Os programas da TV Brasil ganharam novos horários, cenários e identidades visuais desde a última segunda-feira (16/3). Destaque para a estreia de atrações e séries documentais e de ficção renomadas, como o premiado drama policial britânico Sherlock (segunda a sexta , às 21h30) e a trama nacional O vigilante rodoviário (terça, às 23h30, e domingo, às 22h30). Para este ano, o canal investiu em produção interna, aquisição de novos conteúdos e em obras independentes. Entre os novos programas estão: Acervo Musical, Atos, Brasil sobre Duas Rodas, Cai no Vestibular, Ciência é Tudo, Curta Temporada, Meu Pedaço do Brasil e Vida + Leve.
Atrações diárias apresentam novos formatos, como o Sem Censura, apresentado por Vera Barroso e Bruno Barros, que passa a ser exibido às 14h, de segunda a sexta-feira, com a participação de um time de jornalistas de RJ, Brasília e SP para comentar as pautas e assuntos do dia. Em novo horário, o Repórter Brasil abre a faixa voltada ao público adulto, ao vivo, às 19h, com os âncoras Katiuscia Neri e Paulo Leite, em Brasília. Às 19h30, também ao vivo, é a vez do esportivo Stadium, com Paulo Garritano e Marília Arrigoni, no Rio. Já o Cenário Econômico, apresentado direto da B3, em SP, vai ao ar às 22h30.
Vera Barroso e Bruno Barros, do Sem Censura
Entre as produções jornalísticas semanais, destaque para Caminhos da Reportagem, que agora tem exibição inédita aos domingos, às 20h, com reprise as quintas. Durante a semana, em horário nobre, às 23h, a faixa começa na segunda-feira com o Brasil em Pauta. Às terças, o veterano Moisés Rabinovici conduz o programa Um Olhar sobre o Mundo. Já às quartas, Katiuscia faz entrevistas no Impressões. O Fique Ligado ganha novo formato, semanal, com uma hora de duração, às sextas, com Vanessa Léda e Morillo Carvalho, de Brasília; Annie Zanetti, de SP; e Bruno Barros, do RJ. A programação infantil amplia para mais de dez horas a duração.
Outra novidade da EBC é a oferta de mais conteúdo on demand nas plataformas digitais e por meio do aplicativo EBC Play. Além das produções da casa, boa parte dos novos conteúdos também passa a ter uma janela para que os episódios possam ser acompanhados por tempo limitado. O aplicativo está disponível para as plataformas Android, iOS e no site. O EBC Play pode ser baixado gratuitamente.
O Ministério Público Federal (MPF) denunciou na manhã desta terça-feira (17/3) seis pessoas pelo assassinato e por terem forjado o suicídio do jornalista Vladimir Herzog, em 25 de outubro de 1975, no DOI-Codi de São Paulo, um dos maiores centros de tortura e violação dos direitos humanos da ditadura militar.
Foram denunciados por homicídio e fraude processual o
comandante do DOI-Codi da época, Audir Santos Maciel, e o chefe dele, José
Barros Paes; também por fraude processual, o carcereiro Altair Casadei; por
falsidade ideológica e falso testemunho, os médicos legistas Harry Shibata –
chefe do IML de São Paulo – e Arildo de Toledo Viana; e por prevaricação e por
não ter denunciado os envolvidos, Durval Ayrton de Moura Araújo, procurador militar
do caso Herzog. Todos os denunciados têm entre 78 e 100 anos.
Vale lembrar que a denúncia só pôde ser feita porque o
Brasil foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em
2018, por causa do caso Herzog, considerado pela entidade como um crime contra
a humanidade. Com isso, a Lei da Anistia não pode ser aplicada como razão para
o Estado deixar de investigá-lo.
Luiz Megale voltou em 16/3 para a BandNews FM, no comando do Jornal da BandNews FM. Ele deixou o Primeiro Jornal (agora apresentado por João Paulo Vergueiro) para substituir a Eduardo Barão, que será correspondente internacional da rádio.
Formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana
Mackenzie, Megale iniciou a carreira em 2000, ainda como estagiário, na Jovem
Pan, onde virou repórter e especializou-se em coberturas internacionais. Em
2005, chegou ao Grupo Bandeirantes, atuando em programas na rádio e na TV. Foi
correspondente internacional da Band em Nova York por dois anos. Desde 2018,
apresentava o programa 90 minutos, em substituição a José Luiz Datena.
Adalberto Piotto deixou em 13/3 a TV Brasil, onde estava há pouco mais de três anos no programa de análise Cenário Econômico, exibido diretamente da sede da Bolsa de Valores em São Paulo. Com a saída dele, a atração será descontinuada.
A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior abriu inscrições até 22/5 para a quarta edição do Prêmio ABMES de Jornalismo, que valoriza reportagens sobre temas relacionados ao Ensino Superior do Brasil.
Poderão ser inscritos trabalhos em vídeo, áudio e escritos
(impresso e online) nas categorias Nacional e Regional. É
importante que a reportagem tenha sido publicada em algum veículo de
comunicação entre 1º de julho de 2019 e 22 de maio de 2020. Cada candidato pode
inscrever até cinco trabalhos.
Os três vencedores da categoria Nacional receberão
R$ 15 mil cada, e na categoria Regional, os três serão premiados com R$
10 mil cada. A cerimônia de premiação será em 4 de agosto, em Brasília. Inscreva-se!
Prestes a completar 20 anos de carreira, Cassio Cortes, apresentador do Acelerados (SBT e YouTube), lança em fase de pré-venda seu livro de estreia, Movido a Gasolina (Labrador). A tiragem inicial é limitada a 1.000 cópias, e a pré-venda acontece no site kickante.com.br/movidoagasolina.
“É uma volta ao mundo acelerada por 18 países em cinco continentes, reunindo as principais reportagens especiais da minha carreira, desde a vez em que pilotei um tuk-tuk na madrugada de Bangkok até a Corrida de Jericos Motorizados em um lamaçal no meio da Amazônia”, revela o jornalista. “Tem pilotagem de Alfa clássica em Nürburgring, tem epopeias no Dakar, tem eu entrando ilegalmente no México pra participar do rali Baja 1000… Enfim, muita coisa legal, porque escolhi só as aventuras mais marcantes da minha carreira antes do Acelerados. E é claro que tem também muitos bastidores saborosos sobre o próprio Acelerados, incluindo como, afinal, surgiu o nosso canal. Tudo ilustrado com belas fotos de todas essas histórias”.
A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgou em 12/3 a lista dos 20 Predadores Digitais da Liberdade de Imprensa de 2020, estudo que aponta as principais empresas, organizações e governos que atacam os jornalistas e ferem os direitos de liberdade de imprensa e de expressão ao redor do globo. O Governo Bolsonaro é um dos “predadores” da lista.
O levantamento classifica os integrantes da lista em quatro
categorias: Perseguição, Censura de Estado, Desinformação
e Espionagem e Vigilância. Segundo o estudo, por sua grande influência
na internet e em meios digitais, esses “predadores” intimidam e silenciam os
profissionais de imprensa que abalam a integridade dos poderes estabelecidos.
“Os homens fortes autoritários, que organizam a predação da
liberdade de imprensa, estendem sua atuação no mundo digital graças a tropas de
cúmplices, subordinados e reservas que também são predadores digitais
determinados e organizados”, explica Christophe Deloire, secretário-geral
da RSF.
Classificado na categoria Perseguição, o Governo Bolsonaro
aparece na lista como “O ‘gabinete de ódio’ de Bolsonaro”. O texto destaca os
frequentes ataques do presidente do Brasil aos profissionais da imprensa
nacional, citando nomes como Gleen Greenwald, Constança Rezende e
Patrícia Campos Mello, que, por revelarem o que está “por trás das
cortinas” do governo brasileiro, acabam sendo alvos de campanhas de ódio dos
apoiadores de Bolsonaro nas redes sociais.
A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou em 11/3 um projeto de lei que prevê uma multa de R$ 5 mil para quem produzir ou compartilhar fake news. A multa dobrará em caso de reincidência ou se a notícia falsa for espalhada por servidor público.
De acordo com a justificativa do projeto, apenas quem
colabora com a divulgação e criação das fake news será penalizado.
Matérias jornalísticas não receberão multa: “Tentamos preservar a atividade dos
veículos de imprensa e os jornalistas, que não poderão ser processados no livre
exercício de sua atividade profissional”, diz o texto.
Também serão punidas as pessoas que utilizarem mecanismos
automáticos de propagação e perfis falsos para espalhar notícias falsas (robôs
virtuais). Quem divulgar informações alegando tratar-se de opinião pessoal ou
humor não será penalizado.
O governador de São Paulo, João Doria, poderá aprovar ou
vetar o projeto de lei.
Diversos veículos de comunicação retiraram o paywall de matérias que abordam o Covid-19, o Coronavírus. Jornais como a Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo, O Globo, Nexo e a revista Exame adotaram a prática e passarão a manter esse tipo de conteúdo gratuito aos leitores.
A ação visa a trazer informações relevantes sobre o
assunto, incluindo os sintomas e as formas de prevenção, além de reduzir o
número de notícias falsas e rumores, que cresceu exponencialmente com a chegada
do vírus ao País, e depois que foi considerado uma pandemia pela Organização
Mundial da Saúde (OMS).
Em nota, a Folha declarou que “as redes sociais estão desde
o início da crise do Coronavírus repletas de informações falsas. O jornalismo
profissional é antídoto em tempos de fake news e a Folha busca
contribuir para que mais brasileiros tenham acesso a notícias confiáveis”. O
Estadão e O Globo criaram editorias específicas para cobrir o assunto.
A derrubada do paywall já havia sido adotada por
jornais internacionais, como o The New York Times nos Estados Unidos e o The
Globe and Mail no Canadá.
A recente despedida do deputado Ibsen Pinheiro, em 24 de janeiro, remeteu-me a um episódio de forte caráter afetivo que enriqueceu os meus 50 anos de jornalismo. Seu impacto deve ser creditado àquele misterioso código de afinidade entre progenitores, que nos acompanha talvez desde os tempos das cavernas.
Ocorreu em 2001, no fim
de uma manhã. Tocou o telefone da minha mesa no Jornal da Tarde.
– Bom dia. Aqui quem
fala é Ibsen Pinheiro.
A origem desse
telefonema pede necessários prolegômenos, como diria Jânio Quadros, com o seu
hábito de pentear a língua portuguesa para ser melhor entendido.
O deputado Ibsen
Pinheiro (1935-2020), que desenvolveu sua trajetória política no extinto PMDB,
foi uma grata e meteórica revelação na virada da redemocratização. Em 1982 era
deputado estadual no Rio Grande do Sul; em 1986 já participava da Assembleia
Constituinte que ofereceria ao País a Carta que Ulisses Guimarães chamou de
“cidadã” em 1988. Em 1992, ocupando a cadeira de presidente da Câmara dos
Deputados, governou com tal propriedade o tumultuado processo de impeachmentde Fernando Collor de Mello, o primeiro desse gênero entre nós, que seu
nome se tornou uma barbadana política.(Somente
esse jargão do turfe, aplicado para designar o cavalo favorito do páreo,
poderia dar a medida do prestigio adquirido). Porém, para enorme surpresa
nacional, em menos de dois anos Ibsen passou a ser azarão, acusado de corrupção na célebre CPI do orçamento e fazer
parte do não menos famoso escândalo dos anões do orçamento. Teve o mandato
cassado sob o estigma da desonestidade, embora permanecesse no ar uma série de
dúvidas sobre sua culpabilidade. Em 2000 o Superior Tribunal Federal arquivou o
processo por falta de provas e um novo mandato lhe foi dado pelas urnas em
2006. Possivelmente já fosse tarde demais para promover uma redenção completa.
Nessa mesma época,
tangido por Murilo Felisberto, fui
para o Jornal da Tarde, que estava em curva descendente, a fim de participar do
esforço de recuperação. Murilinho, obedecendo a seus hábitos sofisticados,
levou-me para almoçar no Gero, onde me faria o convite. (Dada a nossa
intimidade, bastaria tomar um café em qualquer padoca de esquina.Acontece que o Gero, um dos
braços do Fasano, na rua Haddock Lobo, e o Spot, na alameda Ministro Rocha
Azevedo, eram seus restaurantes favoritos, na verdade, manias suas, das quais
ele não abria mão. Em tempo: saudades dele!). É vencer ou vencer, disse-me na
ocasião com uma agressividade que sua frágil aparência física desmentia.
A julgar pelas suas
providências, estava seguro dos seus propósitos. Já decidira pela aquisição de
uma nova família tipográfica, como convém a um artista das artes gráficas do seu tamanho. E na edição de 26 de julho de 2000,
uma quarta-feira, teve oportunidade de sinalizar a que viera. Compôs uma magnífica capa, melhor dizendo, inesquecível, sobre a queda do
Concorde em Paris no dia anterior, fazendo uma manipulação de preto e branco –
sob seu proverbial apuro tipográfico – que Henri Cartier-Bresson aprovaria sem
restrições. Ainda sob seu comando o JT produziria variados arroubos
jornalísticos que imitavam o JT dos seus tempos gloriosos. Lembro-me
particularmente de dois. O primeiro foi a série sucessiva de manchetes,
assinada pelos repórteres Danilo Angerami e Marinês Campos, sobre a existência e
atividades do PCC, até então pouco divulgadas, que daria dimensão nacional à
organização e abriria o amplo debate que continua atual. (A origem da
publicação deveu-se à consciência jurídica e religiosa – um católico
extremado – do desembargador aposentado Renato Laércio Talli, então corregedor
da Secretaria de Assistência Penitenciária, que foi a fonte das reportagens,
face aos relatos cruéis que lhe chegavam, vindos diretamente do interior dos
presídios paulistas). O segundo arroubo materializou-se numa dupla de repórter
e fotógrafo que passou a cobrir a noite paulistana sob uma pauta diversificada,
que não se limitava, isto é, não era engessada pelo tradicional e convencional
noticiário policial. Esse arranjo era completado por um “marronzinho” que,
quando fora do seu expediente na Companhia de Engenharia de Tráfego (CET),
rodava pela cidade de máquina fotográfica em punho e o ouvido colado no sistema
de rádio da empresa para inteirar-se de tudo o que ocorria na cidade durante as
chamadas horas mortas, e, evidentemente, registrar. Resultou numa quase diária
sequência de atraentes assuntos inéditos e curiosidades da cidade. O fato é
que, pouco antes de Murilo deixar o JT, em 2003, cujo data precisa me foge da
memória, ele quebrou o férreo silêncio referente à vendagem e me disse que o jornal havia interrompido a queda prolongada e
contínua de circulação; sugeria que no fundo do poço havia encontrado uma mola.
Foi a única vez que abordou os efeitos do seu trabalho naqueles tempos em que
estivemos juntos. Cerca de quatro anos depois, o JT viria morrer, sem choro nem
vela, em mãos de terceiros.
Márcio Pinheiro, filho de Ibsen, entrou no JT em 2001 para
ser editor de Variedades. Em 2002, por motivos que desconheço, voltou para
Porto Alegre, onde havia feito todo o seu caminho jornalístico até ali.
Suspeito que deva ter pesado a nostalgia pampeira e o distanciamento do
Colorado, o Internacional, no qual a família sempre teve ativa e tradicional
participação e do qual ele é conselheiro.
Não foi difícil
constatar que Márcio era filho de Ibsen, jornalista como ele. Notei de imediato
um sutil constrangimento relativo à história do seu pai e aquilo que poderiam
pensar dele, até porque nós, brasileiros, nos especializamos em patrulhar o
próximo e fazer batucada de má qualidade quando estamos no Exterior. Procurei
tranquilizá-lo, levando em conta seu conforto pessoal e profissional, associado
à injustiça atirada contra o deputado. Foi algo apenas preventivo, pois não
sabia se era o caso e nem o que se passava na cabeça dele.
O telefonema daquele fim
de manhã foi breve e profundamente revelador no seu laconismo.
– Pois não, deputado.
– Quero lhe agradecer
pela conversa que teve com o meu piá (*).
(*) No dicionário gaúcho, piá é a palavra com que os pais designam suas crias tenras. Naquela época, o piá de Ibsen Pinheiro andava por volta dos 33 anos, uma vez que já chegou aos 53.
José Maria dos Santos. Crédito: Zanoni Fraissat/Folhapress
Esta é novamente uma colaboração de José Maria dos Santos, ex-Diários Associados, Manchete, Abril e Diário do Comércio, de São Paulo, entre outros.
Tem alguma
história de redação interessante para contar? Mande para [email protected].