Série “Mestres da Reportagem” lança mais dois livros de entrevistas

Mestres da reportagem II e III

Com a coautoria de estudantes e recém-formados em Jornalismo, a jornalista e professora Patrícia Paixão vai lançar em 7/4, em São Paulo, os livros Mestres da Reportagem II e III, que trazem entrevistas com 43 dos principais repórteres brasileiros e revelam bastidores de matérias que eles produziram.

Patrícia orientou seus alunos a entrevistarem profissionais que atuam em diferentes mídias (impressa, eletrônica e digital), editorias (Política, Esportes, Polícia etc.) e regiões do País, e que seguem tendências diversas. A série traz tanto profissionais com mais de cinco décadas de profissão como jovens contadores de histórias (repórteres que se destacam pelas matérias que produziram, apesar do pouco tempo de carreira), nomes como Audálio Dantas, Clóvis Rossi, Zuenir Ventura, Daniela Arbex, Sérgio Dávila, Fernando Rodrigues, Mauro Naves e Mário Magalhães.

O lançamento será no Centro Cultural São Paulo, das 16h30 às 18h30, com um debate entre os autores, o público e alguns dos entrevistados sobre Os desafios de ser repórter no século XXI. Já estão confirmadas as participações de Aiana Freitas (BandNews FM), Fausto Salvadori Filho (Ponte Jornalismo) e Nathan Fernandes (Revista Galileu).

Criada com o objetivo de valorizar o ofício de repórter e o gênero “reportagem”, a série Mestres da Reportagem foi lançada em 2012. O primeiro livro, que teve prefácio de José Hamilton Ribeiro, o “repórter do século”, trouxe entrevistas com Eliane Brum, Ricardo Kotscho, César Tralli, Roberto Cabrini, Sônia Bridi, Marcelo Canellas, Geneton Moraes Neto, Goulart de Andrade, o próprio José Hamilton, além de outros 22 grandes nomes da reportagem brasileira. Patrícia conversou com J&Cia sobre a obra.

Patrícia Paixão

Jornalistas&CiaQual a sua expectativa para o lançamento do livro?

Patrícia Paixão Estou muito feliz em poder concretizar esses dois novos volumes da série. Em 2012, quando lançamos o primeiro, José Hamilton Ribeiro me mandou por e-mail uma frase que me fez entender a importância desse projeto. Ele disse que era uma das coisas mais significativas já feitas em jornalismo no Brasil. E realmente os livros estão formando um grande memorial, com a história dos principais nomes da reportagem brasileira. O jornalismo tem o papel de registrar a história e eu acho que ele precisa também registrar a sua própria história. É isso que eu e diversos estudantes estamos fazendo com a série. As futuras gerações de jornalistas poderão conhecer a carreira de grandes repórteres, inspirando-se em matérias emblemáticas que eles produziram. Acho isso bem importante e gratificante.

Jornalistas&CiaConte um pouco sobre o processo de criação dos livros.
Patrícia PaixãoLogo que lançamos o primeiro, surgiu a ideia de fazer o segundo. Em princípio, entrevistaríamos mais 30 jornalistas (como no volume I), mas aí outros alunos foram se interessando em participar, inclusive alguns que já estavam formados. Então resolvemos ampliar as entrevistas, até chegarmos aos 43. Tivemos que fazer o volume III pois seria impossível comportar todos apenas no volume II. Quando as primeiras entrevistas foram feitas eu ainda era coordenadora do curso de Jornalismo da Faculdade do Povo (FAPSP) e o livro iria ser feito apenas com alunos de lá, tal como ocorreu com o volume I. Só que, de repente, a mantenedora da faculdade resolveu encerrar as atividades da FAP. Eu e todos os professores fomos demitidos e meus alunos tiveram que migrar para diferentes instituições de ensino. Um mês depois, em janeiro de 2016, comecei a dar aulas na Universidade Mackenzie, na Anhembi Morumbi e nas Faculdades Integradas Rio Branco. Muitos dos meus alunos, por saberem que eu estava nessas instituições, transferiram-se para elas. Foi aí que tive a ideia de fazer o projeto de forma independente, sem estar ligado a uma única universidade. Passei a envolver alunos das diferentes faculdades, inclusive alguns recém-formados que conheci por meio do meu blog, o Formando Focas. Contando comigo (também fiz uma entrevista para o livro, com Audálio Dantas), formamos um time de 85 autores. Eu fiquei na coordenação das entrevistas, acompanhando tudo, desde a pesquisa sobre a carreira do jornalista e as reportagens que ele produziu, para montarmos a pauta, até o processo de edição e padronização dos textos de todos os autores. Cada entrevista ficou com cerca de 15 páginas de Word, são pingue-pongues bem extensos, que aprofundam todos os aspectos da trajetória do jornalista. Foi um processo trabalhoso, mas muito gratificante.

Jornalistas&CiaComo funcionou o processo de seleção dos alunos ?
Patrícia Paixão Conforme expliquei antes, boa parte era formada por alunos meus da FAPSP, que, por causa do fechamento da faculdade, tiveram que migrar para outras instituições. Também convidei alunos meus do Mackenzie e da Anhembi para fazerem parte do projeto. O critério é sempre pegar alunos que eu sinto serem apaixonados pelo jornalismo, que querem fazer por tesão e não por obrigação. Até porque não é uma atividade que envolve nota. Também convidei alguns ex-alunos, hoje colegas formados na profissão, que se interessaram em participar da sequência da série, inclusive os que participaram do volume I. Sou apaixonada pelo jornalismo e gosto de trabalhar com quem tem a mesma vibe. O jornalismo é uma profissão muito bonita, mas muito difícil. Ela exige idealismo, exige entrega.

Jornalistas&CiaConte um pouco sobre a escolha dos 43 repórteres. 

Patrícia Paixão A seleção dos repórteres é feita quase que na totalidade por mim, no papel de organizadora da obra. Um ou outro nome é indicado pelos alunos e, mesmo assim, passa pelo meu aval. A ideia é escolher jornalistas que atuam ou atuaram durante um bom tempo em reportagem, e que se destacam por matérias emblemáticas que produziram, reportagens que tiveram grande repercussão na sociedade. Procuro sempre pegar repórteres de diferentes regiões, pois acho importante mostrar que o bom jornalismo não está concentrado na Região Sudeste, como muitos pensam. Também contemplamos jornalistas de diferentes mídias (impresso, rádio, TV, internet) e tendências (mais progressista, mais conservador, da mídia tradicional, das novas mídias, enfim).

Jornalistas&CiaNa sua opinião, quais são os desafios de ser repórter no século XXI?
Patrícia Paixão O maior desafio, a meu ver, é conseguir investimento financeiro para fazer o trabalho de reportagem, que é a essência do jornalismo. Em especial a grande reportagem, que demanda mais tempo de apuração, pesquisa de campo, maior número de fontes ouvidas etc. Nossas redações estão a cada dia enxugando suas equipes, os passaralhos são uma constante e cada vez menos o repórter vai para a rua. Há pouco investimento em grande reportagem, o trabalho meio que fica limitado à figura do repórter especial. Na internet, temos muitas iniciativas maravilhosas de grandes reportagens, como o trabalho feito pela Agência Pública e pela Agência Amazônia Real, mas esses meios também ainda estão encontrando formas de sustentação. Então, o que percebo é que temos excelentes repórteres, com ideias de reportagens fascinantes para serem feitas, mas nem sempre temos grana para isso. Pensar em formas financeiras de custear o trabalho de reportagem é uma das tarefas que temos neste século. A reportagem está viva, ela não pode morrer. Ela é crucial em um país como o nosso, com tantos problemas sociais e com tantos personagens que diariamente são ignorados, e precisam ter suas vozes ampliadas.

Jornalistas&CiaAlguma outra novidade em gestação?

Patrícia Paixão Já estamos começando o processo de seleção dos jornalistas que serão entrevistados para o volume IV e existe a ideia de fazer uma versão em áudio com alguns dos entrevistados da série. Estou conversando com alguns alunos e ex-alunos que pretendem participar desses projetos. Vem coisa boa por aí!

 

 

 

 

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *