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terça-feira, maio 5, 2026

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Após nove anos, Seu Dinheiro está de volta

Regina Pitoscha retorna ao Grupo Estado e ao Seu Dinheiro - Foto: Tiago Queiroz/Estadão
Regina Pitoscha retorna ao Grupo Estado e ao Seu Dinheiro – Foto: Tiago Queiroz/Estadão

O Grupo estado relança nesta quarta-feira (27/9), agora em versão digital, a coluna Seu Dinheiro. Criada em 1981 para tratar de finanças pessoais, ela foi veiculada semanalmente por 27 anos no extinto Jornal da Tarde.

Uma das caras do novo projeto é Regina Pitoscia, que foi editora da coluna e ao lado de Celso Ming, colunista do Estadão, responsável pelos anos de maior sucesso do espaço, cobrindo os sucessivos pacotes econômicos dos governos de José Sarney e Fernando Collor de Mello. “Ao lado de minha equipe faremos toda a parte de finanças pessoais, com textos, vídeos, chats e mídia social, enquanto colaboradores, como o youtuber Thiago Nigro, entrarão com suas dicas de investimentos”, explica Regina.

“A nova plataforma vai ampliar a oferta de conteúdo, com vídeos, reportagens e parcerias especializadas em finanças pessoais”, diz o editor executivo do Estado Luis Fernando Bovo. “Traremos mais opções de informação sobre temas que interessam aos nossos leitores, como oportunidades de investimento”.

O canal, inserido no site Economia & Negócios (economia.estadao.com.br), também vai tratar de assuntos do cotidiano, como previdência, salário, aluguel e casa própria. Também integram o novo canal os economistas Yolanda Fordelone, César Esperandio e Étore Sanchez, do grupo Econoweek, e o jornalista Silvio Crespo, do blog Dinheiro para Viver.

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Confira depoimento publicado por Celso Ming sobre o retorno do espaço:

“Já era tempo para a volta do Seu Dinheiro, caderno de sucesso nos bons tempos do Jornal da Tarde, mas não da economia e muito menos para o brasileiro que tinha de ganhar seu sustento e administrar seu patrimônio sob uma inflação próxima dos 100% ao mês.

O Seu Dinheiro começou com uma página semanal em 20 de julho de 1981, foi crescendo e passou a ser um caderno semanal em 19 de março de 1990.

Não tratava apenas de investimentos. Falava também de salário, aluguel, aposentadoria, impostos, planos de saúde… Hoje, o Seu Dinheiro vai executar a mesma música, mas com outros arranjos.

Apesar da crise atual, da recessão, do desemprego e da perda de renda, o comportamento da economia está substancialmente melhor do que nos anos 80 e início dos 90. Mas, paradoxalmente, ficou mais complicado administrar finanças pessoais e o patrimônio da família. O tombo dos juros, por exemplo, achatou o retorno das aplicações financeiras. É preciso reaprender a trabalhar em tempos que as aplicações de risco passaram a ser inevitáveis. Por tudo isso e mais tanta coisa, longa vida ao novo Seu Dinheiro.

Juca Kfouri revisita memórias em Confesso que perdi

Juca Kfouri lança na próxima terça-feira (3/10), em São Paulo, Confesso que perdi (Companhia das Letras). Em estilo autobiográfico, a obra resgata passagens marcantes da vida dele, desde o período de militância na ditadura militar, passando pela construção de sua carreira no jornalismo e chegando até momentos mais recentes, como os problemas de saúde.

Apesar de sua forte identificação com o esporte, o autor garante que o livro alterna o tema com discussões e análises sobre política e jornalismo. Em 248 páginas, ele fala ainda sobre sua relação com personagens marcantes, como Sócrates, Pelé e Ayrton Senna, critica a ex-presidente Dilma Rousseff (por prometer o que não podia cumprir) e o papel da imprensa nos dias atuais.

Dentre as lembranças, destaque para uma participação da filha, a psicóloga Camila Kfouri. Ela relata o período em que ele se submeteu a uma cirurgia em 2015 e quase morreu. Conhecido pelo humor ácido e críticas contundentes, um trecho de seu livro resgata bem esse período:

“Por volta das 8h30, fui acordado por uma jovem médica, a cardiologista Roberta Saretta, falando baixinho no meu ouvido:

– Acorda, Juca, acorda. O Marin foi preso.

Resolvi não morrer” (pág. 209)

 

Serviço:

Lançamento: Confesso que perdi (Companhia das Letras)
(Todas as sessões de autógrafos estão marcadas para as 19h)

São Paulo
3/10 (terça-feira) – Saraiva Shopping Higienópolis
Rua Dr. Veiga Filho, 133

Belo Horizonte
17/10 (terça-feira) – Leitura Shopping Savassi
Av. do Contorno, 6.061

Campinas
24/10 (terça-feira) – Saraiva Shopping Iguatemi
Av. Iguatemi, 777

 

Jornal Pessoal, de Lúcio Flávio Pinto, completa 30 anos

Lúcio Flávio Pinto
Lúcio Flávio Pinto

Com a edição que circulou em 15/9, o Jornal Pessoal, de Lúcio Flávio Pinto, completou 30 anos de vida e se tornou uma das mais duradouras publicações alternativas do Brasil, ou talvez, segundo ele, “no nosso mundo contemporâneo, a mais longeva e a mais singular”.

Em 2014, ao ser indicado um dos cem +Admirados Jornalistas Brasileiros, Lúcio escreveu a J&Cia como surgiu o JP: “Diante do corpo do meu amigo Paulo Fonteles, que fora deputado estadual pelo PMDB do Pará até três meses antes e decidira abrir sua vinculação ao PCdoB sem a proteção do mandato político, prometi a ele e a mim: aquele assassinato não ficaria impune. Eu faria tudo para reconstituir toda a história do mais grave atentado político na história recente do Estado. Trabalhei durante três meses na apuração dos fatos. Ao final, tinha a história completa: dos executores da morte, com três tiros, dados na cabeça de Paulo, contemporâneo dos meus 38 anos de então, aos mandantes, citados apenas no meu jornal. Só não tinha, em 1987, dois anos depois do retorno do Brasil à democracia, onde publicar a matéria. Como todas as portas se fecharam, abri uma fresta: decidi criar um jornal, o menor que podia haver, em formato pequeno, sem cor, sem recursos gráficos, sem foto, sem mulher nua e sem publicidade. Achei que um jornal assim, com o compromisso de dizer tudo sobre temas de interesse do povo, sem se importar a quem desagradasse, por mais poderoso que fosse, não duraria muito, ou nem eu”. Durou, apesar dos percalços.

No texto do seu blog em que fala desses 30 anos e reafirma os princípios do jornal, Lúcio diz que, “numa era de democracia, o JP continua plenamente alternativo porque parte considerável do que contém não está disponível em nenhuma outra fonte. Não se trata de assunto cabalístico ou esotérico: da pauta constam os temas mais importantes e urgentes do momento no Pará, na Amazônia e, às vezes, no Brasil. O desaparecimento deste jornal talvez provocasse a supressão desses temas da agenda dos cidadãos, com danos para o bem social, para as necessidades coletivas. Manter princípios e compromisso ao longo de 639 edições, sem contar os números especiais e os dossiês publicados, custou caro e permanece sendo extremamente oneroso para o responsável solitário por este jornal. Sem a adesão, a confiança e o apoio dos leitores, esta guerra de um exército de um homem só já teria sido perdida. Para que o combate subsista, é preciso travar uma batalha a cada novo número e vencê-la. Chegar a estes 30 anos é ter consciência do caminho percorrido e, ainda assim, ou por isso, acreditar que vale a pena acreditar no futuro”.

Luiz Pimentel começa como diretor de Conteúdo da Pais&Filhos

Luiz Pimentel, que deixou em agosto a Diretoria de Conteúdo do R7, começou no mesmo posto na Pais & Filhos (Manchete), responsável pela revista, que completa 50 anos em 2018, e por todas as plataformas, digitais e redes sociais. Segundo ele, são mais áreas do que tinha em seus oito anos na mesma função no R7. O cargo é novo, para unificar todas as plataformas da Pais & Filhos: revista, site, redes sociais, TV Pais&Filhos, anuário da marca e novos projetos, inclusive branded content.

“Coincidiu de a P&F estar saindo de parceria com R7 (onde eu também estava) e estar fechando com outro portal. Começa nesta edição da revista o cinquentenário da marca, que vai posicioná-la como referência, com integração plena entre todas as plataformas digitais, físicas (pois além da revista, a Pais&Filhos promove muitos eventos, como os tradicionais seminários com convidados internacionais, referências no segmento brasileiro) e mobile”.

Os novos contatos dele são [email protected] e 11-3373-2208.

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Anunciados os finalistas do +Admirados de Economia 2017

Estão definidos os finalistas que seguirão para o segundo turno de votação do Prêmio Os +Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças e que concorrerão aos Top 50 e aos Top 10, no caso dos profissionais, e aos vencedores das categorias Jornal, Revista, Rádio, TV, Site/Blog e Agência de Notícia.

A segunda fase de votação vai até 6/10, abrangendo um colégio eleitoral de aproximadamente 53 mil jornalistas e profissionais de comunicação e áreas afins. A premiação, uma iniciativa deste J&Cia em parceria com a Maxpress, conta com o patrocínio de Gerdau e BTG Pactual, apoio da Latam e apoio institucional de Ibri e Abrasca e colaboração da Rede Inform.

Foram indicados livremente no primeiro turno mais de 400 jornalistas de todo o País e das diferentes plataformas editoriais. Destes, pela linha de corte, classificaram-se para a próxima etapa 89 profissionais de redações de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre.

Também foram indicados livremente mais de 40 programas de rádio, mais de 40 de TV, mais de 40 revistas, pouco mais de 20 jornais, quase 30 agências de notícias e mais de 80 sites/blogs. Desses, foram classificados para a fase final oito jornais, 11 revistas, 13 sites/blogs, 12 programas de TV, oito programas de rádio e sete agências de notícias.

Nessa segunda etapa, os eleitores poderão votar em até cinco profissionais na categoria Jornalista; e fazer até três indicações nas categorias Jornal, Revista, Rádio, TV, Site/Blog e Agência de Notícia. A indicação de 1º colocado vale 100 pontos; de 2º, 80 pontos; de 3º, 65 pontos; de 4º, 55 pontos; e de 5º, 50 pontos. Os votos do primeiro turno valerão também no segundo, à razão de dez pontos por voto. Ou seja, quem recebeu dez votos, carrega 100 pontos para esta segunda etapa.

A festa de premiação será em 27/11, num almoço no Renaissance Hotel, em São Paulo, para cerca de 150 convidados.

Confira na edição 1.120 de Jornalistas&Cia a relação completa com os finalistas da edição 2017 do Prêmio Os +Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças.

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Luiz Sales morre em São Paulo

Morreu nessa sexta-feira (22/9), em São Paulo, aos 83 anos, o publicitário Luiz Sales, que desde 2000 comandava, com Alex Periscinoto, Sérgio Guerreiro e Walter Fontoura, a SPGA Consultoria de Comunicação, atuante nas áreas de relações públicas e seleção de agências, além de prestar serviços de counseling a presidentes de empresas. Ele estava internado no Hospital Sírio Libanês e não resistiu a uma insuficiência respiratória. Seu corpo foi sepultado no Cemitério Gethsêmani. Deixa a esposa Maria Rosa, quatro filhos e 12 netos.

Engenheiro agrônomo de formação, Luiz Sales voltou-se desde cedo para a publicidade. Fundou com o irmão Mauro a Salles Publicidade, agência que presidiu por mais de duas décadas, sempre como uma das cinco maiores do País à época.

Reconhecido por sua extraordinária habilidade para lidar com situações de crise, em 1995, fundou a LMS Counseling para assessorar empresas e oferecer um aconselhamento personalizado de lideranças envolvidas em decisões corporativas complexas, em projetos confidenciais ou em processos de mudança.

Foi o 1º vice-presidente do Conselho Deliberativo da ESPM e consultor da Febraban, do Bradesco, diretor da TV Manchete, membro do Conselho Cultural da Petrobras e do Conselho do Pão de Açúcar, presidente da Federação Nacional das Agências de Publicidade, vice-presidente da Abap (Associação Brasileira das Agências de Propaganda) e vice-presidente do Conselho da Fundação Bienal.

Boris Casoy e Band são condenados por ofensa a gari

Reportagem publicada em 20/9 pelo Diário de Pernambuco informou que o apresentador Boris Casoy e a TV Bandeirantes foram condenados por danos morais em ação movida pelo gari José Domingos de Melo.

O caso ganhou notoriedade quando, no final de 2009, Melo concedeu uma rápida entrevista ao Jornal da Band, na época comandado por Boris, desejando Feliz Natal aos telespectadores. Logo após, uma falha técnica fez com que vazasse um áudio em que o jornalista ridicularizava a participação de Melo: “Que merda, dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras. O mais baixo da escala do trabalho”.

O valor inicial do processo era de R$ 21 mil, mas foi corrigido e o pagamento, já feito, chegou a R$ 60 mil. “Sempre acreditei na justiça. Sabia que uma hora ou outra isso iria acontecer”, disse Melo, que segue atuando como gari. “Muitos colegas diziam que era para eu desistir, que não ia dar em nada e que nós, trabalhadores, somos invisíveis perante a sociedade. Mas eu insisti, acreditei no sindicato e na Justiça”.

Segundo ele, com a indenização pagará algumas dívidas, ajudará a mãe que vive em Pernambuco e reformará sua casa. O trabalhador manifestou ainda o desejo de promover um churrasco para os amigos do trabalho. “Nossa profissão é digna e merece respeito como qualquer outra. Não é justo alguém nos tratar com desdém, desmerecendo a atividade que exercemos. Espero que isso sirva de lição”, concluiu.

Atualmente, Boris Casoy comanda o Rede TV News, na Rede TV.

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João Gabriel de Lima deixa Época para se dedicar à área acadêmica

João Gabriel de Lima durante a Flip 2017 - Foto: Ricardo Gaspar
João Gabriel de Lima durante a Flip 2017 – Foto: Ricardo Gaspar

João Gabriel de Lima, diretor de Redação da Época desde o início de 2015, deixará a Editora Globo em 30/9 a fim de se dedicar à criação de um curso de Jornalismo no Insper e a projetos acadêmicos na USP e na Faap. Ele está na revista há cinco anos, em sua segunda passagem por lá, onde havia sido editor executivo em 2006. Pós-graduado em Jornalismo Cultural, também atuou em Folha de S.Paulo, Placar, Veja e Bravo.

Em comunicado interno, Frederic Kachar, diretor-geral de Mídia Impressa do Grupo Globo, disse que, à frente de Época, João Gabriel teve como prioridade desenvolver vocações autorais, “o que resultou em maior valorização dos jornalistas da casa, além de vários prêmios nacionais e internacionais para a revista”. Também aprofundou a missão editorial de Época com furos e reportagens profundas e explicativas, no impresso e no digital.

“Manter o alto nível de um título tão importante como Época foi um desafio empolgante — e vitorioso”, disse Gabriel a J&Cia. “O sucesso se deve aos jornalistas com quem trabalhei, uma das equipes mais talentosas e engajadas que já esteve sob meu comando, e que nunca esmoreceu mesmo em tempos de crise. Agora, o desafio é atuar na fronteira do mundo digital, ajudar a criar o jornalismo do futuro. Estou igualmente empolgado”.

Diego Escosteguy, editor-chefe de Época, assumirá interinamente o comando da redação. A expectativa é de que até o final do ano seja anunciado o novo diretor — Diego ou outro profissional.

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Memórias da Redação – Mário Eugênio morreu

* Por Eduardo Brito

 

Mário Eugênio Rafael de Oliveira, repórter policial conhecido apenas como Mário Eugênio, era a grande atração do Correio Braziliense no final dos anos 1970 e começo dos 1980. Era alto, elegante no porte, atrevido e absolutamente irresponsável no que se referia à sua segurança pessoal. Sim, ele corria perigo permanente pela ousadia. E, sim, para falar a verdade, era irresponsável também no que escrevia e no que dizia em seu programa de rádio, o Gogó das Sete, na Rádio Planalto, que pertencia aos Diários Associados assim como o Correio Braziliense.

Certo dia, apareceu na redação do Correio um homenzarrão enfurecido. Queria porque queria falar com Mário Eugênio. Certamente não era para entregar-lhe flores. Estava furioso porque sofrera um roubo e, ao contar a história na sua página, Marão se referira a ele várias vezes como “o otário”. O secretário de Redação Renato Riella e o editor de Economia levaram mais de uma hora para demover o cidadão, que era serralheiro, nessa época uma raridade em Brasília. Depois de muita história conseguiram convencê-lo de que o repórter não fizera por mal. O serralheiro se enturmou e fez trabalhos para muitos dos jornalistas do Correio.

Visitas como essa eram comuns. Mário Eugênio não primava pela discrição. Contou em detalhes como a viúva de uma vítima de homicídio, bissexual, referia-se à dupla vida do marido, inclusive com pormenores, digamos, anatômicos. Veio daí mais uma ameaça agressiva na redação, agora dos filhos. Isso era o dia a dia do repórter. De tanta encrenca, Marão passou a andar armado.

Ao que se sabe, a única vez em que a arma disparou foi na redação do próprio Correio Braziliense. Mário Eugênio sentava-se na mesa mais próxima à entrada, a dois metros da parede que separava a redação da sala do diretor Ari Cunha. Ao chegar, tirou o coldre e jogou-o sobre o tampo da mesa após manipular a arma. Ninguém sabe o que ele tinha feito, mas ao bater na mesa o revólver disparou. O buraco da bala, na altura da barriga de um colega, ficou por lá durante anos, como um registro da maluquice do repórter.

Os colegas não sabiam, porém, que Mário Eugênio estava comprando brigas muito maiores. Supunham, e estavam corretos, que ele contava com uma rede de informantes no meio policial, o que lhe rendia também certa cobertura. Marão denunciava ocasionalmente abusos de autoridades, assim como malfeitos de policiais, mas havia a presunção de que contava com mais amigos do que inimigos nessa área. Não se contava, porém, com a inata audácia do repórter que, como dissemos, beirava a irresponsabilidade.

Em meados de 1984, Marão andava em grande forma. Sua página no Correio Braziliense era frequentada por figuras impressionantes, como a Loura do Trezoitão, que comandava assaltos por todo o Distrito Federal. Nunca se soube se a Loura existia ou não. Suspeita-se que fosse um travesti, que acabou preso. O programa de rádio era campeão de audiência. O Gogó das Sete normalmente era gravado, pois Mário Eugênio não gostava de acordar cedo, mas procurava dar-lhe o máximo de atualidade, aparecendo no estúdio quando fechava seu espaço no Correio, tarde da noite.

A essa altura, Marão começou a falar em um esquadrão da morte. Seria financiado por comerciantes locais para liquidar assaltantes pés-de-chinelo, que invadiam lojas e, principalmente, furtavam carros em zonas nobres do Distrito Federal. No jornal e principalmente na Rádio Planalto, o repórter dizia que estava cada vez mais perto de descobrir os integrantes do esquadrão e prometia revelações estrondosas para os dias que se seguiriam.

Na noite de 11 de novembro de 1984, Mário Eugênio deixou o Correio Braziliense, no Setor Gráfico, pelas 22h e foi para a Rádio Planalto, que ficava em um edifício isolado, perto da W3, zona central da cidade. A essa hora, a área ficava deserta. Gravou o programa e deixou o prédio às 23h55. Foi assassinado com sete tiros na cabeça.

O secretário de Segurança, Lauro Rieth, era um coronel do Exército. Prometeu apuração severa e rápida. Claro, nada aconteceu. O Correio Braziliense contratou um bravo advogado, Aidano Farias, só para acompanhar o caso. Mobilizou, claro, toda a equipe. Mas a coisa não andava. A polícia aparecia com uma série de pistas, todas conduzindo a lugar nenhum.

Foi então que o Correio trouxe a Brasília um grande jornalista policial, Octávio Ribeiro, conhecido como Pena Branca, por ter uma mecha branca em sua cabeleira escura. A essa altura Pena Branca já tinha certa idade, que não revelava, e uma experiência inigualável. Saiu a campo e horas depois encontrou o fio da meada. Em questão de dias, tudo estava esclarecido.

O esquadrão da morte denunciado por Mário Eugênio era comandado por policiais, que recrutavam soldados do Exército como peões. Os tais bandidos pés-de-chinelo que volta e meia apareciam em desovas eram recolhidos nas celas de delegacias onde aguardavam ser colocados para “puxar” veículos. Após um tempo eram mortos.

O primeiro peixe grande a ser pego foi o policial civil Moacir Loiola. Foi preso em Luziânia, vizinha a Brasília, chegou a prestar depoimento e foi encontrado morto logo depois, na delegacia. Suspeita de suicídio, nunca provado. Apesar de todas as tentativas, não se conseguiu mais barrar o inquérito policial. Com base nesse inquérito, o juiz Edson Smaniotto decretou a prisão de ninguém menos do que o delegado coordenador de Polícia Especializada, Ary Sardella, e do próprio secretário Lauro Rieth, além de outros policiais e recrutas do Exército.

O coronel Rieth entrou com sucessivos habeas corpus. Foram negados, mas o Supremo Tribunal Federal acabou decidindo que ele deveria ser julgado em foro especial. O procurador-geral evitou apresentar denúncia. Rieth não chegou a ser condenado, mas nunca mais teve cargo público. Virou uma espécie de fantasma a circular por Brasília. Os peixes menores foram condenados.

O assassino, autor dos disparos, era o policial Divino José de Matos, o Divino 45. Estava afastado, com um atestado de insanidade. Entrou-se em uma batalha judicial que ilustra a fragilidade do sistema policial brasileiro.

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) só foi condenar Divino a 14 anos de prisão em março de 2001. Pena confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em maio do mesmo ano. No entanto, o ex-policial passou dois anos foragido. Em 2004, enfim, foi levado por colegas de profissão para o Complexo Penitenciário da Papuda. Mas ficou atrás das grades, dividindo cela com outro acusado em uma ala só para policiais, somente até o início de 2008, quando ganhou direito ao regime semiaberto. Logo em seguida, recebeu a liberdade condicional.

Um conjunto de reportagens do Correio Braziliense, reunido sob o título O Esquadrão da Morte em Brasília e o assassinato do jornalista Mário Eugênio deu ao jornal o Prêmio Esso de Jornalismo em 1985.

 

* Eduardo Brito ([email protected]) é editor executivo do Jornal de Brasília.

Veríssimo diz que saída de ZH foi “decisão administrativa”

Veríssimo: "Foi uma decisão administrativa, estão fazendo muito isso com os velhos, que têm salários mais altos. Mas não ficou nenhum trauma, não" - Crédito: Igor Sperotto
Veríssimo: “Foi uma decisão administrativa, estão fazendo muito isso com os velhos, que têm salários mais altos. Mas não ficou nenhum trauma, não” – Crédito: Igor Sperotto

Prestes a completar 81 anos (no próximo dia 26/9), Luis Fernando Veríssimo está oficialmente fora do Grupo RBS desde 1º de setembro. Demitido de ZH depois de mais de 40 anos de contribuição quase diária, ele deixou de fazer as tiras Família Brasil.

Em entrevista a Rafael Ilha, do jornal Extra Classe, do Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul, em 15/9, disse que realmente estava trabalhando com coisas demais, “então, foi só para trabalhar menos. Como fui demitido da Zero Hora, não tinha mais sentido manter só para um jornal (O Estado de S. Paulo)”.

Sobre a demissão, garantiu que foi um processo normal: “Apenas deixei de ter vínculo com a empresa, agora eles compram meu material da Agência Globo. Foi uma decisão administrativa, estão fazendo muito isso com os velhos, que têm salários mais altos. Mas não ficou nenhum trauma, não”.

Escritor, cronista, músico, desenhista e pensador, ele tem agora o desafio de manter atualizado o recente contrato de comodato que firmou com a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

O acervo de textos, rascunhos, traduções, cartuns e outras criações está sendo transferido para a biblioteca do novíssimo campus de Porto Alegre. São 382 livros, entre títulos do autor, antologias e edições estrangeiras, mais de mil títulos de periódicos, além de troféus, quadros, esculturas e outros objetos recebidos pelo escritor como forma de homenagem. Difícil porque Verissimo ainda está em pleno exercício produtivo. E também porque não pretende morrer tão cedo.

“Eu acho que o acervo devia ser apenas de obra acabada, o que evidentemente não é o caso. Então, digamos que seja um meio acervo de um autor meio vivo”, disse ele a Ilha com sua costumeira ironia. O acervo vai ocupar, segundo Verissimo, “um cantinho” da biblioteca da Unisinos e estará disponível para consulta por estudantes, pesquisadores e público em geral.

Na entrevista, ele relatou um pouco sua relação com a escrita, as preocupações com a onda reacionária que toma conta do País e o arrependimento por não ter seguido a carreira de músico – é saxofonista amador desde os 16 anos.

Confira a entrevista.

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