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terça-feira, dezembro 7, 2021

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Jornal Pessoal, de Lúcio Flávio Pinto, completa 30 anos

Lúcio Flávio Pinto

Com a edição que circulou em 15/9, o Jornal Pessoal, de Lúcio Flávio Pinto, completou 30 anos de vida e se tornou uma das mais duradouras publicações alternativas do Brasil, ou talvez, segundo ele, “no nosso mundo contemporâneo, a mais longeva e a mais singular”.

Em 2014, ao ser indicado um dos cem +Admirados Jornalistas Brasileiros, Lúcio escreveu a J&Cia como surgiu o JP: “Diante do corpo do meu amigo Paulo Fonteles, que fora deputado estadual pelo PMDB do Pará até três meses antes e decidira abrir sua vinculação ao PCdoB sem a proteção do mandato político, prometi a ele e a mim: aquele assassinato não ficaria impune. Eu faria tudo para reconstituir toda a história do mais grave atentado político na história recente do Estado. Trabalhei durante três meses na apuração dos fatos. Ao final, tinha a história completa: dos executores da morte, com três tiros, dados na cabeça de Paulo, contemporâneo dos meus 38 anos de então, aos mandantes, citados apenas no meu jornal. Só não tinha, em 1987, dois anos depois do retorno do Brasil à democracia, onde publicar a matéria. Como todas as portas se fecharam, abri uma fresta: decidi criar um jornal, o menor que podia haver, em formato pequeno, sem cor, sem recursos gráficos, sem foto, sem mulher nua e sem publicidade. Achei que um jornal assim, com o compromisso de dizer tudo sobre temas de interesse do povo, sem se importar a quem desagradasse, por mais poderoso que fosse, não duraria muito, ou nem eu”. Durou, apesar dos percalços.

No texto do seu blog em que fala desses 30 anos e reafirma os princípios do jornal, Lúcio diz que, “numa era de democracia, o JP continua plenamente alternativo porque parte considerável do que contém não está disponível em nenhuma outra fonte. Não se trata de assunto cabalístico ou esotérico: da pauta constam os temas mais importantes e urgentes do momento no Pará, na Amazônia e, às vezes, no Brasil. O desaparecimento deste jornal talvez provocasse a supressão desses temas da agenda dos cidadãos, com danos para o bem social, para as necessidades coletivas. Manter princípios e compromisso ao longo de 639 edições, sem contar os números especiais e os dossiês publicados, custou caro e permanece sendo extremamente oneroso para o responsável solitário por este jornal. Sem a adesão, a confiança e o apoio dos leitores, esta guerra de um exército de um homem só já teria sido perdida. Para que o combate subsista, é preciso travar uma batalha a cada novo número e vencê-la. Chegar a estes 30 anos é ter consciência do caminho percorrido e, ainda assim, ou por isso, acreditar que vale a pena acreditar no futuro”.

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