Criação da categoria Fotojornalismo é a principal novidade desta edição
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas prorrogou por mais uma semana o prazo para concorrer ao Prêmio Abear de Jornalismo 2017. O novo prazo de se encerra na próxima quarta-feira (27/9). Em sua quinta edição, a iniciativa traz entre suas novidades a criação da categoria Fotojornalismo e o aumento no valor distribuído, para R$ 57 mil líquidos.
O concurso tem como objetivo estimular, reconhecer e valorizar matérias jornalísticas que focalizem a aviação e que possibilitem, direta ou indiretamente, maior conhecimento sobre a aviação civil comercial nacional, contribuindo para o desenvolvimento do setor e também estimulando o hábito de voar.
Podem concorrer reportagens publicadas entre 21 de setembro de 2016 e 20 de setembro de 2017. Já a categoria Fotojornalismo, criada para celebrar os cinco anos do concurso e da própria Abear, premiará cinco trabalhos de destaque veiculados a partir de 21 de agosto de 2012.
Os trabalhos podem ser inscritos nas categorias Temáticas (Cargas, Competitividade, Experiência de Voo ou Inovação e Sustentabilidade), em Imprensa Setorizada e no Especial de Fotojornalismo. Além delas, reportagens publicadas em veículos de fora das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, concorrerão ao Prêmio Especial Imprensa Regional.
Outra novidade da edição está no Grande Prêmio Abear, que neste ano será conhecido apenas durante a cerimônia de premiação. Ele será entregue ao trabalho que obtiver maior pontuação dentre os vencedores de uma das categorias Temáticas ou Setorizada.
Os vencedores das categorias de reportagem receberão R$ 6 mil; o trabalho que receber o Grande Prêmio acumulará mais R$ 6 mil, faturando um total de R$ 12 mil. Para o Especial de Fotojornalismo serão entregues cinco prêmios de R$ 3 mil, sem distinção de posição entre os ganhadores.
No site do prêmio estão disponíveis a ficha de inscrição e o regulamento da competição. Mais informações pelo [email protected].
Diversidade e aposta em ações digitais também despontam como forças dentro da atividade
Realizado em 12/9, em São Paulo, com a participação de cerca de 80 pessoas, o 7º Seminário Mega Brasil de Comunicação Interna apontou alguns dos caminhos priorizados por grandes e médias organizações na condução de sua comunicação com os empregados.
A adoção de aplicativos customizados para a área e desenhados para informar, integrar e engajar a força de trabalho tem sido uma das inovações adotadas com grande sucesso por inúmeras organizações, cumprindo papel estratégico de interlocução.
André Franco, diretor de Operações e Tecnologia da Critical Mass (agência ligada ao Grupo In Press), apresentou no evento as plataformas que sua equipe desenvolveu para a comunicação corporativa, em que uma das estrelas é o Dialog, app inspirado nas funcionalidades das redes sociais, mas com foco no ambiente de trabalho.
“É uma plataforma intuitiva, lúdica, com inúmeras possibilidades de segmentação – seja de conteúdo e mesmo de públicos – e que permite mensuração integral. Nosso primeiro cliente foi a Pepsico, mas com o sucesso fechamos contrato com outras organizações, como Unilever e Votorantim. E por que ele tem sido esse sucesso? Porque foi concebido e desenvolvido a partir do elemento comum dos tempos modernos, o smartphone”.
Com o mesmo objetivo, porém apostando num desenvolvimento próprio, doméstico, com apoio da área de TI, a Duratex também estreou recentemente seu app para os empregados, conseguindo a proeza de 1.229 usuários em apenas 15 dias de uso.
Segundo Renata Pedroso Pupo Nogueira, coordenadora de Comunicação Interna e Externa da empresa, o app consolida o trabalho de reestruturação dos canais de comunicação interna da companhia, feito a partir de uma pesquisa com os funcionários. Diferentemente da plataforma da Critical Mass, o app da Duratex cumpre o papel essencial de informar, não tendo nessa fase inicial pretensões de rede social.
“Com ele”, afirma Renata, “queremos manter os funcionários informados de tudo o que de mais importante acontece na empresa, em primeira mão. São pelo menos cinco novas notícias por dia que ele pode acompanhar, produzidas por nossa equipe. O próximo passo é dar protagonismo nesse noticiário às notícias geradas pelos próprios empregados”.
Diversidade foi outro tema predominante no evento, abordado tanto pelo diretor de Comunicação Corporativa da Bayer Paulo Pereira quanto pela diretora de Comunicação e Relações Governamentais para a América Latina da Cummins Luciana Giles.
Pereira enfatizou o desafio de mudar cultura e comportamento dos empregados nesse campo e que por isso a empresa se mantém aberta e com vários grupos de discussão, como os de LGBT, Pessoas com necessidades especiais, Gênero e Igualdade Racial: “Criamos até um grupo de estagiários, o Bayer Jovens, e estamos estudando a criação de alguma ação também para a melhor idade”.
Luciana, que integra também o Grupo de Equidade de Gênero da Empresa e é vice-presidente do Comitê Executivo do Centro Comunitário J. Erwin Miller, braço social da Cummins, exaltou o engajamento da alta direção da organização com a causa, que é histórica e nasceu com a própria empresa, já em sua fundação, e o trabalho permanente de conscientização, sobretudo das lideranças. “Adicionalmente”, enfatizou, “é preciso uma política clara de RH e o reforço do código de conduta para que o tema tenha protagonismo e relevância em toda a empresa”.
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Ricardo Júlio, responsável pela gestão da comunicação corporativa da Volkswagen, falou sobre Comunicação Interna Digital: as pessoas no centro da estratégia. Em sua exposição, fez um paralelo entre o que vai acontecer com os carros dentro de alguns anos e o que também começa a acontecer com as pessoas: todos serão cada vez mais digitais e o trabalho da comunicação tem de estar alinhado com isso, dar o suporte e as ferramentas necessárias para a transformação.
Entre as mudanças em curso, segundo informou, estão a criação de mídias digitais, combinando informação e prestação de serviços, histórias reais, uso intensivo de vídeos e imagens e focus group para avaliar o impacto dessas inovações.
Na abertura do evento, Luci Molina, coordenadora de Comunicação Interna e da Intranet Espaço do Servidor da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, mostrou como tem conseguido vencer a burocracia, a falta de recursos e baixa autoestima dos servidores públicos (no caso dela, os professores), com uma pequena equipe, criatividade e obstinação.
“Construímos uma rede praticamente 100% na base de parcerias e demos protagonismo aos 260 mil professores da rede estadual. Montamos um ambiente digital moderno, interativo; avançamos de forma espetacular nos benefícios; e com isso conseguimos um índice de audiência e fidelização excepcional para a Secretaria”. A joia da coroa do projeto são os sorteios, que vão desde entradas para teatro ou cinema a descontos em pousadas e restaurantes e até cursos de pós-graduação. “Dos 500 itens sorteados em 2014, quando iniciamos o programa, saltamos este ano para cerca de 31 mil, até agora. Ganham os parceiros, que veem suas marcas divulgadas junto a esse grande contingente de formadores de opinião; e os servidores, pelas múltiplas oportunidades oferecidas e a que dificilmente teriam acesso”.
Também se apresentou no evento André Andrade, CEO da Zumpy, startup de mobilidade, que desenvolveu um aplicativo para caronas solidárias, batizado de Rotas Compartilhadas, adotado por grandes corporações como Fiat e Copasa: “O aplicativo é grátis e seu uso nas grandes corporações contribui não só para maior integração dos colaboradores como também para menor emissão de CO2, pela diminuição de automóveis nas ruas. E, adicionalmente, menor uso de estacionamento. Já temos 85 mil usuários e 1,2 milhão de rotas consolidadas. No caso de motoristas que querem usar o aplicativo para compartilhar custos, os valores cobrados são ligeiramente superiores aos do transporte público, mas menores do que alternativas como Uber, Cabify e táxi. O detalhe é que, neste caso, esse recurso é direcionado e condicionado para uso exclusivo na manutenção do veículo, seja abastecimento, oficina e mesmo pagamento de IPVA. Nunca para remuneração do serviço que vai prestar”.
* Por Katia Moraes, correspondente de Jornalistas&Cia no DF
No mês em que o Metrópoles comemora dois anos, sobram reconhecimentos e comemorações para a data, celebrada em 8 de setembro. O site chegou a alcançar a marca de nove dígitos de audiência – média de 3,3 milhões de acessos por dia, o que soma mais de 100 milhões de pageviews em um mês. Os dados da comScore, que se referem ao ranking de julho para sites de notícias com abrangência nacional, apontam para um crescimento, primeiro no âmbito regional e agora em dimensões nacionais, colocando a página ao lado dos grandes portais de notícia do País.
Em texto que publicou na semana passada, a diretora de Redação Lilian Tahan comenta: “Esse resultado vem do esforço conjunto de 132 profissionais que, com um apurado espírito de equipe, ajudaram a assentar cada um dos tijolos do Metrópoles, agora pronto a expandir de site para portal de notícias. E o primeiro passo nesse sentido é o reforço em áreas de cobertura, a inauguração de novas seções e a parceria com plataformas que querem se hospedar no Metrópoles ou dele se valer como fonte de informação”.
Ainda este mês, prossegue Lilian, o leitor terá acesso ao app do Metrópoles para celulares Android e iOS, o que abrirá um canal ainda mais rápido e direto com o público, e a inauguração de um estúdio preparado para transmissões ao vivo. Os vídeos serão cada vez mais recorrentes nas produções do portal. E em outubro, a 104,1 FM passará a sintonizar a Rádio Metrópoles. Ela enfatiza que o compromisso do portal é crescer sem perder a identidade de veículo ágil, que opta por uma linguagem acessível e totalmente focada no digital. “Nos últimos 24 meses, nos dedicamos, com boa margem de acerto, a apresentar que o meio digital é hoje a plataforma mais completa à disposição do jornalismo”.
Reconhecimento – Ainda a propósito do Metrópoles, ele é um dos 13 finalistas na categoria Conflitos Laborais do 23º Concurso Latinoamericano de Fotografia Documental, concorrendo com Confronto entre a Polícia Legislativa e agentes penitenciários no Congresso Nacional, de Rafaela Felicciano. A imagem foi registrada em 18/4, quando manifestantes invadiram o parlamento brasileiro em protesto contra a reforma da Previdência. Para Daniel Ferreira, editor de Fotografia do Metrópoles, “a imagem reflete a busca de todos nós, fotojornalistas, pela captura da essência da notícia”.
Foto de Rafaela Felicciano, para o Metrópoles, é finalista do 23º Concurso Latinoamericano de Fotografia Documental.
O prêmio é concedido pela Escuela Nacional Sindical, ONG colombiana ligada aos direitos trabalhistas em âmbito internacional. Na edição deste ano, foram avaliadas 4.343 imagens enviadas por 1.741 profissionais de 29 países. A premiação e a abertura da exposição com as fotos participantes serão em 10/10 no Jardim Botânico de Medellín, na Colômbia.
Os caminhos do jornalismo no Brasil nos últimos 50 anos compilados em 12 artigos e 228 páginas estão no livro Desafios da notícia: o jornalismo brasileiro ontem e hoje, que a Editora FGV lança nesta quarta-feira (20/9), às 18h, na Livraria FGV, no Rio.
Com foco nos períodos do regime militar e da redemocratização, a obra, da historiadora Alzira Alves de Abreu, apresenta as profundas transformações técnicas e profissionais ocorridas nas redações no período de censura aos meios de comunicação.
Entre os temas abordados estão a criação das editorias de economia, surgidas como contexto de resistência em meio à censura do noticiário político; as estratégias dos veículos para burlar os mecanismos da repressão; o papel da imprensa no fortalecimento da cidadania; e a relação entre mídia e Ministério Público, bem como as distintas etapas de produção do jornalismo impresso e a inovação do jornalismo eletrônico como exigências de um novo jornalista – profissional conhecedor de novos formatos e linguagens.
Antes do lançamento, das 16h às 18h, a autora participará um bate-papo sobre essas e outras histórias do jornalismo brasileirono auditório 537 do Edifício Sede da FGV (praia de Botafogo, 190). O evento terá ainda a participação da professora Marieta de Moraes Ferreira, diretora da Editora FGV, e da professora e jornalista Joëlle Rouchou.
A Comissão Organizadora do 39º Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos anunciou que agraciará com o Prêmio Vladimir Herzog Especial os jornalistas Rose Nogueira e Tim Lopes, além do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, os dois últimos in memoriam. A homenagem será feita na cerimônia de entrega do prêmio, em 31 de outubro.
Repórter investigativo e produtor da Rede Globo, Tim Lopes foi identificado como jornalista, sequestrado, torturado e morto por traficantes em junho de 2002, enquanto fazia reportagem sobre tráfico de drogas e abuso sexual de menores no Complexo do Alemão. “Sua partida precoce mostrou ao grande público a face mais cruel dos ataques à liberdade de expressão no país”, destaca o secretário-executivo da Abraji Guilherme Alpendre, entidade criada a partir da morte de Lopes. “Infelizmente o Brasil de 2017 não é muito diferente do Brasil de 2002. Apesar das nossas lutas, até hoje repórteres brasileiros são alvos de censura, agressões, ameaças e, infelizmente, assassinatos”.
Com mais de cinco décadas dedicadas ao jornalismo e à defesa dos direitos humanos no Brasil, Rose Nogueira passou pelas redações de Folha de S.Paulo, Quatro Rodas, TV Cultura, TV Brasil e Rede Globo, onde idealizou e dirigiu o programa TV Mulher, referência na abordagem de sexualidade e feminismo nos anos 1980. Na juventude, apoiou a Ação Libertadora Nacional e, em 1969, foi presa pela ditadura civil-militar. Hoje é membro do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana e do Grupo Tortura Nunca Mais SP, além de conselheira fiscal do Sindicato dos Jornalistas de SP.
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Já o cardeal franciscano D. Paulo Evaristo Arns ficou conhecido pela atuação voltada às periferias, aos trabalhadores e à defesa dos direitos humanos. Foi uma das pessoas mais influentes da Igreja Católica e sociedade brasileiras, especialmente durante a ditadura, quando ajudou a libertar presos políticos. Criou a Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, coordenou o projeto Brasil Nunca Mais e foi o realizador do culto ecumênico em memória de Vladimir Herzog em outubro de 1975, após a morte do jornalista. D. Paulo faleceu no ano passado, vítima de broncopneumonia.
Prêmio Vladimir Herzog – A cerimônia de entrega será no Tucarena (rua Monte Alegre, 1.024), em São Paulo. Neste ano, o concurso bateu um novo recorde de trabalhos inscritos: 634. A Sessão Pública de Julgamento, em que serão divulgados os trabalhos vencedores, ocorre em 9/10, das 10h às 14h, na Câmara Municipal de São Paulo, com transmissão pela internet.
A Assembleia Legislativa do Rio aprovou a concessão póstuma da Medalha Tiradentes ao cartunista Henrique de Souza Filho, o Henfil. A iniciativa é do deputado Flávio Serafini.
Mineiro de Ribeirão das Neves, Henfil foi criado em Belo Horizonte e lá começou a trabalhar aos 20 anos. Seus cartuns e charges, publicados em diversos periódicos, já demonstravam a preocupação com as injustiças, o preconceito e a violência de todo tipo.
Mas foi no Rio de Janeiro, com o trabalho no Jornal do Brasil e no Pasquim, já na ditadura militar, que ele se popularizou. Morreu no Rio, em 1988, e sua criação conserva uma atualidade impressionante.
* Por Cristina Vaz de Carvalho, editora de Jornalistas&Cia no Rio de Janeiro
Ricardo Cesar e Eduardo Vieira, fundadores e CEOs do Grupo Ideal - Divulgação
Ricardo Cesar e Eduardo Vieira, fundadores e CEOs do Grupo Ideal – Foto: Divulgação
Em entrevista a Eduardo Ribeiro, diretor deste Portal dos Jornalistas, Ricardo Cesar, fundador e coCEO do Grupo Ideal (o outro CEO é Eduardo Vieira), fez um balanço das atividades da agência, que completa dez anos neste mês de setembro, e alinhavou alguns rumos que considera viáveis para a empresa e o setor.
Considera o jornalismo absolutamente essencial, o que não muda com a emergência da internet e de novas tecnologias, e que a agência precisa ter um perfil consultivo forte, capaz de discutir soluções de negócios com as lideranças de seus clientes. Para isso, vê como essencial o investimento na formação dos profissionais de comunicação.
Eduardo Ribeiro – Quais as razões que os levaram a deixar o mundo das redações, aliás de uma importante redação como Exame, para empreender na comunicação corporativa? Sonhavam alto quando decidiram?
Ricardo Cesar – Adoro jornalismo, fui feliz nas redações pelas quais passei e aprendi demais em todas elas, mas sempre tive vontade de empreender. Acho que a inspiração veio de um tio, Arthur Gaglianone, já falecido, que décadas atrás fundou uma editora de álbuns de figurinhas que foi um sucesso incrível.
Eu via aquela efervescência, aquela energia criativa a cada lançamento de álbum, e ficava fascinado. Mais tarde fui mordido pela mosca do jornalismo, entrei na Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA) e lá conheci o meu sócio Eduardo Vieira, que tinha o mesmo impulso de criar projetos e tirá-los do papel. Depois cada um seguiu seu caminho profissional. Eu trabalhei em redações como IDG – no Brasil e em Londres como correspondente internacional –, Valor e Exame.
O Edu foi de Gazeta Mercantil, Info Exame, Exame, Época. Ficamos muito amigos e sempre conversávamos sobre abrir algum negócio juntos. Ao mesmo tempo, comecei a cobrir o setor de tecnologia e redescobri o empreendedorismo no modelo Vale do Silício, aquela coisa de “garagem”.
Foi quando eu e o Edu vimos que a internet estava mudando a maneira como as pessoas e as marcas se comunicavam, mas estranhamente isso ainda não tinha impactado os serviços de relações públicas no Brasil de maneira significativa. Estudamos o que estava sendo feito lá fora e vimos uma oportunidade. Também entendemos que existia espaço para uma agência com perfil premium no mercado. Então desenhamos um business plan e apresentamos ao Google como a agência “ideal” para uma companhia inovadora. O Google abriu concorrência, chamou quatro ou cinco agências estabelecidas e nós com um power point na mão e um sonho na cabeça. E – para nossa grande surpresa – acabou nos escolhendo. Daí nasceu a Ideal. Nasceu no susto (risos).
Eduardo – Quando a agência foi criada, o mercado já era dos mais competitivos, com agências de grande tradição o dominando. A Ideal, no entanto, surpreendeu e em poucos anos posicionou-se no andar de cima do segmento, tendo criado inclusive uma segunda bandeira, a Concept PR. A que atribui essa performance? Quais os diferenciais que a agência aportou ao mercado para um crescimento tão rápido e consistente?
Ricardo – Não foi um fator isolado, mas um conjunto de coisas. Do ponto de vista da nossa oferta, foi a capacidade de ser uma agência contemporânea e digital, mas ao mesmo tempo sólida nos trabalhos tradicionais, como gestão de crises, relacionamento com imprensa etc. Conseguimos juntar o novo e o tradicional, muitas vezes mesclando ambos dentro um mesmo trabalho.
Uma crise de imagem é percebida e resolvida de maneira mais eficiente porque mapeamos o que está sendo falado em redes sociais e respondemos tanto nesse ambiente como também na imprensa, só para dar um exemplo. Ou a divulgação de um produto começa na imprensa e depois vira febre entre influenciadores digitais, que por sua vez retroalimentam a cobertura de certos veículos jornalísticos.
O segundo fator é a qualidade da equipe que conseguimos reunir na Ideal. Temos – e sempre tivemos – talentos incríveis aqui. O sucesso da agência é mérito dessas pessoas. Sou incrivelmente grato a todos, tanto os que estão conosco quanto aos que passaram por aqui em algum momento. O terceiro fator é a cultura interna que criamos: obsessão em servir bem aos clientes, um ritmo acelerado, mas com muito respeito, sem hierarquias rígidas, com flexibilidade em vários pontos, estímulo à criatividade e ao desenvolvimento de novas soluções e muita diversidade dentro da agência. O quarto fator são os clientes que acreditam em nós. Aprendemos demais todos os dias atuando com algumas das melhores cabeças que presidem ou lideram as áreas de marketing, comunicação e RH de grandes empresas no Brasil e na América Latina. O quinto fator é a ética, no geral, e o respeito ao bom jornalismo, em particular. O sexto fator é trabalhar duro. Tem muita inspiração, mas tem muita transpiração também. O sétimo fator foi sorte. Não necessariamente nessa ordem (risos).
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Eduardo – Foi isso o que chamou a atenção do Grupo WPP? Como foi que eles chegaram até vocês e como é hoje essa relação, em termos societários e também de horizontes profissionais?
Ricardo – Acredito que a WPP viu nas nossas agências um conjunto de ofertas que atende ao que o mercado precisa hoje e precisará cada vez mais nos próximos anos. Os gestores de comunicação corporativa e marketing estão em um momento de repensar e modernizar seus trabalhos de comunicação, mas sem colocar em risco ou perder qualidade em muita coisa boa que já implementaram e que funciona. Precisam também de mais parceria e proximidade. Nesse cenário somos, sem trocadilho, o parceiro ideal.
A WPP é o maior grupo de comunicação do mundo e chegou até nos por conhecer muito bem o mercado e entender que agências como as nossas estão fazendo a diferença para os clientes e, por isso, têm grande potencial de crescimento. Criamos o Grupo Ideal e temos a gestão no Brasil de marcas globais importantes da WPP nas áreas de RP, conteúdo, comunicação interna, análise de dados, comunicação digital.
Eduardo – Como está o ano de 2017 para a agência? Fechará com crescimento? Qual a estimativa?
Ricardo – Foi um ano que começou lento e do segundo trimestre em diante melhorou. Vamos crescer, mas ainda é cedo para arriscar um número. Fomos muito procurados para gestão de crises complexas. Lançamos a RDI, uma divisão focada em análise e inteligência de dados, resultado de muito desenvolvimento do nosso time e de conhecimento global que veio da WPP.
A nossa área de comunicação interna, que faz um trabalho brilhante para clientes como a Coca-Cola, também virou referência e está muito bem. Conquistamos prêmios importantes, no Brasil e no exterior. E ganhamos vários clientes importantíssimos, dos quais eu destacaria a conta mundial da Embraer, um trabalho liderado aqui do Brasil que envolve a coordenação de equipes de dezenas de pessoas em todos os continentes.
Eduardo – Como analisa a crise política e econômica e o impacto para as agências e o que espera para os próximos anos?
Ricardo – A crise impacta negativamente o mercado. As empresas seguram investimentos e engavetam projetos. Sem previsibilidade fica difícil investir. Pode existir uma demanda um pouco maior para serviços como gestão de crises, mas acho que o saldo é negativo para o setor e obviamente para o País. Olhando o copo meio cheio, a crise força empresas a repensar e modernizar suas áreas de comunicação e marketing, obriga a ter criatividade e a buscar eficiência. Nesse cenário aparecemos como um parceiro que traz soluções que as empresas precisam.
Eduardo – E em relação ao perfil da atividade, que mudanças estão no ar ou já em curso e como a Ideal está se estruturando para as enfrentar?
Ricardo – O setor está mudando muito. Acho que a Ideal tem sido um ator importante nesse processo aqui no Brasil, aliás. Por exemplo, já faz algum tempo que praticamos o data-driven-PR, ou relações públicas baseadas em dados. Temos mapeamento de redes sociais em tempo real – o chamado social media listening – embutido em boa parte das contas. Nossa equipe entende quais são as conversas que estão acontecendo nas redes sociais sobre uma marca, setor, produto ou assunto e adapta as estratégias de divulgação a isso.
Oportunidades ou crises são detectadas e todos os dias criamos ações que nem estavam previstas. Conseguimos localizar os influenciadores digitais que mais fazem sentido para cada cliente e sabemos como trabalhar com eles. Ou então acompanhamos o “ciclo de vida” de uma reportagem feita por um veículo tradicional dentro das redes sociais – e conseguimos influenciar em como esse conteúdo será compartilhado e comentado.
Em alguns casos isso aumenta o público impactado em dezenas de vezes. Em outros ajuda a debater certos aspectos da reportagem. E sempre nos permite ter uma visão muito mais realista sobre como a audiência efetivamente compreendeu aquele conteúdo, que aspectos foram considerados relevantes, positivos ou negativos. Comunicação não é o que falamos, mas o que o outro entende. Ler um texto – ou ver um vídeo – é sempre o ato de atribuir sentidos àquele conteúdo.
Hoje conseguimos entender e influenciar muito mais nesse processo. Antes, o trabalho de uma agência de RP terminava quando uma matéria sobre um cliente era publicada. Hoje, quando a matéria é publicada, o trabalho da Ideal está apenas na metade. Há um imenso esforço de RP digital depois que uma reportagem é feita. Dito isso, quero fazer um adendo: acho o jornalismo absolutamente essencial e isso não muda com a emergência da internet e de novas tecnologias.
No mercado todo mundo descobriu agora os influenciadores digitais – com os quais atuamos há dez anos, por sinal – e, tudo bem, isso tornou-se mesmo importante. Mas acho que o bom jornalismo, independente, crítico e investigativo é fundamental para a sociedade e é insubstituível. As formas de escoar os conteúdos jornalísticos podem mudar. O modelo de negócios está sofrendo um ajuste duro e talvez ainda não tenha encontrado o caminho exato. Mas encontrará. Se não por mais nada, pelo simples fato de que essa é uma atividade essencial para uma democracia. As pessoas precisam.
Eduardo – O segmento das agências de comunicação conta hoje, no Brasil, com cerca de 1.500 empresas, em sua esmagadora maioria micro e pequenas, segundo o Anuário da Comunicação Corporativa. Crê numa possível intensificação do movimento de consolidação? A Ideal H+K Strategies está olhando esse mercado?
“Acho que o mercado ainda é muito fragmentado e vai se consolidar mais. Estamos olhando ativamente agências de pequeno e médio porte que possam compor o Grupo Ideal” (Ricardo Cesar)
Ricardo – Sim e sim . Acho que o mercado ainda é muito fragmentado e vai se consolidar mais. E estamos olhando ativamente agências de pequeno e médio porte que possam compor o Grupo Ideal. Estamos abertos a essas conversas – e elas têm acontecido. De um lado, não sobraram mais muitas agências grandes que não estejam já vinculadas a grupos e holdings. De outro, surgiram recentemente novos e interessantes players, com gente muito talentosa envolvida.
Eduardo – As duas mais importantes marcas do mundo hoje têm uma história com a Ideal: Google. que foi o primeiro cliente e ficou alguns anos com vocês; e Facebook, cliente atual. Ou seja, o binômio inovação e tecnologia parece fazer parte do DNA da Ideal. Isso é um mantra dentro da agência?
Ricardo – Isso é o nosso DNA. Google foi cliente por seis anos, durante a primeira fase da Ideal. E há quatro anos temos um orgulho imenso de ter Facebook e Instagram como clientes, dentre vários outros ligados a tecnologia, biotecnologia e inovação. Mas temos clientes de todos os setores, portes e perfis. São quase cem, várias das principais marcas mundiais. O que sempre fazemos é trazer um componente de inovação muito forte para a comunicação de todos eles.
Eduardo – Entre as mudanças estruturais mais notórias que atingem o segmento das agências despontam a mestiçagem profissional e a dissolução das fronteiras de atuação. Também a tecnologia se incorpora de forma cada vez mais intensiva aos processos e soluções. Arriscaria apontar a agência do futuro, a partir de experiências do presente? Como ela será?
Ricardo – A Ideal já nasceu exatamente com essas caraterísticas, juntando profissionais de jornalismo, RP, publicidade, design, estatística, eventos etc. e usando a tecnologia e a análise de dados como base do nosso trabalho. As fronteiras estão muito menos demarcadas entre as disciplinas de comunicação. Está claro para mim que uma agência precisa ter um perfil consultivo forte, de altíssimo nível, capaz de sentar com a liderança das empresas e discutir soluções de negócios.
A agência que terá sucesso será aquela capaz de responder a uma pergunta: como o mercado do meu cliente está mudando e como a comunicação pode ajudá-lo a ser cada vez mais relevante nesse contexto? Todos os setores estão passando pela chamada transformação digital. A comunicação tem de ser uma aliada nesse processo. Nunca tivemos tantas ferramentas de comunicação tão poderosas, nunca as empresas puderam escutar e dialogar com seus públicos como agora. É preciso saber usar tudo isso. Há oportunidades incríveis. É um momento fascinante para se estar na indústria de comunicação. Note que “fascinante” não é igual a “fácil” (risos). O mercado está sofrendo as dores da transformação. Mas nos próximos dez anos a RP será mais importante para as empresas e para as marcas do que foi nos últimos dez.
Eduardo – Quais os principais problemas do mercado e em que soluções acredita?
Ricardo – Temos muitos. Mas, para economizar espaço, vou citar um: a formação dos profissionais de comunicação. Vivemos numa transição e tempos assim são sempre muito difíceis. Hoje temos profissionais tarimbados que estão perdendo o bonde das mudanças tecnológicas, de um lado, e, de outro, jovens talentosos e atualizados que se beneficiariam de conhecimentos mais sólidos de comunicação. Achar quem una as duas coisas é bem difícil. Uma das missões da Ideal é formar esse perfil aqui dentro. Agências e veículos com essa visão precisam se unir com universidades e instituições de ensino para contribuir com esse processo.
Eduardo – Quais os planos do Grupo Ideal para o médio e longo prazos em termos de performance, posicionamento, perfil de atuação etc.?
Ricardo – Nossa missão não mudou ao longo dos nossos dez anos de vida: oferecer os serviços de comunicação que mais tragam retornos concretos para nossos clientes, executados de forma comprometida, apaixonada, inovadora e ética. É isso que lutamos para ser, desde o primeiro dia, todos os dias, há exatamente uma década. É o que vai continuar nos tirando da cama todos os dias ao longo dos próximos dez anos.
A Rede Globo está com inscrições abertas até 28/9 para seu programa de estágio. São mais de 150 vagas nas cidades de Belo Horizonte, Brasília, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, onde estão localizadas as cinco emissoras próprias da Globo. Podem se candidatar universitários com previsão de formatura entre dezembro de 2018 e dezembro de 2019, em áreas como jornalismo, publicidade, relações públicas, design gráfico, esporte, entre outras.
As inscrições devem ser feitas pelo site do programa. A etapa inicial é online, com avaliação de competências, redação e uma entrevista em vídeo. Os que forem aprovados são selecionados para atividades presenciais com gestores.
Apenas para São Paulo, o canal ESPN também abriu inscrições de estágio. Até 4/10, quem tem formatura prevista entre dezembro de 2019 e julho de 2020 pode se candidatar. Passadas as etapas de seleção, os escolhidos iniciarão o estágio em janeiro de 2018, com duração de dois anos e carga horária de seis horas por dia.
As oportunidades estão, entre outras, nas áreas de jornalismo, marketing, publicidade, rádio e TV, design e computação. É exigido inglês avançado e conhecimento do pacote Office. Os estagiários da redação ficarão ligados à Central de Produção, que vai designar as áreas em que devem trabalhar, como site, edição de texto, Watch ESPN / ESPN Play, e-Sports e Data ESPN. O sistema é chamado job rotation e foi implantado na emissora em janeiro deste ano. Inscreva-se!
Em nota publicada no siteConjur em 17/9, Jomar Martins, correspondente da revista Consultor Jurídico no Rio Grande do Sul, informa que a 1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região determinou o pagamento de horas extras a uma assessora de imprensa que trabalhava para uma empresa de máquinas agrícolas.
A decisão teve como base jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho que equiparou as funções de assessor de imprensa e de jornalista para a aplicação da jornada de cinco horas diárias de trabalho, independentemente do ramo de atividade do empregador (Orientação Jurídica 407, da SDI-I, publicada em outubro de 2010).
Segundo Martins, a assessora teve o contrato de trabalho encerrado por rescisão indireta na Justiça, depois de quase dois anos como empregada. Formada em Jornalismo, ela demonstrou que trabalhava 8 horas e 48 minutos por dia, cinco dias na semana, em funções típicas de profissional da área: mantinha contato com a imprensa, escrevia notícias e encaminhava fotos para publicação em outros veículos, por exemplo.
O juízo de origem havia negado o pedido de horas extras, por entender que as provas anexadas aos autos não comprovavam o exercício da função de jornalista. Isso porque ela trabalhava para uma indústria de máquinas, o que não tem nada a ver com atividades desenvolvidas por empresas jornalísticas.
Ao proferir o seu voto sobre o Recurso Ordinário na corte trabalhista gaúcha, a relatora, desembargadora Íris Lima de Moraes, citou as disposições dos artigos 302 e 303, da CLT, que, respectivamente, define a função de jornalista e estabelece a sua carga horária diária; e as do artigo 2º do Decreto-Lei 972/1969, que elenca as atividades típicas que caracterizam esse profissional.
Ela afirmou que as provas evidenciam as atividades de jornalista desempenhadas pela autora da ação, uma vez que foram anexados aos autos diversos e-mails mostrando contato com outros jornalistas, com matérias e resumos sobre destaques da empresa e textos descritivos sobre as novidades tecnológicas – todos relacionados a informações prestadas pela autora a empresas jornalísticas.
Alexandre Farias, apresentador do ABTV 2ª edição, da TV Asa Branca, de Caruaru (PE), que foi vítima de bala perdida na noite de 16/9, passou cirurgia na madrugada deste domingo (17) e está em coma induzido. Segundo o G1, a Unimed local informou que o estado de saúde dele é grave e que o coma deve durar de três a quatro dias.
De acordo com a Polícia Militar, ele apresentou o telejornal, jantou e quando ia para a casa foi atingido por um disparo na cabeça, pois ficou no fogo cruzado entre assaltantes que estavam em um carro roubado e a polícia. Na fuga, os bandidos ainda atropelaram socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que atendiam a uma ocorrência no local. Uma das auxiliares de enfermagem foi atingida.
Alexandre foi levado para o Hospital Regional do Agreste (HRA) e em seguida transferido para hospital Unimed.