A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) publicou na semana passada um relatório sobre a liberdade de imprensa nas Américas de outubro de 2025 a abril de 2026. Os dados do estudo revelaram uma crise acentuada no trabalho jornalístico em diferentes países, com casos de censura judicial, práticas autoritárias contra profissionais, restrições, uso de estruturas estatais para limitar a circulação da informação e violência contra a imprensa.
“Trata-se de um cerco coordenado, sofisticado e cada vez mais normalizado, que transcende regimes e fronteiras”, declarou Pierre Manigault, presidente da SIP, sobre a situação crítica da liberdade de imprensa na região. No caso específico do Brasil, o recorte sobre o País, feito pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), alerta para casos de intimidação, censura judicial e ataques organizados a profissionais da imprensa e veículos.
O relatório destacou casos recentes como a busca e apreensão na residência do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por suposto crime de perseguição ao também ministro da corte, Flávio Dino, após a publicação de uma reportagem no Blog do Luís Pablo sobre o uso de veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão (MA) por parte da família de Dino. No estudo, a ANJ escreveu que existe “uma preocupante indicação de que medidas restritivas encontram agora abrigo no Supremo Tribunal Federal (STF)”, incluindo ameaça a proteção do sigilo da fonte.
Além da queda na liberdade de imprensa no Brasil, o relatório fez um alerta sobre as eleições de outubro, realizadas em um contexto de “crescente radicalização, polarização política e incertezas sobre os impactos do uso de IA para gerar conteúdos desinformativos cada vez mais difíceis de serem detectados”. A ANJ destacou a assinatura de um protocolo nacional para investigar crimes contra jornalistas e veículos.
O relatório descreve ainda a postura e a relação da imprensa com outros líderes como Donald Trump, Javier Milei, Gustavo Petro, Rodrigo Chaves. Leia mais aqui.
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