Grupo Globo pede desculpas a esposa de Eduardo Bolsonaro

O Conselho Editorial do Grupo Globo divulgou nessa segunda-feira (16/9) nota reconhecendo “erro” e “decisão editorial equivocada” a publicação de reportagem da revista Época que investigou a atuação como coach de Heloísa Wolf Bolsonaro, esposa do deputado federal Eduardo Bolsonaro.

A reportagem O coaching online de Heloísa Bolsonaro: as lições que podem ajudar Eduardo a ser embaixador, de João Paulo Saconi, foi publicada pela revista na última sexta-feira (13/9). Nela, Saconi narra a experiência de vivenciar cinco sessões de coach com Heloísa via webcam.

Segundo a nota da empresa, o Conselho Editorial avaliou que o erro de Época foi “tomar Heloísa Bolsonaro como pessoa pública ao participar de seu coaching online”. A revista ponderou que a mulher de Eduardo Bolsonaro leva uma vida discreta, não participa de atividades públicas e que, por isso, não pode ser considerada uma figura pública. “Foi um erro de interpretação que só com a repercussão negativa da reportagem se tornou evidente para a revista“, desculpou-se o Grupo Globo.

Em retaliação à reportagem, Eduardo Bolsonaro ameaçou, nominalmente, nas redes sociais o autor da reportagem, o editor Plínio Fraga e a diretora de Redação Daniela Pinheiro.

Confira a íntegra da nota do Grupo Globo:

Como toda atividade humana, o jornalismo não é imune a erros. Os controles existem, são eficientes na maior parte das vezes, mas há casos em que uma sucessão de eventos na cadeia que vai da pauta à publicação de uma reportagem produz um equívoco.

Foi o que aconteceu com a reportagem “O coaching on-line de Heloisa Bolsonaro: as lições que podem ajudar Eduardo a ser embaixador”, publicada na última sexta-feira. ÉPOCA se norteia pelos Princípios Editoriais do Grupo Globo, de conhecimento dos leitores e de suas fontes desde 2011. Mas, ao decidir publicar a reportagem, a revista errou, sem dolo, na interpretação de uma série deles.

É certo que em sua seção II, item 2, letra “h”, está dito: “A privacidade das pessoas será respeitada, especialmente em seu lar e em seu lugar de trabalho. A menos que esteja agindo contra a lei, ninguém será obrigado a participar de reportagens”. A letra “i” da mesma seção abre a seguinte exceção: “Pessoas públicas – celebridades, artistas, políticos, autoridades religiosas, servidores públicos em cargos de direção, atletas e líderes empresariais, entre outros – por definição abdicam em larga medida de seu direito à privacidade. Além disso, aspectos de suas vidas privadas podem ser relevantes para o julgamento de suas vidas públicas e para a definição de suas personalidades e estilos de vida e, por isso, merecem atenção. Cada caso é um caso, e a decisão a respeito, como sempre, deve ser tomada após reflexão, de preferência que envolva o maior número possível de pessoas”.

“O erro da revista foi tomar Heloisa Bolsonaro como pessoa pública ao participar de seu coaching on-line. Heloisa leva, porém, uma vida discreta, não participa de atividades públicas e desempenha sua profissão de acordo com a lei. Não pode, portanto, ser considerada uma figura pública. Foi um erro de interpretação que só com a repercussão negativa da reportagem se tornou evidente para a revista.

Em sua seção 1, item 1, letra “r”, os Princípios Editoriais do Grupo Globo determinam: “Quando uma decisão editorial provocar questionamentos relevantes, abrangentes e legítimos, os motivos que levaram a tal decisão devem ser esclarecidos”. E o preâmbulo da mesma seção estabelece com clareza: “Não há fórmula, e nem jamais haverá, que torne o jornalismo imune a erros. Quando eles acontecem, é obrigação do veículo corrigi-los de maneira transparente”.

É ao que visa esta Carta aos Leitores. Explicar o que levou à decisão editorial equivocada, reconhecer publicamente o erro e pedir desculpas a Heloisa Bolsonaro e aos leitores de ÉPOCA.

5 comments

Get RSS Feed

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *