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quinta-feira, abril 23, 2026

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Gustavo Paul e Mona Dorf começam na equipe de João Borges na Comunicação da Febraban

Gustavo Paul e Mona Dorf

A equipe de comunicação da Febraban, sob a liderança do diretor de Comunicação e Marketing João Borges, acaba de ser reforçada com a contratação de Mona Dorf e Gustavo Paul como diretores-adjuntos. Eles vão reforçar a estrutura de atendimento à imprensa e produção de conteúdo para a Febraban News, que já produz conteúdo para a mídia tradicional e para os diversos canais das redes sociais. Mona coordenará as áreas de mídias sociais, marketing e eventos e Gustavo terá como atribuição principal o relacionamento com a imprensa e a coordenação da produção de conteúdo para a Febraban News.

Mona Dorf tem consagrada trajetória na televisão e no rádio. Iniciou carreira na Abril Vídeo. Na TV Globo, foi repórter e apresentadora de Jornal da Globo e SPTV. Trabalhou também nas tevês Manchete, Cultura e Record e foi pioneira na internet, desenvolvendo programas de entrevistas em AOL e Portal Terra. A carreira multimídia completou-se com passagens pelas rádios Eldorado e Jovem Pan.

Gustavo Paul iniciou sua trajetória no Estado de Minas e, na sequência, foi por sete anos repórter de Veja em Belo Horizonte, Salvador e Brasília. Esteve posteriormente, por nove anos, como repórter do Estadão e passou também por Exame e O Globo. Migrou para a área de comunicação corporativa, primeiro como chefe da Comunicação do Banco Central, nas gestões de Alexandre Tombini e de Ilan Goldfajn; e, depois, como assessor de imprensa de Joaquim Levy no BNDES. Estava no comando da equipe de Economia de O Globo em Brasília quando recebeu o convite de João Borges para compor a equipe da Febraban.

“Com o reforço desses experientes e reconhecidos profissionais, vamos dar um novo impulso no relacionamento da Febraban e do sistema bancário que ela representa com a imprensa, com a sociedade, de forma mais ágil e transparente, especialmente neste momento desafiador para a sociedade brasileira, no qual os bancos tem relevante papel a cumprir”, afirmou Isaac Sidney, presidente da Febraban.

Apoiadores de Bolsonaro agridem jornalistas no DF

Momento em que Dida Sampaio é derrubado no chão e agredido por apoiadores de Jair Bolsonaro

Em manifestação realizada no domingo (3/5), em frente ao Palácio do Planalto, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro agrediram profissionais de imprensa. Durante a cobertura do ato, em que o presidente atacou o STF e o Congresso Nacional, o repórter fotográfico do Estadão Dida Sampaio foi derrubado por duas vezes e chutado no chão por manifestantes. O repórter fotográfico Orlando Brito, do site Os Divergentes, e o repórter Fabio Pupo, da Folha de S.Paulo, foram empurrados ao tentar ajudar Dida. O repórter Nivaldo Carboni, do Poder 360, levou um chute e foi hostilizado várias vezes. O motorista do Estadão Marcos Pereira também foi agredido.

Acionada por repórteres da Folha de S.Paulo, a Polícia Militar do Distrito Federal negou-se a intervir.

Um dos mais premiados repórteres fotográficos do Brasil, Dida Sampaio ganhou alguns dos principais reconhecimentos jornalísticos nacionais e internacionais, entre eles os prêmios Esso, Vladimir Herzog e Petrobras, duas vezes cada, e o internacional SIP.

Imagem “Lava Jato Planalto” rendeu a Dida o Prêmio Esso de Fotografia, em 2015.

Em uma de suas imagens mais célebres e premiadas, flagrou a ex-presidente Dilma Rousseff passando com sua bicicleta em frente a um Lava Jato.

Diversas entidades nacionais defensoras do jornalismo repudiaram a atitude dos bolsonaristas. A Associação Nacional de Jornais (ANJ) escreveu que, “além de atentarem de maneira covarde contra a integridade física daqueles que exerciam sua atividade profissional, os agressores atacaram frontalmente a própria liberdade de imprensa. Atentar contra o livre exercício da atividade jornalística é ferir também o direito dos cidadãos de serem livremente informados”.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) destacou que o ocorrido é fruto da postura de Bolsonaro em relação à imprensa nacional: “Tais agressões são incentivadas pelo comportamento e pelo discurso do presidente Jair Bolsonaro. Seus ataques aos meios de comunicação, teorias conspiratórias e comportamento ofensivo fomentam um clima de hostilidade à imprensa, além de servirem de exemplo e legitimarem o comportamento criminoso de seus apoiadores. É inaceitável que militantes favoráveis ao governo saiam às ruas com objetivo expresso de intimidar os profissionais de imprensa, quando o próprio governo federal definiu o jornalismo como atividade essencial durante a pandemia”.

Cid Benjamin, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa da ABI, escreveu em nota que “esses atos violentos são mais graves porque não há, de parte do presidente ou de autoridades do governo, qualquer condenação a eles. Pelo contrário, são o próprio presidente e seus ministros que incentiva as agressões contra a imprensa e seus profissionais”.

As entidades afirmaram que a Justiça deve identificar e punir os agressores e reagir aos discursos antidemocráticos.

Benê Gomes deixa o Auto+ e passa a se dedicar integralmente ao Momento Vox

Benê Gomes irá se dedicar integralmente à produção e apresentação do Momento Vox, exibido pela TV Bandeirantes
Benê Gomes irá se dedicar integralmente à produção e apresentação do Momento Vox, exibido pela TV Bandeirantes

Após 15 anos comandando o Auto+, programa que criou em 2005 e cuja direção dividia com Marcello Sant’Anna desde 2007, Benê Gomes anunciou nesta semana seu desligamento da atração, atualmente exibida pela RedeTV. Com a mudança, deixa também sua sociedade na A+ Content, responsável pelo programa, que atende a diversas empresas do segmento automotivo com produção de vídeos.

Benê passa agora a dedicar-se integralmente ao Momento Vox, programa exibido aos domingos, a partir das 10h, pela Bandeirantes. Assim como o Auto+, a atração também nasceu a partir de um projeto pessoal de Benê, mas tem foco mais voltado para a cobertura dos mercados de reposição e reparação automotiva, além da tradicional cobertura de produtos do setor.

“É um momento de renovação, algo que vínhamos discutindo internamente e que agora veio ao encontro da minha ideia de retomar um trabalho solo, condição que vinha amadurecendo há tempos”, destaca Benê. “Junte a isso este momento de profunda reflexão estimulado pela quarentena e pronto: veio o impulso que faltava para iniciar esse novo ciclo. Vivi grandes momentos com todo o time do Auto+, e em especial com Marcello, um grande companheiro, como a gente sempre brincou. Mas chegou a hora de seguir um novo e desafiante caminho; e, naturalmente, passar a ser um fiel telespectador do Auto+”.

Com a saída dele, a produção do Momento Vox, até agora sob o guarda-chuva da A+, também passará a ser feita de maneira independente por Benê. “A vantagem desse desligamento é que agora poderei navegar em um universo mais amplo de temas, algo que eu evitava para não haver concorrência com o Auto +. Isso influenciará também na coluna que mantenho no UOL Carros, e nos boletins 6ª Marcha, que produzo há três anos para a rádio Transcontinental FM”. Marcello Sant’Anna segue com a equipe do Auto+, à frente das atividades de programa, site e canais digitais. Ele conta tem na equipe Rodrigo Saravalli, diretor de operações, Maisa Salmi, na coordenação de jornalismo, e Tiago Mendonça, que divide apresentação e reportagem.

Morre aos 46 anos o jornalista Adriano Pessini

Adriano Pessini (Otavio Valle/Arquivo Pessoal)

Morreu nessa sexta-feira (1º/5), aos 46 anos, o ex-repórter e editor de Esportes do Agora SP Adriano Pessini. Palmeirense apaixonado e declarado, foi cobrindo clubes rivais que teve alguns de seus grandes momentos na carreira, como no período em que foi setorista do São Paulo, ou quando foi até a favela de Fuerte Apache, em Buenos Aires, para contar a história do jogador Carlitos Tévez, então contratado pelo Corinthians. Extremamente elogiada, a reportagem trouxe informações inéditas até para a imprensa argentina na época.

Pós-graduado em História e Cultura da Gastronomia, deixou o Jornalismo em 2014, quando se tornou sócio do Sotero Cozinha Original, restaurante especializado em comida baiana na região central de São Paulo.

“Nome de imperador, sobrenome italiano, alma operária, Adriano Pessini encarna os valores de uma sociedade esportiva miscigenada, apaixonada, complexa, plural, mezzo família, mezzo rebeldia, de quem não sabe levar a vida se não for com toda fibra e intensidade”, destacou Vitor Guedes sobre o amigo, em coluna publicada no Agora SP.

Há três anos foi diagnosticado com um câncer no pâncreas, doença que evoluiu para uma metástase. Ele deixa esposa, mãe e um irmão.

Abraji entrevista jornalista paraguaio sobre os perigos nas fronteiras dominadas pelo PCC

Cándido Figueredo

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) publicou uma entrevista com o jornalista paraguaio Cándido Figueredo, que vive na cidade de Pedro Juan Caballero, que faz fronteira com a cidade de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. Ele falou sobre os perigos e ameaças frequentes que recebe ao denunciar a violência e o tráfico de drogas da região, dominada pela organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Cándido contou que já teve a casa metralhada em duas ocasiões. Ele vive com escolta armada há 25 anos por causa dos perigos da região e ameaças que recebe diariamente.

O vídeo, chamado de Jornalismo na fronteira, foi produzido por Sérgio Ramalho e Angelina Nunes.Elesfizeram reportagens sobre o assassinato do jornalista brasileiro Léo Veras, executado enquanto jantava com a família em fevereiro. A entrevista com Cándido é fruto de um dos encontros entre os jornalistas brasileiros e o paraguaio.

“Hoje, a facção paulista PCC dita regras na região, que segue como principal porta de entrada de drogas e armas negociadas no Sudeste. Léo Veras relatava essa movimentação e, infelizmente, acabou assassinado”, explicou Ramalho. (Veja+)

Agência Pública diz que ação ilegal do Exército matou dois inocentes no Rio

A Agência Pública postou nessa quarta-feira (29/4) uma reportagem especial com o resultado de suas apurações sobre a Operação Muquiço, ação do Exército em abril de 2019, que visava a acabar com atividades do tráfico de drogas da favela do Muquiço, no Rio de Janeiro, e que acabou matando dois inocentes.

Segundo documentos aos quais a Pública teve acesso, a ocupação da comunidade foi considerada ilegal pois não teve autorização da Presidência da República para o uso do Exército, conforme previa o decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) vigente na época. Durante a operação, os militares fuzilaram um carro e mataram o músico Evaldo Rosa e o catador de recicláveis Luciano Macedo, que tentou ajudar Evaldo após os tiros.

As versões apresentadas em depoimentos sobre o ocorrido são contraditórias. Os militares envolvidos no caso afirmaram que atiraram para impedir um assalto. O tenente Ítalo Nunes, comandante da tropa na ocasião, explicou que os militares foram atacados diversas vezes pelos traficantes durante a manhã, portanto os soldados estavam “assustados”. Confira a reportagem na íntegra.

Fenaj promove campanha online no Dia do Trabalhador

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) promove nesta-sexta-feira (1º de maio), Dia do Trabalhador, a partir das 11h30, uma manifestação virtual pela defesa dos trabalhadores e seus direitos, em especial os jornalistas. A entidade usará as hashtags #DiaDoTrabalhador, #SaudeEmpregoRenda, #ValorizaOJornalismo e #ValorizeOJornalista.

Em texto publicado no site, a entidade lembra que esta será a primeira vez em que a “celebração do dia 1º de Maio vai se dar sem que a classe trabalhadora ocupe as ruas para defender o direito ao trabalho digno e a produção de riquezas com justiça social”.

A entidade ressalta as MPs 927 e 936 que, entre outros fatores, permitem mudanças, cortes e reduções no que se refere ao salário e à jornada de trabalho. Os jornalistas, em especial, acabam sendo duramente prejudicados com essas medidas, pois, além de tudo, estão colocando a vida em risco para cobrir o coronavírus.

“Os profissionais jornalistas são chamados a cumprir seu papel social de informar a sociedade, são expostos ao risco de contaminação pelo novo coronavírus e, contraditoriamente, têm cortes em seus salários. Mais grave ainda são os casos de suspensão dos contratos de trabalho e de demissões que continuam ocorrendo, mesmo com a pandemia e a necessidade crescente da difusão de informações jornalísticas”, escreveu a Fenaj. Confira o evento!

Morre Nirlando Beirão

Nirlando Beirão lutava desde 2016 contra uma Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)
Nirlando Beirão lutava desde 2016 contra uma Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)

O jornalismo brasileiro despediu-se nessa quinta-feira (30/4) de Nirlando Beirão. Aos 71 anos, lutava desde 2016 contra uma Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença degenerativa sobre a qual escreveu em Meus começos e meu fim, livro que lançou em 2019. Também foi autor, ao lado do publicitário Washington Olivetto, de Corinthians: é preto no branco (2005), e da biografia Sérgio Mota: O trator em ação (1999), com José Prata e Teiji Tomioka.

Mineiro de Belo Horizonte, Beirão nasceu em 26 de setembro de 1948. Estudou Ciências Sociais na Universidade Federal de Minas Gerais e na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde começou no Jornalismo, em 1967, no jornal Última Hora.

Ao longo de sua carreira, participou do lançamento das revistas Caras, IstoÉ, Senhor, Forbes Brasil, Wish Report e Status, e passou por Veja, Estadão, Playboy, O Tempo, Estado de Minas, Correio Braziliense e Record News. Foi também diretor-adjunto da revista Brasileiros, redator-chefe da Carta Capital e assessor de imprensa do governador do Estado de São Paulo Mário Covas.

Ele deixa a filha Júlia Beirão, os enteados Maria Prata e Antônio Prata, e a viúva, Marta Góes.

Em tempos de pandemia, em quem confiar?

Por Luciana Gurgel, especial para o J&Cia

Luciana Gurgel

A empresa de pesquisas britânica GlobalWebIndex tenta responder a essa difícil pergunta por meio de um estudo regular que começou com 13 países, incluindo o Brasil, e foi estendido para 17 países.

A segunda etapa do trabalho, que mapeia sentimentos e atitudes da população em relação à Covid-19, foi publicada esta semana cobrindo o período de 31 de março a 2 de abril. Traz elementos importantes sobre a confiança do público nas instituições e nas informações que recebe. Os dados comparativos envolvem apenas as 13 nações pesquisadas na fase inicial.

No Brasil, 70% dos entrevistados aprovam a atuação das corporações diante da crise, percentual 6% mais alto do que na primeira etapa. O país ocupa o quinto lugar nesse quesito, atrás do Canadá (89%), Itália e Filipinas (com 79%), e perto da África do Sul, onde as empresas receberam 71% de aprovação.

Quanto ao Governo as coisas complicam. Estamos em nono, empatados com os Estados Unidos (50%), e em queda em relação à fase anterior. O cenário é pior na França, em Singapura e no Japão, onde somente 15% da população se disse favorável ao desempenho da administração pública. Já os canadenses, além de aprovarem o setor privado, aparecem como o povo mais feliz com o trabalho do Governo.

Informação: acesso x confiança − As formas de consumir notícias também são alvo do estudo, que indica contradição entre acesso e credibilidade. Globalmente o universo pesquisado declarou informar-se mais sobre o coronavírus por canais de notícias na TV (60%), websites (55%), newsletters (45%), informes do Governo (50%) e mídias sociais (47%). Os respondentes podiam votar em mais de uma opção.

Quando a questão é confiança o quadro muda. As mídias sociais despencam para 14% − maior gap entre uso e credibilidade − e o jornalismo também cai, enquanto informes do Governo lideram, com os mesmos 50% dos que os apontaram como fonte de informação.

No Brasil, os sites, canais de notícias e noticiário regular da TV aparecem como principais locais onde o público se informa sobre a pandemia (55%, 53% e 43%, respectivamente). O Governo ocupa um honroso quarto lugar, com 41%. Interessante observar que o trabalho de campo foi feito enquanto o então ministro da Saúde dava coletivas diárias.

Curiosamente, para um país tão conectado, redes sociais aparecem em quinto lugar, com 40%. E nosso popular WhatsApp foi apontado por somente 22% do público como fonte de notícias, perdendo para organizações de saúde pública (33%) e jornais (25%).

Mas em credibilidade, quem brilha no Brasil são as organizações de saúde pública, apontadas por 57% dos entrevistados como as mais confiáveis. Canais de notícias, informes do Governo e sites de notícias ficaram embolados com 38%, 37% e 36%, respectivamente.

Já as mídias sociais têm a confiança de apenas 11% do público. E o WhatsApp teve pífios 7%. Jornais desfrutam, segundo o estudo, da credibilidade de 25% dos entrevistados. E o rádio, de apenas 12%.

No Reino Unido, devido à força da BBC, canais e sites de notícias ficaram na frente como fonte de notícias, com 51% e 49%, seguidos por informes do Governo, refletindo igualmente a prática de coletivas diárias.

Mas em confiança o poder público se destaca, com 47%, bem distante dos canais de notícias, que vêm em segundo, com 39%. Mesmo diante das críticas sobre a atuação da administração de Boris Johnson no controle da pandemia, os britânicos ainda acreditam mais no Governo do que na BBC ou nos jornais, segundo o estudo.

E a situação do WhatsApp é pior do que no Brasil.  As notícias compartilhadas pela rede social têm credibilidade de somente 3% na visão dos britânicos.

Fadiga de notícias − Para jornalistas que neste momento tentam adivinhar o que a audiência quer, ou assessores produzindo sugestões de pauta, aqui vai uma luz. A pesquisa indagou sobre as informações mais desejadas pelo público. Os brasileiros apontaram notícias sobre a situação da pandemia no País (49%) e na própria região (48%), seguindo-se as matérias positivas sobre a Covid-19 (42%).

Mas, atenção! 30% querem mudar de assunto, indicando uma tendência já apontada em outras pesquisas: a fadiga de notícias a respeito o tema.  Vai ser preciso muita sintonia com a audiência para continuar contando com a atenção dela, em um contexto em que informação é vital para o controle da doença.

Morreu Fernando Pedreira, aquele que, no Estadão, publicava os sonetos de Camões

Fernando Pedreira, em foto nos anos 1980. Crédito: Jorge William/Agência Globo

Fernando Pedreira morreu em 21/4 enquanto fazia a sesta em sua casa no Vale das Videiras, em Itaipava, distrito de Petrópolis, no Estado do Rio, aos 94 anos. Era casado com Monique há 48 anos, o casal não teve filhos e se retirou para Petrópolis para cumprir o isolamento exigido por Covid-19.

Carioca, era formado em Direito, mas não seguiu a carreira jurídica. Aos 30 anos, mudou-se para São Paulo e começou no Diário de S.Paulo. Teve breve participação na UNE (União Nacional dos Estudantes) e no Partido Comunista, dos quais se afastou. Trabalhou ainda na Última Hora. Transferiu-se então para O Estado de S. Paulo e foi o primeiro chefe da sucursal em Brasília, nos anos 1960. Depois do golpe militar, passou uma temporada nos Estados Unidos, como visiting scholar na Universidade de Columbia.

Voltou ao Brasil em 1971 como diretor do Estadão, de 1971 a 1977. O jornal estava sob censura, e Pedreira passou a publicar trechos de Os Lusíadas, de Camões, no lugar das reportagens proibidas, numa decisão que se tornou clássica. Quando o jornal preparou um caderno para celebrar seu centenário, Pedreira foi informado de que mesmo esse especial seria submetido à censura. Preferiu, então, cancelar a publicação e deixar o material para ser avaliado pela História. Surpreendentemente, um telefonema do então presidente Geisel avisou que estava suspensa a censura prévia a todo o jornal, no que Pedreira, com ironia, considerou “a contribuição governamental às comemorações da efeméride”. Depois disso, foi ainda sob seu comando que o Estadão venceu o Esso de Jornalismo de 1976, com uma série sobre os abusos de alguns servidores com o dinheiro público, um marco no jornalismo investigativo e que cunhou a expressão “mordomia”.

Voltou para o Rio no ano seguinte, deixou o cargo de diretor de Redação, mas continuou colaborando com o Estadão como articulista político. Trabalhou ainda no Jornal do Brasil, como editorialista e comentarista político, e na coluna Ponto de vista da revista Veja. Amigo do presidente Fernando Henrique, no governo deste foi nomeado embaixador do Brasil junto à Unesco, em 1995, em Paris. Em 2016, publicou o livro de memórias Entre a Lagoa e o mar – Reminiscências.

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