A seção brasileira da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) lançou nesta segunda-feira (22/2) a campanha A verdade nua e crua. A ação tem como objetivo defender o direito à informação confiável no Brasil durante a pandemia de Covid-19. Na peça, produzida pela agência BETC Paris, o presidente Jair Bolsonaro aparece em uma montagem sem roupas, coberto por uma placa que mostra os números de mortos e contaminados no Brasil pela pandemia.

“Essa campanha propositalmente chocante visa despertar as consciências a reagirem aos ataques permanentes do sistema Bolsonaro contra a imprensa”, afirmou Christophe Deloire, Secretário-Geral da RSF. “Os ataques não são apenas moralmente intoleráveis, mas também perigosos para a população brasileira que se vê privada de informações vitais sobre a pandemia. O trabalho dos jornalistas é fundamental para relatar os fatos e informar as pessoas sobre a realidade da crise sanitária. Mais do que nunca, o direito à informação, intimamente ligado ao direito à saúde, deve ser defendido no Brasil.”  

A campanha defende que se mostre “a verdade nua e crua” da realidade dos fatos, para além de alegações fantasiosas ou manipuladoras. Segundo a entidade, essa foi uma forma simbólica de confrontar o chefe de estado brasileiro a realidade dos fatos, contrapondo suas acusações em que responsabiliza a imprensa pelo caos instalado no país para desviar a atenção de sua desastrosa gestão da crise sanitária.

O Brasil é hoje o terceiro país mais afetado no planeta pela Covid-19 e a campanha reforça a importância de conhecer os fatos para compreender a pandemia e poder agir sobre ela. Fatos aos quais a população brasileira não teria acesso sem o trabalho dos jornalistas. 

“O trabalho da imprensa brasileira tornou-se particularmente complexo desde que Jair Bolsonaro assumiu o poder em 2018”, acrescenta o comunicado da entidade. “Insultos, difamação, estigmatização e humilhação de jornalistas passaram a ser a marca registrada do presidente do país. Sempre que informações contrárias aos seus interesses ou aos de sua administração se tornam públicas, ele não hesita em atacá-los com violência. No final de janeiro, por exemplo, Jair Bolsonaro mandou os jornalistas para “a puta que o pariu” e afirmou que a lata de leite condensado era para “enfiar no rabo […] da imprensa”.

Essa declaração delirante faz parte de uma estratégia bem azeitada de ataques contra a imprensa coordenados pelo presidente e seus familiares que ocupam cargos eletivos, conforme apresentado pelo relatório da RSF que lista nada menos que 580 ataques apenas em 2020”.

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