Consórcio de veículos de imprensa suspende debate presidencial
O consórcio de veículos de imprensa, formado por g1, O Globo, Valor Econômico, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, suspendeu o debate entre os candidatos à Presidência da República marcado para 14 de setembro em São Paulo. A decisão foi tomada pois os dois primeiros colocados nas últimas pesquisas, Lula e Jair Bolsonaro, não se manifestaram sobre comparecer ao evento.
A ideia era reunir os quatro candidatos mais bem colocados na pesquisa Ipec ou Datafolha da semana anterior à realização do debate. Se ao menos três candidatos confirmassem presença até 10 de agosto, ele seria realizado.
O consórcio lamentou a “falta de disposição dos dois candidatos que lideram as pesquisas em debater os problemas e as soluções para o País neste momento importante da democracia brasileira. Levando isso em conta, o consórcio permanece aberto a voltar a discutir a possibilidade de realização do evento caso haja interesse por parte das campanhas que lideram as pesquisas”.
O primeiro debate presidencial está marcado para 28/8 (domingo), em conjunto por Bandeirantes, TV Cultura, UOL e Folha de S.Paulo. Em 2/9 (sexta-feira), um pool formado por RedeTV, Metrópoles e O Antagonista também programou um debate entre os presidenciáveis. E em 24/9 (sábado), será a vez de CNN, Veja, SBT, O Estado de S. Paulo, NovaBrasil FM e Terra.
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ABI apresenta à OEA quadro da violência contra jornalistas no Brasil
Octávio Costa e Regina Pimenta, respectivamente presidente e vice-presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), reuniram-se com Pedro Vaca, relator especial sobre Liberdade de Expressão da Organização dos Estados Americanos (OEA) para apresentar a situação de violência contra jornalistas no Brasil.
Os representantes da ABI preocupam-se com o possível agravamento do quadro de ataques a jornalistas durante as eleições de 2022. Com isso em mente, apresentaram na reunião o Projeto de Proteção e Garantia dos Jornalistas no Direito à Liberdade de Expressão e Exercício do Jornalismo nas Eleições 2022 e a ideia de criação de um observatório para apurar novos casos de violência e planejar ações de atendimento a vítimas.
Eles se comprometeram a encaminhar um relatório sobre os casos de violência contra jornalistas no Brasil e a manter o relator especial atualizado sobre novos casos de ataques. A entidade comunicará também sobre a atuação de empresas de comunicação na proteção de direitos de seus funcionários, represálias econômicas e judiciais a jornalistas e outros riscos durante o período eleitoral.
Confira mais detalhes da reunião no site da ABI.
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Aos Fatos dá acesso gratuito para jornalistas a ferramenta de transcrição
Aos Fatos lançou nesta quinta-feira (11/8) um programa que vai distribuir até mil acessos gratuitos para jornalistas ao programa Escriba, que faz transcrições automáticas de áudios e vídeos em português.
São elegíveis apenas profissionais que trabalham com jornalismo de interesse geral, em redações ou de forma independente.
Para receber o acesso gratuito, é preciso preencher até 1º de dezembro este formulário e a inscrição será avaliada pela equipe de Aos Fatos. Cada usuário selecionado receberá quatro horas de transcrição gratuita por mês até o final de 2022.
Vale lembrar que o programa Escriba para Jornalistas foi uma das iniciativas selecionadas pelo Jogo Limpo do Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ), com apoio do YouTube Brasil, que tem como objetivo reforçar o combate à desinformação eleitoral no Brasil. O Escriba é também aberto ao público geral e inclui um teste gratuito de sete dias.
Além desse programa, Aos Fatos lançou o Banco de Discursos, arquivo público com transcrições feitas pelo próprio Escriba de discursos, lives e entrevistas dos principais candidatos à Presidência da República.
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Lucro é pecado? Sendo ou não, virou motivo para greve de jornalistas da Reuters
Por Luciana Gurgel

Houve um tempo em que divulgar balanços financeiros com lucros altos fazia a alegria das assessorias de comunicação, livres de explicar a jornalistas por que a companhia não ia bem − e felizes com clippings positivos para aumentar o índice de cobertura favorável do relatório mensal.
Investidores continuam satisfeitos ao verem as empresas em que aplicaram seus recursos dando lucro. Mas nem todos estão vendo os ganhos com tanta simpatia em tempos de clamor da sociedade por justiça social ou por ações para mitigar questões sociais e ambientais.
Nas últimas semanas, balanços trimestrais serviram de motivo para protestos de cidadãos e ativistas que cobram de grandes companhias menos lucro e mais investimentos na sociedade ou na equipe.
Mas um deles tomou proporções maiores e virou uma greve. Mostrando que sabem como virar notícia, quase 300 jornalistas da Reuters cruzaram os braços no dia 4 de agosto.
Organizado pelo NewsGuild de Nova York, o ato teve como slogan “No Contract, No News”, em referência às dificuldades para negociar um acordo salarial.
A data foi bem escolhida: era o dia da teleconferência para investidores para falar dos resultados do trimestre: aumento de 5% nas receitas e de 25% no lucro operacional.
O alvo direto do protesto foi um nobre inglês, David Thomson, o bilionário acionista majoritário da Thomson Reuters, o 3º Barão Thomson of Fleet, um dos homens mais ricos do mundo.
No texto em que anunciou a greve, o sindicato destacou que “a riqueza de sua família aumentou em mais de US$ 17 bilhões desde que os jornalistas receberam pela última vez um aumento salarial geral, em março de 2020”.
Foi a primeira grande greve da Reuters em 30 anos. Nas redes sociais, jornalistas postavam sua adesão, com imagens de manifestações em várias cidades americanas. Uma delas em plena Times Square, em Nova York.
Segundo o NewsGuild, a empresa ofereceu um aumento salarial anual de apenas 1%, o que, segundo a entidade, significaria um corte salarial devido à elevação do custo de vida. O sindicato reclama também da falta de diálogo.
Os lucros da Reuters foram eleitos os vilões no enredo. A nota do sindicato compara os resultados recordes ao esforço feito pela equipe da agência de notícias cobrindo temas difíceis, como a Covid-19, a guerra da Ucrânia e as mudanças climáticas.
No melhor estilo luta de classes, o comunicado oficial do NewsGuild citou o repórter de vídeo Julio-César Chávez, que disse:
“Enquanto nós, repórteres, somos chamados para longe de nossas famílias no meio do jantar, algo que fazemos com prazer pelo trabalho, os executivos da Reuters sentam-se no conforto de seus escritórios domésticos gerenciando os lucros que trazemos para a empresa.
Estou em greve hoje porque nosso trabalho é o que impulsiona o sucesso da Reuters e merecemos ser compensados adequadamente por isso.”

A Thomson Reuters disse que estava em conversas construtivas com o NewsGuild, sem no entanto assumir posição sobre a demanda da entidade.
Embora sem tanto barulho, as mudanças climáticas motivam cobranças por mais investimentos diante de lucros fabulosos de companhias de óleo e gás.
No Reino Unido, que vive uma crise de aumento do custo de vida cujo principal elemento é o preço da energia, item essencial em um país que depende de aquecimento boa parte do ano, a fúria maior foi contra a BP (British Petroleum). A petrolífera foi criticada nas redes sociais, por políticos da oposição ao governo de Boris Johnson e por alguns órgãos de imprensa pelo que seria uma boa notícia: triplicou seus lucros para quase 7 bilhões de libras no segundo semestre do ano devido à elevação dos preços do petróleo por causa da guerra da Ucrânia.
A reportagem do The Guardian sobre os resultados da BP abriu falando da “raiva de parlamentares e ativistas enquanto famílias lutam com a crise do custo de vida”.
Nas redes, adjetivos como “obsceno” foram usados para se referir ao lucro − ou outras palavras menos elegantes, como “f*cking”.
Lucro não é pecado, mas pode virar crise corporativa se existe uma insatisfação dos empregados ou da sociedade em relação a uma companhia.
A preocupação com os efeitos das mudanças climáticas está ajudando a turbinar esse mau-humor, diante de expectativas por mais investimentos em proteção ambiental ou em migração para energia limpa. Ativistas têm sido hábeis em comparar lucros altos com baixos investimentos em mudança.
Certo ou errado, justo ou não, esse movimento existe e deve ser observado com atenção por empresas de qualquer segmento.
O caso da Reuters, uma empresa jornalística reconhecida e admirada e onde muitos jornalistas sonham trabalhar, mostra que ninguém está a salvo de uma associação entre resultados financeiros e o bem-estar de quem ajuda a construí-los, ou do ambiente onde opera.
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FALA! Festival de Comunicação, Culturas e Jornalismo de Causa recebe inscrições até 24/8

Um conteúdo:

A Alma Preta Jornalismo abriu, até 24/8, em parceria com Marco Zero Conteúdo, 1Papo Reto e Ponte Jornalismo, as inscrições para o FALA! Festival de Comunicação, Culturas e Jornalismo de Causa. O evento, gratuito, que busca propor debates sobre o futuro do jornalismo e seu papel na comunicação da sociedade brasileira a partir da perspectiva popular, acontecerá em Salvador de 25 a 27 de agosto.
Em sua terceira edição, contará com palestras e cursos ministrados por acadêmicos, comunicadores e jornalistas de diversas regiões do País e abordará como a potencialidade de linguagens presentes no cotidiano pode melhorar a comunicação e deixá-la mais diversa.
O #diversifica é um hub de conteúdo multiplataforma sobre Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) do Portal dos Jornalistas e da newsletter Jornalistas&Cia. Ele conta com os apoios institucionais da Associação de Jornalismo Digital (Ajor), International Center for Journalists (ICFJ), Meta Journalism Project, Imagem Corporativa e Rádio Guarda–Chuva.
Periferia em Movimento faz campanha de arrecadação após ter a sede furtada
O site Periferia em Movimento (PEM) teve sua casa-sede invadida e furtada no final de julho no Grajaú, bairro do extremo Sul de São Paulo. Felizmente, não havia ninguém da equipe no local, mas o ocorrido gerou um prejuízo de mais de R$ 25 mil. Em função disso, o PEM lançou uma campanha de arrecadação de recursos para amenizar o impacto do furto.
Em 27 de julho, pessoas não identificadas pularam o muro da casa-sede, cortaram e removeram cabos de energia, arrombaram fechaduras de portas e furtaram itens de trabalho como notebooks, câmeras, cartões de memórias, carregadores, placa de vídeo, mesa e caixa de som, além de microondas, botijão de gás e outros pertences. O local, além de ser usado para o trabalho do PEM, é também espaço para cursos e oficinas.
“Para nós, que fazemos jornalismo de quebrada no perrengue desde sempre, esse é mais um episódio que demonstra ao mesmo tempo a importância e a vulnerabilidade da nossa atuação jornalística”, diz texto publicado no site. “Precisamos reforçar a segurança física e pessoal para seguir trabalhando a partir das periferias, e assim denunciar as violações e destacar o protagonismo periférico na garantia de direitos em meio às contradições de nosso tempo”.
Thiago Borges, responsável pela gestão de conteúdo do site, explicou que o PEM fez boletim de ocorrência, foi feita uma perícia, mas provavelmente será muito difícil reaver os objetos roubados, pois a casa-sede não tinha câmeras, e já se passaram duas semanas. “O imóvel tem seguro, pode ser até que a gente consiga recuperar parte do valor roubado, mas ainda assim não será suficiente para cobrir o prejuízo. Felizmente, o ocorrido não inviabilizou por completo nosso trabalho, estamos fazendo um rodízio de equipamentos, mas com certeza o dificultou”.
Interessados em ajudar podem fazê-lo através da chave PIX com o CNPJ 42.115.575/0001-08, em nome da Associação Periferia em Movimento, e assinando continuamente o PEM neste link.
YouTube remove vídeo de reunião de Bolsonaro com embaixadores
O YouTube removeu nesta quarta-feira (10/8) o vídeo da reunião do presidente Jair Bolsonaro com embaixadores, realizada em 18 de julho, no Palácio da Alvorada. No encontro, o presidente fez alegações falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro. A remoção foi feita devido a uma mudança na política de integridade eleitoral do YouTube.
Na reunião, Bolsonaro fez alegações falsas sobre supostas fraudes nas urnas eletrônicas, questionou a segurança do processo eleitoral, e criticou decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“A política de integridade eleitoral do YouTube proíbe conteúdo com informações falsas sobre fraude generalizada, erros ou problemas técnicos que supostamente tenham alterado o resultado de eleições anteriores, após os resultados já terem sido oficialmente confirmados”, explicou a plataforma. “Essa diretriz agora também se aplica às eleições presidenciais brasileiras de 2014, além do pleito de 2018”.
O YouTube também removeu vídeos que colocam em xeque se Bolsonaro foi ou não alvo de uma facada em 2018. A remoção faz parte de uma atualização na política de combate aos discursos de ódio: “O discurso de ódio não é permitido no YouTube, e removeremos material sobre o esfaqueamento de Jair Bolsonaro que viole esta política se não fornecer contexto educacional, documental, científico ou artístico no vídeo ou áudio”, comunicou a plataforma.













