Gabi Coelho e Igor Soares publicaram no final de maio a pesquisa Jornalismo Local sob pressão do poder paralelo, que mostrou como políticos corruptos, empresários, forças de segurança, facções criminosas, garimpeiros e latifundiários impactam o trabalho e a segurança de veículos de jornalismo local. O levantamento, publicado no Projeto #Colabora, com o apoio da Repórteres Sem Fronteiras (RSF), entrevistou 38 jornalistas de veículos das cinco regiões do País, de fevereiro a maio deste ano.

“Veículos de jornalismo local atuam em territórios marcados por desigualdades históricas, violência armada e diferentes formas de poder paralelo. Em muitos desses lugares, são a única fonte de informação acessível à população. Mas a pressão sobre esses veículos raramente aparece nas estatísticas”, diz o texto de introdução da iniciativa. “Esta pesquisa mapeou, pela primeira vez em escala nacional, como essa pressão funciona e quais são seus efeitos concretos sobre o jornalismo e sobre as comunidades que ele serve”.

Um dos principais dados obtidos mostra que 15,8% do total dos entrevistados considerada que a região onde atua tem liberdade de imprensa plena. 42,1% avaliam que ela é parcial e os outros 42,1% consideram que ela é inexistente em seu local de trabalho. Outros dados relevantes são: 89% já sofreram algum tipo de hostilidade no exercício do trabalho; 60,5% já deixaram de publicar pautas por medos de represálias; e 78,9% afirmam não ter apoio suficiente para continuar operando em situações de risco.

Os autores da pesquisa destacam alguns casos que exemplificam de forma clara a intervenção do chamado poder paralelo no jornalismo, como o fundador de um portal comunitário da Bahia que, com apenas uma câmera em mãos, foi detido por policiais durante uma operação no bairro onde trabalha; jornalistas da Rondônia que deixaram de cobrir determinados temas porque os próprios parlamentares estaduais são os maiores anunciantes dos veículos onde trabalham; e um site de Maceió (AL), que ficou fora do ar por mais de seis meses depois de publicar uma reportagem que contrariava a narrativa da prefeitura sobre enchentes.

Confira o levantamento na íntegra aqui.

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