O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) emitiu uma nota nessa quarta-feira (29/8) lamentando ataques da Federação Brasileira dos Treinadores de Futebol (FBTF) ao jornalista da ESPN Mauro Cézar Pereira).
O caso começou após Mauro criticar o trabalho dos técnicos Vanderlei Luxemburgo (Vasco) e Abel Braga (que na época estava no Flamengo). A FBTF considerou que ele estaria fazendo ataques pessoais aos treinadores e emitiu a nota de repúdio ao comentarista da ESPN.
Segundo
o Sindicato, não existe nada que comprove que Mauro Cézar tenha feito algo de
errado, e reitera que ele estava cumprindo sua função profissional de opinar e
comentar o futebol, exercendo o direito de crítica.
“O SJSP defende o exercício do jornalismo expresso na atividade de Mauro Cézar Pereira e ressalta a importância de seu trabalho de crítico esportivo. A entidade respeita a FBTF e os treinadores representados por ela, mas se manifesta contra qualquer tipo de censura ao trabalho jornalístico e em defesa da liberdade de expressão e do direito de crítica”, diz a nota.
Lançada em 1º/7 na plataforma de financiamento coletivo Kickante, e com previsão inicial de encerramento para este sábado (31/8), a campanha para levantar fundos para impressão do livro inédito Como DIZER e AGIR pelo texto, de Manoel Carlos Chaparro, vai se estender por mais uma semana.
Interessados em apoiar o projeto terão agora até 8/9 (domingo) para contribuir com a impressão da obra inédita, que recentemente ganhou uma versão digital na Amazon.com.br, pelo selo J&Cia Livros.
“Temos a oportunidade de editar um livro inédito que traz ensinamentos práticos e objetivos que ajudam as pessoas a escreverem com mais objetividade e assertividade”, destaca Eduardo Ribeiro, diretor da Jornalistas Editora. “É um livro que foi escrito em 2017, mas que permaneceu guardado pelo professor Chaparro, que atualmente recupera-se de um AVC e está, portanto, sem condições de seguir os caminhos tradicionais de busca por uma editora, mesmo com o alto potencial da obra”.
Até o momento, a campanha arrecadou quase 30% da meta da inicial, de R$ 30 mil. A quantia já garante a impressão da obra, porém em uma quantidade abaixo da esperada inicialmente, de pelo menos mil exemplares. Dividido em quatro capítulos, Como DIZER e AGIR pelo texto parte de uma estratégia pedagógica para mostrar os caminhos de como alcançar sucesso no uso da linguagem escrita em ações interlocutórias.
Doutor em Ciências da Comunicação e professor de Jornalismo na Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo, Chaparro é jornalista desde 1957, quando iniciou sua carreira em Lisboa. No Brasil, para onde imigrou em 1961, foi repórter, editor e/ou articulista em vários jornais e revistas de grande porte e circulação. Com reportagens individuais, por quatro vezes teve trabalhos premiados no Prêmio Esso de Jornalismo. É autor de outros três livros sobre Jornalismo: Pragmática do Jornalismo (Summus, 1994), Sotaques d’aquém e d’além-mar – travessias para uma nova teoria de gêneros jornalísticos (Summus, 2008), e Linguagem dos Conflitos (Minerva Coimbra, 2001).
O Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor), controlador do Observatório da Imprensa, anunciou o início de uma campanha de crowdsourcing (busca de voluntários) para a terceira edição do Atlas da Notícia, com o objetivo de mapear veículos jornalísticos por todo o território nacional. A pesquisa, análise e publicação dos dados serão feitas pelo Volt Data Lab, de Sérgio Spagnuolo.
A
ideia é expandir a rede de escolas de jornalismo e voluntários já estabelecida
no ano anterior, para fornecer o panorama mais completo da imprensa local
brasileira. A terceira edição do Atlas também terá uma Interface de Programação
de Aplicativos (API) para facilitar o acesso aos dados da pesquisa.
A edição
anterior, publicada no final de 2018, obteve dados relevantes, como o fato de
em metade dos municípios brasileiros existir ao menos um veículo jornalístico. O
estudo revelou ainda que 81 foram fechados desde 2011.
A terceira edição do Atlas da Notícia será publicada em novembro, no site do Observatório da Imprensa.
Em entrevista para a Go Where Business, o CEO da CNN Brasil Douglas Tavolaro revelou detalhes sobre a operação e programação do canal no País. Segundo ele, a emissora deverá contar com 700 funcionários, sendo 400 jornalistas, uma parte destes terceirizados.
A CNN Brasil funcionará 24 horas por dia, exibindo 16 horas de programação ao vivo e oito horas de material gravado previamente. A previsão de estreia é para o último semestre de 2019.
Mas TRT-SP mantém decisão de reintegração dos demitidos
Os credores do Grupo Abril aprovaram o
plano de recuperação judicial apresentado pela companhia em assembleia
realizada na tarde dessa terça-feira (27/8), no Clube Homs, em São Paulo. O
plano foi aprovado com 92% de representação no valor da dívida e 96% de
representação no número de credores.
A Abril pediu recuperação judicial em 15 de
agosto de 2018 para renegociar dívidas que somavam 1,69 bilhão de reais. Os
credores da companhia estavam divididos em quatro classes: ex-funcionários,
bancos, prestadores de serviço editorial e demais fornecedores.
O plano prevê a venda de três negócios da
Abril: o imóvel onde está localizada a sede da companhia, na Marginal Tietê;
imóveis localizados em Campos do Jordão, no interior do Estado; e a unidade de
negócios Exame, que produz a revista, o site e o aplicativo da marca, além de responsável
pela realização de eventos. Os valores arrecadados com as vendas serão
destinados a pagar credores e empréstimos e, eventualmente, para o caixa da
Abril. (Com
informações de Exame)
Reintegração dos demitidos – A 6ª turma do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo julgou em 20/8
o recurso da Editora Abril contra a decisão em primeira instância que
determinou a reintegração dos mais de mil funcionários demitidos de julho de
2017 a agosto de 2018. O órgão manteve a decisão, mas ainda cabe recurso ao
TST.
Durante a audiência, Raphael Maia, advogado do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, fez a sustentação oral em nome dos jornalistas e destacou, entre outros argumentos, que entre os inúmeros dramas humanos envolvidos na demissão em massa, dois profissionais – Dagmar Serpa e Fábio Sasaki – morreram no curso do processo sem terem recebido em vida seus direitos de forma integral, enquanto os irmãos Civita, antigos proprietários da Editora Abril, blindaram seu patrimônio pessoal pelo processo de recuperação judicial e venda da empresa.
Condenação sai dois anos após a ameaça durante manifestação
O policial militar Raimundo José Vilanova de Souza foi condenado nessa terça-feira (27/8) pela Justiça do Distrito Federal por ter ameaçado o repórter fotográfico André Augustus Coelho Cardoso, de O Globo, em 24 de maio de 2017, durante manifestação na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. A pena, anteriormente estabelecida em 30 dias de detenção em regime aberto, foi alterada para prestação de serviços à comunidade por um ano.
André
registrava a ação de policiais para conter os manifestantes, quando o PM o ameaçou
com um tiro no chão, próximo ao seu pé. Também chutou o repórter fotográfico e
impediu outro profissional de registrar o evento.
Segundo
o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), não existiram
evidências que indicassem perigo iminente no contato entre o jornalista e o
policial, o que justificaria o disparo próximo ao pé de André Cardoso.
“Naquelas
circunstâncias, se havia risco para a integridade física do jornalista,
incumbia ao militar orientá-lo, por comando de voz, a sair da zona de conflito
e se abrigar em local seguro, sem a menor necessidade de usar força física ou
efetuar disparo de advertência”, explica o MPDFT.
Flavio Pestana, que atuou por 30 anos na área de comunicação, é o novo CEO e sócio da Odgers Berndtson no Brasil, empresa global de recrutamento de executivos e consultoria estratégica em capital humano. Luiz Wever, que ocupava a posição, assume como Managing Partner. A filial brasileira, localizada em São Paulo, coordena a operação dos escritórios da América do Sul.
Formado em Engenharia,
com pós-graduação em Finanças pela FGV e cursos de gestão em Harvard Business
School, Insead/FDC e Singularity University, Pestana foi diretor superintendente
do Grupo Folha, CEO do Valor Econômico, Gazeta Mercantil e Rede Bom Dia de Jornais,
sócio da CDN e diretor executivo do Grupo Estado. Foi conselheiro do Conar, do Cenp,
da ANJ e do UOL e é conselheiro certificado pelo Instituto Brasileiro
Governança Corporativa (IBGC).
Faleceu nesse domingo (25/8), em Salvador, vítima de uma parada cardíaca, o filósofo e jornalista baiano Francisco Viana. Chico Viana, como era mais conhecido, era um dos principais especialistas em comunicação empresarial do País, tendo escrito mais de uma dezena de livros sobre o assunto, dentre eles De cara com a mídia e Hermes, aDivina Arte da Comunicação.
Nascido em 18 de setembro de 1951, atuou no início da carreira no jornal A Tarde. Em 1978, mudou-se para o Rio de Janeiro para trabalhar em O Globo e depois para São Paulo, onde passou por IstoÉ. Doutor em Filosofia Política, foi professor de Comunicação em várias universidades, e em 2017 manteve no Jornalistas&Cia a coluna Para sair da crise. O corpo foi cremado nessa segunda-feira.
* Por Luciana Gurgel, especial para o Portal dos Jornalistas
Jornalistas não costumam ser notícia – e muitos defendem que profissionais da imprensa nunca deveriam ser notícia. Mas há alguns que entram para a história e acabam ganhando notoriedade para além das fronteiras das redações. No Reino Unido, o ex-editor Paul Dacre, que durante 26 anos dirigiu o popular Daily Mail, está nessa categoria.
Ele voltou às manchetes nos últimos dias, quando foi anunciada uma série na emissora Channel Four denominada nada modestamente O mundo segundo Paul Dacre. A série de três episódios só vai ao ar em 2021, mas o anúncio agitou os meios jornalísticos e políticos.
Dacre deixou o cargo em outubro de 2018, ao completar 70 anos. Não houve uma razão formal para a saída, e ele passou a integrar o conselho da Associated Newspapers, que edita o jornal e também outros títulos como o Metro, distribuído gratuitamente e com tiragem superior a 1,4 milhões de exemplares, segundo o órgão de auditoria ABC.
Paul Dacre
Mas por que Dacre merece uma série no Channel Four? Porque ele é considerado por muitos como um dos principais influenciadores da opinião da classe média conservadora britânica. Porque poucas vezes deu entrevistas, preferindo manifestar-se por meio da edição do Daily Mail, na maioria das vezes nada imparcial. E porque o Channel Four, canal escolhido para transmitir a série, foi um dos principais alvos de suas críticas ácidas, ao lado do esquerdista The Guardian.
Para se ter uma ideia da importância do jornalista, a matéria sobre o documentário foi publicada na edição dominical do The Times, um dos principais jornais britânicos, com o título Paul Dacre sai das sombras. Outros veículos noticiaram em sequência usando termos como Dacre abre a tampa. Pode-se imaginar que vem chumbo grosso por aí.
Na verdade, o que se espera é que ele fale abertamente, coisa que raramente fez até hoje, sobre suas visões que determinaram a linha editorial do Daily Mail em momentos históricos como a morte da Princesa Diana, o Brexit e a gestão dos primeiros-ministros Tony Blair e David Cameron. E que de fato influenciaram os rumos da política, da cultura e do jornalismo britânicos.
Paul Dacre é um conservador convicto e fervoroso. Contrário à esquerda e aos movimentos liberais. Defensor do Brexit, como se pode esperar de um conservador nacionalista. Representa bem a classe média e a população da Inglaterra menos urbana, a chamada Middle England. Ele conseguiu encarnar como poucos o sentimento dessa parcela da população, e assim não apenas influenciou os destinos do país mas também levou o Daily Mail a recordes de circulação.
Título bombástico numa das capas mais célebres de Paul Dacre
Uma das capas mais célebres e ousadas da imprensa britânica foi dele. Quando a Corte decidiu que deveria haver uma votação no Parlamento para validar o resultado do referendo do Brexit, o Daily Mail saiu como o bombástico título Inimigos do povo, e a foto dos três juízes.
O jornalista fala pouco, mas quando abre a boca não economiza nas críticas a outros jornais, bem longe da quase folclórica fleuma britânica. Um dos pontos altos de sua metralhadora giratória foi um discurso na Sociedade dos Editores em novembro passado, logo após deixar o posto no Daily Mail. Em meio a um rosário de críticas a todos os veículos do Reino Unido, defendeu o valor da imprensa livre no país – livre inclusive para cometer os erros que apontou. E finalizou fazendo algumas previsões.
Para Dacre, a BBC vai perder o atual poder devido ao impacto do streaming sobre o pagamento da taxa hoje obrigatória, e isso vai dar margem a uma outra rede de centro-direita tomar seu lugar. Ele acredita que os gigantes da tecnologia passarão a ser regulados como a imprensa tradicional, mas acabarão tendo seu monopólio quebrado, como ocorreu com os barões do petróleo do século passado.
Sobre os algoritmos que hoje determinam o fluxo das notícias, prevê que não suplantarão as mentes brilhantes que amam fotos, manchetes e palavras, e que têm uma extraordinária empatia com os leitores. Por fim, crê que os jornais terão vida longa, contra muitas previsões em contrário.
“De uma coisa estou absolutamente certo: a humanidade tem fome de notícias, de análise e, sim, de sensacionalismo e fofoca – isso é tão velho como o tempo”, disse o veterano editor.
A Fundação Gabriel García Márquez para o Novo Jornalismo Ibero-Americano (FNPI, por suas iniciais em espanhol) passou a se chamar Fundação Gabo, assumindo o apelido usado carinhosamente para se referir ao seu criador. De acordo com o site da entidade, essa mudança de nome, lançada este mês, responde à necessidade de incluir os múltiplos formatos, projetos e iniciativas que a fundação tem desenvolvido ao longo de mais de duas décadas.
A fundação continuará liderando iniciativas para que as novas gerações de jornalistas de países ibero-americanos sigam fazendo “o melhor jornalismo do mundo”. Ou seja, continuará com a formação de profissionais de imprensa e fomentando um jornalismo investigativo, independente, rigoroso, ético e criativo.
Além do já tradicional Prêmio Gabriel García Márquez de Jornalismo, a fundação organiza anualmente o concorrido Festival Gabo, em Medellín, na Colômbia, que dura três dias e no qual são celebrados os vencedores do Prêmio Gabo. Os interesses temáticos desses três dias incluem jornalismo, cidadania, cultura e tecnologia. O próximo festival será de 2 a 4/10, em Medellín.