Alexandre Freeland deixa a Infoglobo, onde esteve nos últimos dois anos, ultimamente como diretor de Projetos Estratégicos da redação integrada de O Globo, Extra e Época, e volta para a In Press Porter Novelli como diretor executivo. Vai dirigir o escritório do Rio, posição que ocupava antes na empresa, cuidando de branded content e projetos especiais em comunicação. A nova atividade, porém, tem um modelo que ainda está sendo elaborado – ele deve atuar também na produção de conteúdo, em conjunto com o estúdio de criação, que tem sua base em São Paulo. A propósito, Infoglobo é cliente da In Press.
Em mensagem de despedida, Freeland disse: “Cheguei com muitos planos e expectativas. Saio realizado pela sorte de ter encontrado tanta gente talentosa e guerreira. Levo ótimas lembranças, amizades de dar gosto e uma enorme admiração pelo trabalho desse time. Sou fã, em resumo. Ou brand lover, como gostam de dizer nesse mundo da comunicação corporativa, para onde estou de mudança”.
O Ministério Público Federal denunciou nesta terça-feira (21/1) o diretor do The Intercept Brasil (TIB) Glenn Greenwald por envolvimento com hackers que invadiram celulares de autoridades públicas. Segundo a acusação, ele teria orientado os criminosos a apagar parte do conteúdo vazado para a publicação de reportagens. Greenwald não foi investigado ou indiciado, mas segundo o MPF, foi comprovado que ele ajudou o grupo na invasão de celulares. O TIB usou o material para denunciar irregularidades na Operação Lava-Jato.
Outras seis pessoas também foram acusadas no âmbito da Operação Spoofing, responsável por investigar as invasões. A denúncia, assinada pelo procurador da República Wellington Divino de Oliveira, aponta práticas ilícitas como lavagem de dinheiro, fraudes bancárias e interceptação de ligações telefônicas, além da invasão de aparelhos celulares.
Greenwald defendeu-se das acusações afirmando que “a denúncia é uma tentativa óbvia de atacar a imprensa”, criticando o atual governo: “O governo Bolsonaro e o movimento que o apoia deixaram claro que não acreditam em liberdade de imprensa. Não seremos intimidados por essas tentativas tirânicas de silenciar jornalistas. (…) Continuarei a fazer meu trabalho jornalístico. Muitos brasileiros corajosos sacrificaram sua liberdade e até suas vidas pela democracia brasileira, e sinto a obrigação de continuar esse nobre trabalho”.
Em nota, os advogados do diretor do TIB afirmam que a denúncia é um “expediente tosco”, que “fere a liberdade de imprensa” e serve como “instrumento de disputa política, depreciando o trabalho jornalístico de divulgação de mensagens realizado pela equipe do The Intercept Brasil”. Eles também disseram que “preparam medida judicial cabível” e que “pedirão à Associação Brasileira de Imprensa (ABI) que cerre fileiras em defesa do jornalista agredido”.
Em carta aos assinantes do The Intercept Brasil (TIB), o
editor executivo Leandro Demori afirmou que o ministro da justiça Sérgio
Moro, que será entrevistado no programa Roda
Viva desta segunda-feira (20/1), teve acesso à lista de entrevistadores e
aprovou os nomes que integrarão a bancada: “Ele aprovou os nomes dos
jornalistas que estarão na bancada para entrevistá-lo, nós confirmamos com
fontes. Não me espanta: Moro não sentaria em um canal ao vivo por duas horas
sem saber quem estaria na sua frente”. No mesmo comunicado, ele convidou os
assinantes a assistirem à live que o TIB
fará no horário do programa, em que os jornalistas do site reagirão à
entrevista com Moro ao vivo.
Antes da divulgação da lista dos jornalistas que
entrevistarão Moro, Glenn Greenwald, diretor do TIB, afirmou que “seria indesculpável e um tanto
covarde para o Roda Viva permitir que
Sergio Moro aparecesse sem colocar um jornalista do The Intercept Brasil no
painel para participar da discussão”. Ele publicou a hashtagInterceptNoRodaViva, que foi muito repercutida nas
redes sociais. Algum tempo depois, a TV Cultura divulgou a lista dos
jornalistas, sem a presença de nenhum integrante do The Intercept Brasil: Alan
Gripp (O Globo), Andreza Matais (Estadão), Leandro Colon
(Folha), Malu Gaspar (Piauí) e Felipe Moura Brasil (Jovem Pan).
Em entrevista
ao UOL, Leão Serva, diretor de Jornalismo da emissora, classificou a
frase de Greenwald como “indelicada” e afirmou que a escolha do entrevistado e
dos entrevistadores é feita pela própria TV Cultura: “Não pedimos sugestões nem
submetemos a bancada ao entrevistado. Alguns já fizeram sugestões, mas nenhuma
foi acatada”, disse Serva. Ele, porém, não detalhou os critérios da escolha.
Vale lembrar que o The Intercept Brasil foi o primeiro
veículo a publicar o vazamento de mensagens entre Sérgio Moro e os procuradores
da Operação Lava Jato, em junho de
2019.
O presidente Jair Bolsonaro ironizou o levantamento da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) sobre ataques à imprensa em 2019. Segundo o estudo, ocorreram 208 ataques a jornalistas ou veículos de comunicação no ano passado. Bolsonaro foi responsável por 121 casos, o que equivale a 58% do total.
Nas redes sociais, o presidente ironizou e riu dos dados registrados no levantamento. Além disso, em resposta a um internauta que perguntou como foi obtido o índice, ele escreveu: “Pegaram o QI médio da galera da imprensa. Deu 58”.
O relatório da Fenaj mostrou também um aumento de 54% no número de ataques registrados: em 2019, foram 208, enquanto que em 2018 foram 135.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) passou a integrar o projeto Voces del Sur, que monitora e denuncia ameaças à liberdade de expressão e de imprensa na América Latina. Além do Brasil, entidades de Argentina, Equador, Peru, Venezuela, Uruguai, Bolívia, Honduras e Nicarágua fazem parte da rede.
O projeto visa a garantir o cumprimento dos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela ONU, como o acesso público à
informação e a proteção das liberdades fundamentais. As ameaças são
classificadas em restrições ao acesso à informação, abuso de poder, agressões
físicas e verbais, e desaparecimentos forçados.
A Abraji fornecerá dados de ameaças à liberdade de
expressão e imprensa no Brasil ao projeto, ampliando o seu alcance na América
Latina.
Maju Coutinho (TV Globo) narrou a versão em áudio do livro Becoming: A minha história, biografia da ex-primeira dama dos Estados Unidos Michelle Obama. Segundo a apresentadora do Jornal Hoje, sua história de vida tem algumas semelhanças com a de Michelle, principalmente em relação à exposição que ambas sofrem até hoje, que vai desde o que falam até a forma como se vestem, além do fato de que as duas vieram de famílias de baixa renda.
No lançamento do audiolivro,
Maju contou também que admira muito a ex-primeira dama dos EUA e que se
emocionou lendo algumas passagens do livro, pois apresenta elementos que podem
ser encontrados no Brasil: “Tinha momentos em que eu chorava mesmo, porque
a história dela é muito emocionante. (…) Ela conta coisas que eu vejo no
Brasil; sonhos interrompidos de mulheres e homens por conta da barreira
social”.
Nos
Estados Unidos, foi a própria Michelle Obama quem gravou a versão em áudio. O
livro teve mais de dez milhões de exemplares vendidos.
Mario Simas Filho, diretor de núcleo da revista IstoÉ, morreu na madrugada desta sexta-feira (17/1), em São Paulo, aos 59 anos. Ele tinha câncer no rim e estava internado no Hospital Paulistano. O velório começou às 9h e o sepultamento será por volta às 15h30, no Cemitério Gethsemani, no Morumbi. Deixa mulher, três filhos e dois netos.
Simas trabalhou na Folha da Tarde e na Folha de S.Paulo
antes de chegar à IstoÉ. Fez reportagens marcantes, como a que revelou o
assassinato (e não suicídio, como havia sido veiculado) de PC Farias, aliado do
ex-presidente Fernando Collor. Em 2001, ganhou um Prêmio Esso de Jornalismo
pela série Senadores envolvidos na fraude do painel de votação do Senado.
Era filho do também jornalista Mario Simas,
especialista em direitos humanos e que defendeu ativistas durante a ditadura.
Livro de Thais Oyama revela os bastidores do primeiro ano do governo de Bolsonaro, com segredos, escândalos e polêmicas
O presidente Jair Bolsonaro atacou Thaís Oyama (Jovem Pan), autora do livro Tormenta – O governo Bolsonaro: Crises, intrigas e segredo, com uma frase xenófoba. Questionado sobre o escândalo da Secom e Fabio Wajngarten, o presidente irritou-se e afirmou que os jornalistas “têm medo da verdade, deturpam o tempo todo, mentem descaradamente. Trabalham contra a democracia, como o livro dessa japonesa, que eu não sei o que faz no Brasil”, referindo-se a Thaís, descendente de japoneses.
Bolsonaro também mandou a imprensa tomar vergonha na cara: “Essa imprensa que está me olhando, não tomarei nenhuma medida para censurá-los, mas tomem vergonha na cara. Deixem nosso governo em paz, para levar harmonia ao nosso povo”.
O livro de Thaís Oyama revela os bastidores do primeiro ano do governo de Bolsonaro, com segredos, escândalos e polêmicas, incluindo o fato de que foi o próprio presidente o responsável pela ausência de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flavio Bolsonaro, em um depoimento ao Ministério Público do Rio de Janeiro, em 2018.
O escritor Luiz Octavio de Lima morreu em 15/1, em São Paulo, aos 60 anos. Ele estava internado desde o dia 13 com suspeita de AVC, mas o quadro piorou por causa de uma infecção.
Formado pela PUC-RJ e com MBA em Economia pela
Unicamp-Facamp, Luiz teve passagens, entre outros, por Folha de S.Paulo, Veja,
O Globo, Exame e Época. No Estadão, foi um dos pioneiros na publicação de
conteúdo na internet.
É autor de livros como A Guerra do Paraguai, 21
Grandes batalhas que mudaram o Brasil, Pimenta Neves − Uma reportagem
e 1932: São Paulo em chamas.
Hoje, voltando no tempo e buscando na memória fragmentos dos meus primeiros anos de vida na fazenda Mombuca, região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, convenço-me de que, antes de ser vítima da poliomielite, que me tomou os movimentos das pernas, eu já havia adquirido a “síndrome do capotão”. No raiar da infância, diziam os meus, eu só dormia a sono solto se abraçado a uma velha bola de couro, daquelas da pré-história do futebol, que tinha uma câmara dentro do capotão fechado por uma amarra de tentos. E quando meus irmãos seguiam com ela para o terreiro em frente a nossa casa, lá ia eu, ainda andando e mais tarde me arrastando, exigindo, em lágrimas, participar do jogo.
O tempo passou, eu passei com
ele, e jamais o futebol saiu da minha vida. Ano após ano, mesmo com todas as
dificuldades, não deixava a beira de um campinho ou a arquibancada dos
estádios. Sempre com o olhar pregado nela, que deixou de ser de capotão para
virar esfera tecnológica, mas que não eliminou do meu inconsciente o que
batizei de síndrome. E que com o tempo virou mesmo uma relação atávica com o
esporte que jamais pude praticar.
No começo foi o campinho que
ficava em frente à estação de trens de Guatapará, a vila da minha infância, que
mais tarde virou a praça de uma cidade; depois vieram, não muito longe dali, os
estádios do Mogiana, onde jogava o Comercial, até construir o Palma Travassos;
o da Vila Tibério, do Botafogo, em Ribeirão Preto, antes do Santa Cruz; e o
Adhemar de Barros, na Fonte Luminosa, da Ferroviária de Araraquara, todos na
minha adolescência. Depois, tantos outros fui conhecendo por onde passei, no
Brasil e no exterior, cenários em que colecionei incontáveis e memoráveis
momentos que formam um inesquecível rosário de lembranças inesquecíveis.
Time do coração? Como toda
criança, facilmente influenciável, doutrinado por meus irmãos, foi o São Paulo,
ainda o do Canindé. Todavia, fui aficionado tricolor até por volta dos oito
anos, quando um episódio marcante me fez “virar a casaca”. Lembro, de passagem,
que um ano depois o Brasil ainda chorava a tragédia do Maracanazo.
Mas veio a Copa Rio, que a imprensa brasileira, na época, apelidou de
“Torneio Mundial de Campeões” ou “Campeonato Mundial de
Clubes”, e que deu ao Palmeiras a honra de, no mesmo
Maracanã da hecatombe de 16 de julho de 1950, conquistar, em 22 de julho de
1951, o título de primeiro campeão mundial interclubes.
A colônia italiana de São
Paulo ainda estava em êxtase com essa conquista quando, em setembro daquele
ano, numa quinta-feira, pouco antes do meio-dia, os campeões irromperam na ala
do 3º andar em que eu estava internado na Santa Casa de Misericórdia, no
Arouche. O time inteiro. Diferente do marketing de hoje, frio e individualista,
naquele tempo a visita a hospitais era quase que uma obrigação. Principalmente,
como me contaram, para pagar a promessa feita e pela graça alcançada: o título
de campeões. Nós, meninos de todo o Brasil, muitos como eu recém-saídos de mais
uma cirurgia, fomos privilegiados. Creio que eu mais que todos.
Naquele dia, os jogadores
palestrinos não só foram à Santa Casa, mas levaram quilos e quilos de
macarronada, que foram entregando a cada paciente já desesperado com a demora
do almoço. Tudo acompanhado pelo olhar nervoso de irmã Maria José, que, por
causa de deficiência física numa das pernas, fora paciente e interna e depois
entrou para a congregação do Sagrado Coração de Jesus, cujas freiras
trabalhavam no hospital. Enérgica, às vezes dura, não admitia indisciplina e a
algazarra que vivemos ali foi para ela uma viagem ao inferno.
Entretanto, eu estava no céu.
De repente veio até mim um jovem forte, cabelos lisos, bigodinho, simpático e
sorridente. Entregou-me o prato e perguntou: “Qual é seu nome?”. “Plínio”,
disse encabulado, sotaque ainda impregnado do caipirismo que trouxera lá do
interior. ”O meu é Oberdan”, respondeu. O mesmo Oberdan Cattani que fora
reserva do Fábio Crippa nos homéricos confrontos com a Juventus da Itália, com
vitória alviverde de 1 a 0 no primeiro jogo e empate de 2 a 2 no confronto
final.
Depois de dividir comigo as
garfadas do macarrão com porpetas, que de tão deliciosas são ainda hoje um dos
meus pratos preferidos, ele se foi como chegou: sorridente, despedindo-se com
um abraço que pareço ainda sentir 70 anos depois e com dois beijos nas minhas
faces, gesto característico da fraternidade própria do povo da Bota.
Enfim, quando voltei a
Guatapará para um período de convalescença entre uma cirurgia e outra – foram
sete até que os médicos conseguissem pôr-me de pé outra vez –, deixei bem claro
a todos lá em casa que desde meu encontro com Oberdan e seus companheiros meu
coração ganhara um novo dono: era agora o de um periquito.
O tempo se foi, os anos
voaram, deixei Guatapará, fui para Jundiaí, onde “sentei praça” no Jayme
Cintra, do Paulista, do qual cheguei a ser técnico do júnior e auxiliar do
lendário Benoni Pires na conquista do Campeonato Paulista de Futebol Amador de
1965. Uma tarde memorável aquela no campo do Juventus, na rua Javari, com
vitória por 2 a 0 sobre o Matarazzo, que tinha como capitão Bibe, outra lenda
do futebol, de belíssima carreira como meia do São Paulo e da Ponte Preta.
Trabalhando como escriturário
da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, um dia, em 1969, recebi um
inesperado convite de Ademir Fernandes
e Sandro Vaia, meus mestres, comecei
ali minha carreira no jornalismo e em 1979 cheguei à redação do Estadão.
Pelos meados do ano de 1980,
eu já dividindo a Chefia de Reportagem com meu inesquecível amigo Moacyr Castro, conversava no “paralelo
17” – corredor que dividia as redações dos dois jornais da família Mesquita –
com Mário Lucio Marinho, então um
dos editores de Esportes do Jornal da Tarde. No meio da conversa ele me falou
qualquer coisa sobre a Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo
(Aceesp) e eu quis saber como fazer para me associar. Ele prometeu me trazer
uma ficha de cadastro, e trouxe. Preenchi e no dia seguinte, na Rádio Globo,
onde eu era chefe de Reportagem pela manhã, entreguei-a ao Edson Scatamachia, da equipe do Osmar
Santos, diretor do programa Balancê e vice-presidente
do Mário Marinho na Aceesp.
Com a credencial passei a ter mais
facilidades para ir aos estádios da capital. Por morar no bairro do Limão,
minhas idas passaram a ter como destino mais frequente o Parque Antártica. Lá,
na entrada pelo trecho da ainda rua Turiaçu, hoje rua Palestra Itália, bastava
pegar o elevador e subir para a cabine de imprensa.
Pois foi numa dessas idas, num
jogo noturno do Palmeiras contra quem nem me lembro mais, que quase 30 anos
depois o destino me pregou uma bela peça. Sentado ao lado de outros
jornalistas, ouvi uma voz que ecoou lá do passado. Um senhor forte, cabelo
liso, bigodinho, veio nos cumprimentar. Sim, era ele, Oberdan Cattani.
Quando lhe contei daquele nosso encontro lá na Santa Casa, comemorado com uma bela macarronada com porpetas, ele lembrou-se e percebi que lágrimas discretas escorreram dos seus olhos. Dos meus, uma enxurrada. Nos abraçamos, ele me beijou nas faces e se foi, desaparecendo no corredor. Recuperei o fôlego e ali, no velho e saudoso Palestra Itália, no Parque Antártica, descobri que ainda havia muita emoção para guardar no meu coração de periquito.
Plínio Vicente da Silva
Plínio Vicente da Silva ([email protected]), editor de Opinião, Economia e Mundo do diário Roraima em Tempo, em Boa Vista, para onde se mudou em 1984, assíduo colaborador deste espaço, brinda-nos com mais uma bela história de futebol.