A CPI da Covid decidiu nesta terça-feira (3/8) retirar da pauta a quebra do sigilo bancário, telefônico e telemático da rádio Jovem Pan. A decisão foi anunciada pelo presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM) na volta do recesso parlamentar. Ele afirmou que não há “nenhum fato” que justifique a quebra do sigilo bancário.
O pedido de quebra de sigilo bancário da Jovem Pan foi de Renan Calheiros, relator da CPI, que citou a emissora como um “grande disseminador de fake news”, e justificou a ação para investigar dados bancários de portais na internet e integrantes do chamado “gabinete do ódio”, bem como apurar o financiamento de informações falsas sobre a pandemia. Outros nomes envolvidos na quebra de sigilo são a produtora Brasil Paralelo, e figuras como Allan dos Santos, responsável pelo site Terça Livre.
Mas, de acordo com Aziz, Renan não sabia da apresentação do requerimento e atribuiu a autoria à sua assessoria.
A própria Jovem Pan pronunciou-se sobre o caso, que classificou como “uma acusação genérica que tem por única finalidade cercear a liberdade de imprensa no Brasil”. A emissora também destacou que seus balanços são publicados anualmente no Diário Oficial.
Entidades que representam empresas de rádio e tevê repudiaram a possibilidade de quebra de sigilo. Em notas, Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abratel) e Federação Nacional das Empresas de Rádio e Televisão (Fenaert) consideraram a decisão uma afronta à liberdade de expressão.
A 16ª edição do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, que a Abraji promoverá de 23 a 29 de agosto, terá entre suas principais atrações dois encontros que discutirão o papel da imprensa na apuração de casos de abusos sexuais promovidos por grandes empresários. Dividido em duas partes, o painel Abusos sexuais em grandes redes de poder abordará os casos do bilionário norte-americano Jeffrey Epstein e do fundador das Casas Bahia Samuel Klein e seu filho Saul. Ambas as mesas serão no dia 26/8 (quinta-feira).
Jeffrey Epstein, Samuel Klein e Saul Klein
A primeira parte, sobre o caso Epstein, terá início às 11h20 (horário de Brasília) e contará com a participação da jornalista investigativa Julie K. Brown, do Miami Herald.
Condenado a 18 anos de prisão em 2008 por abusar sexualmente de uma adolescente, Epstein foi liberado após 13 meses em consequência de um acordo legal. O caso, porém, foi reaberto depois da publicação de uma reportagem de Julie, em novembro de 2018, que revelava detalhes de uma nova acusação, desta vez por prostituição de uma menor de 14 anos.
Preso novamente em julho de 2019 por causa desta denúncia, e de outros 60 casos que surgiram mais tarde, Epstein foi encontrado morto em sua cela 35 dias mais tarde com marcas em volta do pescoço. Segundo o The New York Times, ele teria cometido suicídio.
Além da segunda prisão do empresário, a reabertura do caso resultou na renúncia do secretário do Trabalho dos Estados Unidos no governo Trump, Alexander Acosta. Ele era procurador federal na época dos casos de abuso e a apuração de Brown mostrou que ele foi o responsável pelos acordos com os advogados que mantiveram Epstein solto.
Por sua investigação, Julie ganhou reconhecimentos como o Prêmio George Polk, e lançou o livro Perversion of Justice: The Jeffrey Epstein Story (Perversão da Justiça: a história de Jeffrey Epstein, em tradução livre). O caso também inspirou uma série documental lançada em 2020 pela Netflix. A mesa-redonda terá mediação de Angelina Nunes, coordenadora do Programa Tim Lopes, da Abraji.
Mais tarde, às 12h20, a segunda parte do encontro receberá Andrea Dip e Thiago Domenici, da Agência Pública, e Pedro Lopes, do UOL, que falarão sobre o recém-divulgado caso envolvendo os empresários Samuel Klein e seu filho Saul.
No caso do patriarca, fundador da Casas Bahia, o esquema envolvia abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. E, segundo as denúncias divulgadas pelos dois veículos, incluía recrutamento, transporte e até pagamento em bilhetes que valiam itens em suas lojas para meninas de classes sociais mais baixas. Esses abusos foram citados durante as investigações contra Saul Klein.
O empresário Saul Klein foi acusado de aliciamento e estupro de 14 mulheres. As vítimas revelaram que foram condicionadas a um cenário de pressão e dependência psicológica diante de seu grande poder financeiro. Saul teve seu passaporte retido pela Justiça e impedido de contatar as 14 vítimas. A mesa terá mediação de Amanda Rossi, que faz parte da diretoria da Abraji.
O 16º Congresso da Abraji conta com os apoios institucionais deste Portal dos Jornalistas e de Jornalistas&Cia.
O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) marcou para 19/8 o julgamento em segunda instância da legalidade da venda do canal 32 de São Paulo. A informação foi confirmada pela assessoria do Tribunal ao Notícias da TV.
Em 2015, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública requerendo a cassação do canal sob justificativa de que a MTV não poderia ter vendido uma frequência pública; em primeira instância, a Justiça deu razão ao MPF.
Segundo os autos, a venda da antiga MTV para a empresa dona da rede de lojas Kalunga foi realizada sem a participação da União, em dezembro de 2013, o que é ilegal. Qualquer concessão de televisão pública precisa de aprovação do Congresso Nacional, com sanção do governo federal.
Atualmente ocupado pela Loading, o canal 32 já foi negociado pela Spring com a Jovem Pan para que ele seja a cabeça de rede de um canal de notícias da emissora de rádio em TV aberta. Caso a Justiça aprove a cassação, será o segundo grande golpe contra a Jovem Pan no mês.
Sem nenhuma justificativa, o Twitter suspendeu nessa segunda-feira (2/8), por ao menos oito horas, o perfil Fátima (@fatimabot). A ferramenta, criada pelo Aos Fatos, é um robô checador de notícias falsas publicadas na plataforma. A partir de inteligência artificial, ela detecta a divulgação de links com conteúdo desinformativo e envia aos usuários que os compartilharam as checagens feitas pela equipe do Aos Fatos.
“A suspensão ocorreu sem qualquer comunicado prévio ou justificativa clara”, informou a publicação. Ao acessar o perfil, os administradores da conta receberam a seguinte mensagem: “Erro. Sua conta (@fatimabot) está suspensa no momento. Para obter mais informações, entre em Twitter.com”.
Seguindo as orientações, a equipe do Aos Fatos preencheu um formulário para pedir que o perfil fosse colocado no ar novamente. Após ser questionada durante todo o dia, a empresa reativou a conta, ainda sem todos os dados, por volta das 20h10.
Até a manhã desta terça-feira (3/8), o Twitter ainda não havia justificado formalmente o motivo da suspensão da conta. Por meio de assessoria de imprensa, a plataforma afirmou estar investigando o que ocorreu.
Sobre a Fátima – Lançado em julho de 2018 sob a premissa de que todas as pessoas expostas a desinformação também merecem ter acesso à informação verificada, o aplicativo Fátima foi idealizado pelo jornalista e professor do Insper Pedro Burgos e pela diretora executiva do Aos Fatos Tai Nalon.
No Twitter, o perfil sincroniza um banco de alegações falsas ou distorcidas já checadas pelo Aos Fatos e mapeia automaticamente a rede social a cada 15 minutos em busca de posts com links desinformativos. Ao encontrá-los, dispara uma resposta para o perfil que compartilhou o conteúdo enganoso com um link para a informação verificada.
Fátima, que em 2019 faturou o Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados. também atua no WhatsApp e no Messenger do Facebook. Nessas plataformas, ela é um chatbot que conversa com os usuários, envia checagens e recebe sugestões de conteúdo para verificação.
A Open Knowledge Brasil lançou a ferramenta de código aberto Querido Diário. O serviço centraliza informações de nível local, reunindo a princípio os diários oficiais de 12 capitais brasileiras: Boa Vista, Manaus, Palmas, João Pessoa, Teresina, Maceió, Salvador, Natal, Goiânia, Campo Grande, Rio de Janeiro e Florianópolis.
A ferramenta é a junção de duas iniciativas que já existiam: o Projeto QueriDO, que monitorava os diários oficiais com o olhar direcionado para licitações, e a Operação Serenata de Amor, voltada para a esfera pública federal e que criou o robô Rosie para monitorar suspeitas de desvio da Cota para Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP).
Após unir os dois projetos e liderar o desenvolvimento do novo produto, em um trabalho prévio que durou cerca de três anos, Open Knowledge criou as ferramentas para acessar diariamente os sites das prefeituras, baixar os diários oficiais, organizar os arquivos, limpar os dados e disponibilizar essas informações em uma estrutura de busca.
Não é preciso entender de programação para usar o serviço, que reúne todas as características dos buscadores comuns, como o algoritmo de busca semântica, que retorna informações semelhantes aos termos buscados, a possibilidade de usar aspas para encontrar frases exatas etc.
A plataforma concentra ainda os textos na íntegra dos diários oficiais, possibilitando a pesquisa de qualquer palavra que tenha sido publicada nesses documentos e a ferramenta mostra exatamente onde está o termo buscado. Após a pesquisa, é possível baixar o diário oficial de interesse em formato PDF ou TXT.
Em matéria publicada nessa segunda-feira (2/8), em sua coluna no Splash/UOL, Ricardo Feltrin informou ter repercutido negativamente nos bastidores da Record TV o ataque de Max Guilherme Machado, assessor especial do presidente Jair Bolsonaro, à âncora Mariana Godoy.
Na última sexta-feira (30/7), durante o programa Fala Brasil, a jornalista chamou de “bizarra” uma live do presidente Jair Bolsonaro realizada no dia anterior, em que ele mais uma vez defendeu o voto impresso.
O comentário teria passado praticamente despercebido, não fosse uma resposta dada nas redes sociais pelo assessor especial do presidente. No Instagram ele retrucou, chamando a âncora de bizarra e a acusando de propagar um “jornalismo totalmente comunista”.
“Bizarra é você”, retrucou o assessor da presidência, Max Guilherme Machado, à âncora Mariana Godoy
Como resposta ao comentário do assessor, a emissora teria reforçado um aviso a todos os seus jornalistas e âncoras, ordenando que ninguém deveria comentar notícias, exceto comentaristas pagos para esse fim.
Segundo Feltrin, “o alerta da direção de Jornalismo é para que não só palavras, mas nem sequer expressões faciais deixem transparecer aos telespectadores o que os âncoras pensam da notícia. A ordem é de total ‘isenção’”.
Procurada pelo colunista, a emissora não comentou o assunto.
O repórter da TV Globo Diego Haidar (RJ1) deu um salto mortal ao vivo no fim de uma reportagem sobre ginástica artística nesta segunda-feira (2/8). Ele foi ao Centro de Treinamento do Flamengo, conversou com ginastas colegas de Rebeca Andrade e finalizou com um exercício no solo.
Diego contou que treinou ginástica artística por um breve período em sua adolescência: “Eu achava que não sabia mais de nada. Mas o professor Ângelo Sabino (um dos entrevistados na reportagem) me ajudou a descobrir que eu sei alguma coisinha ainda”.
Ele então posicionou-se no tablado e fez um salto mortal com três piruetas. Ele dedicou o movimento a Rebeca: “Foi um mortal para trás grupado. Que fique como um incentivo ao esporte. E eu dedico a Rebeca! (…) É tipo andar de bicicleta fazer mortal, quase igual! Só que precisa estar com o corpo em dia!”
Disse ainda que o esporte o ajudou em questões de concentração e disciplina. No estúdio, a âncora Mariana Gross e a repórter Priscila Chagas ficaram surpresas. A apresentadora improvisou um cartaz com a nota 10 para Diego.
A Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca) divulgou os resultados de uma pesquisa sobre o perfil do jornalista de educação no Brasil. O estudo foi realizado por meio de formulário online respondido por 286 associados da entidade em maio.
Os dados indicam que que as mulheres são maioria entre os profissionais que atuam no jornalismo de educação, representando 66,3% do total. Elas são em sua maioria brancas (quase 80%), da região Sudeste (70,5% − com destaque para São Paulo, 56,1%), na faixa etária entre 31 e 40 anos (quase 40%), recebem entre R$ 4.401,00 a R$ 6.600,00 por mês (26,3%) e têm pós-graduação completa ou incompleta (76,4%).
Os pardos correspondem a 12,6% do total, os pretos são 5,6% e os amarelos, 1,8%. Em relação aos dados sobre gênero, 32,6% do total são do gênero masculino e 1,1% declararam-se não-binários.
No que se refere à atuação dos profissionais, a pesquisa mostra que a maioria trabalha com produção de conteúdo (aproximadamente 60%). Porém, nem todos estão ligados a um veículo de comunicação: 62,4% não atuam em veículos. Dos que trabalham em veículos, 12,20% atuam em editorias de Educação e 9,12%, em Cidades/Cotidiano.
Os locais de trabalho são muito diversificados. Os principais são organizações do terceiro setor (22%), seguidas por instituições educacionais (quase 19%), jornais (aproximadamente 12%) e portais noticiosos da internet (cerca de 11%).
As funções desempenhadas também variam, desde assessores de imprensa (16,1%), até editores (8,8%), repórteres (13,3%), gestores de comunicação e mídias sociais (7,4%), entre outros cargos.
O relatório apresenta ainda dados sobre o tempo médio de atuação na área e impactos da pandemia de Covid-19 na profissão. Leia a pesquisa na íntegra aqui.
Faleceu na madrugada de 30/7 o repórter fotográfico Neldo Cantanti, que durante quatro décadas foi uma referência da profissão em Campinas.
Natural de Itápolis, mudou-se para Campinas na primeira infância. Ainda menino, juntou algumas quinquilharias em casa e as vendeu para comprar sua primeira máquina fotográfica, descobrindo uma paixão que duraria a vida inteira.
Durante décadas trabalhou no Diário do Povo, que deixou de circular em 2012, ano de seu centenário. Foi onde Neldo aposentou se como chefe da editoria, após formar três gerações de fotojornalistas. Depois, trabalhou de 2000 a 2007 na Assessoria de Comunicação da Unicamp.
No enorme portifólio dele estão a cobertura do trágico acidente com o avião da Aerolineas Argentinas, em 1961, que deixou 61 pessoas mortas logo após a decolagem do Aeroporto de Viracopos.
Ele fotografou a rainha da Inglaterra na visita a Campinas, em 1968, a vitória do austríaco Niki Lauda no Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, em Interlagos, em 1976; o medalhista olímpico João do Pulo, depois do acidente que lhe causou a amputação da perna; Madre Teresa de Calcutá, e uma infinidade de jogadores de futebol e de artistas.
“Neldo Cantanti era considerado um ícone do jornalismo fotográfico na cidade, não apenas pelas fotos, mas por toda a história oral que carregava e que sempre surpreendia os ouvintes pela riqueza de detalhes e datas. Era a memória viva de Campinas”, publicou o site da Unicamp, em uma matéria em sua homenagem.
Seus colegas de pauta lembram do jeito rabugento e, ao mesmo tempo, doce do repórter fotográfico bigodudo, que sempre reclamava e nunca voltou para a redação sem uma boa foto.
Neldo venceu um câncer, mas morreu dormindo, vítima de infarto, aos 85 anos. Seu corpo foi cremado em Rio Claro. Separado, deixou filhos, netos e uma legião de admiradores do seu trabalho no registro fotográfico de Campinas.
O carro elétrico e a piteira: o risco de perseverar num erro claro
Por Leão Serva (*)
O debate sobre os carros elétricos hoje traz duas perspectivas diferentes, que desenham dois cenários. O pior deles é aquele em que a nova tecnologia para a tração dos veículos – a substituição dos motores a combustível fóssil por motores elétricos – se resuma tão somente a isso: a troca de um tipo de motor poluente por outro que não emite os gases que o motor a combustão joga no ar.
Isso me parece algo semelhante ao que se tentou com o uso de piteiras para os fumantes ou, mais tarde a invenção do cigarro elétrico. O que se obtém não é a solução de um problema, mas apenas uma mudança na forma de cometer o mesmo erro, talvez com menos gás tóxico.
O conceito embutido na ideia de um transporte individual, baseado na propriedade de uma máquina de cerca de uma tonelada, que, estacionada, ocupa uma área de pouco mais de 12 metros quadrados, seja de garagem, seja de via pública (maior do que muitos quartos em residências brasileiras), e que, em movimento, anda cada vez mais devagar, por conta dos congestionamentos que causa, já se mostra cada vez mais inadequado para uma vida urbana razoável. Trocar o motor não o fará melhor nesse aspecto.
Hoje, é preciso encarar a necessidade da mudança desse paradigma centenário, de que é preciso ter a posse permanente de uma máquina cara e pesada, que fica parada e sem uso em mais de 20 das 24 horas do dia. A questão que se coloca, portanto, não é a de qual motor é mais adequado para essa máquina de andar, mas sim que solução é mais inteligente para transportar pessoas individualmente (isso continuará a ser a preferência de grande parte da população), sem que se atulhem as cidades de máquinas cada vez mais paradas.
A resposta pode estar em ver o automóvel não mais como produto, mas como serviço. O carro compartilhado parece ser cada vez mais um caminho para a diminuição das enormes frotas que temos nas grandes cidades hoje. Soluções como o Uber também se mostram como alternativa eficiente.
Há uma mudança cultural em curso. Sustentabilidade e vida saudável não vêm somente da diminuição da emissão de poluentes. Um dos maiores causadores de infartos do miocárdio nas metrópoles do planeta é o estresse provocado pelo trânsito. Em São Paulo, apenas uma fração da frota transita pelas ruas, e já vemos os quilômetros de congestionamento a que assistimos todo dia. Quando esse índice aumenta, incentivado por combustível barato ou em dias de chuva ou quando o transporte público para, a cidade para.
É hora de rever esse conceito do carro individual, da mesma forma que estamos sendo capazes de superar o tabagismo. No caso do carro, não precisamos passar por uma etapa de cigarro elétrico para só então entender que o caminho é a mudança de hábito, e não de técnica.
(*) Leão Serva é diretor de Jornalismo da TV Cultura e coautor do livro Como viver em São Paulo sem carro