Por Luciana Gurgel

Em um momento em que a mídia tradicional perde espaço, influenciadores disputam a atenção do público e a confiança nas notícias está em baixa, o que dizer a quem está começando a estudar jornalismo este ano?
Para essa missão, a Columbia Journalism School escolheu uma jornalista que simboliza o momento de tensão vivido pela imprensa, sobretudo nos Estados Unidos: Hannah Natanson. Ela é a repórter especial do Washington Post que teve a casa alvo de uma busca do FBI – episódio que despertou preocupações sobre a proteção do sigilo das fontes, princípio básico do jornalismo investigativo.
Em discurso à turma de 2026 da escola, Natanson não tentou suavizar o cenário. Começou reconhecendo que este é um período difícil para iniciar uma carreira no jornalismo: profissionais de imprensa sofrem ataques, os empregos encolhem e a inteligência artificial preocupa redações em todo o mundo.
Ela também observou que os novos jornalistas se formam em um momento em que pessoas no poder adotam medidas sem precedentes para intimidar ou silenciar a imprensa livre.
Sob Trump, os Estados Unidos perderam 11 posições no ranking anual de liberdade de imprensa da Repórteres Sem Fronteiras.
Mas Natanson disse que não queria se deter nessa lista de motivos para desânimo. Seu objetivo era outro: convencer os formandos de que fizeram – ou estavam prestes a fazer – a melhor escolha de suas vidas.
“O jornalismo é a base da democracia.”
Para ela (e para muitos que perseveram na profissão), é também o trabalho mais gratificante que alguém pode fazer – e o mais divertido.
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