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quarta-feira, maio 27, 2026

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Globo inicia estratégia para consolidar atuação multiplataforma

Crédito: William Hook/Unsplash

A Globo passa a implementar estratégias internas para consolidar a empresa como produtora de conteúdo com atuação multiplataforma, com forte presença também no digital. A emissora posicionará suas estratégias com base em quatro granes frentes de atuação: multiformato, multidistribuição, multigeracional e multissoluções. As informações são do Valor Econômico.

Paulo Marinho, CEO da Globo, explicou em entrevista à reportagem do Valor que a emissora está em fase de executar, disseminar e analisar seus conteúdos para direcioná-los para uma das quatro grandes frentes de estratégia. Uma das tendência observadas é o sucesso de conteúdos gravados na vertical, especialmente entre o público mais jovem. Neste sentido, a Globo deve aumentar sua produção de vídeos e as chamadas novelinhas curtas, seguindo este formato. A ideia é lançar uma novelinha inédita por semana, superando a marca de 50 títulos até o fim de 2026.

Outro projeto citado foi o Globopop, aplicativo que traz vídeos verticais de todos as editorias da Globo, como esportes, entretenimento e jornalismo. Mais conteúdo em formato vertical deve ser produzido para alimentar a iniciativa.

Agências faturaram R$ 5,72 bi e cresceram 2,44% acima da inflação em 2025

Anuário da Comunicação Corporativa

Já está no mercado a edição 2026 do Anuário da Comunicação Corporativa, a 17ª da série histórica. Foi lançada na tarde de  quarta-feira (20/5), tendo como principal destaque a retomada do crescimento das agências de comunicação em 2025.

Após dois anos andando de lado, com tímidos desempenhos (-0,17% em 2023 e 0,34% em 2024), elas voltaram a apresentar um crescimento robusto, com recorde de faturamento bruto (R$ 5,72 bilhões), crescimento nominal de 6,69% e crescimento real (descontada a inflação de 4,26%, medida pelo IPCA-IBGE) de 2,44%.

As projeções são do Instituto Corda – Rede de Projetos e Pesquisas, que coordena a Pesquisa Mega Brasil com Agências de Comunicação, estudo que este ano contou com a participação de 188 empresas,

A publicação, que em sua versão digital já pode ser consultada gratuitamente e na íntegra no site da Mega Brasil Comunicação, traz em seu Caderno Mercado, que abre a edição, 64 artigos com análises, reflexões e pensatas sobre a atividade, assinados por alguns dos mais experientes e reconhecidos executivos do mercado da comunicação corporativa. Neles, nota-se, quase de forma unânime, o grande esforço setorial na busca de caminhos de aprendizado e convivência com a nova inteligência artificial generativa, que surgiu para mudar as regras do jogo e, de fato, está mudando.

Coordenado novamente pela editora executiva Adriana Teixeira, o Anuário também abriu espaço para reportagens especiais, nove no total, todas elas debruçando-se sobre temas de grande envergadura setorial e assinadas, como diz a própria Adriana, por quem conhece do riscado.

Renato Gasparetto, por exemplo, que estreou na equipe do Anuário, escreveu sobre um tema que o tem acompanhado vida afora, reputação. Valeu-se para isso da larga experiência em liderar por muitos anos a comunicação de grandes corporações e de seu notório saber nas disciplinas da comunicação corporativa.

Nelson Silveira, também executivo com larga carreira na comunicação corporativa, e que hoje, como Gasparetto, toca seu próprio negócio com dois sócios, a agência PRhub, foi a fundo na questão da Geração 50+ e sua luta contra o etarismo.

Rosenildo Ferreira, que atuou por muitos anos na grande imprensa como repórter e editor e que há alguns anos lidera seu próprio projeto editorial, o site 1Papo Reto, embrenhou-se no mundo da inteligência artificial generativa para mostrar como tem sido o impacto na comunicação corporativa.

O decano Luiz Roberto Serrano, editor, assessor, consultor, que até recentemente editava o Jornal da USP, fez quase um ensaio sobre o mercado em tempos de eleições e Copa do Mundo, valendo-se do conhecimento de anos em que esteve nos vários lados do balcão, inclusive na assessoria política.

Martha Funke, que escreve no Anuário desde a primeira edição, teve a responsabilidade de discorrer sobre comunicação e saúde, mostrando iniciativas que estão ajudando a salvar vidas e combatendo as fake news e a desinformação.

Fernando Soares, que também é editor neste J&Cia, procurou desbravar o mundo das métricas e dos dados, que de forma acelerada vêm mudando a face da comunicação e fazendo com que ela comece a flertar de fato com as ciências exatas – caminho, pelo visto, sem volta.

O também experiente Renato Acciarto valeu-se de seu conhecimento tanto do jornalismo quanto da própria comunicação corporativa para extrair bons insights sobre criatividade e inovação, iniciativas que estão contribuindo para subir a régua do PR, inclusive na competitividade com áreas afins, como propaganda e marketing.

Dario Palhares, repórter e editor talentoso, com passagens por grandes veículos de comunicação, que é também escritor e artista plástico, teve a missão de escrever sobre media training, mas não sobre a trivial e sim no que ela está se transformando, nos novos negócios que estão nascendo. De quebra nos brindou com belíssima história sobre a origem dessa disciplina, que ao longo das décadas tem sido uma das mais importantes no campo das relações públicas.

A nona reportagem leva a assinatura da própria editora executiva Adriana Teixeira, que fez um profundo mergulho, inclusive filosófico, no tema Liderança do Pensamento, que hoje, mesmo aqui no Brasil, é mais conhecido pela denominação inglesa, Thought Leadership. Mostra como o que era até recentemente uma tendência transformou-se no objeto de desejo de um exército de executivos e de empresas sequiosas por novos negócios.

Lançada a edição digital, o Anuário entrará logo mais em gráfica para sua versão impressa, hoje também conhecida como edição dos colecionadores, com previsão de entrega na primeira semana de junho, em tiragem limitada, ao preço de R$ 150 o exemplar. Reservas podem ser feitas com Clara Francisco, pelo e-mail [email protected].

TOP Mega Brasil – Termina nesta sexta-feira (22/5) o 1º turno de votação do TOP Mega Brasil. Dele sairão os finalistas para disputar os troféus da Onça Pintada nas verticais Agências de Comunicação e Executivos de Comunicação Corporativa, nacional e regionalmente. Cada pessoa pode votar uma única vez, sendo que os votos com e-mails corporativos têm peso 3 e os demais, genéricos, peso 1. Clique aqui para votar.

Entidades repudiam ataques de Flávio Bolsonaro contra o Intercept Brasil e seus profissionais

Crédito: Intercept Brasil

Entidades defensoras do jornalismo e da liberdade de imprensa repudiaram os ataques do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro ao Intercept Brasil e seus repórteres. Os ataques ocorreram após o Intercept publicar reportagens sobre a ligação entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro e o uso de dinheiro do Banco Master para o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro.

Em um desses ataques, realizado durante o lançamento da pré-campanha do deputado federal Guilherme Derrite ao Senado, em Campinas (SP), Flávio declarou que o Intercept “não teria jornalistas”, mas “pessoas suspeitas”, na tentativa de atacar e descredibilizar o veículo e seus profissionais. Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) escreveu que “ataques à imprensa profissional não mudam a verdade nem apagam documentos. O escrutínio de agentes públicos, em especial os que têm cargos eletivos e almejam se candidatar à eleição presidencial, faz parte do processo democrático, em especial quando existem investigações sobre corrupção e desvio de dinheiro do Estado. O pré-candidato fez o contrário: negou-se a dar explicações e, mesmo confirmando que as informações divulgadas pelo veículo são verdadeiras, usou táticas de intimidação, atacando jornalistas com informações falsas”.

Em 13/5, dia em que o Intercept começou a publicar as reportagens sobre a ligação entre Flávio e Vorcaro, ao ser questionado pelo repórter do Intercept Thalys Alcântara, o senador chamou o profissional de “mentiroso” e “militante”. Horas depois, entretanto, confirmou que de fato tinha ligação com Vorcaro. Para a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), “questionamentos públicos a agentes políticos fazem parte da atividade jornalística e não podem ser tratados como ofensa pessoal ou militância. A defesa da liberdade de imprensa pressupõe o respeito ao direito de perguntar, investigar e publicar informações de interesse público, sobretudo em temas com potencial impacto sobre o cenário político nacional”.

Em sua 13ª Copa, Márcio Bernardes fará cobertura com foco no que acontece além das quatro linhas

Márcio Bernardes (Crédito: Facebook)

Márcio Bernardes, veterano jornalista esportivo que vai cobrir em 2026 a sua 13º Copa do Mundo, anunciou que fará uma cobertura focada no que acontece além das quatro linhas do campo. A ideia é falar sobre o que está acontecendo nos arredores do torneio, curiosidades sobre as cidades, a cultura local, bastidores dos jogos, presença de personalidades, além de questões políticas, econômicas e sociais.

Márcio estará presencialmente nos países-sede, Estados Unidos, Canadá e México, acompanhado do técnico João Batista Teles. Eles estarão hospedados em New Jersey, mesmo local onde estará concentrada a Seleção Brasileira, além de outras equipes como Marrocos, Haiti e Senegal. A ideia é mostrar o que está acontecendo durante a Copa para além do futebol, abordando tudo o que envolve a realização de um dos maiores torneios internacionais esportivos do mundo.

“Será uma cobertura impontual”, explicou Márcio, em entrevista a este Portal dos Jornalistas. “Porque uma coisa é falar sobre resultados, os jogos, os jogadores, todo mundo faz e fará. Mas nossa ideia é ir além: Estar lá, presencialmente, vivendo a Copa e mostrar os arredores, os bastidores, as curiosidades das cidades e do torneio. Vamos fazer um trabalho diferenciado no sentido de, claro, mostrar os resultados e classificação, mas também trazer curiosidades e bastidores, para além do futebol. Por exemplo, a questão do clima, o calor extremo que está previsto durante o torneio; a política contra imigrantes do governo de Donald Trump em meio a um evento que reúne pessoas de diferentes países do mundo inteiro; ou até o preço dos produtos, como a gasolina, que ficou muito mais cara recentemente. A Copa para além da Copa, dos jogos”.

Márcio explicou que, mesmo com o trabalho de cobertura da Copa do Mundo, continuará apresentando seu programa semanal Resenha Bambambam, que vai ao ar às segundas-feiras. A ideia, inclusive, é fazer edições especiais focados na Copa do Mundo, com entrevistados que incluem ex-jogadores e nomes ligados ao futebol.

Além do conteúdo especial produzido diretamente de Estados Unidos, México e Canadá, a equipe de Márcio, que cuida do portal e das redes sociais do jornalista, alimentará o site com as principais notícias, resultados e classificação da Copa. A equipe é composta por: Ana Luísa Almeida, Bruno Elias, Giovanna Leibanti, João Baptista de Souza, Leonardo Silva, Natálie Siqueira, Rafael Bullara e Rafael Gianella. Márcio, inclusive, está presente em oito plataformas digitais: YouTube, Instagram, Facebook, Twitter, Tik Tok, Spotify, Threads e Blue Sky, todas com o nome @marciobernardesoficial.

Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (56)

Por Assis Ângelo

Não são poucas as histórias envolvendo cães e gatos. Aliás, até um dia especial tem o cão. É 26 de agosto, lembrado ou comemorado em todo o mundo.

Em 1972, o compositor e cantor baiano Waldick Soriano (1933-2008) pôs na sua longa lista de sucessos o bolero Eu Não Sou Cachorro Não.

Em 1950, o jornalista e dramaturgo pernambucano Nelson Rodrigues (1912-1980) emplacou na boca do povo a expressão “complexo de vira-latas”. Essa expressão foi cravada logo após a derrota da seleção brasileira perante as botinas dos jogadores uruguaios. O significado… bom, com o tempo foi mudando. Hoje a famosa frase do Nelson é dirigida a quem se ajoelha perante o gringos norte-americanos. Pois, pois.

E já que abordamos a temática musical com bichos domésticos, não custa lembrar que no tempo da Jovem Guarda Erasmo e Roberto ganharam as paradas com aquela coisinha chamada Gatinha Manhosa. Quer dizer: a gata abriu a composição com o carinhoso diminutivo gatinha.

Há muitas e boas histórias contidas na literatura e música de todo canto, com registros desde quando se prensavam discos de 78 RPM.

Parodiando o bom escritor mineiro João Guimarães Rosa, cegos e tudo o mais estão em todo canto.

É de 1937 o romance Pureza, de José Lins do Rego.

O enredo desenvolvido em Pureza começa logo após a morte da mãe e da irmã do personagem central, denominado Lourenço de Mello, o Lola.

Lola ainda era criança quando a mãe e a irmã menor morreram de tuberculose.

Ante tal fatalidade, o pequeno Lola foi criado com todos os cuidados possíveis dispensados pelo pai e pela criada negra Felismina.

Como se fosse pouco, não demora muito e o pai de Lola tomba vítima de fulminante colapso.

Um dia, Lola chama Felismina para acompanhá-lo numa estadia em meio à natureza. Seguia recomendações médicas. E aí, num começo de tarde, Lola e Felismina desembarcam numa estação de trem de um lugar chamado Pureza.

O que os pais deixaram para Lola foi fortuna que lhe possibilitaria viver sem trabalhar a vida toda.

Aos 24 anos de idade, Lola ainda não havia mantido relações sexuais com mulher nenhuma. Era tímido, inseguro.

Após alguns meses no retiro indicado pelo médico, Lola conhece Margarida e logo depois, Maria Paula. As duas eram filhas do chefe da estação Antônio Cavalcante e de dona Francisquinha.

Antes de conhecerem Lola, Margarida e Maria Paula já haviam caído na boca do povo.

No correr dessa história de Zé Lins, aparece um cego chamado Ladislau. Sabido que só. Seu guia era uma espécie de bengala e com ela não errava caminho. Era viúvo e foi pai duas vezes. E dele mais não digo.

Ali já perto do fim, surge um personagem de convivência pacata, mas um tanto arredio de nome Chico Bem-Bem.

E quem quiser saber mais da beleza que é Pureza, é só abrir o livro e ler.

Contatos pelo http://assisangelo.blogspot.com.

Iphan tomba provisoriamente prédio do DOI-Codi no Rio de Janeiro

Doi-Codi Rio

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) determinou o tombamento provisório do antigo prédio do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), no Rio de Janeiro. Na prática, o local, que fica nos fundos do 1º Batalhão de Polícia do Exército, na Tijuca, não pode ser demolido ou destruído.

O tombamento inclui o edifício, os dois pátios internos e os acessos pela Avenida Maracanã e pela Praça Lamartine Babo. A decisão baseia-se em um requerimento detalhado apresentado em 2013 pelo Ministério Público Federal (MPF), que comprova a relevância histórica do local como um dos principais centros de torturas, assassinatos e desaparecimentos forçados realizados durante a ditadura militar. Para o MPF, “a preservação da estrutura física é fundamental para a política de justiça de transição, servindo como um registro material que impede o apagamento da memória das vítimas”.

Na decisão, o MPF esclarece que o DOI-Codi será integrado ao patrimônio cultural nacional, sob a óptica da preservação da verdade e da memória do período, servindo como advertência histórica para a não repetição dessas práticas atrozes. O órgão estuda ainda a transformação do espaço em um centro de memória, para finalidades educativas e de reflexão, como forma de reparação simbólica às vítimas e seus familiares.

100 anos de rádio no Brasil: O rádio transformou-se em companhia emocional em um mundo algorítmico

Por Álvaro Bufarah (*)

Durante anos, o discurso predominante sobre o futuro do rádio foi relativamente simples: plataformas digitais substituiriam gradualmente a transmissão tradicional, transformando o FM em um resquício analógico de outra era. Mas uma pesquisa recente realizada com jovens universitários de Surabaya, na Indonésia, sugere que a transformação do áudio é muito mais complexa – e, talvez, mais humana – do que a lógica tecnológica costuma admitir.

O estudo, publicado pela revista científica Frontiers in Communication, investigou como jovens da Geração Z transitam entre o rádio terrestre e plataformas de áudio sob demanda, como Spotify e YouTube Music. O resultado não aponta exatamente para uma substituição completa de um meio pelo outro, mas para uma reorganização emocional do consumo sonoro.

Em termos práticos, os pesquisadores identificaram uma espécie de “dualismo funcional”. O streaming domina quando o objetivo é autonomia: escolher músicas, evitar publicidade, controlar o ambiente sonoro e consumir conteúdo sem interrupções. Já o rádio ressurge em situações específicas – especialmente durante deslocamentos urbanos – como um espaço de companhia, contexto e pertencimento.

A descoberta é particularmente relevante porque rompe com uma ideia recorrente no debate tecnológico: a de que eficiência algorítmica é suficiente para substituir vínculos humanos na comunicação.

Os entrevistados relataram forte desgaste com o que a pesquisa chama de “poluição auditiva” – longos intervalos comerciais, anúncios repetitivos e formatos lineares que interrompem a experiência sonora. Para muitos, plataformas digitais representam não apenas conveniência, mas uma forma de recuperar controle cognitivo sobre o próprio consumo midiático

Mas o paradoxo aparece justamente quando essa autonomia torna-se excessiva.

No trânsito caótico de Surabaya – cenário semelhante ao de cidades como São Paulo, Jacarta ou Cidade do México –, muitos jovens relatam abandonar momentaneamente o poder de escolha e retornar ao rádio tradicional. Não por limitação tecnológica, mas por fadiga cognitiva. Em momentos de congestionamento, calor e saturação mental, o rádio passa a funcionar como um “companheiro de baixa demanda”: alguém escolhe por você, comenta a cidade, contextualiza o cotidiano e, sobretudo, compartilha a experiência coletiva do momento.

Esse ponto talvez seja o mais importante da pesquisa. O estudo identifica aquilo que chama de “âncora humana” – a capacidade do locutor de rádio de produzir presença social e proximidade emocional em tempo real.

Enquanto algoritmos conseguem prever gostos musicais, eles ainda não conseguem reproduzir plenamente elementos como espontaneidade, humor contextual, empatia territorial e reconhecimento cultural. Em Surabaya, por exemplo, ouvintes valorizam o uso do dialeto local Suroboyoan, comentários sobre trânsito, clima e situações compartilhadas pela cidade. O rádio deixa de ser apenas um distribuidor de áudio e se transforma em um mediador de pertencimento social

A constatação dialoga diretamente com fenômenos observados também no Brasil. Em grandes centros urbanos, rádios all news, esportivas e populares continuam exercendo forte função de “companhia urbana”, especialmente em automóveis, transporte público e ambientes de trabalho. Em cidades menores, emissoras locais seguem funcionando como espaços de identidade regional – muitas vezes mais relevantes culturalmente do que plataformas globais de streaming.

Não é coincidência que rádios brasileiras com forte presença de apresentadores, humor local e prestação de serviço mantenham relevância mesmo diante da expansão do áudio sob demanda. O que está em disputa não é apenas distribuição de conteúdo – é construção de vínculo.

A pesquisa também propõe um conceito interessante: a “mutação digital” do rádio. Em vez de resistir à lógica das plataformas, o meio precisaria incorporar parte dela – oferecendo acesso sob demanda, menos interrupções comerciais e presença multiplataforma – sem abandonar aquilo que o diferencia: a experiência humana em tempo real.

Na prática, isso significa que o futuro do rádio talvez não esteja em competir com Spotify ou YouTube Music como catálogo musical. Essa batalha, segundo os próprios autores, já foi vencida pelas plataformas. O diferencial estratégico do rádio estaria justamente no que os algoritmos ainda têm dificuldade em reproduzir: calor humano, improviso, contexto local e sensação de convivência.

A conclusão é particularmente simbólica em um momento de avanço acelerado da inteligência artificial generativa. Quanto mais automatizada se torna a produção de conteúdo, maior parece ser o valor atribuído a experiências percebidas como genuinamente humanas.

Isso ajuda a explicar por que, mesmo entre jovens hiperconectados, ainda existe espaço para vozes locais, transmissões ao vivo e relações parassociais com comunicadores. O rádio deixa de ser apenas tecnologia de transmissão e passa a operar como infraestrutura emocional.

Talvez o erro de parte da indústria tenha sido imaginar que o futuro do áudio dependeria apenas de inovação técnica. O estudo sugere o contrário: a sobrevivência do rádio pode depender exatamente daquilo que ele sempre soube fazer melhor – transformar voz em presença.

E, em um ecossistema dominado por feeds automatizados e playlists infinitas, presença talvez seja o recurso mais escasso da comunicação contemporânea.

 

Sugestões de fontes para aprofundamento

 

Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.

Foto Álvaro Bufarah, identificado

(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.

 

Ariel Palacios lança livro sobre Lado B do futebol

Ariel Palacios, correspondente internacional do Grupo Globo em Buenos Aires (Argentina), lançou o livro Futebol lado B: Entre deuses, dribles, ditadores e delírios: o absurdo, o improvável e o genial do esporte mais amado do mundo (Globo Livros). A obra, fruto de extensa pesquisa, reúne histórias, causos e reflexões sobre o esporte que vão muito além das quatro linhas.

Ariel Palacios (Crédito: Instagram)

“O futebol é cultura, política, economia, identidade coletiva, memória. O futebol, para mim, é um fenômeno que se infiltra em quase todas as camadas da vida social”, explicou Ariel. “Ele é política quando vira propaganda de regimes; é literatura quando constrói mitos; é guerra simbólica quando encena rivalidades nacionais; é economia quando move bilhões; é estética quando produz beleza gratuita; e é, muitas vezes, um espelho cruel das nossas intolerâncias”.

No livro, Ariel fala sobre a paixão pelo futebol e como ele funciona como uma espécie de “termômetro” na sociedade, capaz de fazer pessoas se amarem ou odiarem, desconhecidos se abraçarem ou se agredirem. A obra traz histórias que vão desde narrativas de torcedores, superstições, decisões absurdas envolvendo nomes conhecidos, até o uso do próprio futebol como instrumento de poder ou manipulação, misturando geopolítica, história, arte e cultura, e mostrando que o futebol “não apenas reflete a sociedade, mas participa ativamente de suas transformações”.

Ariel está no Brasil neste mês de maio para participar de eventos de lançamento com sessões de autógrafos em Londrina (Paraná), São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.

48ª Prêmio Vladimir Herzog abre inscrições na quarta-feira (20/5)

A 48ª edição do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos abrirá inscrições na quarta-feira (20/5). O prêmio, que incentiva, valoriza e reconhece trabalhos jornalísticos que defendam a democracia, a justiça e os direitos humanos, receberá inscrições até 20 de junho.

O prêmio tem ao todo sete categorias: Produção jornalística em texto, Produção jornalística em áudio, Produção jornalística em vídeo, Produção jornalística em multimídia, Fotografia, Arte e Livro-reportagem. Podem ser inscritos trabalhos veiculados entre 10 de junho de 2025 e 20 de junho de 2026. No caso da categoria Livro-reportagem, só serão aceitas inscrições de obras editadas ao longo do ano de 2025. A taxa de inscrição é de R$ 60 por trabalho inscrito.

A sessão pública de julgamento e divulgação dos vencedores será em 30 de setembro, às 14h, com transmissão ao vivo. E em 20 de outubro, será realizada a cerimônia de premiação, no Tucarena, em São Paulo. Neste ano, antes da premiação, será realizada a tradicional Roda de Conversa com os vencedores, seguida de uma visita guiada ao Calçadão do Reconhecimento da Praça Memorial Vladimir Herzog, na Bela Vista, em São Paulo.

Confira o regulamento e inscreva-se aqui.

O adeus a Vladimir Saccheta, símbolo da resistência na ditadura

Vladimir Sacchetta (Crédito: Instituto Vladimir/Herzog)

Morreu em 15/5 Vladimir Saccheta, intelectual, jornalista e pesquisador, aos 75 anos. Ao longo de sua trajetória, teve forte atuação na militância e resistência contra a repressão da ditadura militar, organizando documentos e atuando como ponte entre militantes e profissionais de imprensa.

Nascido em 1950, em um período de forte efervescência política, Vladimir engajou-se politicamente e foi defensor de causas sociais e da luta de classes. Foi muito importante na documentação de greves do ABC e do ressurgimento do movimento sindical. Para ele, “a militância na memória era uma forma de resistência tão importante quanto a das ruas”, descreveu a Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Ao organizar um documento, Vladimir não só estava realizando um ato político, como também reunindo provas materiais da repressão e exploração da ditadura.

Vladimir foi muito importante para o projeto Brasil: Nunca Mais, que denunciou a repressão e tortura do regime militar por meio de cópias de processos da Justiça. O intelectual contribuiu organizando documentos e fornecendo aos autores do projeto provas sobre as atrocidades cometidas pelo governo militar. Vale lembrar que o Troféu Audálio Dantas: Indignação, coragem, esperança deste ano será entregue aos responsáveis pelo Brasil: Nunca Mais: Frei BettoPaulo VannuchiRicardo Kotscho e Dom Paulo Evaristo Arns

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