua primeira entrevista. Ele declarou que, nestes últimos anos, sentiu-se tentado a falar, mas teve que considerar outros fatores, como por exemplo, a segurança de sua família.
Doe também falou sobre a ascensão do fascismo e do autoritarismo ao redor do globo, e como os Panama Papers seriam uma ameaça a governos do tipo: “Putin é uma ameaça maior aos Estados Unidos do que Hitler, e as empresas-fantasma são suas melhores amigas. Empresas-fantasma que financiam militares russos são o que realmente mata civis inocentes na Ucrânia enquanto os mísseis de Putin miram em shoppings. Empresas-fantasma encobrindo grandes conglomerados chineses são o que realmente mata menores de idade trabalhando com mineração de cobalto no Congo. Empresas-fantasma cometem esses horrores e mais ao retirar a possibilidade de responsabilização da sociedade. Sem a possibilidade de responsabilização, a sociedade não funciona”.
Graças aos Panama Papers, o violoncelista Sergei Roldugin, antigo amigo de Vladimir Putin, foi alvo de sanções no fim de fevereiro. Sobre o ocorrido, Doe disse que teme pela sua segurança: “É um risco com o qual eu vivo, considerando o fato de que o governo russo expressou que me quer morto”. Ele explicou que o veículo Rússia Today exibiu na época um documentário sobre os Panama Papers, e um personagem chamado John Doe sofre um ferimento na cabeça por causa da tortura e acaba morrendo. Doe também lembrou dos casos dos jornalistas Daphne Caruana Galizia e Ján Kuciak, que participaram dos Panama Papers e foram assassinatos em 2017 e 2018, respectivamente.
Para garantir o anonimato do denunciante, a entrevista foi conduzida pela internet, com a presença de uma testemunha, e criptografada com um software que alterou sua voz. Além disso, como de praxe no jornalismo alemão, a conversa foi enviada ao entrevistado para autorização antes da publicação.
Considerados uma das maiores investigações jornalísticas da história, os Panama Papers vazaram em 2016 cerca de 2,6 TB de informações confidenciais sobre mais de 210 mil paraísos fiscais offshore, de autoria do escritório panamenho Mossack Fonseca, especializado em abrir empresas offshore. As informações foram divulgadas pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), envolvendo cerca de 376 jornalistas de 76 países.
As informações divulgadas causaram enorme impacto ao redor do globo. Graças ao vazamento, os premiês da época da Islândia, Sigmundur Davíð Gunnlaugsson, e do Paquistão, Nawaz Sharif, renunciaram aos seus cargos. Os Panama Papers provocaram também diversos protestos em Londres, Reykjavik e outras regiões do mundo, e desencadearam milhares de investigações. Regras mais rígidas foram aplicadas globalmente sobre offshores.
O caso Panama Papers venceu o Prêmio Pulitzer na categoria reportagem explicativa.
Com estreia programada para a próxima quarta-feira (27/7), a versão em videocast do #diversifica, projeto sobre Diversidade, Equidade & Inclusão (DEI) da Jornalistas Editora, ganhou um importante reforço editorial. Os episódios em áudio e vídeo do especial Subjetividades terão o selo da Rádio Guarda-Chuva, grupo de podcasts jornalísticos liderado por Gabriela Mayer, Juliana Kunc Dantas, Renan Sukevicius e Tomás Chiaverini, que está completando três anos de atividade neste mês de julho.
“A Rádio Guarda-Chuva concede um selo de curadoria para quem, assim como nós, se dedica a fazer jornalismo para quem gosta de ouvir”, comenta Juliana. “Estamos sempre de olhos e ouvidos atentos a quem está produzindo conteúdo de qualidade e que tenha as mesmas premissas que as nossas, alinhadas a um viés progressista, antinegacionista, de defesa dos Direitos Humanos e da diversidade. A chegada do #diversifica é, para nós, uma grande alegria. Além de acompanharmos o Portal dos Jornalistas há muitos anos, também admiramos bastante o jornalismo feito por Luana Ibelli à frente dos microfones desse projeto tão bacana”.
Nesta primeira fase do projeto, serão seis episódios, com entrevistados que discutirão a diversidade sob a ótica de vida e experiência de profissionais que se identifiquem com os temas propostos. No episódio de estreia, Caê Vasconcelos, editor do programa SportsCenter, da ESPN Brasil, e colaborador de Agência Mural e Ponte Jornalismo, abordará a temática da diversidade no jornalismo para profissionais LGBTQIAP+.
Além dele, estão confirmadas as participações de Jairo Marques, da Folha de S.Paulo, que abordará a realidade de Pessoas com Deficiência; Luciana Barreto, da CNN Brasil, sobre Negritude; Nayara Felizardo, do The Intercept Brasil, abordando Territórios; Luciene Kaxinawá, da Amazônia Real, sobre a questão Indígena; e Erick Mota, do Regra dos Terços, sobre Neurodivergência.
“Antes mesmo de definirmos como seriam as bases e a estrutura das versões em áudio e vídeo do #diversifica, tínhamos uma certeza: queríamos que ele fizesse parte da Rádio Guarda-Chuva”, explica Fernando Soares, editor do Portal dos Jornalistas/Jornalistas&Cia e idealizador do projeto. “Como ouvinte assíduo de podcasts, em especial dos jornalísticos, acompanho há muito tempo os conteúdos disponíveis no catálogo da Rádio Guarda-Chuva. Além de serem muito bem produzidos, eles cumprem um papel social que tem tudo a ver com a proposta do #diversifica. Será uma parceria que tem tudo para dar certo”.
Os episódios do especial Subjetividades irão ao ar semanalmente, sempre às quartas-feiras, pelo canal do Portal dos Jornalistas no YouTube, e nos principais tocadores de podcast.
Vale lembrar que o #diversifica é um dos 15 projetos brasileiros selecionados pelo Programa Acelerando a Transformação Digital, financiado pelo Meta Journalism Project, com o apoio da Associação de Jornalismo Digital (Ajor) e Internacional Center for Journalists (ICFJ). Apoiam a iniciativa Rádio Guarda-Chuva, Imagem Corporativa, Énois Conteúdo e Oboré Projetos Especiais. O episódio de estreia, sobre a temática LGBTQIAP+, teve patrocínio do Itaú. Empresas interessadas em associar sua marca podem obter mais detalhes com Fernando Soares ([email protected]) ou Vinicius Ribeiro ([email protected]).
A Agência Pública anunciou nesta quinta-feira (21/7) que vai reforçar sua cobertura das eleições deste ano, com o objetivo de fortalecer o monitoramento da desinformação e sua influência no debate público, além de violência política e agenda ambiental dos estados da Amazônia. Para isso, anunciou novos projetos e a chegada de novos colaboradores.
Rubens Valente passa a fazer parte da equipe fixa da Pública, com uma coluna focada em temas socioambientais e políticos. O espaço deve estrear ainda neste mês de julho.
Na próxima segunda-feira (25/7), a Pública estreia o Sentinela Eleitoral, projeto que vai investigar e analisar redes de fake news e de manipulação do interesse público. A iniciativa, feita em parceria com o pesquisador David Nemer e com o Berkman Klein Center for Internet & Society da Universidade de Harvard, terá site próprio e vai publicar reportagens sobre campanhas de desinformação relacionadas às eleições.
Também na segunda-feira, a diretora-executiva da Pública Natalia Viana passa assinar a newsletterDemocracia em Xeque, na qual analisará eventos e estratégias que visam a enfraquecer a democracia no Brasil e no Mundo.
A Pública lançará também a série Governadores contra o Clima, com foco em políticas ambientais durante as disputas aos governos estaduais. A ideia é investigar governadores de estados da Amazônia e operadores locais das agendas ambiental e indígena do Governo Bolsonaro.
Por fim, anunciou que fará o monitoramento de casos de violência nas eleições, como fez em 2018 e 2020. Neste ano, a equipe recolherá relatos por meio de um questionário online, a partir de agosto. O conteúdo enviado à Pública será checado pelos jornalistas da agência.
A cerca de 100 km da capital Natal, no Rio Grande do Norte, fica São Miguel do Gostoso, uma cidade predominantemente turística com pouco mais de dez mil habitantes, que recebe seus visitantes com uma culinária excelente, praias belíssimas, e muito vento. E em meio a tantas atrações turísticas está o grande point de arte da cidade, a Galeria Sol da Meia Noite, primeira e maior iniciativa de arte de São Miguel do Gostoso. O responsável pela galeria é um jornalista, que também se tornou artista plástico.
Filho de uma família precursora na cidade, de várias gerações, Emanuel Neri fez carreira como jornalista em São Paulo, mas nunca cortou laços com sua cidade natal. Ao contrário: dividia-se entre a capital paulista e a cidadezinha turística do Rio Grande do Norte.
Emanuel Neri
Ele iniciou a carreira na Tribuna do Norte, mas viveu a maior parte da vida profissional em São Paulo. Trabalhou em Estadão, Veja, teve breve passagem pela Bandeirantes e atuou na Folha de S.Paulo, veículo no qual mais tempo ficou, por quatro anos em uma primeira passagem e cerca de 14 na segunda. Depois, passou a atuar em comunicação corporativa, na Telefônica.
“Tenho uma relação afetiva com São Miguel do Gostoso, de muito afeto e carinho”, conta Emanuel. “Sou daqui e, embora grande parte da minha vida eu tenha morado em São Paulo, sempre vim a São Miguel, passava férias aqui. Tenho uma identificação muito grande. Gosto de mesclar natureza e urbano. São Miguel, que tem uma integração com a natureza muito extensa, e São Paulo, um lugar mais cosmopolita, como qualquer cidade grande”.
Mas a relação e o interesse pela arte sempre existiram. Emanuel gosta de colecionar obras. Em suas viagens pelo Brasil e pelo exterior, seu principal foco de curiosidade sempre foi arte, as galerias, os museus. E foi com este interesse que criou, em novembro de 2021, a Galeria Sol da Meia Noite (Av. dos Arrecifes, 2.454 – Bairro do Maceió), bancada com seus próprios recursos, a maior de São Miguel do Gostoso, e a primeira desse tamanho e proporções.
Crédito: Rogério ViralCrédito: Rogério Viral
Para o jornalista, a iniciativa é um presente a São Miguel do Gostoso, uma forma de retribuir tudo o que a cidade e a comunidade lhe deram, e também contribuir para o turismo e a cultura local. Segundo ele, o nome Sol da Meia Noite trabalha com o místico, o mágico: “O sol do meio-dia, todos nós conhecemos. Mas o sol da meia noite ninguém conhece. Então, a ideia é o sol imaginário, que você apela para a imaginação, para a magia. À noite, na galeria, trabalhamos com a iluminação dos espaços, o paisagismo. A galeria Sol da Meia Noite é aquela magia de descobrir um sol à meia noite, desconhecido”.
Na galeria, são expostas obras não só de artistas de São Miguel, mas de outras partes do Brasil e também do exterior. Ela tem muitas obras externas, e um espaço grande, de cerca 10 mil m2, na beira da praia. O local tornou-se ponto de curiosidade, de reunião de cultura e arte. A galeria também trabalha com jovens em oficinas, estimulando o conhecimento e o interesse por arte.
Além do espaço externo, há também um pavilhão, onde ficam obras que não podem ser expostas a céu aberto. Cerca de 60 obras deste pavilhão interno, na exposição atual, são da coleção particular de Emanuel. E ele, que também é artista plástico, tem obras de sua autoria expostas no local.
Para o criador da galeria, a iniciativa é uma referência de arte em São Miguel do Gostoso, que acaba se tornando parte do turismo local, incentivando a própria comunidade e turistas para visitar a cidade, conhecer a arte local e de outras partes do Brasil e do mundo, com as obras da galeria.
“São Miguel do Gostoso é uma cidade pequena do litoral do Nordeste, carente de tudo. Na hora que você traz uma galeria do porte da Sol da Meia Noite para cá, ela acaba virando uma referência de arte”, diz Emanuel. “As pessoas que vêm a São Miguel, encontram belas praias para frequentar, ótimos restaurantes, bares e cafés. A gastronomia da cidade é excelente, mas essas pessoas terão também um excelente equipamento, espaço de arte. Dez mil metros quadrados, com muitas obras de artistas locais, de outras partes do Brasil e internacionais espalhadas por toda esta área. E também serve como referência forte de cultura/arte para a própria comunidade, e incentiva as pessoas de fora a conhecerem um pouco da arte local”.
Crédito: Rogério ViralCrédito: Rogério Viral
Embora a arte como um todo no Brasil seja desvalorizada em um contexto geral, Emanuel se diz otimista. Ele acredita que, a cada dia, um novo talento está surgindo, e que a arte tem o poder de transformar: “A arte é um elemento muito importante na cultura de qualquer nação do mundo, e acho que a arte transforma. Ela transforma a vida das pessoas, e entendo que ela me transformou, mudou a minha vida. O jornalismo, minha profissão, também mudou a minha vida, mas a arte me ajudou muito a ter um olhar diferente sobre o mundo, a arte foi um vetor muito importante para isso”.
Neste sábado (23/7), a Sol da Meia Noite inaugura a exposição de fotografia Pretas, Pretinhos, Pretos, Pretinhas, uma ação afirmativa pelo orgulho negro e contra o preconceito racial. O fotógrafo Rubens dos Anjos fotografou negros e negras de São Miguel do Gostoso e de fora, crianças e adultos, que têm orgulho de mostrar sua cara e sua cor, de se deixarem fotografar. A exposição durará de dois a três meses. A galeria funciona todos os dias, com exceção de segunda-feira, das 18h às 21 horas.
Crédito: Rubens dos Anjos
Mas esta não é a primeira contribuição para a cultura e para o turismo local de Emanuel. Ele foi também fundador da segunda pousada de São Miguel do Gostoso, a Pousada dos Ponteiros. Em seu livro Latitude 5, o jornalista e artista plástico escreveu sobre o turismo da cidade, usando como fio condutor Leonardo Godoy, precursor no assunto, fundador da primeira pousada, Pousada do Gostoso, e do primeiro restaurante da cidade, o Latitude 5, que deu nome ao livro. Emanuel escreveu também Cabeças do Vento, sobre pessoas originárias de um local com muito vento, no caso, São Miguel do Gostoso. A obra mostra a história de famílias, incluindo a do próprio Emanuel, e de pessoas precursoras da cidade.
Daniela Carla, repórter da TV Gazeta, afiliada da Globo no Espírito Santo, foi ameaçada ao vivo nessa quarta-feira (20/7) por um homem armado durante o programa Bom Dia Espírito Santo. Daniela estava no Morro do Cabral para falar sobre tiroteios nos morros de Vitória.
Enquanto abordava o assunto, um homem apontou a arma para ela e disse que a equipe deveria sair do local. Daniela relatou o ocorrido: “Nós acabamos de ser ameaçados no Morro do Cabral. A gente vai sair daqui agora, um homem armado nos mandou embora neste momento. Esse rapaz aqui apontou uma arma para mim. Pouco antes, um comparsa dele passou por aqui e falou que a gente tinha que meter o pé. A gente vai descer essa escada, porque não quer colocar a nossa vida em risco, mas nós temos vídeos que mostram criminosos com armas pesadas e fuzil em cima do banco de uma praça”.
Mário Bonella, um dos âncoras do telejornal, pediu para Daniela sair imediatamente do local e procurar a polícia: “Ela está lá para levar informação a você, mas foi impedida de trabalhar. A Dani vai para o carro, para outra região da cidade. Assim que for possível, a gente vai tentar cumprir o nosso trabalho de levar informação para você”.
Em seu Instagram, Daniela escreveu sobre o episódio: “Contar histórias é o trabalho primordial de um repórter! É pra isso que eu tava numa escadaria do Morro do Cabral hoje cedo. Pra contar como foram as mais de seis horas de tiroteio que moradores inocentes foram obrigados a suportar! Mas assim como se acham no direito de tirar a paz de pessoas de bem, criminosos acham que podem nos impedir de contar o que eles fizeram e cobrar segurança por parte das autoridades? Não podem! Fizemos nosso trabalho!”
Após o sucesso da primeira temporada, quando chegou a ser o mais ouvido da categoria Ciência e ficar entre os 30 podcasts brasileiros mais ouvidos pelo Spotify, o Ciência Suja está de volta para sua segunda temporada, que estreia nesta quinta-feira (21/7). Dentre as novidades, o projeto passa a integrar a rede de podcasts da Rádio Guarda-Chuva.
A segunda temporada seguirá trazendo histórias em que a ciência foi deturpada e que trouxeram um grande impacto para a sociedade. Aproveitando o mote das eleições, o podcast terá um foco especial nos casos em que a política sabotou a ciência.
Serão sete episódios, que abordarão o uso indevido da proxalutamida em pesquisas contra a Covid; o criacionismo científico; o movimento antivacina no Brasil; a ciência suja das guerras; o lobby pseudocientífico; a crise dos opioides; e a institucionalização das cesáreas e de práticas anticientíficas no parto.
O podcast conta com apoio do Instituto Serrapilheira, que tem foco na divulgação científica. O projeto é o resultado da união entre Thaís Manarini e Theo Ruprecht, que trabalham há mais de uma década com jornalismo de saúde e ciência, e a NAV Reportagens, produtora audiovisual de Felipe Barbosa e Pedro Belo. Na segunda temporada, a equipe conta também com o reforço de Chloé Pinheiro, repórter da revista Veja Saúde que em 2021 figurou entre os +Admirados Jornalistas da Imprensa Automotiva, em eleição promovida por Jornalistas&Cia.
Theo Ruprecht (esq.), Thaís Manarini, Pedro Belo, Chloé Pinheiro e Felipe Barbosa
A Europa está fervendo. O Reino Unido entrou em pânico na terça-feira (19/7), com temperaturas passando dos 40ºC pela primeira vez. Incêndios destruíram ruas inteiras em Londres.
A culpa não é da imprensa. Mas o jornalismo pode ter uma parcela da responsabilidade pelo grau de informação que as pessoas comuns recebem sobre as mudanças climáticas.
Uma pesquisa da Universidade Yale e da Meta revelou uma baixa taxa de pessoas que disseram receber informações sobre a crise ambiental pelo menos uma vez por semana via imprensa e também por mídias sociais ou em conversas com amigos.
Somente os entrevistados de 12 países disseram ser atingidos por notícias a respeito do aquecimento global semanalmente. No Brasil, onde não faltam crises para ocupar os espaços na mídia, a taxa é de 27%, tendência que se estende por quase todos os países da América Latina e Central.
Ainda assim, o estudo revelou que a consciência sobre a extensão da emergência climática é maior do que se poderia supor considerando o déficit de informação regular.
Os brasileiros estão entre os que mais acreditam que as mudanças climáticas já estão acontecendo (90%), percentual maior do que no Reino Unido, que sediou a COP26 em 2021 e por isso teve uma cobertura massiva do tema. No país, 88% dos entrevistados acham que a crise já chegou.
A enquete foi realizada entre usuários do Facebook, gente com acesso regular à internet. Se fosse repetida semana que vem, talvez a opinião dos britânicos mudasse, pois foi grande o susto tomado no dia chamado de “histórico”.
Desde a segunda-feira, quando a temperatura já havia subido, imprensa e redes sociais não falavam de outra coisa. No dia D, parecia uma guerra. TVs sobrevoavam os incêndios e mostravam ao vivo casas desabando e pessoas chorando.
Mas será que isso vai durar para sempre? A julgar pelo passado, não. Programas na TV e seções nos jornais criados na época da COP26 desapareceram discretamente ou foram empurrados para horários secundários.
Um estudo da consultoria Akas, apresentado durante a reunião da WAN-Ifra (Associação Mundial de Jornais) em janeiro, constatou que menos de 2% de 750 milhões de noticias registradas no banco de dados GDELT desde 2017 faziam referência às mudanças climáticas.
O problema não é só quantidade, mas também abordagem. A cobertura da imprensa britânica nos últimos dias é um exemplo.
Antes dos incêndios da terça-feira, poucos jornais ou matérias de TV associaram o aumento da temperatura ao aquecimento global. Isso era mencionado de forma discreta, quando muito.
O foco era serviço: como se prevenir do calor, o que fazer com os pets, linhas férreas podendo parar devido ao derretimento dos trilhos. Sim, eles derreteram, porque suportam até 45ºC. Sob o sol, o calor foi muito maior.
No dia do recorde, apenas o independent deu uma manchete sugerindo uma ligação entre mudança climática e o recorde de temperatura.
E no dia seguinte, o The Guardian foi o único a fazer a associação, embora os demais jornais tenham aberto espaço para especialistas em clima.
Outra crítica feita ao tratamento da imprensa é quanto à seleção de imagens. A Columbia Journalism Review publicou recentemente um artigo criticando o uso de cenas associadas a prazer e felicidade, como crianças se refrescando em chafarizes. Mudança climática não é diversão.
Sob este argumento, a sede londrina do News UK, empresa de Rupert Murdoch que edita o The Sun e o The Times, teve os vidros quebrados na terça-feira por ativistas do grupo ambientalista Extinction Rebellion.
Um porta-voz disse: “Em vez de alertar os leitores sobre os riscos crescentes de ondas de calor à medida que a crise climática se intensifica, o Sun escolheu ilustrar suas primeiras páginas com imagens de mulheres de biquíni, banhistas e crianças felizes com sorvetes”.
Não precisa quebrar vidros, mas o alerta é válido. Quantidade de notícias e abordagem podem fazer a diferença na compreensão do público e na pressão sobre governos, corporações e cidadãos para reverter algo que a maioria já entende ser uma realidade.
O estudo completo de Yale, que mostra os brasileiros entre os que mais acham que medidas para mitigar os efeitos das mudanças climáticas podem ser boas para a economia, está em MediaTalks.
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