Da esquerda para a direita: Eduardo Ribeiro, diretor da Jornalistas Editora, João Anacleto e Fernando Soares, editor do J&Cia Auto
Andrea Ramos, Boris Feldman e Karina Simões, e as publicações Quatro Rodas, Autoesporte, Jornal do Carro, FullCast, AutoPapo e Acelerados também foram premiados pelo concurso
Foram homenageados na noite dessa segunda-feira (25/4), em São Paulo, os +Admirados da Imprensa Automotiva 2022. O concurso, que chegou neste ano à quarta edição, elegeu João Anacleto, de A Roda, como o +Admirado Jornalista do Ano.
Da esquerda para a direita: Eduardo Ribeiro, diretor da Jornalistas Editora, João Anacleto e Fernando Soares, editor do J&Cia Auto (Foto: Doug Zuntta)
Dois representantes de Pernambuco completaram o pódio, que teve na segunda posição Jorge Moraes, apresentador dos programas AutoMotor e CBN Auto, e colunista do UOL Carros, e Silvio Menezes, do programa Carro Arretado, em terceiro lugar. Boris Feldman, do AutoPapo, e Bob Sharp, do Autoentusiastas, ocuparam, respectivamente, a quarta e a quinta posições.
Nas categorias temáticas, João Anacleto levou mais um troféu, desta vez como +Admirado Influenciador Digital. Além dele, foram premiados os jornalistas Karina Simões (KS1951), em Jornalista Especializado em Duas Rodas; Andrea Ramos (Estradão), em Jornalista Especializado em Veículos Pesados; e Boris Feldman (AutoPapo), como Colunista.
Já entre as publicações, os prêmios foram para Fullcast (Fullpower), na categoria Áudio – Podcast; AutoPapo, Áudio – Rádio; Jornal do Carro, em Jornal/Caderno Automotivo; Quatro Rodas, em Revista e Vídeo/Redes Sociais); Autoesporte, em Site; e Acelerados, em Vídeo/Programa de TV.
Além dos resultados anunciados durante a cerimônia (confira a transmissão na íntegra no YouTube), uma edição especial, que circulará nesta sexta-feira (29/4), trará detalhes da festa e da emoção dos premiados.
+Admirados da Imprensa Automotiva 2022 (Fotos: Doug Zuntta)
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A eleição dos +Admirados da Imprensa Automotiva conta com os apoios de Abraciclo, Audi, Bosch, General Motors, Honda, Scania, Volkswagen e Volkswagen Caminhões e Ônibus.
Confira a relação completa dos homenageados na quarta edição dos +Admirados da Imprensa Automotiva 2022:
Autor de livro-reportagem de maior sucesso no Brasil, Laurentino Gomes fica na segunda colocação
Patrícia Campos Mello
Pela segunda edição consecutiva, o Ranking dos +Premiados da Imprensa Brasileira, iniciativa promovida desde 2011 por Jornalistas&Cia, com o apoio deste Portal dos Jornalistas, apontou a repórter especial e colunista da Folha de S.Paulo Patrícia Campos Mello como a jornalista mais premiada do ano no Brasil. Foi a primeira vez, não apenas de forma consecutiva, que um profissional repetiu a liderança da pesquisa.
No total, ela conquistou 150 pontos, cinco a mais do que em 2019, a partir de três prêmios de jornalismo. Dentre eles, destaque para o Maria Moors Cabot, mais antiga premiação de jornalismo do mundo, concedido pela Universidade Columbia, de Nova York. Ela também faturou neste ano o Mulher Imprensa de Contribuição ao Jornalismo e o Prêmio Folha, na categoria Reportagem, pelo especial Desigualdade Global.
Estes reconhecimentos são fruto do excelente trabalho investigativo que Patrícia vem realizando nos últimos anos. Em 2018, após publicar a reportagem Empresários bancam campanha contra o PT pelo WhatsApp, que denunciava investimentos não declarados de R$ 12 milhões por apoiadores do então candidato Jair Bolsonaro, ação vedada pela Justiça Eleitoral, ela passou a receber inúmeros ataques e ameaças nas redes sociais. Ainda como desdobramento desse trabalho, em fevereiro deste ano ela foi alvo de insultos de cunho sexual durante a CPMI das Fake News por parte de membros do governo.
Laurentino Gomes
Na segunda colocação, com 110 pontos, aparece o premiado escritor de livros-reportagem Laurentino Gomes. Maior vencedor do Prêmio Jabuti, ele ergueu mais uma vez o tradicional troféu da literatura brasileira neste ano, com o livro Escravidão Volume I – Do primeiro leilão de cativos em Portugal até a morte de Zumbi dos Palmares.
Ele já havia conquistado a premiação anteriormente em outras três oportunidades com a trilogia 1808 (2008), 1822 (2011) e 1889 (2014). Também foi reconhecido neste ano com o prêmio Personalidade da Comunicação, concedido pela Mega Brasil.
Completando o pódio, aparece Rafael Ramos, da Record TV, que integrou as equipes do programa Câmera Record que venceram em 2020 os prêmios Rei da Espanha – Televisão, Vladimir Herzog – Multimídia e República – TV.
O Grupo Folha e o Grupo UOL firmaram uma parceria de conteúdo com a OpenAI, dona do ChatGPT. Com o acordo, os veículos fornecerão conteúdo jornalístico para alimentar as ferramentas de Inteligência Artificial da OpenAI, com o objetivo de garantir respostas mais confiáveis, bem fundamentadas e baseadas em fontes legítimas.
Segundo a parceria, Folha e UOL passarão a compartilhar, em tempo real, as notícias publicadas pelos veículos para alimentar o ChatGPT. Com isso, usuários que utilizarem o chatbot receberão respostas com base em reportagens de Folha e UOL, incluindo atribuições e links para as matérias completas. O acordo prevê ainda que os dois veículos tenham acesso às ferramentas de IA da OpenAI, como Codex, o ChatGPT Enterprise e APIs da empresa, que serão utilizadas para apoiar e desenvolver novos projetos e funcionalidades jornalísticas.
Este é o primeiro acordo entre empresas de mídia e a OpenAI no Brasil. Para Paulo Samia, CEO do UOL, “as plataformas de IA precisam de fontes confiáveis. É natural que remunerem os autores de conteúdo qualificado por isso”. E Sérgio Dávila, diretor de Redação da Folha de S.Paulo, declarou que “o interesse de uma gigante da inteligência artificial como a OpenAI pelo conteúdo da Folha e do UOL só reforça a importância do jornalismo profissional”.
Com a parceria, a Folha encerrou a ação judicial que movia contra a OpenAI por uso indevido de conteúdo. Em agosto do ano passado, o jornal apontou que a empresa de inteligência artificial estaria usando e coletando de forma indevida conteúdos produzidos pela Folha, sem autorização ou pagamento. Agora com a parceria, as duas empresas entraram em um acordo e a ação foi encerrada.
A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de São Paulo (Cojira-SP), do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, lançou uma pesquisa sobre o perfil racial dos profissionais de imprensa em SP, além de informações sobre o mercado de trabalho de jornalistas no estado. A pesquisa segue aberta até 12 de junho.
O objetivo da iniciativa é traçar um panorama detalhado da profissão em São Paulo, sob a perspectiva racial e trabalhista, identificando desafios estruturais, desigualdades de acesso, permanência e oportunidades dentro do jornalismo paulista. A participação é anônima e sigilosa.
“A realização desta pesquisa é fundamental não apenas para mobilizar e ampliar a participação da base de jornalistas, especialmente de profissionais negros e negras, no debate sobre igualdade racial no jornalismo, mas também para aprofundarmos a compreensão sobre as dinâmicas do mercado de trabalho da categoria no Estado de São Paulo”, explicou Fabio Soares, coordenadora da Cojira-SP. “A partir de dados concretos e organizados, teremos mais capacidade de identificar desigualdades, compreender os desafios enfrentados pelos profissionais e atuar com maior incidência política e sindical na defesa de melhores condições de trabalho para toda a categoria”.
Os dados obtidos pela pesquisa serão divulgados pela Cojira-SP e o Sindicato, e servirão de base para debates, ações institucionais e iniciativas em defesa da igualdade racial e de melhores condições de trabalho para a categoria. Participe da pesquisa aqui.
Paulo Markun (Crédito: Reinaldo Azevedo Conversa/YouTube)
Paulo Markun fará na quinta-feira (28/5) a defesa pública de sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) sobre a trajetória do DN Brasil, veículo jornalístico multiplataforma criado para atender a comunidade brasileira em Portugal. A defesa é aberta ao público e será realizada de forma online, às 14h30.
Experiente profissional, com passagens por diversas redações, Markun retornou à faculdade cinquenta anos depois de concluir a graduação na ECA-USP. Seu mestrado trata sobre sua experiência como diretor editorial da DN Brasil, projeto inovador que acabou enfrentando crises estruturais e de governança. O projeto traz um relato crítico de Markun sobre inovação, gestão e sustentabilidade no jornalismo contemporâneo.
“A principal lição é que nenhuma inovação jornalística sobrevive sem transparência na propriedade e governança sólida”, afirmou Markun, que defende a ideia de que o DN Brasil não fracassou editorialmente, mas na verdade, o colapso veio da estrutura empresarial que deveria sustentá-lo.
A banca de defesa será composta pelos professores João Canavilhas, da Universidade da Beira Interior (UBI), em Portugal, e Caio Túlio Costa, como membros externos. A presidência será da professora e orientadora do mestrado, Suzana Barbosa. Interessados devem solicitar o acesso à defesa pública por meio do link gerado pelo Grupo de Jornalismo Online, da UFBA.
Markun atuou por dez anos como âncora e diretor do Roda Viva, e foi diretor-presidente da Fundação Padre Anchieta. Trabalhou como repórter, editor, colunista e chefe de reportagem em diversos veículos da imprensa brasileira. Como publisher, participou dos lançamentos de publicações como as revistas Imprensa e Radar, a edição paulista do jornal O Pasquim, a newsletter Deadline, o Jornal do Norte (Manaus) e o site JD.
Janaína Figueiredo, colunista do UOL, lançou neste mês de maio o livro ¿Qué pasa, Venezuela? (Globo Livros), que explica e detalha a crise na Venezuela, bem como seus impactos políticos e econômicos no Brasil. A obra, fruto de 24 anos de experiência cobrindo o País, explica, em linguagem acessível, como a Venezuela chegou à situação que se encontra hoje, passando pelas origens da crise até desdobramentos mais recentes.
Em ¿Qué pasa, Venezuela?, com base em reportagens de fôlego, entrevistas e informações de bastidores, Janaína escreve sobre o cenário de hiperinflação, escassez e instabilidade que levou milhões de venezuelanos a deixar o País, passando pela ascensão de Hugo Chávez até a recente captura de Nicolas Maduro pelos Estados Unidos. Além disso, a obra debate os impactos de toda essa crise para o Brasil, especialmente no que se refere à questão imigratória, uma vez que o País se tornou um dos principais destinos de migrantes venezuelanos.
“Espero que o livro ajude a ampliar a consciência sobre como é importante cuidar das democracias”, declarou Janaína. “O livro busca mostrar a origem do drama venezuelano, criar consciência política e cívica, e exemplifica como decisões políticas e disputas de
poder podem redefinir o destino de um país inteiro”.
¿Qué pasa, Venezuela? é o segundo livro de Janaína, que anteriormente lançou ¿Qué pasa, Argentina?, sobre a política e sociedade argentina. A jornalista cobre a América Latina desde o começo de sua carreira. Foi repórter especial do jornal O Globo na Argentina entre 1999 e 2018. Trabalhou ainda cnos jornais argentinos El Cronista e Perfil.
A Amazon vai rescindir o contrato com o narrador esportivo Galvão Bueno, que deixará o comando de transmissões de eventos esportivos como jogos do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil no Prime Video. O vínculo entre narrador e empresa, anunciado no começo de 2025, era válido até o final de 2027. As informações são de Gabriel Vaquer, do F5 (Folha de S.Paulo).
Segundo a reportagem do F5, os advogados de Galvão negociam com a Amazon a multa pela quebra contratual. Os argumentos apresentados incluem críticas às transmissões comandadas pelo narrador nas redes sociais. Além disso, a decisão poderia estar relacionada com a mudança na liderança do setor de Esportes da Amazon na América Latina, que passou a responder mais diretamente ao escritório da empresa na Inglaterra.
Galvão foi contratado em 2025 para ser a principal voz do futebol no Prime Video. A empresa, inclusive, utilizou a imagem e voz do narrador em propagandas e eventos para vender assinaturas do seu serviço de streaming. Vale lembrar que Galvão narrará jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo em transmissões do SBT e NSports, canal do qual é sócio.
Para abrir os trabalhos da 7ª Edição do Curso Completo de Comunicação Pública, a ABCPública e a Aberje convidaram secretários de comunicação de governos a apresentar, aos mais de 20 alunos da nova turma, suas experiências, estratégias e resultados alcançados.
Wendel Palhares (AL), Frederico Souza (MS) e Ilziane Launé (ex-secretária no AP) destacaram, dentre as várias estratégias de comunicação apresentadas, a busca de credibilidade ancorada na antecipação de cenários, no planejamento e na transparência, inclusive em situações de crise.
Para os secretários, o comunicador lida hoje com uma diversidade de cenários que demandam habilidade analítica, pedagógica, de relacionamento, dentre outras tantas. Tudo isso vai muito além da rotina operacional de uma assessoria de comunicação pública. Além disso, “enfrentar fatos criados para desestabilizar a administração pública é outra realidade que se tornou corriqueira”, destacou o secretário de comunicação em Alagoas, Wendel Palhares.
Além da expertise nas áreas da comunicação, há necessidade de recorrer a estudos de gestão, ter política de comunicação e ouvir o cidadão. E também ir para as ruas para entender o que não está dando certo e fornecer informações para subsidiar as decisões da administração pública. “Hoje, os secretários de comunicação exercem principalmente a função estratégica e ocupam espaço cada vez mais importante para o bom andamento das políticas públicas nos governos”, explicou Wendel Palhares.
Em sua experiência no Mato Grosso do Sul, o secretário Frederico Souza chamou a atenção para a tendência a uma comunicação puramente reativa. A partir de experiência na gestão do maior incêndio no Pantanal, em 2020, a gestão seguinte implantou um plano de comunicação que se antecipou à chegada da crise para fortalecer credibilidade e se antecipar ao movimento de desinformação que dominou as notícias na crise anterior.
“A partir dos alertas de que 2024 seria o ano mais seco no bioma. Desde janeiro, a equipe começou a divulgar informações sobre clima e riscos de incêndio, buscando manter o controle da narrativa antes da escalada da crise. Com o agravamento da situação, foi criada uma base de comunicação em Corumbá para aproximar a imprensa da realidade do Pantanal, além da realização de boletins e lives diárias com dados atualizados. A estratégia, marcada pela transparência e pela resposta rápida à desinformação, transformou o case em referência nacional de comunicação pública em situações de crise”, contou Frederico.
“A informação no momento de crise é necessária, primeiro porque você dá o tom da narrativa. Quando você sai depois com a comunicação pública, você vai correr atrás da resposta”, destacou a Ilziane Launé sobre a sua experiência na Secretária de Comunicação no Amapá, quando atuou na crise da Covid e a opção foi por informar rapidamente e com transparência a população.
O curso ABCPública/Aberje tem como eixo central formar o comunicador para pensar e agir estrategicamente nas assessorias de comunicação pública. Para os curadores do curso, Jorge Duarte e Emiliana Pomarico, o papel do profissional de comunicação pública deve ir além das questões operacionais e o programa busca dar subsídios nessa perpsectiva. O comunicador público analisa cenários, atua em situações difíceis, elabora estratégias e planeja a comunicação com base na realidade, mas também nas perspectivas futuras, destacam os coordenadores do curso .
Nesses sete anos de parceria, ABCPública e Aberje já formaram mais de 100 comunicadores em assuntos centrais para a atuação em assessorias de comunicação de governos, como estratégia, planejamento, linguagem simples, inteligência artificial, comunicação interna.
O 7º Curso de Comunicação Pública promovido pela ABCPública e Aberje tem aulas até outubro de 2026, com módulos individuais. Ainda são aceitas inscrições e as aulas são gravadas. Clique aqui para conhecer a programação.
O moço Chico Bem-Bem do paraibano José Lins do Rego não tem, literariamente, nenhum parentesco ou amizade sequer com seu Joãozinho Bem-Bem do bom mineiro Guimarães Rosa.
O Bem-Bem de Rosa é um cabra simples, de voz branda e sorriso largo, acostumado a não levar desaforo para casa. Aliás, nem casa tinha. O seu teto era o céu aberto sobre si e a estrada, o sertão do seu mundo.
O Bem-Bem de que aqui falo, na intimidade da cabroeira chamado simplesmente de seu Joãozinho, nada mais nada menos era chefe de jagunços. Mansinho só na aparência.
A fama de seu Joãozinho Bem-Bem pulou das páginas do livro Sagarana (1946) e caiu direto na boca de valentões de Grande Sertão: Veredas (1956).
Era esse Joãozinho o Cão escrito comendo cocada nas beiradas do sertão.
O aqui citado personagem do Rosa era o exato contrário de o Chico de Zé Lins.
Num dia sem conversa
Porém de provocação
Dois valentes se cruzaram
De armas firmes na mão
Um deles morreria
Mas o outro talvez não
Assim eram os duelos
Conforme a descrição
Armados de pistola
Punhal, faca e facão
Os homens duelavam
Até um cair no chão
Duelos sempre houve
No real e na ficção
João Guimarães Rosa
No livro Grande Sertão
Falou de duelista
Jagunço e Cramunhão
Falou de Riobaldo
De Diadorim também
Lembrou de Zé Bedelo
E de mais um outro alguém
Falou de Joca Ramiro
E da mira qu’ele tem
Nosso João também falou
Do Tirésias do sertão
Sim, o cego Borromeu
Exemplo da criação
Levado por seu guia
Um guri de boa ação
Por outras trilhas andava
Seu Joãozinho Bem-Bem
Moço de fala mansa
E de tiro certo também
Matava como quem reza
Em nome do pai… Amém!
– Assis, como termina essa história do Chico Bem-Bem e do Joãozinho Bem-Bem?
– Flor Maria, o Chico Bem-Bem é um cara muito simples, matuto, que aparece do nada nas páginas de Pureza e se apaixona loucamente por uma das duas filhas do chefe da estação, Antônio Cavalcante, um louro de olhos azuis viciado em jogo e coisa e tal. Tipo corno manso. Quanto ao Bem-Bem de Rosa, esse não é de brincadeira, não. Ele aparece com seus comparsas numa povoaçãozinha fincada no fim do mundo. Um dia, conhece um cara de nome Nhô Augusto (Matraga), um ricão fazendeiro das Gerais que perde a mulher para outro homem. Antes ele é alvo de assassinato, mas escapa. Quando acorda é outro homem. Chega até a ajudar pessoas simples por onde passa.
Tem uma hora que Nhô Augusto dá de cara com seu Joãozinho Bem-Bem. E ambos partem para as vias de fato. Ao fim do duelo… E chega!
– Você não vai nos dizer o final?
– Que tal voltarmos a ler mais livros, hein?
– Correto, mas você bem que poderia falar mais um pouquinho sobre Grande Sertão: Veredas.
A explosão da inteligência artificial aplicada à produção audiovisual vem transformando silenciosamente a lógica da criação de conteúdo digital. O que antes exigia equipes completas de roteiristas, locutores, editores, designers e produtores agora pode ser parcialmente automatizado em poucos minutos por plataformas capazes de gerar voz, imagem, roteiro, edição e até estratégias de distribuição. Mas, no meio desse entusiasmo tecnológico, emerge uma questão cada vez mais central para a indústria criativa: se tudo pode ser automatizado, o que ainda torna um conteúdo verdadeiramente humano?
Essa tensão aparece de forma recorrente em vídeos, tutoriais e discussões recentes sobre produção automatizada para plataformas como YouTube, TikTok e podcasts. O avanço de ferramentas de voz sintética, clonagem vocal, geração automática de vídeo e edição baseada em IA consolidou um novo estágio da chamada “economia criativa algorítmica” – um ambiente onde a eficiência técnica cresce exponencialmente, enquanto autenticidade e presença humana passam a operar como diferenciais estratégicos.
(Crédito: DALL-E)
Hoje, criadores conseguem gerar narrações hiper-realistas com sistemas de inteligência artificial, automatizar cortes, resumir vídeos longos, produzir roteiros completos e adaptar conteúdos para múltiplas plataformas praticamente sem intervenção humana direta. Ferramentas como sintetizadores de voz, sistemas automáticos de sumarização e plataformas de edição baseada em IA já são utilizadas não apenas por grandes empresas, mas por criadores independentes que buscam acelerar produção e reduzir custos.
A mudança não é apenas operacional – é estrutural.
O YouTube, por exemplo, deixa gradualmente de ser apenas uma plataforma de vídeos para se transformar em um ecossistema automatizado de produção, distribuição e recomendação. A própria lógica da criação passa a ser influenciada por algoritmos que indicam temas, formatos, títulos, duração ideal e estilos de narrativa mais eficientes para retenção de audiência.
Nesse contexto, a inteligência artificial não funciona apenas como ferramenta de apoio. Ela começa a participar ativamente do processo criativo.
Pesquisas recentes sobre uso de IA generativa em produção de conteúdo audiovisual mostram que criadores utilizam essas tecnologias em praticamente todas as etapas da cadeia produtiva: planejamento de pauta, criação de prompts, produção de voz, edição visual, thumbnails, títulos, legendas e otimização de engajamento. Mas existe um paradoxo interessante nesse avanço: quanto mais eficientes se tornam os sistemas automatizados, maior parece ser a valorização de elementos percebidos como espontâneos, imperfeitos e humanos. Vozes sintéticas conseguem reproduzir entonação, ritmo e emoção com impressionante precisão, mas ainda enfrentam dificuldades em transmitir aquilo que muitos pesquisadores chamam de “presença social” – a sensação de convivência real entre comunicador e audiência.
Essa discussão dialoga diretamente com transformações observadas também no rádio, nos podcasts e nas mídias sonoras em geral. Plataformas conseguem prever preferências, recomendar conteúdos e personalizar experiências, mas ainda têm dificuldade em replicar plenamente contexto cultural, improviso e empatia territorial.
Em outras palavras: algoritmos podem organizar conteúdo; construir pertencimento continua sendo mais complexo.
O crescimento das chamadas vozes sintéticas para YouTube ilustra bem essa tensão. Ferramentas capazes de gerar narrações realistas vêm sendo amplamente promovidas como solução para creators que desejam escalar produção, internacionalizar canais e automatizar fluxos de trabalho. A promessa é sedutora: produzir mais conteúdo, em menos tempo e com menor custo operacional.
Ao mesmo tempo, cresce também a preocupação com saturação estética. À medida que diferentes criadores passam a utilizar sistemas semelhantes de geração de voz e edição, muitos conteúdos começam a apresentar ritmos, entonações e estruturas narrativas quase idênticas. O resultado é uma espécie de homogeneização algorítmica da criatividade.
Essa padronização afeta diretamente um dos ativos mais importantes da economia da atenção: identidade.
No ambiente digital contemporâneo, criadores não competem apenas por visualizações – competem por reconhecimento emocional. E é justamente aí que o fator humano continua operando como diferencial competitivo.
(Crédito: sad.ms.gov.br)
Pesquisadores vêm observando que conteúdos com forte marca de personalidade, espontaneidade e sensação de intimidade continuam gerando maior vínculo com audiências, mesmo em plataformas altamente automatizadas. Isso ajuda a explicar por que podcasts conversacionais, transmissões ao vivo e formatos menos “perfeitos” mantêm alto nível de engajamento.
A lógica parece contraditória: em uma era de automação total, a imperfeição humana ganha valor simbólico.
Esse movimento também impacta diretamente o mercado publicitário e as estratégias de marca. Empresas passam a buscar criadores capazes de construir relações autênticas com comunidades específicas – algo que algoritmos ainda não conseguem replicar integralmente. A confiança, nesse cenário, transforma-se em ativo econômico.
Ao mesmo tempo, a expansão da IA no audiovisual levanta questões éticas relevantes. A clonagem de voz, a produção automatizada de discursos e a dificuldade crescente de distinguir conteúdos humanos de sintéticos ampliam preocupações com autenticidade, transparência e desinformação.
Não por acaso, debates sobre rotulagem de conteúdo gerado por IA vêm crescendo em diferentes mercados. A preocupação já não está apenas na qualidade técnica da automação, mas em seus impactos culturais e sociais.
Curiosamente, esse cenário recoloca em evidência uma característica histórica das mídias sonoras: a relação afetiva construída pela voz. Durante décadas, rádio e podcast desenvolveram vínculos baseados em recorrência, intimidade e sensação de presença contínua. Agora, plataformas digitais tentam reproduzir essa lógica em escala automatizada.
Mas talvez exista um limite estrutural nessa tentativa. Porque, no fim das contas, a questão central talvez não seja se a IA conseguirá produzir conteúdos indistinguíveis dos humanos. A pergunta mais importante pode ser outra: até que ponto o público continuará desejando experiências totalmente artificiais?
O futuro do audiovisual provavelmente não será definido pela substituição completa entre humanos e algoritmos. Ele tende a ser híbrido – combinando eficiência técnica com autenticidade emocional.
E, nesse novo ecossistema, o elemento mais valioso talvez não seja a automação em si, mas a capacidade de preservar aquilo que ainda soa genuinamente humano em meio ao ruído algorítmico.
Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.
(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.
A partir de sexta-feira (29/5), o Rio de Janeiro será a capital da inovação no jornalismo brasileiro
O Porto Maravalley, hub de inovação criado há dois anos no Rio de Janeiro, está pronto para receber a partir desta sexta-feira (29/5) a sétima edição do Festival 3i – Jornalismo Inovador, Inspirador e Independente. Promovido pela Associação de Jornalismo Digital (Ajor), o encontro reunirá até domingo (31/5) convidados de todo o Brasil e do exterior, para discutir inovação e empreendedorismo no jornalismo.
A iniciativa, que conta com o apoio deste Portal dos Jornalistas e de Jornalistas&Cia, trará em sua programação com painéis, workshops e apresentação de cases, além de ações inéditas como o 3i Talks, o Troca de Ideias e o lançamento da edição em português do livro Captura, sobre uso de IA na produção de notícias.
Nesta edição do encontro, a programação abordará temas como distribuição de conteúdo, impacto das plataformas digitais, estratégias para restabelecer a conexão e a confiança do público na informação jornalística e o avanço da desinformação.
Em meio à crescente desconfiança na imprensa tradicional e no conteúdo informativo que circula nas redes sociais, uma pesquisa do Pew Research Center ajuda a entender o que os americanos consideram essencial para “ser um bom consumidor de notícias”.
O estudo não mede necessariamente o que as pessoas fazem na prática, mas o que dizem considerar ideal em um ecossistema de informação cada vez mais fragmentado, disputado e difícil de navegar, em que influenciadores tomam o lugar antes reservado a grandes marcas.
O dado mais citado é revelador: 20% dos participantes mencionaram ceticismo ou senso crítico como característica central. Na sequência aparecem o hábito de acompanhar o noticiário, a avaliação da qualidade das fontes, a checagem própria das informações e a busca por diferentes veículos e perspectivas.
Para jornalistas e veículos, as respostas funcionam como um sinal de como parte do público entende que deve se proteger diante de notícias imprecisas, conteúdos fora de contexto, disputas políticas sobre fontes e novas formas de circulação da informação.
A pesquisa também mostra que a confiança na mídia já não depende apenas da reputação de um veículo. Para muitos entrevistados, consumir notícias envolve comparar bem fontes, questionar o que se recebe e tentar chegar a uma conclusão própria.
Esse comportamento pode indicar maior atenção aos riscos da desinformação, mas também mostra como o público passou a assumir parte do trabalho de avaliação antes associado sobretudo às redações.
Um ponto chama atenção: apesar da ênfase em checar e desconfiar, apenas 4% dos entrevistados disseram que um bom consumidor de notícias não deve compartilhar informação imprecisa. O dado sugere que a responsabilidade do público ainda é mais associada a avaliar o que recebe do que a pensar no que ajuda a circular.
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