O Globo faz festa por 90 anos da 1ª edição

Por Cristina Vaz de Carvalho, editora de J&Cia no Rio de Janeiro O jornal O Globo celebra seus 90 anos nesta 4ª.feira (29/7) e faz a festa que chamou de “rumo ao centenário”. Além das retrospectivas que cada suplemento já vem apresentando, a comemoração editorial chega agora ao corpo principal do jornal. Neste dia do aniversário, um caderno especial conta a história da publicação e discute temas relevantes do Jornalismo. Também nesse dia é lançado o e-book 90 anos, 90 reportagens, com matérias que causaram impacto. O site Acervo O Globo, com o conteúdo de todas as edições desde 1925, em formato digital, ficará aberto para não assinantes durante dois meses, para servir, principalmente, de fonte de pesquisa para os estudantes. A agenda prossegue, em agosto, com a edição do livro Primeiras páginas, contendo as principais capas do jornal. Mais de 150 imagens emblemáticas vão compor a exposição de fotojornalismo no Museu de Arte do Rio (MAR), na Praça Mauá. Em 27/8 haverá um debate com profissionais do jornal sobre os desafios do Jornalismo. No primeiro semestre, a série 90 anos, 90 personagens escolheu leitores para contarem fatos marcantes de sua relação com o jornal, em depoimentos em vídeo. E os leitores terão, até o final do ano, promoções para todos os gostos: concerto do Projeto Aquarius no Teatro Municipal; bate-papo com jogadores e um giro no Maracanã; visitas à redação e ao parque gráfico; ciclo de debates, até outubro, na Casa do Saber, sobre liberdade de expressão e a função do Jornalismo. O jornal tem história Irineu Marinho fundou o jornal em 1925 e morreu um mês depois. Seu filho mais velho, Roberto Marinho, deixou os estudos para tocar o negócio e sustentar a família. Frederic Kachar, atual diretor-geral da Infoglobo, ressalta: “O Globo é a origem do nosso grupo, onde tudo começou. É a semente que rendeu como fruto um dos maiores grupos de comunicação do mundo”. Conforme a tradição, o aniversário teve celebração com missa para os funcionários na capela Nossa Senhora da Vitória, no centro histórico do Rio de Janeiro, neste mesmo dia 29. Mea culpa ou autocrítica, dependendo do ponto de vista No lançamento do site do Acervo, com o projeto Memória, o jornal reconheceu o erro de ter apoiado o Golpe de 64. Afirma o editorial disponível no site: “À luz da História, contudo, não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original. A democracia é um valor absoluto”. Em compensação, devem-se a O Globo reportagens como a série Guerrilha do Araguaia (1996), provando que militantes do PCdoB desaparecidos tinham sido mortos sob custódia do Exército e enterrados em cemitérios clandestinos; no mesmo ano, a publicação do laudo sobre a morte de Carlos Lamarca; Na mira dos EUA (2013), ao revelar que na última década pessoas e empresas no Brasil foram alvos de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA); e Farra de aditivos na refinaria Abreu e Lima (2014), sobre superfaturamento em obra da Petrobras em Pernambuco.   Mais prêmios Este ano, para serem acrescentados às comemorações, vieram novos prêmios internacionais. Dorrit Harazim venceu a 3ª edição do Prêmio Gabriel García Marquez de Jornalismo, na categoria Excelência, pelo conjunto da obra, em decisão unânime do Conselho Reitor. O prêmio, concedido pela Fundação Gabriel García Marquez para o Novo Jornalismo Ibero-Americano, será entregue em setembro, em Medellín, na Colômbia. Dorrit tem 72 anos e 50 de Jornalismo. Nascida na Croácia, começou a trabalhar na França, na revista L’Express; já no Brasil, participou da equipe de fundação da Veja e, mais tarde, da revista piauí. Chefiou o escritório da Editora Abril em Nova York, depois de passagem pelo Jornal do Brasil. Detém quatro prêmios Esso e um Abraji. Mantém uma carreira paralela como documentarista. Em O Globo, tem coluna semanal na página de Opinião. Sebastião Salgado recebeu o prêmio de Fotografia da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). A reportagem premiada, sobre uma festa fúnebre dos ianomâmis, realizada na fronteira entre Roraima e Amazonas, em companhia de Arnaldo Bloch, foi considerada “de enorme valor antropológico e sociológico”. A entrega do prêmio será em outubro, na Carolina do Sul, nos Estados Unidos. O Globo em números – 65 colunistas em editorias e suplementos – 30 articulistas que se revezam nas páginas de Opinião – 64 premiações em 59 edições do Esso – 58 prêmios da Society for News Design nos últimos 20 anos – 10 e-books com mais de 22 mil downloads – circulação de 320 mil exemplares, entre impresso (~ 200 mil) e digital (~ 120 mil) – 320 mil assinantes, conforme o IVC – líder de vendas em banca aos domingos, com mais de 60 mil exemplares – 10 mil novas assinaturas após a adoção do paywall no site – mais de 600 mil edições do jornal baixadas por mês, sendo 27% a partir de smartphones – 20 milhões de visitantes únicos nos sites (web e mobi) – 90 milhões de pageviews, sendo quase 38% de celulares – 6 milhões de seguidores no Twitter, liderança entre os cinco principais jornais do País