Instagram ocultou post de Bolsonaro. Foto: Reprodução/Instagram
O Instagram e a Agência Lupa, responsáveis pela fiscalização do conteúdo publicado na rede social, ocultaram um post compartilhado pela função stories pelo presidente Jair Bolsonaro em seu perfil. A publicação afirmava que o Ceará teve menos mortes por doenças respiratórias entre 16 de março e 10 de maio deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado. O presidente chegou a escrever que havia “algo muito estranho no ar”, porém a informação é falsa.
Segundo a Lupa, “é falso que, no Ceará, o número de mortes por doenças respiratórias diminuiu em 2020”. Eles consideraram o conteúdo publicado como fake news, improcedente e que não condiz com a realidade. Vale lembrar que, quando o conteúdo é ocultado – e não apagado – ainda é possível vê-lo, mas o usuário recebe um alerta sobre disseminação de “informação falsa”.
A Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina (SJSC) repudiaram declaração do governador de Santa Catarina Carlos Moisés da Silva, que, em 8/5, em transmissão via redes sociais, sugeriu a empresários que pressionassem os veículos de comunicação a praticarem um “jornalismo decente”.
O governador afirmou que “o governo foi execrado por pagar
adiantado, eles (os jornalistas) fizeram tudo errado. Eu vi jornalistas aqui de
Santa Catarina induzindo nas suas entrevistas, como se fosse uma autoridade
policial ou um promotor, que estes sim têm que fazer suas oitivas, tem que
indagar. Ele (jornalista) fez a persecução criminal, a persecução criminal, na
frente das câmeras. Acho que nós precisamos renovar esse conceito”.
Moisés reagia à cobertura da imprensa sobre a compra de 200
respiradores para o combate ao coronavírus, com pagamento antecipado, por cerca
de R$ 33 milhões. Até então, nenhum equipamento havia sido entregue à
Secretaria de Estado da Saúde.
Em nota conjunta, a Fenaj e o SJSC declaram que “se,
porventura, algum veículo ou profissional cometeu ou vier a cometer qualquer
erro na cobertura jornalística relativamente a este fato, cabe ao Governo do
Estado de Santa Catarina tomar as medidas legais para a reparação do erro ou
para assegurar o direito ao contraditório. No entanto, estimular e/ou promover
o cerceamento à liberdade de imprensa por meio da pressão econômica de
anunciantes é um erro grosseiro, autoritário e um ataque inaceitável. Cumprindo
seu papel de garantir e defender a Liberdade de Imprensa, o Jornalismo e os
jornalistas não vão se calar”.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) escreveu que “fiscalizar o uso de recursos públicos é uma das principais funções do jornalismo. Em sua fala a empresários, o governador demonstra ignorância sobre o conceito de liberdade de imprensa. Como, infelizmente, está se tornando comum entre autoridades brasileiras, prefere atacar o mensageiro a prestar contas à sociedade catarinense”.
Morreu nesta segunda-feira (11/5) o jornalista esportivo e ex-jogador de futsal Newton Zarani, aos 93 anos, no Rio de Janeiro, vítima de AVC e pneumonia. Ele foi um dos fundadores da Federação Carioca de Futsal, em 1954, a mais antiga do mundo. Atuou como jogador do Club Municipal e do América, onde também foi treinador.
Depois de pendurar as chuteiras, Zarani tornou-se
jornalista esportivo, trabalhando por mais de 40 anos no Jornal dos Sports e em
outros veículos. Foi um dos pioneiros no papel de comentarista de rádio. Em
nota, a Associação de Cronistas do Estado do Rio (Acerj) lamentou sua morte.
Ele deixa a esposa, Maria Lúcia e três filhos, Charles, Ives e Michelle.
Os profissionais de imprensa de São Paulo estão liberados do rodízio de veículos imposto pelo Decreto Municipal nº 59.403, publicado em 8/5 e que passa a valer a partir desta segunda-feira (11/5), como medida de prevenção e redução de contágio pelo novo coronavírus. O texto garante a livre circulação da imprensa, bem como a exclusão das restrições impostas.
O decreto diz que o cadastro de trabalhadores freelances do setor de imprensa será
autodeclaratório e deve ser acompanhado do devido comprovante de registro
profissional. Já profissionais empregados em veículos de comunicação devem
solicitar o cadastro nas próprias empresas jornalísticas, exigindo sua
identificação e de seus respectivos veículos junto à Secretaria Municipal de
Mobilidade e Transportes.
Os profissionais devem fazer o
pedido pelo [email protected]
ou pelo Portal 156, clicando na área
“Trânsito e Transporte” e, em seguida, na opção “Rodizio de Veiculos
(coronavírus) – Cadastrar veículos para isenção durante a pandemia”.
Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, anunciou a criação de um órgão independente que moderará o conteúdo veiculado na rede social, principalmente no que se refere a publicações polêmicas, que ferem os direitos humanos e a liberdade de expressão. O nome oficial é Conselho Assessor de Conteúdo.
O novo órgão é independente, alheio ao Facebook. É formado
por 20 conselheiros, dez homens e dez mulheres, que não trabalham no Facebook,
e, portanto, não podem ser demitidos por Zuckerberg. Entre os integrantes está
o brasileiro Ronaldo Lemos, advogado de propriedade tecnológica e
intelectual e professor de Direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro
(UERJ).
O único outro latino-americano é a jurista colombiana Catalina
Botero-Marino, diretora da Faculdade de Direito da Universidade de Los
Andes e ex-relatora para a liberdade de expressão na Organização dos Estados
Americanos. Também fazem parte do conselho Tawakul Kerman, ganhadora do
Nobel da Paz de 2011; a ex-primeira-ministra dinamarquesa Helle
Thorning-Schmidt; o jornalista britânico Alan Rusbridger,que
por duas décadas dirigiu o jornal The Guardian; Jamal Greene,
catedrático da Universidade Columbia; Michael McConnell, ex-juiz federal
dos EUA e hoje professor em Stanford, entre outros.
Ao todo, serão 40 membros no conselho, o dobro da
composição atual. O processo de seleção dos outros 20 deve estender-se até
2021. (Veja+)
Artistas, jornalistas, estudantes, escritores e contadores de histórias de todo o País são convidados para contribuir com a iniciativa Inumeráveis, memorial que destaca os nomes e uma breve biografia de todas as vítimas por Covid-19 no Brasil. O objetivo é mostrar as pessoas por trás dos dados, números e estatísticas diariamente presentes na mídia nacional.
Criado em 30 de abril, o projeto é obra do artista Edson
Pavoni em colaboração com Rogério Oliveira, Rogério Zé, Alana
Rizzo, Guilherme Bullejos,Giovana Madalosso, Jonathan
Querubina e os jornalistas e voluntários que seguem adicionando histórias
ao memorial. A iniciativa busca mostrar o lado humano da pandemia, apresentando
as histórias das pessoas que se foram por causa da doença, de forma sensível,
pessoal e respeitosa, valorizando cada uma delas. Posteriormente, os
idealizadores pretendem fazer uma exposição artística em local público com os
nomes das vítimas.
Rogério Oliveira, empreendedor social e um dos
idealizadores do Inumeráveis, explica que o projeto serve para mostrar as vidas
escondidas pelos números e estatísticas: “O Inumeráveis nasce do incômodo em
perceber que, nas tragédias humanitárias pela qual a humanidade passa,
transformamos as vidas perdidas apenas em números e estatísticas. Pandemias,
guerras, genocídios, desastres recentes como Brumadinho. Não valorizamos, não
registramos a vida, a história de cada única pessoa que todos nós perdemos.
Hoje temos tecnologia e um sistema distribuído que pode colaborar para termos a
ambição de registrar 100% das histórias, de cada pessoa”.
A plataforma oferece duas formas de colaboração: uma para
profissionais de imprensa, estudantes de jornalismo e outros que queiram
reportar uma história; e outra direcionada à família e aos amigos que gostariam
de prestar uma homenagem à vítima.
Faleceu na última sexta-feira (8/5), aos 78 anos, vítima da Covid-19, o jornalista, escritor, cineasta e dramaturgo Jesus Chediak. Ele era diretor cultural da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e atuava como curador da superintendência de Artes da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro. Chediak estava internado desde 4/5 no Assim Medical Center do Méier, Zona Norte do Rio. A Prefeitura de Duque de Caxias, cidade onde Chediak foi secretário de Cultura na gestão do ex-prefeito Alexandre Cardoso, decretou luto oficial de três dias pelo falecimento
“Artista multitalentoso, Chediak era associado da ABI há mais de 40 anos”, destacou o comunicado emitido pela entidade. “Jogou sinuca com Villa-Lobos nas lendárias mesas de bilhar do 11º andar da entidade. Participou de vários Conselhos da Casa do Jornalista. Dividiu cadeiras de conselheiro com Carlos Drummond de Andrade, Ferreira Gullar, Carlos Heitor Cony e tantos baluartes da cultura brasileira. Foi diretor de Cultura durante a gestão de Barbosa Lima Sobrinho e, mais recentemente, nas gestões Maurício Azedo, Domingos Meirelles e Paulo Jeronimo Sousa. Lançou na ABI o Cine Macunaíma, sendo um precursor do cinema novo. Montou, com parcos recursos, no teatro do 9º andar da entidade, uma peça sobre a morte de Vladimir Herzog, considerada pela revista Veja como a melhor daquele ano de 1976”.
Chediak foi também diretor da Casa França Brasil e professor da Universidade Federal da Bahia e autor de diversos livros, entre eles Brasil, país do presente: contribuições para a formulação de um socialismo cristão brasileiro. Entre os filmes que produziu, o mais recente foi sobre a vida de Pedro Aleixo.
“Era muito mais que um amigo; era um irmão. E o mais
devastador é que não podemos nem sequer nos despedir dele. Em tempos normais,
faríamos o velório na própria ABI, que era a sua casa. É muita tristeza”, lamentou
o presidente da ABI Paulo Jeronimo Souza.
“Manifesto, em meu nome, em nome da minha família e em nome de todos os seus
companheiros de militância e de convívio fraterno na ABI, o mais profundo pesar
por esta perda desoladora. Estamos solidários com a dor de sua mulher,
Glorinha, e de seus filhos. Que nosso querido Jesus Chediak descanse em paz”.
Ele deixa a esposa Glória
Chediak, também jornalista, e quatro filhos já adultos: Paloma, Tiago,
Julian e Neelash.
Orlando Brito, repórter fotográfico que foi agredido por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro durante manifestação em frente ao Palácio da Alvorada em 3/5, contou os bastidores do “convite” para almoço que lhe teria sido feito pelo próprio presidente. O repórter negou ter recebido qualquer convite de Bolsonaro. A informação é de Chico Sant’anna.
Brito contou que foi chamado por Bolsonaro para uma
conversa na saída do Palácio do Planalto na terça-feira (5/5). Ao lado de
outras “10 ou 12 pessoas que o acompanhavam”, o presidente perguntou a ele se a
agressão de fato havia acontecido. Brito confirmou o ocorrido e narrou os
acontecimentos para Bolsonaro, incluindo o “safanão” que levou, os xingamentos
e o fato de que os manifestantes queriam quebrar suas câmeras. Segundo ele,
Bolsonaro não se desculpou, “mas disse ser ‘impossível controlar a ação das
pessoas em uma multidão’ e que não entendia como alguém podia atribuir a ele,
Bolsonaro, a autorização para agressões contra quem quer que fosse”.
O presidente também indagou sobre a agressão sofrida pelo
repórter fotográfico Dida Sampaio,
do Estadão. O grupo então dirigiu-se a uma sala contígua ao gabinete do
presidente, onde havia um bufê e os dois continuaram a conversa, “que não durou
mais do que 20 minutos”, contou Brito. Bolsonaro teria passado a atacar a
imprensa com falas como “querem me sacanear o tempo todo, deturpam o que digo, mídia
lixo, lixo, canalhas”. Os outros participantes tentavam introduzir outros
assuntos ao verem que o presidente começava a se exaltar.
Antes de deixar o Palácio do Planalto, o repórter sugeriu a
Bolsonaro que fosse ao Comitê de Imprensa para falar com os jornalistas
credenciados pelos jornais, em vez de dar “entrevistas tumultuadas sob a
mangueira do Palácio Alvorada”. O presidente disse que iria rever sua presença
naquelas entrevistas.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e Embaixada dos Estados Unidos no Brasil promovem na próxima terça-feira (12/5), das 10h às 18h, o seminário Liberdade de imprensa durante a pandemia, com convidados nacionais e internacionais. O evento virtual, que discutirá os desafios enfrentamos pelos profissionais de imprensa na cobertura do novo coronavírus, será dividido em três painéis temáticos.
O primeiro será Segurança dos profissionais da imprensa
em meio à pandemia de Covid-19, com mediação de Daniel Bramatti,
conselheiro da Abraji, e participação de Judith Matloff, especialista em
segurança de jornalistas e professora da Universidade de Columbia (EUA); e Angelina
Nunes, coordenadora do Programa Tim Lopes de proteção aos
jornalistas.
O segundo painel contará com a presença de Teresa
Frontado, editora executiva da KUT 90.5 (Texas, EUA); Sérgio Dávila,
diretor de Redação da Folha de S.Paulo; Ricardo Gandour,
diretor-executivo de Jornalismo da CBN; e Maria Fernanda Delmas, editora
executiva dos jornais O Globo, Extra e da revista Época, que discutirão O futuro
dos meios de comunicação após a pandemia. A mediação será de Guilherme
Amado, vice-presidente da Abraji.
O último painel, mediado por Marcelo Träsel,
presidente da Abraji, abordará O combate à desinformação durante a pandemia,
com participação de Cailin O’Connor, autora de A era da desinformação
(Yale University Press, 2019); Cristina Tardáguila, diretora adjunta da
Rede Internacional de Checagem de Notícias; e Sergio Lüdtke, editor do
projeto Comprova.
O evento, gratuito, terá tradução simultânea. Inscreva-se!
A pandemia de Covid-19 foi citada injustificadamente como motivo para negativa de atendimento a pelo menos 24 pedidos de informação feitos ao Executivo federal de 27/3 a 27/4 – depois, portanto, de o STF suspender liminarmente trechos da MP 928/2020, que possibilitava a interrupção do prazo para respostas via Lei de Acesso a Informação (LAI) por causa do estado de emergência decretado no País. Em 30/4, o plenário do STF confirmou a liminar e derrubou o texto da MP.
O levantamento foi feito pelo Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, coalizão de 22 organizações da sociedade civil e pesquisadores que monitora a implementação da LAI. Foram consideradas respostas contendo os termos “covid” e/ou “coronavírus” fornecidas no período, localizados via busca no banco de pedidos e respostas da Controladoria-Geral da União (CGU).
Em 37% dessas respostas, o Ministério da Saúde negou acesso a alguns dados e informações sobre a pandemia sob a alegação de que os materiais precisam “ser salvaguardados” por sua importância estratégica. Descumprindo a LAI, não apontou se as informações estão classificadas em algum grau de sigilo nem quem teria sido responsável por classificar o documento. Uma das solicitações buscava o procedimento adotado pelo poder público para decretar o estado de emergência. (Veja+)