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terça-feira, maio 5, 2026

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É preciso falar dele

Paulo Vieira Lima foi meu sócio, parceiro, amigo, confidente. Foi também assessor de imprensa da Faesp e da IR Comunicação, chefe de Reportagem da CBN, coordenador da Comissão de Assessores de Imprensa do Sindicato dos Jornalistas de SP, coautor de vários livros-guias editados pelo mesmo Sindicato dos Jornalistas, diretor da Faculdade de Jornalismo e Arquitetura da Universidade de Guarulhos, apresentador de programas na Rádio Mega Brasil Online, colunista do Brasil Econômico. Foi bom filho, bom marido, bom pai e excelente avô.

Tinha, pois, um currículo humano e profissional que não deixa dúvidas sobre seu caráter, sua capacidade e seu carisma.

Mas talvez os traços mais marcantes de sua passagem por aqui foram o senso de humanidade e o bom humor. Este, impagável.

O primeiro contato que tive com Paulinho, como todos o chamávamos, foi por volta de 1982, na campanha pela sucessão de Lu Fernandes no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Eu integrava a chapa de oposição, liderada por Gabriel Romeiro, e coordenava a campanha junto aos assessores de imprensa. Não sabia que Paulo, então assessor de imprensa da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), mais do que simpatizante, já militava no Sindicato… na situação. Encontrei-o convalescendo de uma cirurgia, salvo engano, de vesícula, e mesmo sabendo que eu representava a oposição tratou- me com uma fidalguia que jamais eu esqueceria vida afora.

Desde então, a vida sempre nos manteve próximos, exceção a esses últimos meses, quando a pandemia provocou um pandemônio na vida de todos.

Fomos parceiros na Comissão dos Assessores do Sindicato por décadas, de diretoria comercial do próprio Sindicato em projetos como o jornal Unidade e os livros-guias Fontes de Informação, Guia Brasileiro de Assessoria de Imprensa & Comunicação Empresarial, Colunistas Brasileiros e Cursos para Jornalistas no Exterior (todos pela Puente, dirigida por nós dois, mais Cecília Queiroz).

Montamos juntos o Fontes Online, primeiro projeto online que buscava levar para a imprensa um substituto digital do conhecido “seboso”, a agenda em papel que circulava nas redações, quando ele, no comando, montou um time de estagiários inesquecível, integrado, entre outros, por Fernando Soares, há vários anos nosso editor no J&Cia.

Organizamos cursos, integramos júris, participamos de encontros de assessores Brasil afora, fomos coautores do Manual de Assessoria de Imprensa da Fenaj, elaboramos dissídios coletivos dos assessores, enfrentamos juntos ataques covardes contra nossa atuação no Sindicato (e vencemos).

Certa vez, lá pelos idos de 1992, eu, ele e Zelão Rodrigues decidimos montar uma loja de licores no Multishop, na Vila Mariana, em São Paulo, para aproveitar as vendas de final de ano. A namorada de um outro amigo jornalista fabricava os licores e nós os revendíamos na loja, que tinha como vendedores parentes nossos que estavam no desvio. Ao final, conseguimos um “lucro” de uns mil dólares cada um e mais umas 10 garrafas de licores, da sobra do estoque. Nunca mais repetimos aquela aventura.

Em outra passagem, eu estava fazendo a edição semanal do então FaxMOAGEM (atual Jornalistas&Cia), quando, por volta das 11 horas da manhã, ele chega e conta sobre a morte de um colega jornalista, Fernando Coelho. Aquilo mudou o fechamento e transformou- se na maior barriga de nossa história, pois, de fato, havia falecido um jornalista chamado Fernando Coelho, mas era homônimo daquele que involuntariamente matamos. Corrigimos a informação, mas o estrago estava feito e depois entrou para o folclore de nossa história.

As blagues, então, eram muitas. Como esquecer o dia que ele convidou a saudosa Regina Meira, então secretária da ABI, cuja sede ficava, à época, no mesmo prédio do Sindicato dos Jornalistas, ali na Rego Freitas, para comer um churrasco na hora do almoço. Depois de 15 minutos caminhando a pé pelo Centro da cidade, sob um sol inclemente, ele para em frente a um carrinho que serve churrasco grego e diz para ela: “Pode pedir, que eu pago”. Ou o dia em que ele sobe até a sede da ABI, no primeiro andar, e fala para a mesma Regina Meira: “Corre lá embaixo que o Nabor está chegando e quer falar com você”. O Nabor era um diretor do Sindicato e da ABI e ela, ingênua, correu lá e quando se deu conta viu que estava entrando pelo corredor térreo do prédio um caixão de defunto. Era o corpo do Nabor, que tinha morrido e seria velado no Sindicato.

Em outra passagem, esta na CBN, onde era chefe de Reportagem, haviam convidado para os estúdios um dos herdeiros do trono do Brasil, da família Orleans e Bragança. O ator Cacá Rosset, ao ficar sabendo da visita, não teve dúvidas, vestiu-se de Ubu-Rei e foi para os estúdios para ter um tête-à-tête de rei para rei. Foi um fuá, ao vivo.

Em outra, acompanhando José Paulo Laniy, foram até o apartamento do dramaturgo Plínio Marcos para combinar um trabalho de assessoria de imprensa. E aproveitariam para almoçar. Ao chegarem, Plínio abre a porta e, ao ver Paulinho, foi logo falando: “Pô, você trouxe esse cara com esse barrigão… ele vai comer toda a minha galinha”.

Sempre que saíamos às terças-feiras, logo após as reuniões da Comissão de Assessoria de Imprensa do Sindicato, para comer pizza, a dele, invariavelmente era uma de cogumelos, de que ninguém gostava. Quando as pizzas chegavam, na hora de escolher os primeiros pedaços ele, de sacanagem, pedia um de outro sabor e, rindo, dizia: “A minha já está garantida”.

Tempos atrás, coisa de cinco ou seis anos, deixou todos preocupados quando teve de fazer a cirurgia dos quadris, para a implantação de próteses, o mesmo mal que acometeu o Rei Pelé. Foram cerca de dois anos de tratamento e afastamento, mas, guerreiro, voltou e retomou suas atividades, entre elas a colaboração com a Mega Brasil, o curso de Direito e o trabalho com os filhos, no escritório de advocacia que montaram, dizendo, embevecido, que fora contratado como estagiário de Paulinho e Tati.

Ia formar-se em Direito este ano. Não deu tempo.

Paulinho já está fazendo falta.

Eduardo Ribeiro

Eduardo Ribeiro, diretor deste Portal dos Jornalistas, presta homenagem ao amigo Paulo Vieira Lima, falecido em 5 de agosto.


Tem alguma história de redação interessante para contar? Mande para [email protected].

PL obriga empresas de internet a pagarem veículos por notícias

Angelo Coronel (Crédito: Reprodução)

O senador Angelo Coronel (PSD-BA), presidente da CPMI das Fake News, apresentou em 19/8 um projeto de lei propondo que empresas de internet, como Google e Facebook, paguem veículos de notícias pelo conteúdo veiculado em suas plataformas.

Segundo o senador, “gigantes da tecnologia têm-se utilizado de notícias produzidas por veículos de comunicação, sem que estes sejam remunerados para isso”. A ideia é inserir na lei de direitos autorais um artigo prevendo esse tipo de pagamento, de modo que os autores do conteúdo jornalístico possam solicitar remuneração à empresa de internet que compartilhou o material. O projeto prevê também que os veículos possam solicitar a “indisponibilização” de seu conteúdo nas plataformas dessas empresas.

Coronel declarou que “o reconhecimento e a valorização do jornalismo profissional são instrumentos valiosos no combate à desinformação. O jornalismo feito com seriedade deve valer-se da checagem de informações na luta contra a disseminação de mentiras e falsas notícias. Mas esse é um processo custoso, que demanda o investimento de recursos financeiros e a capacitação de recursos humanos”.

Vale lembrar que a remuneração a veículos de notícias por parte de grandes empresas de internet é algo que vem ganhando força no cenário internacional. A Austrália, por exemplo, anunciou em junho que o Google será obrigado a pagar a imprensa australiana pelo conteúdo jornalístico publicado em suas plataformas.

Com informações do Portal Imprensa.

Sindicato dos Jornalistas de São Paulo oferece cursos online sobre comunicação digital

O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP), em parceria com o programa De Olho na Rede, oferece o ciclo de cursos Estratégias em Comunicação Digital para Jornalistas, com quatro módulos, e um total de 20 horas. Profissionais sindicalizados têm desconto na inscrição, que vai até 14 de setembro.

O primeiro módulo será em 15, 17, 22 e 24 de setembro, das 20h às 22h, com o tema Comunicação digital para campanhas. O segundo, Planejamento de digital, ocorre em 6, 8 e 13 de outubro, das 20h às 21h. Já os terceiro e quarto módulos − respectivamente, Estratégias de utilização das redes sociais da internet e Assessoria de imprensa e presença digital −, serão em janeiro e fevereiro de 2021. É possível adquirir os quatro módulos por meio de um pacote especial, com 20% de desconto, ou comprá-los separadamente.

Para inscrever-se e ver a programação completa, acesse o site do Sindicato.

Record TV tem nova estrutura comercial

Paulo Itabaiana (esq.) e Wagner Constantino Martins (Crédito: Antonio Chahestian/Record TV)

A Record TV reestruturou sua área comercial. Wagner Constantino Martins assumiu a nova Diretoria-Geral de Comercialização em São Paulo. Ele era diretor comercial, cargo que será mantido, agora subordinado à Comercialização, e para o qual foi contratado Paulo Itabaiana.

Formado em Administração de Empresas, com MBA em Marketing pela FIA/USP, Martins já passou pela diretoria de Negócios na emissora. Itabaiana tem graduação e MBA em Marketing, por Mackenzie e ESPM. Ele foi diretor comercial da plataforma de mídia Teads, e trabalhou em empresas como Facebook, Globosat, Grupo RBS e Grupo Estado.

Caminhada Luiz Gama será virtual e com debates sobre seu legado

O evento Caminhada Luiz Gama, que exalta a importância e a história daquele que é considerado por muitos como o maior abolicionista do Brasil e patrono da abolição da escravidão no País, será virtual este ano. Desde 1931, uma caminhada desde o busto dele em frente à Academia Paulista de Letras, no Largo do Arouche, no centro da capital paulista, até seu túmulo no cemitério da Consolação é realizada em 21 de junho ou em 24 de agosto, respectivamente, dias do nascimento e morte de Luiz Gama.

Neste ano, a caminhada será virtual, em 24/8, em formato de vídeo produzido pelo produtor cultural Max Mu e pela gestora de projetos Marília Santos, no qual serão exibidos pontos históricos da cidade relacionados com a vida e a memória de Luiz Gama. Personalidades como João Acaiabe, Oswaldo Faustino, Naruna Costa, Max Mu, Ailton Graça, Eduardo Silva, Dinho Nascimento e Cyda Baú recitaram trechos de um texto escrito por Raul Pompeia sobre a morte de Gama, que serão exibidos com o vídeo da caminhada.  

Haverá ainda uma série de debates sobre o legado de Luiz Gama em diversos setores até segunda-feira, dia da caminhada. Hoje (20/8), às 19h, nas redes sociais do evento, irá ao ar o debate Luiz Gama para Advogados; na sexta (21/8), às 19h, Luiz Gama para Escritores; no sábado (22/8), às 19h, Luiz Gama para Jornalistas; e no domingo (23/8), será exibido às 11h e às 19h o vídeo 190 anos de Luiz Gama e a liberdade de ser o que se é. Os debates serão exibidos também nos canais de YouTube de Jornal Empoderado e Jornalistas Livres.

Luiz Gama (1830-1882) foi jornalista, poeta, advogado e ativista, ícone da luta contra o racismo e o regime escravocrata. Foi um dos precursores do que é hoje o jornalismo investigativo, tendo sido responsável por denunciar a jornais diversas violações de leis e direitos cometidas por juízes e advogados contra negros e escravos.

Fábio Santos é o novo CEO da CDN Comunicação; Juliano Nóbrega deixará a agência

Fábio Santos

O grupo ABC/Omnicom, que controla a CDN Comunicação, anunciou que Fábio Santos é o novo CEO da empresa. Ele sucede a Juliano Nóbrega, que deixará a agência. Manuk Masseredjian, que atuou como CEO até 2019, vai atuar como consultor da empresa e trabalhar ao lado de Fábio e Juliano na condução conjunta da transição.

Fábio é formado em Jornalismo pela ECA-USP, tem MBA em Gestão Empresarial pela FGV e especialização em Ciência Política na FFLCH-USP. Lançou e dirigiu o jornal Destak, foi editor da revista Primeira Leitura e editor executivo da revista República. Atuou como repórter de política de O Globo e passou pela Folha de S.Paulo. Foi vice-presidente da CDN até 2016, quando assumiu o cargo de secretário de Comunicação da Prefeitura de São Paulo. Atualmente, é sócio-diretor da agência NCC1701.

Silvio Navarro é o novo editor executivo da Revista Oeste

Silvio Navarro

Silvio Navarro, que teve passagens por Veja e Jovem Pan, chega à Revista Oeste para ser o novo editor executivo da publicação digital. Ele começou nessa quarta-feira (19/8).

Ainda por lá, Arthur Piva foi contratado para a equipe de repórteres, após colaborações esporádicas relacionadas a conteúdos de dados. Cristyan Costa foi promovido de repórter e a editor assistente.

Revista digital sobre política e economia, Oeste traz matérias gratuitas todos os dias, mas assinantes têm acesso a artigos exclusivos dos colunistas Ana Paula Henkel, Guilherme Fiuza, Bruno Garschagen, Frank Furedi, Augusto Nunes e J. R. Guzzo. Confira!

José Emílio Ambrósio deve presidir a EBC

José Emílio Ambrósio

O ministro das Comunicações Fábio Faria anunciou na semana passada a escolha do novo diretor-presidente da EBC, José Emílio Ambrósio, que deve ser nomeado nos próximos dias. Ele substituirá o general Luiz Carlos Pereira Gomes, no cargo desde agosto de 2019. Até maio, Ambrósio ocupava o cargo de diretor da Band, responsável pela área de Esporte e Operações. Antes, atuou por 11 anos, entre 1999 e 2011, como superintendente de Jornalismo e Esporte da Rede TV. Também passou 14 anos na Rede Globo, onde começou como editor e chegou a diretor de Operações de Jornalismo e Esporte. Indicado pelo secretário de Comunicação Fábio Wajngarten, Ambrósio terá a missão “tornar o conglomerado de emissoras de TV, rádios e agência de notícias mais eficiente”.

Nomeado há dois meses, Faria comprometeu-se com o presidente Bolsonaro, que defende a privatização da EBC, a melhorar a gestão e a “enxugar” a empresa. Com a saída dada como certa, o general Pereira Gomes apresentou um novo plano de carreiras para a EBC no início de julho. Porém, em 11/8, os funcionários fizeram uma paralisação de 24h alegando que a proposta não levou em consideração os dez anos de negociação. A mobilização também foi motivada pelo projeto de privatização e por medidas de censura contra profissionais da empresa.

Morre Laerte Fernandes, aos 83 anos

Laerte Fernandes

Morreu nessa terça-feira (18/8), em São Paulo, Laerte Fernandes, aos 83 anos. Ele estava internado há cerca de dois meses por causa de um AVC. A informação foi confirmada por Claudia Fernandes, filha dele, em um post no Facebook.

Nascido no litoral norte paulista, Laerte fez parte da equipe fundadora do Jornal da Tarde. Atuou como secretário de Redação e editor-chefe da publicação, trabalhando ao lado de Ivan Ângelo e Miguel Jorge. Passou também pelos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo. É lembrado por diversas reuniões que organizava em sua casa com jornalistas do Grupo Estado, políticos, cientistas sociais, ministros do STF e personalidades do mundo das artes.

Miguel Jorge, que trabalhou no Jornal da Tarde, contou ao Estadão que ele “cuidava do jornal durante o dia, sempre muito preparado, tinha uma maneira de agir com as pessoas muito afável, conseguia controlar bem tudo na redação, sem nenhuma prepotência, sobretudo na base da conversa. Ele era um homem da redação, sempre foi muito competente”.

O velório e cremação estão marcados para a tarde desta quarta-feira (19/8), no Memorial Parque Paulista, em Embu das Artes.

Com informações do Estadão.

Nexta, o canal via Telegram que desafia a censura na Bielorrúsia

Por Luciana Gurgel, especial para o J&Cia

Luciana Gurgel

A nova edição da pesquisa anual do Ofcom (órgão regulador das telecomunicações no Reino Unido) sobre consumo de notícias apontou declínio de 49% para 45% na quantidade de pessoas informando-se via redes sociais no país. E reconfirmou a baixa confiança nelas em comparação aos canais tradicionais de informação.

O estudo indicou que as redes mais populares para notícias entre os britânicos são Facebook (76%), Twitter (37%), Instagram (31%), WhatsApp (30%), Snapchat (17%) e LinkedIn (10%).

Isso não é, no entanto, uma realidade global. O exemplo na Bieolorrússia, tomada por protestos contra a reeleição do presidente Aleksandr Lukashenko, está demonstrando como uma rede social pode ser usada para informar e mobilizar um país inteiro, contornando a censura estatal.

O curioso é que a rede em questão não é uma das que costumam figurar como líderes de acesso, e sim o aplicativo de mensagens Telegram. Nele roda o Nexta, um canal criptografado baseado na Polônia,  que aproveitou a característica de transmissão segura de informações sob anonimato para se transformar na principal fonte de noticias no país desde que a conexão de internet foi severamente interrompida após as eleições de 9 de agosto.

O Nexta surgiu no YouTube há cinco anos, criado pelo então adolescente Stepan Putilo, para veicular paródias musicais de cunho político. Hoje são três canais − Nexta, Nexta Live e Luxta − que viraram uma poderosa máquina. A crise política ajudou a elevar o número de seguidores de 300 mil no início de agosto para mais de dois milhões. Não é pouco em um país com cerca de dez milhões de habitantes.

Organização de mídia do Século 21 − Em entrevista ao Euronews, Roman Potasetich, editor-chefe do Nexta, de 25 anos, descreveu o canal como “uma organização de mídia descentralizada do século 21, usando vários sites, sem um site ou página central”.

Nexta significa “alguém” no idioma local. Segundo Potasetich, o nome reflete a ideia de uma rede de milhares de bielorrussos compartilhando noticias, contando histórias que não seriam veiculadas na mídia estatal ou mesmo em veículos independentes, por temor de represálias. Ele assegura receber documentos e informações de dentro do próprio governo, transmitidos por funcionários de alto escalão insatisfeitos com os rumos políticos.

Não é só. O canal tornou-se uma ferramenta de mobilização para os protestos. Compartilha mapas mostrando onde a polícia está, indica locais para manifestantes se refugiarem, faz contatos com ativistas e advogados especializados em direitos humanos e orienta sobre como contornar os bloqueios da internet impostos pelo governo.

O Nexta, no entanto, não é uma unanimidade. Há questionamentos sobre a confiabilidade do conteúdo − fornecido pelos seguidores e não por jornalistas profissionais − e sobre quem financiaria suas operações.

De qualquer forma, ele coloca em evidência o valor das mídias sociais, tão criticadas por serem território fértil para a proliferação de fake news, como meio de expressão em sociedades onde não há liberdade de imprensa. A Bielorússia ocupa a 153ª posição no ranking da organização Repórteres Sem Fronteiras, que classifica o grau de liberdade em 180 nações.

Segundo reportagem do Voice Of America, dezenas de jornalistas foram detidos, agredidos e até  deportados desde as eleições − o sindicato contabiliza mais de 80 violações. A candidata de oposição, Svetlana Tikhanovskaya, que teria de fato vencido o pleito, candidatou-se depois que o marido, Sergei Tikhanovsky, um popular blogueiro popular, foi preso.

Não se sabe como a história política vai acabar. Mas o canal mostrou o caminho das pedras para driblar barreiras usando a tecnologia, virando um exemplo do ciberjornalismo. E pode inspirar outros países que também vivem o drama da censura governamental, ainda que sem os filtros editoriais e garantias legais de uma imprensa livre de qualidade.

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