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terça-feira, abril 28, 2026

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Everaldo Marques assina com o SporTV e deixará a ESPN

Everaldo Marques acertou sua ida para o SporTV e deixará a ESPN na próxima sexta-feira (7/7), dia do término de seu contrato com a emissora. A rescisão, segundo o UOL, foi amigável. A data de estreia dele no Grupo Globo ainda não foi divulgada.

O narrador estava há 15 anos na ESPN e tornou-se referência na locução de esportes, principalmente os americanos, tendo a oportunidade de narrar jogos de basquete e futebol americano na emissora. Sua última grande cobertura foi o Super Bowl 54, no último domingo (2/2). A ESPN não informou se contratará um substituto.

Com informações do UOL.

Confira os vencedores do Prêmio C6 de Jornalismo

O C6 Bank anunciou os vencedores da 1ª edição do Prêmio C6 de Jornalismo, que reconhece reportagens sobre educação financeira e finanças pessoais, com o objetivo de ajudar os brasileiros na tomada de decisões financeiras conscientes.

Na categoria TV, rádio e podcast, o troféu foi para a reportagem Fintechs miram 45 milhões de brasileiros sem conta bancária, produzida por Danuza Mattiazzi (GloboNews).

A reportagem Ele disse que me mataria, que eu era uma vagabunda e interesseira, sobre violência patrimonial, feita por Flávia Cunha e Geórgia Santos, do portal Vós – Pessoas no Plural, ficou em primeiro lugar na categoria Impresso/Online.

Fundação Gabo oferece curso sobre cobertura da migração venezuelana

Tulio Hernández e Ginna Morelo. Foto: Fundação Gabo

A Fundação Gabo, em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), realiza o curso Refugiados e migrantes: como cobrir o caso venezuelano, no objetivo de aperfeiçoar, ampliar e enriquecer a cobertura do fenômeno migratório. O Brasil está na lista dos países cujos jornalistas podem se inscrever, além de Colômbia, Chile, Peru, Equador e Argentina.

As aulas serão de 13/4 a 17/4 em Medellín, na Colômbia. Os 11 selecionados terão aulas em espanhol com Ginna Morelo (Colômbia) e Tulio Hernández (Venezuela). Em entrevista à Abraji, Morelo afirmou que o curso visa a estimular os participantes a cobrirem as migrações de forma mais horizontal e ampla: “A cobertura da migração não cabe em uma sala de redação, por maior que seja. Quando vemos pessoas atravessando um país, são culturas que caminham para outros territórios. É necessário romper os esquemas de um trabalho extremamente vertical e fortalecer uma cobertura horizontal de jornalismo colaborativo”.

Para se inscrever, é preciso ter três anos de experiência, além de interesse pelo tema. Os participantes receberão alojamento por seis noites, passagens aéreas, alimentação e seguro médico internacional. Será preciso pagar uma taxa de matrícula no valor de 100 dólares. No final do curso, três participantes serão selecionados para investigar e produzir matérias sobre imigração e refugiados, sob orientação de Ginna Morelo, e terão um subsídio de até cinco mil dólares para fazer o trabalho. Mais informações aqui (em espanhol).

André Lahóz e José Roberto Caetano deixam o comando da Exame

Lucas Amorim é o novo diretor de Redação. Saem também os editores executivos Cristiane Mano e David Cohen

O Grupo BTG, que há três semanas assumiu o controle da Exame, adquirida em dezembro passado ao Grupo Abril, demitiu nessa sexta-feira (31/1) a cúpula da Redação, como parte da restruturação que desde então vem planejando. Deixaram a empresa o diretor de Redação André Lahóz Mendonça de Barros, o redator-chefe José Roberto Caetano e os editores executivos Cristiane Mano e David Coehn. O também editor executivo Lucas Amorim Pereira é o novo diretor de Redação.

André e Beto eram os com mais tempo na revista: 22 anos e meio. Cristiane estava há 20 e David, desde 1997, mas nesse período teve uma passagem por Época e Época Negócios (que dirigiu), até voltar recentemente. Lucas está há 12 anos em Exame, onde era editor executivo de negócios e finanças e editor do aplicativo.

Caetano disse a este Portal dos Jornalistas que, desde que assumiu, o BTG não deu nenhum sinal de que seriam dispensados, tanto que participaram de várias reuniões sobre o futuro: “A nossa demissão acabou vindo como uma quase surpresa. Mas, claro, é do jogo numa mudança de propriedade, e é perfeitamente da lógica dos negócios (como tantas vezes Exame retratou em reportagens). Entendemos que os donos querem renovação, a começar pela própria equipe. Éramos os mais velhos de casa e também os salários mais altos. Em suma, exterminaram os dinossauros e fizeram um bom corte na folha salarial. Não sei se houve outras promoções e nomeações entre os jornalistas − o grupo remanescente, incluindo pessoal da arte e foto, é da ordem de 40 pessoas”.

Segundo ele, o Grupo BTG está investindo em tecnologia, vai renovar o site e o aplicativo, introduzir Big Data, entre outras iniciativas, e está criando quatro novas áreas de negócios em torno da marca Exame: editorial, eventos, educação financeira e uma área chamada Research, de produção e venda de relatórios de análise de ativos financeiros. Para isso, além de tecnologia, estão levando gente do banco e contratando profissionais não jornalistas.

“De minha parte, não tenho nenhum plano na gaveta. Vou me dar um tempo de reflexão, avaliar possíveis caminhos e oportunidades, ativar contatos. Felizmente carrego um enorme acervo de amizades feitas nestes anos todos, e tenho recebido muitas mensagens carinhosas de apoio. É reconfortante neste momento ser alvo de toda essa atenção. Saio satisfeito e orgulhoso dos meus 22 anos e meio de Exame, agradecido a todos que trabalharam comigo − e foram muitos profissionais ótimos e pessoas queridas. Foi um enorme privilégio. E em especial parto grato ao André, que conheci quase um garoto naquela semana de agosto de 1997, veio a se tornar meu chefe e incentivador do meu crescimento. E é, além de um profissional que muito admiro, um amigo caríssimo”. Os contatos pessoais dele são [email protected] e 11-950-246726.

Versão digital de jornais cresce e impresso segue em queda

Jornais impressos expostos na banca da rodoviária. 23-01-209. Foto: Sérgio Lima/PODER 360
Banca de jornais. Foto: Sérgio Lima/PODER 360

O Instituto Verificador de Comunicação (IVC) divulgou dados sobre a circulação de jornais dos principais veículos de comunicação do País. A pesquisa leva em conta números registrados de dezembro de 2014 a dezembro do ano passado. Segundo o estudo, as assinaturas digitais estão aumentando, enquanto a versão impressa segue em queda. As informações são do Poder360.

Segundo o portal, a Folha de S.Paulo foi o jornal com maior número de assinaturas digitais, seguida de perto por O Globo. Destaque para o Valor Econômico, que teve um aumento de 414% em suas assinaturas digitais. O Correio Braziliense também teve um aumento significativo: 179%.

Todos os veículos analisados no estudo sofreram queda na circulação de suas versões impressas desde dezembro de 2014 até 2019. O jornal com maior tiragem média de impressos foi o mineiro Super Notícia, com pouco menos de 140 mil, cerca de 50% a menos do que a média registrada em 2014, mesmo sendo o “melhor colocado”. O Estado de Minas foi o que mais reduziu sua tiragem média de impressos, com números 72% inferiores.

Na soma da média de tiragem mensal das versões impressa e digital, a Folha de S.Paulo tem os maiores números do ano. O estudo também mostra a variação de custo das assinaturas e o comportamento das revistas Época e Veja, que estão em queda livre. Confira a íntegra no Poder360.

LLYC analisa comportamento e tendências de consumo em 2020

A consultoria Llorente & Cuenca (LLYC) lançou um relatório sobre o comportamento dos consumidores ao redor do mundo em 2020, trazendo as dez principais tendências que devem se destacar no mercado ao longo do ano.

O estudo apresenta três abordagens que devem ser levadas em conta ao analisar o perfil dos consumidores e suas tendências de consumo: o desafio demográfico, que se refere ao envelhecimento da população e à obsessão por evitá-lo o máximo possível; os critérios econômicos, como a crise mundial e perfis de consumo específicos que variam para cada pessoa e região; e a evolução da tecnologia e o uso de dados, que aumentam o consumo por informações e as recomendações de produtos através de algoritmos e Inteligência Artificial.

As tendências apresentadas mostram um aumento no consumo da indústria alimentícia (Foodemic) e de beleza, principalmente nos produtos que desaceleram o envelhecimento (Forever Young), além de consumidores “cautelosos” em tempos de crise (Consumidor em crise) e um aumento na quantidade de idosos no ativismo − visto hoje como uma tendência global − graças ao envelhecimento das redes sociais (Ativismo pós-geracional). Confira o relatório na íntegra.

Longo, o homem que mandava seguir a nuvem

Por Moacir Assunção

Quando soubemos, no caderno de Geral do Diário Popular, em meados de 1996, que o nosso futuro chefe seria um sujeito chamado José Luiz Longo, que desconhecíamos totalmente – a não ser o fato de que ele era próximo do diretor de Redação Josemar Gimenez, com quem havia trabalhado junto em O Globo –, certamente todo mundo pensou algo parecido: mais um burocrata para nos infernizar. Brincávamos dizendo que de uma coisa a gente tinha certeza: ele devia ser um cara alto e longilíneo, com aquele sobrenome. Quando o vimos, semanas depois do anúncio, todo mundo se surpreendeu com aquele homem baixinho, nervoso, com uma barba permanente em um rosto que denotava inteligência e sagacidade. Ato contínuo, ganhou dos repórteres-fotográficos, sob a liderança do gozador Rubens Gazeta (alguém que, com esse sobrenome, nasceu para trabalhar em jornal), o apelido de Toulouse Lautrec – referência ao pintor francês que viveu entre 1864 e 1901 e se tornou conhecido por ter revolucionado o estilo dos cartazes publicitários em sua época e por sofrer de uma doença recessiva que o transformou num homem adulto com pernas curtas de criança, medindo apenas 1,52m. De fato, ambos tinham características físicas em comum, como a barba, os óculos e a pequena estatura.

Aos poucos, fomos descobrindo que, se Toulouse Lautrec foi um gênio em sua época, ao pintar os cartazes de aviso do famoso Moulin Rouge, casa de espetáculos da boemia parisiense, de um modo completamente incomum, poder-se-ia dizer algo semelhante de Longo, um gênio em encontrar novos e interessantes ângulos para as matérias. Eu, então um jovem jornalista recém-formado, estava substituindo um repórter mais velho e experiente que convalescia de uma doença e, de cara, senti que ele gostou de mim. Houve uma tragédia causada pelas chuvas na região do Ipiranga e, junto com a colega Montserrat González, fui lá cobrir. Descobri, depois, que ele havia pedido para que ela, uma excelente repórter, acompanhasse meu trabalho. “O rapaz veio de assessoria de imprensa, sabe como é”, justificou. No fim do dia, a colega ofereceu um relatório muito favorável sobre minha atuação na reportagem.

Ele começou, então, a me encomendar matérias interessantes, boa parte ligadas a questões históricas, que havia percebido que eu gostava. Fui fazendo-as da melhor forma possível. Poucos meses depois que ele entrou, fiquei sabendo que o colega adoentado ia voltar, já estava recuperado. Perderia, então, o emprego. Coisas da vida, problema algum, sabia que seria provisória minha estada naquela que era uma fábrica de fazer bons repórteres, o Dipo, como chamávamos o jornal e estava feliz por ter aprendido em meses o que levaria muitos anos para aprender. No entanto, outra colega, creio que a Alessandra Pereira, me disse que ele havia reagido desfavoravelmente à ideia da volta do repórter. “Não vou abrir mão do Moacir, de jeito nenhum”, afirmara. Acabei ficando… e me tornei, de fato, repórter nessa época. Comprovei, na prática, a máxima de Gabriel García Márquez, segundo a qual jornalista é “a melhor profissão do mundo”.

Aos poucos, Longo tornava-se querido e admirado pelos repórteres do Dipo, uma turma que não perdia para ninguém em termos de cobertura, batendo com folga, especialmente em Cidades, Esporte e Polícia, os colegas de redações então poderosas como Estadão e Folha. E o chefe, também ativista dos direitos humanos e um dos fundadores do coletivo Democracia Corinthiana, sempre sugerindo pautas interessantes e inéditas, como já fizera em O Globo e no O Estado de Minas, onde trabalhou também. Lembro-me que, uma vez perguntou-me se Rego Freitas, nome da rua onde fica o nosso sindicato, era parente do Bento Freitas, rua vizinha. Queria fazer uma matéria com o mote “unidos para sempre”. Não eram, viveram em épocas diferentes.

Longo, que perdemos em 22 dezembro de 2019, aposentado, mas ainda em atividade, era de fato um mestre na pauta jornalística. Sacava da cartola, como um mágico, ideias geniais para transformar em texto de jornal. Dizia algo que repito para meus alunos hoje: a notícia está em todo lugar, basta observar.

Pouco mais de um ano depois, fez-me uma sugestão: queria criar uma pequena coluna no jornal, que sairia todo sábado, na qual contaríamos a história de um bairro. Morador da Zona Norte toda sua vida, ele sabia da importância dos bairros para uma cidade gigante como São Paulo, na qual, muitas vezes, a pessoa vive em um ou dois distritos, sem precisar deslocar-se para praticamente nada. Aceitei o desafio e começamos pela Mooca, região emblemática da cidade que, uma década depois, se tornaria quase uma parceira, já que comecei a ministrar aulas na Universidade São Judas Tadeu, que fica na Mooca e é um marco da região. Foi uma verdadeira aventura essa coluna, que batizamos de Conheça seu bairro. Em pouco mais de dois anos, contamos a história de nada menos que 120 bairros da capital. Descobri que tinha gente que colecionava os textos, outros que os mandavam para parentes em outras regiões. Conheci personagens interessantíssimos, muitos dos quais levei para o caderno Seu Bairro, do Estadão, no qual iria trabalhar depois. Enfim, a coluna fez-me conhecer São Paulo, algo que não tem preço.

Outra história curiosíssima, que o amigo Josmar Jozino conta em seu livro Meio que em off (Letras do Brasil), foi o texto que fiz sobre um bode fantástico que dava leite. Bicho enorme e forte, ele era hemafrodita e vivia em um sítio na cidade de Brazópolis, sul de Minas. Foi missão passada pelo Longo a partir de um sujeito meio louco que apareceu no jornal – e foi conosco até o lugar. Ele me disse na volta que havia sugerido ao prefeito da cidade que “desapropriasse” o animal. Parecia história do Festival de Besteiras que Assola o País (Febeapá), do saudoso Stanislaw Ponte Preta, que, em tempos de Bolsonaro, teria muito a escrever se estivesse por aqui.

Em 1999, quando fui trabalhar no Estadão, o fato de ter passado pelo Dipo era uma distinção importante. Os colegas que me conheciam da rua diziam que “se foi do Dipo é bom, pode confiar” para os novos chefes que ainda não tinham tomado contato comigo. Encontrei no Estadão e no JT gente como Josmar, Fábio Diamante, Marici Capitelli, Robson Morelli, entre outros, que eram, como eu, egressos do Dipo. Entre os motoristas, então, quase todos haviam trabalhado no matutino da Major Quedinho, nome que relembra um personagem da Guerra do Paraguai. Estava em casa, enfim.

Voltei a ouvir falar do Longo novamente porque ele havia mandado uma repórter, que depois soube tratar-se da Marici, para “seguir uma nuvem de chuva”. A razão para tão esquisito pedido era que o Dipo havia tomado um furo no dia anterior e isso o Longo não admitia, ainda mais em tragédias da cidade, algo em que éramos imbatíveis. A pobre repórter teve que ficar acompanhando, de carro, o deslocamento de uma nuvem escura. E a história virou um folclore do jornalismo. Era um pombo sem asa ou PSA, expressão com a qual Josmar designava as pautas mais estranhas.

Quando lancei o meu livro sobre a Revolução de 1924 – São Paulo deve ser destruída, a história do bombardeio à cidade na Revolta de 1924 (Record) –, tive o prazer de contar com a presença dele no debate na Livraria da Vila da Fradique Coutinho. Ele me falou, então, a frase que jamais esquecerei: “Quando lia seus textos da história dos bairros, pensava: esse rapaz é um historiador. Agora está aqui o historiador”. Ainda me sugeriu escrevermos juntos um livro sobre a Mooca. Foi a última vez que o vi com vida. Nos estertores de 2019, um choque: pelo Facebook a colega Gláucia Padilha avisava e, na sequência, o também colega Dario Palhares confirmava que ele havia morrido.

Longo, o grande repórter e chefe de Reportagem, uma das pessoas que mais reconheceu meu trabalho, jazia no velório de um cemitério da sua querida Zona Norte, na presença da mulher, Célia, dos filhos e da mãe. Mesmo adoentado, me disseram, não parava de bolar coisas para o jornalismo. Ainda era jovem, tinha apenas 62 anos, e se permitia sonhar. Foi enterrado em meio a palmas e sons da música Epitáfio, dos Titãs, que diz assim: “Devia ter amado mais, chorado mais, ter visto o sol nascer…”. Agora, como diz o colega Nelson Nunes, está seguindo nuvens no céu, na grande redação celestial. E, certamente, bolando pautas sensacionais. Abraço, amigo, siga em paz… tenha a certeza de que todos aprendemos muito com você.

Moacir Assunção

A história desta semana é uma colaboração de Moacir Assunção, jornalista, historiador e professor do curso de Jornalismo da Universidade São Judas Tadeu (SP).

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Tem alguma história de redação interessante para contar? Mande para [email protected].

Vaquinha online busca ajudar repórter cinematográfico incapacitado

Jesse Nilson

Jesse Nilson, o Jotinha, repórter cinematográfico da Band-RS, está impossibilitado de realizar suas funções há quase dois anos, devido a complicações pós-cirúrgicas no coração. Em janeiro de 2018, ele teve um infarto, e a intervenção médica resultou em três pontes de safena. Depois do ocorrido, ele teve dificuldades para dar continuidade ao tratamento, pois não obteve suporte do SUS e o INSS negou o benefício de saúde a ele. Com fortes dores, não conseguia mais trabalhar.

“Senti muita dor no peito e nos ombros, não conseguia mais segurar uma câmera”, contou Jotinha em entrevista ao Coletiva.net. Ele explicou também que, apesar de ainda ser funcionário da Rede Bandeirantes, não recebe o salário desde maio por causa do INSS. Jotinha foi diagnosticado tendinopatia do supraespinhal, uma evolução de uma tendinite no tendão do ombro.

Ele fez um desabafo em suas redes sociais, expondo sua situação: “Saí vivo do hospital, mas sem vida. Falhas no tratamento, diagnósticos equivocados, medicamentos prejudiciais, avaliações imprecisas, desrespeito médico, descasos judiciais sucessivos, desamparo do INSS, incapacidade de atendimento do SUS e outras tantas coisas”.

O desabafo comoveu amigos e ex-colegas, que organizaram uma vaquinha online para ajudar Jotinha a dar continuidade ao tratamento, pagar as contas e outras necessidades básicas. A meta é arrecadar R$ 5 mil. Até esta quarta-feira (29/1), tinha obtido aproximadamente R$ 3.7 mil. Contribua!

Jornal americano dá dicas de como conseguir financiamento para jornalismo independente

O jornal norte-americano The News & Observer desenvolveu um guia para ajudar empresas de jornalismo independente a conseguir financiamento para seus projetos. Com o crescimento de mídias independentes, aumentou muito a busca por organizações nacionais e internacionais que apoiam o jornalismo de qualidade e que possam providenciar a verba necessária para a produção dos trabalhos. E, nesse processo, surgem algumas dúvidas sobre o passo a passo para candidatar-se e conquistar a verba. O objetivo é acabar com essas dúvidas.

O guia explica algumas etapas essenciais no processo de financiamento, como um roteiro para encontrar os financiadores; os documentos necessários e recomendados para preparar antes de se candidatar; o estilo de texto que deve ser utilizado na candidatura para o financiamento; como calcular os orçamentos; o que fazer antes de assinar o contrato, entre outros. Confira o guia na íntegra (em inglês).

Com informações da Abraji.

O futuro do jornalismo pelas lentes do Instituto Reuters

Por Luciana Gurgel, especial para o J&Cia

Luciana Gurgel

No momento em que a tecnologia elevou à estratosfera o volume de notícias disponíveis e democratizou a forma de acesso a elas, um dos riscos para o jornalismo pode ser justamente a saturação. Essa é uma das ameaças apontadas pela relatório anual Journalism, Media and Technology Trends and Predictions 2020, elaborado pelo Instituto Reuters, sediado na Universidade de Oxford.

O estudo consolida a opinião de 233 profissionais que ocupam posições de comando em redações de 32 países, colhidas por meio de um questionário fechado e comentários livres. O fenômeno da “fadiga de notícias” não é o único paradoxo. Os entrevistados sinalizaram confiança no negócio, mas ao mesmo tempo expressaram incertezas quanto à qualidade da produção jornalística.

Quase 3/4 dos participantes disseram-se otimistas ou muito otimistas com as perspectivas de sustentabilidade financeira das organizações em que trabalham, o que o Reuters atribui ao sucesso de novos modelos de geração de receita que começam a frutificar. Por outro lado, 46% estão menos confiantes com o futuro do jornalismo. E menos ainda com o jornalismo de interesse público, salientando o declínio da imprensa regional e pressões para travar a atuação de profissionais que denunciam ricos e poderosos.

Karyn Fleeting, do conglomerado de mídia britânico Reach, classificou de “deprimentes e preocupantes” os ataques à mídia feitos por chefes de estado, que se tornaram rotina aqui. A despeito de o primeiro-ministro Boris Johnson ter sido jornalista, a relação de sua administração com a imprensa é tensa, com ameaças de suspender a taxa obrigatória que sustenta a BBC e a licença do Channel 4.

O estudo revelou que 85% dos consultados acham que a mídia deve fazer mais para esclarecer inverdades na política, mas parte deles se ressente do baixo reconhecimento de iniciativas nesse sentido pela audiência. E muitos observaram que tais iniciativas podem ser em vão em um quadro em que líderes seguem a fórmula do presidente Donald Trump, esvaziando a grande imprensa e dialogando com o público sem filtros por redes sociais.

Os movimentos para regular as plataformas tecnológicas, crescentes no Reino Unido e em outros países da Europa, não são vistos como resposta para elevar a confiança geral. Mais da metade (56%) dos editores que participaram da pesquisa acha que não haverá impacto sobre o jornalismo. Mas 25% temem consequências negativas. O universo pesquisado inclui representantes de mídias digitais, o que explica em parte esse temor.

Inteligência artificial, a próxima onda – Entre as tendências apontadas pela estudo está o avanço da inteligência artificial, que o Reuters chama de “a próxima onda de disrupção tecnológica”. As aplicações vão desde a apuração, produção de textos e distribuição até o uso comercial, como otimização de paywall. Na visão de 52% dos consultados, ela será muito importante este ano, mas empresas menores temem ficar para trás.

Além dos questionamentos sobre privacidade e democracia, entretanto, outra questão sobre inteligência artificial emergiu. Um total de 24% dos participantes prevê dificuldades para contratar e reter profissionais com expertise em programação diante dos altos salários a eles oferecidos pelas empresas de tecnologia. Por incrível que pareça, pode acabar sobrando vagas nas redações por falta de gente qualificada.

A chave do cofre – E de onde virá o dinheiro para a mídia? Para 50% dos que responderam ao questionário, sairá direto do bolso de quem consome notícias. Apenas 14% apostam em sustentabilidade financeira contando só com receitas publicitárias. E 35% acham que será uma combinação das duas.

O relatório prevê que organizações de mídia do mundo inteiro tentarão cada vez mais emular as experiências das que já celebram crescimento como resultado de ações para encantar leitores e espectadores, levando-os a pagar pelo conteúdo, principalmente na Europa e nos Estados Unidos. Florescem aqui modelos criativos que ressuscitaram títulos moribundos e deram origem a notáveis exemplos de bom jornalismo.

Em contrapartida, há o risco de o noticiário de qualidade ficar restrito à elite, restando aos menos abastados o território caótico das redes sociais. O estudo registra ações já em curso destinadas a neutralizar tal impacto, como eventos de engajamento e podcasts.

O vigor do áudio é confirmado, mas o Instituto alerta para o desafio da monetização. Muitos editores admitiram dificuldades para gerar receita com podcasts, ainda que reconheçam seu valor no engajamento do público, sobretudo jovens. O Brasil é destacado como segundo maior mercado consumidor de podcasts, com citação ao projeto do Estadão em parceria com a Ford para criar um produto diário no Spotify.

O documento do Instituto Reuters é uma compilação de visões a partir de realidades nem sempre comparáveis à do Brasil. Mas joga luz sobre tendências capazes de se estenderem para toda a indústria, que merecem ser observadas tanto por executivos e editores experientes como pelos que entram no mercado de trabalho.

Aprender programação pode ser a diferença entre um futuro na redação do futuro ou um diploma guardado na gaveta.

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