Por Assis Ângelo
Não são poucas as histórias envolvendo cães e gatos. Aliás, até um dia especial tem o cão. É 26 de agosto, lembrado ou comemorado em todo o mundo.
Em 1972, o compositor e cantor baiano Waldick Soriano (1933-2008) pôs na sua longa lista de sucessos o bolero Eu Não Sou Cachorro Não.
Em 1950, o jornalista e dramaturgo pernambucano Nelson Rodrigues (1912-1980) emplacou na boca do povo a expressão “complexo de vira-latas”. Essa expressão foi cravada logo após a derrota da seleção brasileira perante as botinas dos jogadores uruguaios. O significado… bom, com o tempo foi mudando. Hoje a famosa frase do Nelson é dirigida a quem se ajoelha perante o gringos norte-americanos. Pois, pois.
E já que abordamos a temática musical com bichos domésticos, não custa lembrar que no tempo da Jovem Guarda Erasmo e Roberto ganharam as paradas com aquela coisinha chamada Gatinha Manhosa. Quer dizer: a gata abriu a composição com o carinhoso diminutivo gatinha.
Há muitas e boas histórias contidas na literatura e música de todo canto, com registros desde quando se prensavam discos de 78 RPM.
Parodiando o bom escritor mineiro João Guimarães Rosa, cegos e tudo o mais estão em todo canto.
É de 1937 o romance Pureza, de José Lins do Rego.

O enredo desenvolvido em Pureza começa logo após a morte da mãe e da irmã do personagem central, denominado Lourenço de Mello, o Lola.
Lola ainda era criança quando a mãe e a irmã menor morreram de tuberculose.
Ante tal fatalidade, o pequeno Lola foi criado com todos os cuidados possíveis dispensados pelo pai e pela criada negra Felismina.
Como se fosse pouco, não demora muito e o pai de Lola tomba vítima de fulminante colapso.
Um dia, Lola chama Felismina para acompanhá-lo numa estadia em meio à natureza. Seguia recomendações médicas. E aí, num começo de tarde, Lola e Felismina desembarcam numa estação de trem de um lugar chamado Pureza.
O que os pais deixaram para Lola foi fortuna que lhe possibilitaria viver sem trabalhar a vida toda.
Aos 24 anos de idade, Lola ainda não havia mantido relações sexuais com mulher nenhuma. Era tímido, inseguro.
Após alguns meses no retiro indicado pelo médico, Lola conhece Margarida e logo depois, Maria Paula. As duas eram filhas do chefe da estação Antônio Cavalcante e de dona Francisquinha.
Antes de conhecerem Lola, Margarida e Maria Paula já haviam caído na boca do povo.
No correr dessa história de Zé Lins, aparece um cego chamado Ladislau. Sabido que só. Seu guia era uma espécie de bengala e com ela não errava caminho. Era viúvo e foi pai duas vezes. E dele mais não digo.
Ali já perto do fim, surge um personagem de convivência pacata, mas um tanto arredio de nome Chico Bem-Bem.
E quem quiser saber mais da beleza que é Pureza, é só abrir o livro e ler.
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