Uma pesquisa da organização Artigo 19 que registra índices de liberdade de expressão em diferentes países, publicada em 2/12, revelou que no Brasil, entre 2016 e 2018, houve uma queda de 28%.
Segundo o estudo, o período que antecedeu as eleições à Presidência foi marcado por ataques diretos a jornalistas, cenário que se tornou pior com a eleição de Jair Bolsonaro: “Bolsonaro conquistou a Presidência em uma plataforma de desprezo pelos princípios democráticos e hostilidade às minorias e à sociedade civil, ameaçando ‘acabar com o ativismo’ e comprometendo-se a aumentar o desmatamento na Amazônia”, afirmou a Artigo 19.
O índice XpA Scores, que determina a porcentagem de liberdade de expressão em 161 países, também leva em consideração fatores como espaço cívico, censura digital, mídia, proteção à imprensa e transparência legislativa. Segundo o índice, no ano passado ocorreram 35 crimes graves contra jornalistas no Brasil.
O estudo revela que o planeta inteiro foi afetado por esse recuo da liberdade de expressão: é o menor índice dos últimos dez anos. O principal fator para isso é o perfil autoritário de governantes dos países analisados, principalmente em relação à imprensa e à grande mídia como um todo.
O Pulitzer Prize, mais importante prêmio de jornalismo dos Estados Unidos, anunciou em 5/12 uma nova categoria para 2020, para contemplar reportagens de áudio.
Dana Canedy, administradora do prêmio, explica que a ascensão e o sucesso de podcasts e reportagens de áudio nos últimos anos motivou a criação da categoria: “O renascimento do jornalismo em áudio nos últimos anos deu origem a uma extraordinária variedade de histórias de não ficção. Para reconhecer o melhor desse trabalho, o Pulitzer Board está lançando uma categoria experimental para homenageá-lo”.
Ela afirma que será premiado o jornalismo “que serve ao
interesse público, caracterizado por reportagens reveladoras e narrativas
esclarecedoras”.
O site Vortex Media anunciou em 6/12 cortes na equipe e o
fechamento da redação em São Paulo. A sede de Brasília será mantida. O site,
criado pelo jornalista Diego Escosteguy, foi
lançado em outubro deste ano.
Segundo informações que circulam no mercado, o motivo para
o encerramento das atividades seria divergência com os investidores no que se
refere aos custos para a manutenção/funcionamento do site.
No sábado (7/12), Sérgio Spagnuolo, um dos
demitidos, afirmou no Twitter que Diego não comunicou os cortes e não esteve em
São Paulo para explicar a situação para a equipe: “Entrei no projeto em maio,
larguei minha empresa e uma bolsa de consultoria com boa remuneração. (…)
Ajudei a montar o projeto do começo: contratações, tecnologia, modelo de
negócios, branding, criação do nome. Participei de quase tudo. O cara sequer me
telefonou, muito menos apareceu em SP pra falar com a equipe”.
Diego respondeu também no Twitter, explicando que “havia
marcado uma viagem para SP para conversar com a equipe e que Leandro Loyola
(chefe da redação em São Paulo) explicaria a situação. No entanto, as conversas
em Brasília se prolongaram e fiquei até o final da tarde expondo os fatos às
pessoas de Brasília”. (Veja+).
Diego Escosteguy revelou a este Portal dos Jornalistas que
os diretores da empresa “não receberam os aportes previstos em contrato e estão
tomando as providências cabíveis”. O criador do site confirmou os cortes e o fim
da redação em São Paulo, mas disse que a equipe “segue forte e numerosa, não
procede que cortamos pela metade. Segue sobretudo dedicada a produzir bom jornalismo.
Jornalismo independente”.
O presidente Jair Bolsonaro revogou o edital para renovação de assinatura da versão digital de jornais e revistas da administração federal que excluía a participação da Folha de S.Paulo. O recuo ocorreu na manhã desta sexta-feira (6/12), em texto publicado no Diário Oficial da União.
O edital, publicado em 28/11, previa um gasto de R$
194.393,64 para acesso online de jornais e revistas em contratação de um ano,
prorrogável por mais cinco. A lista citava 24 jornais e dez revistas sem
incluir a Folha de S.Paulo, por determinação de Bolsonaro.
O presidente voltou atrás após críticas de entidades que defendem
a liberdade de expressão e de diversos juristas, além de ações na
Justiça. Na avaliação de especialistas, ao defender a exclusão do jornal da
concorrência e um boicote a anunciantes da Folha, Bolsonaro viola princípios
constitucionais como os da impessoalidade e moralidade.
Lucas Furtado, subprocurador-geral junto ao TCU (Tribunal
de Contas da União), por exemplo, havia entrado com uma representação na corte
pedindo a inclusão da Folha no edital. Para ele, a medida de Bolsonaro tinha
motivos que “desbordam dos estreitos limites da via discricionária do ato
administrativo”, além de ofender os “princípios constitucionais da
impessoalidade, isonomia, motivação e moralidade”.
Outro caso de retaliação oficial à imprensa muito discutido
na mídia foi a ação do prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella, que barrou
a entrada de jornalista do Globo em coletiva, na última terça-feira
(3/12).
De olho na cobertura ambiental no Brasil, a Mongabay, uma das principais agências internacionais de conteúdo sobre meio ambiente, anunciou a contratação do editor Xavier Bartaburu ([email protected]). Ao lado da editora e correspondente Karla Mendes, ele ficará responsável pela formação da nova equipe da Mongabay no Brasil, um esforço da agência americana em expandir a cobertura de temas ambientais na Amazônia e no Cerrado a partir de uma base no País.
Xavier trabalha há mais de 20 anos com temas socioambientais. Esteve por quase uma década na extinta revista Terra, onde foi editor executivo, e escreveu mais de 20 livros sobre assuntos que abrangem recursos naturais, sustentabilidade, desenvolvimento social e patrimônio cultural.
No aniversário de 20 anos do advento da internet, a Folha incumbiu o repórter Bruno Fávero de fazer matéria como se fazia 20 anos antes, quando não havia a rede mundial de computadores. Diz o texto que abre a matéria publicada no site do jornal: “Gravador portátil devidamente equipado com fita cassete e pilhas, bloco de papel, caneta e orelhão. Materiais que parecem jurássicos para jornalistas de hoje eram usados há apenas 20 anos na profissão, quando a internet ainda dava os primeiros passos no Brasil”.
Os leitores do J&Cia, principalmente os
mais jovens, hão de duvidar que alguém consiga trabalhar sem os recursos do
Google, do WhatsApp, dos e-mails, do envio imediato de textos e fotos…
Pois vou contar um segredo: fiz isso durante
pelo menos durante 20 anos. Eu e minha geração de jornalistas – além, é claro,
das gerações anteriores – fizemos não apenas uma matéria, como Bruno Fávero,
mas TODAS as nossas matérias sem os recursos disponíveis hoje em dia num
simples clique no teclado ou no mouse. Éramos os jornalistas off-line,
simplesmente porque ainda não existia a LINE.
Nossas pesquisas eram em meio a poeira, no
arquivo do jornal, o chamado banco de dados. Nossa comunicação, enquanto
estávamos na rua, era por meio de orelhões, com fichas telefônicas (os cartões
vieram muito mais tarde). Não havia internet e também não havia celulares. Às
vezes, em determinadas circunstâncias, tornava-se impossível você, da rua,
entrar em contato com a redação.
Uma dessas situações aconteceu comigo e é com
ela que pretendo ilustrar esse confronto entre épocas:
Aconteceu no Natal de 1980, 25 de dezembro.
Os presos da Penitenciária do Estado resolveram se rebelar. A imprensa toda foi
mandada para a entrada da cadeia, na avenida Ataliba Leonel, Zona Norte de São
Paulo. O chefe de Reportagem de plantão na Folha de S.Paulo era o Candinho (Cândido Cerqueira Silva) e ele me despachou para o local, mandando
que o mantivesse informado – por orelhão, é bom lembrar. A Agência Folhas, que trabalhava para
todos os veículos do grupo, mandou o repórter Jorge Zappia, meu amigo e colega de faculdade. Como estávamos em
dois carros com a mesma origem/destino, achamos melhor, por questão de
logística (plantões tinham menos veículos disponíveis), dispensar um deles
Eu achava que, justamente por ser dia de Natal,
o motim seria rapidamente dissolvido. Tinha duas fichas telefônicas no bolso e
achei que seriam suficientes.
(Sete anos mais tarde, conheci Cristina
Sant’Anna, que foi minha editora na extinta Folha da Tarde; Cris tinha uma moedeira estufada com fichas
telefônicas e a entregava ao repórter que tivesse de ir para a rua numa
situação imprevista – mas, infelizmente, como eu disse, só fui conhecê-la sete
anos depois.)
A rebelião ia se estendendo. Os repórteres
estavam confinados junto ao primeiro portão do complexo, sem qualquer
informação. Já eram quase seis da tarde quando gastei minha segunda ficha e
rodei mais de um quilômetro pelas imediações, procurando inutilmente um lugar
para comprar mais. Sem fichas telefônicas, sem comunicação com a redação – não existiam
celulares, lembram-se? – apostei na sorte de a situação resolver-se em no
máximo uma ou duas horas.
Pouco antes das nove, os repórteres puderam
chegar mais perto do portão principal e começaram a brotar as primeiras
informações: tudo estava sob controle, não havia feridos, a tropa de choque já
havia cumprido a missão e iria sair do presídio… E enquanto afirmavam que
tudo estava bem, um pastor alemão da PM passava com a boca cheia de sangue. Ou
seja, as informações reais ainda estavam para chegar…
Rebeliões em prisões nunca acabam bem. Eu não
podia abandonar o campo de batalha sem notícias mais precisas. Passava das dez
quando decidimos em comum acordo que o Zappia voltaria para o jornal com as
informações disponíveis (tínhamos apenas um carro, e ele escreveria para todos
os jornais do grupo). Pedi-lhe que, assim que chegasse, procurasse o
plantonista de fechamento da Folha de
S.Paulo – que, no dia, era o Carlinhos
Machado – e lhe informasse da situação, passando-lhe rapidamente a matéria
para o fechamento.
Era quase meia-noite quando finalmente voltei
para a redação, com informações mais completas. O Zappia ainda estava
escrevendo e me deu a má notícia: o Carlinhos disse simplesmente que o jornal
já estava fechado e que ele não esperaria o texto dele. Em vista disso, passei
algumas informações para o Zappia e fui para casa.
No dia 26 de dezembro de 1980, a Folha de S.Paulo foi provavelmente o
único jornal a não dar uma linha sobre a rebelião. Quando cheguei à redação,
tomei um esporro homérico do chefe de Reportagem Adilson Laranjeira – quem trabalhou com ele sabe exatamente do que
estou falando – e ganhei uma suspensão por não ter cumprido minha obrigação de
ter voltado para a redação a tempo de entregar a matéria para que o Carlinhos
Machado não fechasse o jornal sem a notícia. Ainda se tivesse passado pelo
telefone…
Bóris Casoy, que era o editor da Folha,
acabou abrandando minha punição: eu fora suspenso, segundo ele, porque a chefia
pensava que eu não tinha voltado para a redação depois do motim, que tinha ido
direto para casa, deixando a incumbência de escrever a matéria para o Jorge
Zappia.
Assumo parte da culpa pelo que aconteceu. Foi um pouco de inépcia de minha parte. Não poderia ter confiado na solução rápida do conflito. E devia ter-me abastecido com fichas telefônicas. Porque, afinal, não tínhamos celular ou WhatsApp…
Marco Antonio Zafra
A história desta semana é novamente de Marco Antonio Zanfra ([email protected]), que atuou em diversos veículos na capital paulista, entre eles Folha de S.Paulo, Agora, revista Manchete, Jornal dos Concursos, Folha da Tarde e Diário Popular, e, em Santa Catarina, foi editor em O Município (Brusque) e em seguida no Jornal de Santa Catarina (Blumenau). Em Florianópolis, onde reside, trabalhou em O Estado e A Notícia, na assessoria de imprensa do Detran e do Instituto de Planejamento Urbano, além de ter sido diretor de Apoio e Mídias na Secretaria de Comunicação da Prefeitura.
O Grupo Abril concluiu a venda da unidade de negócios Exame. Em leilão realizado nessa quinta-feira (5/12) em São Paulo, o banco BTG Pactual comprou a marca por R$ 72,3 milhões – que era o lance mínimo estipulado no certame.
A compra da revista pelo BTG Pactual já era esperada. Há expectativa de que a empresa transforme o título em uma plataforma de conteúdo financeiro. A operação ainda terá que ser aprovada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
O jornal esportivo italiano Corriere Dello Sport usou na capa da edição desta quinta-feira (5/12) a manchete Black Friday, acompanhada de fotos dos jogadores negros Romelu Lukaku (Internazionale de Milão) e Chris Smalling (Roma), trazendo notícias e atualizações sobre o clássico entre as duas equipes, marcado para sexta-feira (6/12).
Nas redes sociais, as duas equipes envolvidas repudiaram a
ação racista do jornal. A Inter afirmou que “sempre será oposta a qualquer tipo
de descriminação”. O técnico da Roma, Paulo Fonseca, postou que “precisamos ser
mais conscientes”. Outros times italianos também se posicionaram contra o ato.
Em nota, o jornal se defendeu afirmando que as críticas
“não passam de indignação barata” e que o termo “Black Friday” foi usado “como
elogio da diferença”.
Vale lembrar que esta foi apenas uma das inúmeras
manifestações racistas que já ocorreram no futebol italiano. Diversas vezes,
torcedores direcionaram xingamentos racistas e sons de macaco para jogadores
negros, entre eles o próprio Lukaku.
A jornalista esportiva e apresentadora Glenda Kozlowski assinou contrato com o SBT na última quarta-feira (4/12). Ela comandará o programa Uma Vida, um Sonho, novo reality show da emissora, que irá ao ar nas manhãs de domingo.
O programa reunirá 22 jovens, entre 18 e 20 anos, que
sonham em seguir carreira no futebol. O vencedor fará parte de algum time da
Europa. Glenda explica que a inovação que o projeto oferece foi o que a atraiu:
“Estar à frente de um projeto que além de inovador também traz uma preocupação
com o lado social é uma honra. Eu acredito no lado democrático do esporte, na
chance, na oportunidade, e o espaço que está sendo oferecido para 22 jovens
mostrarem seu talento foi o que mais me atraiu nesse formato, será um projeto
realmente transformador”.
Glenda deixou a Globo em outubro. Uma Vida, um Sonho tem
estreia prevista para o primeiro semestre de 2020.
Após quase 17 anos como correspondente da Agência Estado e colunista do Broadcast Agro em Ribeirão Preto (SP), Gustavo Porto deixará o posto e a cobertura diária de agronegócios e economia. Em janeiro assumirá como editor do Broadcast Político em Brasília, de onde comandará a equipe na Capital Federal e em São Paulo.
No Broadcast Agro, o repórter Augusto Decker passará a cobrir o setor de açúcar, etanol e bioenergia. As outras demandas do agronegócio ficarão com equipe do Broadcast Agro, sob o comando de Jane Miklasevicius.