A exemplo de 2018, o sistema de pontuação do Ranking dos +Premiados da Imprensa Brasileira atribuiu notas de 5 a 100 pontos por conquista, de acordo com a amplitude de temas, relevância e abrangência geográfica da iniciativa.
Assim sendo, uma premiação estadual sobre um tema específico, por exemplo, renderá aos seus premiados menos pontos do que uma premiação nacional, ou até mesmo do que uma iniciativa também estadual, mas que não limite sua temática.
Conquistas individuais computam 100% da pontuação para o vencedor, enquanto premiações em equipe rendem 50% dos pontos para cada integrante. Ou seja, um profissional que conquistar, por exemplo, um Prêmio RBS em equipe, receberá por esse prêmio cinco pontos, enquanto um reconhecimento obtido no Maria Moors Cabot, mais antiga e importante premiação jornalística internacional de que se tem conhecimento no mundo, rende ao homenageado 100 pontos. Foi essa conquista, por exemplo, que garantiu o título de +Premiado Jornalista de 2018 a Fernando Rodrigues, do Poder360, na última edição deste Ranking.
Diante do vasto universo de impressos e periódicos online à disposição – sem contar os livros – fica difícil encontrar tempo para tudo. Mas se prêmios contam pontos na hora de priorizar, aqui vai a dica: Financial Times.
O FT fechou o ano com chave de ouro, conquistando
pelo segundo ano consecutivo o título de Veículo
do Ano no disputado British
Journalism Awards, anunciado em 10 de dezembro. É o primeiro jornal a levar
o prêmio por dois anos seguidos.
Jornal é maneira de dizer, porque o FT vai além do
papel. A presença digital é um de seus maiores ativos: 3/4 dos assinantes
optaram pela versão online. Ele vai além também no conteúdo. Conquistou mais
dois prêmios secundários, nas categorias Tecnologia
e Jornalismo Político, mesmo sendo um
veículo originalmente dedicado a finanças.
Os prêmios reconhecem o veículo que se consolidou
como um dos mais relevantes da atualidade. Ano passado, empatou com o Político
em uma pesquisa da consultoria política britânica ComRes sobre os jornais mais
influentes no Parlamento Europeu. Um dos aspectos apontados pelo júri de 60
profissionais que elegeu os vencedores do British
Journalism Awards foi a quantidade de matérias exclusivas relevantes
publicadas pelo FT em 2019.
Modelo de negócio vencedor – Adquirido em 2015 pelo grupo japonês Nikkei, o Financial Times merece ser observado não apenas pelo conteúdo, mas também por seu modelo de negócio. Em uma indústria impactada pelas plataformas digitais, o jornal de 131 anos vem conseguindo combinar qualidade editorial e saúde financeira.
Em abril passado, celebrou um ano antes do projetado a marca de um milhão de assinantes, com 70% dos leitores fora do Reino Unido. O paywall foi implantado em 2002, mas em 2007 o FT foi um dos pioneiros no modelo de oferecer acesso livre a uma quantidade limitada de matérias aos leitores cadastrados, estratégia que ajuda a angariar assinantes. A receita bateu £ 383 milhões em 2018, com lucro operacional de £ 25 milhões.
Curiosamente, um dos responsáveis pelo desempenho brilhante do jornal está de partida. O editor Lionel Barber deixará em janeiro o posto em que esteve por 14 anos, passando o cetro para a primeira mulher a ocupar tal posição na história do FT. Roula Khalaf, atual subeditora, assumirá o comando com a responsabilidade de manter o alto padrão do jornal.
Roula Khalaf
ThinkIns, um modelo inovador – Na categoria Inovação do British Journalism Awards, o destaque
foi para os encontros ThinkIn,
promovidos pelo Tortoise, uma bem-sucedida iniciativa jornalística independente
do país. São sessões realizadas na própria redação do Tortoise em Londres ou em
locais externos – incluindo outras cidades – em que os participantes debatem um
tema político, econômico ou social.
O modelo é mesmo original. Nem bem uma palestra,
nem bem um debate. Parece mais uma reunião de pauta. Começa com um drinque ou
café da manhã (dependendo do horário), perfeito para esquentar a conversa sobre
o que será tratado em seguida. Não há hierarquia rígida separando palestrantes
e plateia. Prevalece um clima de troca de ideias, mesmo com opiniões bastante
divergentes.
Tudo é filmado, e um video bem editado é publicado no Tortoise dias depois. Quem não pode ir tem a opção de assistir em tempo real pela internet. Uma ótima ideia de engajamento do público, aproximando jornalistas dos leitores e enriquecendo o conteúdo dos artigos e videos do Tortoise.
Tortoise ThinkIn
O furo do ano – E se houver um tempinho livre nos feriados, vale conferir a matéria que
valeu a Anthony Loyd, do The Times,
o troféu de furo do ano no British
Journalism Awards. Trata-se da entrevista exclusiva com Shamima Begun, uma das chamadas “Noivas do Estado Islâmico” – jovens britânicas que se
alistaram na organização em 2015 para casar com terroristas.
Loyd encontrou Begun em um campo de refugiados, e a entrevista desencadeou uma crise sobre como lidar com cidadãos que fogem para integrar organizações terroristas e depois querem retornar ao país. Jornalismo da melhor qualidade, com a sensibilidade que o tema exige.
Anthony e Shamima
E para terminar, obrigada pela companhia aqui no
J&C este ano. Nos vemos em 2020!
O correspondente internacional da TV Globo Rodrigo Alvarez pediu desligamento da emissora. Em comunicado à redação, o diretor-geral de Jornalismo Ali Kamel confirmou a informação e disse que “contribuiu para a decisão dele a vida de escritor, que ele consolidou”. Rodrigo sairá da França com a família e irá para os Estados Unidos.
Ele estava na Globo há 23 anos, onde começou pela GloboNews,
no Rio de Janeiro, como trainee de
editor de imagens. Sua última cobertura pela Globo foi a reeleição de Boris
Johnson para primeiro ministro do Reino Unido, em 12 de dezembro.
A Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca) lançou um banco de fontes da área da educação para ajudar profissionais que cobrem a área e oferecer especialistas que possam agregar ainda mais conteúdo às reportagens.
Um dos objetivos do projeto é que os próprios integrantes
alimentem o banco de fontes, indicando os especialistas mais adequados para
cada área que engloba a educação. A ferramenta, exclusiva para associados do
Jeduca, está disponível no site da entidade. Também é possível sugerir
uma fonte ao cadastrar-se no Jeduca.
A organização americana National Endowment for Democracy (NED) oferece financiamento para projetos de ONGs e mídias independentes que promovam a democracia ao redor do mundo. Interessados devem enviar as propostas até 10 de janeiro.
A ajuda financeira é de aproximadamente 50 mil dólares em
12 meses, podendo variar de acordo com o tamanho e escopo do projeto. A NED
incentiva a participação de mídias independentes de países com democracias
recém estabelecidas, com governos autoritários ou que estejam passando por
transições democráticas. Mais informações aqui.
De volta ao Brasil após um curto período sabático na Europa, em que aproveitou para fazer uma caminhada a pé por mais de 3 mil km, saindo de Amsterdã até a cidade do Porto, Carlos Félix Ximenes assumiu a Diretoria de Comunicação de Varejo da Amazon no Brasil. Ele dirigiu anteriormente, por pouco mais de três anos e meio, a Comunicação da Nike e foi o primeiro head de Comunicação do Google, quando a empresa se instalou no País. Passou ainda por Microsoft, Nestlé, Multibrás e Nokia.
Após a vitória do Partido Conservador britânico nas eleições gerais, contrariando pesquisas que apontavam vantagem apertada, o papel dos meios de comunicação vem sendo exaustivamente debatido. É difícil demarcar a influência da imprensa e das mídias sociais sobre o eleitor, mas há sinais interessantes sobre o impacto de cada uma.
Um deles é o alcance das
redes como fonte de informação no país. Segundo o novo relatório da PAMCo
(Publishers Audience Measurement Company), todos os jornais reunidos (incluindo
versões online) atingiram 47,9 milhões de pessoas entre outubro de 2018 e
setembro deste ano, superando os canais do Facebook (com 42,6 milhões) e
Google, com 41,5 milhões.
Isso não significa que os
britânicos tenham sido mais influenciados pela mídia tradicional ao escolher o
candidato. Mas sugere que ela se mantém relevante diante das plataformas digitais
quando se trata de informação.
O problema é que ambas são
vistas com desconfiança. Uma pesquisa do Intuit Research/Norstat antes do
pleito indicou que 57% dos britânicos acreditam que a mídia veicula notícias
falsas, percentual que sobe para 71% entre os usuários do Facebook e 67% dos
seguidores do Twitter. A estatal BBC vive um inferno astral, acusada de parcialidade
por todos os lados.
Há também questionamentos
sobre a capacidade de a propaganda eleitoral em redes sociais converter
eleitores. Jake Wallis Simons, do
Daily Mail, citou um registro da plataforma Who Targets Me apontando que os
videos do derrotado Partido Trabalhista foram vistos 82,2 milhões de vezes,
contra apenas 24,5 milhões dos do Conservador.
A tese está em linha com
um estudo científico feito pelas universidades americanas Northeastern e
Southern California e pela organização Upturn sobre propaganda eleitoral no
Facebook. Os experimentos comprovaram que ao direcionar as mensagens por
relevância, a rede social acaba atingindo pessoas que já concordam com aquela
posição política, reduzindo a eficácia no sentido de conquistar adeptos.
O meio e a mensagem – Com maior ou menor grau de confiança, porém, a realidade é que em um
país de alta escolaridade e acesso fácil à internet os eleitores não ficam mais
sujeitos a apenas uma fonte, como no passado, em que o assinante de um título
conservador como o The Times raramente era exposto a opiniões divergentes. E
aqui entra o mais importante em qualquer processo de comunicação, seja para um candidato
ou para uma marca de sabonete: quem consegue ser mais eficiente ao entender os
anseios do público e calibrar o discurso conforme as expectativas.
O Partido Conservador
venceu a guerra. Boris Johnson foi ridicularizado no fim da campanha por controvérsias
como a recusa em ser entrevistado pelo duro apresentador Andrew Neil; por se esconder em um frigorífico para fugir da
Imprensa ao visitar uma fábrica; ou ainda por colocar no bolso o celular de um
jornalista da ITV que tentava confrontá-lo com a foto de uma criança atendida
no chão de um hospital. Memes circularam
nas redes, sobretudo entre o público contrário ao Brexit – intelectuais,
jovens, residentes de Londres e gente que posta mas não vota.
Não colou nele, que venceu
fácil e agora tem maioria expressiva no Parlamento. Garantiu a vitória com uma
surpreendente votação em regiões historicamente trabalhistas, cuja importância
econômica foi esvaziada devido ao fechamento, fábricas, minas e do comércio de
rua afetado pelas vendas online.
O resultado da eleição
mostra que o Partido Conservador, ainda que dominado pela elite, soube
transmitir à classe média e trabalhadora britânica a ideia de que o Brexit vai
restaurar a glória do passado, um discurso nacionalista que soou como música
aos ouvidos de quem quer uma vida melhor. Isso foi mais decisivo do que
críticas sobre transparência ou questões morais. E talvez mais “seguro” do que
as promessas radicais do Trabalhista.
Parece que continua atual a
frase cunhada em 1992 pelo então assessor da campanha de Bill Clinton, James
Carville: “É a economia, estúpido!”.
E em uma nação em que a imprensa
escrita assume seu lado, o Daily Telegraph, alinhado a Johnson – que até se
tornar primeiro-ministro assinava lá uma coluna – não perdeu tempo. Três dias
após a eleição, capitalizou a proximidade com uma ação de marketing online
conclamando o público a assinar o jornal cuja equipe “mais conhece Boris”. Isso
é que é campanha de oportunidade.
A 8ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou nessa segunda-feira (16/12) o livre acesso de jornalistas do Grupo Globo a entrevistas e coletivas da Prefeitura da capital. A decisão derruba o veto do prefeito Marcello Crivella, que afirmou no começo do mês que não responderia mais aos pedidos de informação feitos pela Globo e que em diversas ocasiões atacou-a abertamente.
A liminar, determinada pela juíza Alessandra Cristina
Peixoto, obriga a Prefeitura a encaminhar ao Grupo Globo todas as informações
divulgadas abertamente à imprensa, sob pena de multa de R$ 10 mil para cada vez
que não o fizer.
Um dos argumentos da juíza foi o de que diferenças
político/ideológicas não podem ser utilizadas como justificativa para o veto da
Prefeitura. “Frise-se que os agentes públicos, bem como os atos de suas
gestões, estão sujeitos a questionamentos quanto às suas condutas e atuações,
não havendo razão para impossibilitar os jornalistas de emitirem opiniões sobre
pessoas públicas ou sobre a gestão dos agentes, o que, na realidade, faz parte
de suas funções como fomentadores de questionamentos e opiniões”, diz a
liminar.
Por Cristina Vaz de Carvalho, editora de J&Cia no Rio de Janeiro
Nelson Hoineff morreu na manhã de 15/12, aos 71 anos, de complicações decorrentes de diabetes. O enterro foi no dia seguinte, no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro. Hoineff deixou o legado de um dos mais importantes nomes do audiovisual brasileiro, fosse como diretor de TV, produtor e diretor de cinema.
Como crítico de cinema, atuou desde os anos 1960 em O Jornal, Diário de Notícias, Última Hora, O Cruzeiro, Manchete, Filme Cultura, O Globo, IstoÉ, Veja, A Notícia, O Dia, Jornal do Brasil e site criticos.com, entre outros. Foi crítico e correspondente no Brasil da Variety, dos EUA. No início da carreira, teve passagem pela imprensa esportiva, como repórter, redator e editor de esportes em O Jornal e Última Hora, para o qual cobriu a Copa do Mundo de 1974. Nesses veículos e em outros, foi editor de cultura, editor internacional, secretário de Redação e editor-chefe.
Uma vez na televisão, dirigiu o Departamento de Programas Jornalísticos da Manchete e foi diretor de programas jornalísticos em SBT, Bandeirantes, GNT, TV Cultura e TVE do Rio. Entre as séries e programas que dirigiu destaca-se o Documento especial, premiado no Brasil, em Monte-Carlo e Berlim. Foi ao ar em três redes abertas, na Manchete, de 1989 a 1992; no SBT, de 92 a 95; e na Band, de 96 a 97. Entre 2008 e 2010, cerca de 80 programas – de um total de 430 que produziu – foram reprisados pelo Canal Brasil. Também dirigiu Primeiro plano, no GNT e depois na Cultura, sobre as vanguardas artísticas brasileiras; o Programa de domingo, na Manchete; Realidade, na Band; Curto-circuito, na TVE, e inúmeras séries, entre as quais Celebridades do Brasil,As chacretes e Vanguardas¸ todas no Canal Brasil.
Autor de vários livros sobre televisão, antecipou tendências, como em TV em expansão – Novas tecnologias, segmentação; Abrangência e acesso na televisão moderna, no qual discutiu, no final dos anos 1980, a TV por assinatura, as operações por satélites e a alta definição (HDTV). Em A nova televisão – Desmassificação e o impasse das grandes redes, debatia assuntos como a convergência de meios e as plataformas digitais.
Como professor, coordenou o curso de Radialismo da Facha, e aí também fundou a Faculdade de Cinema e Audiovisual – ele lecionou durante 30 anos na instituição. Ensinou também Televisão Digital nos MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Universidade Cândido Mendes, ambas no Rio. Antes disso, foi professor de jornalismo na Sobeu, Sociedade Barramansense de Ensino Universitário.
Em 2001, criou o Instituto de Estudos de Televisão (IETV), e ali realizou eventos como o Festival Internacional de Televisão, o Fórum Internacional de TV Digital e o Seminário Esso-IETV de Telejornalismo. Editou ainda os Cadernos de Televisão, revista quadrimestral sobre estudos avançados, publicada pelo IETV. E produziu as séries Televisão e grandes autores e A televisão que o Brasil está pensando, ambas para a TV Brasil/EBC.
Adriana Magalhães, também jornalista e ex-mulher de Hoineff, postou nas redes sociais uma homenagem ao pai de sua filha Alice. Ricardo Largman, amigo e vice-presidente da ACCRJ, revelou que, já no período em que Hoineff estava doente, soube que ele escreveu um livro de memórias; acredita que a obra foi finalizada, e pretende ler histórias que ainda não se conhecem.
Um emocionante encontro entre diversas gerações do Jornalismo marcou na última semana o lançamento de Como DIZER e AGIR pelo texto, mais recente livro do professor-doutor Manuel Carlos Chaparro. Editado por J&Cia Livros, selo literário deste Portal dos Jornalistas, sua impressão só foi possível com o apoio de amigos, familiares, colegas de profissão e ex-alunos por meio de campanha de financiamento coletivo.
Mesmo com dificuldades para enxergar e escrever, por causa de um AVC que sofreu no início do ano, o sempre professor da ECA-USP recebeu um a um os convidados no lançamento, realizado em São Paulo. Com muito entusiasmo, e sedento por novos projetos, conversou com todos, escreveu dedicatórias e se emocionou com os discursos de Eugênio Bucci e Gaudêncio Torquato, este o principal responsável pela campanha ter atingido o valor necessário para a impressão de sua tiragem inicial, de 400 exemplares.
Eduardo Ribeiro, diretor deste Portal dos Jornalistas, e Chaparro
Também estiveram presentes, entre outros, José Hamilton Ribeiro, Nemércio Nogueira, João Gabriel de Lima, Karina Yamamoto, Magali Prado, Fred Ghedini, Lia Crespo, Elza Ambrósio, Laura Matos, Norma Alcântara, Paulo Pepe, Vitor Blotta, Mara Ribeiro, José Coelho Sobrinho, Lena Miessva, José Donizete Lima, Altair Albuquerque, Dulcilia Buitoni, Henry Wender, Marcelo Mendonça e Marli Santos.
Como adquirir? – Interessados em comprar um ou mais
exemplares de Como DIZER e AGIR pelo
texto podem fazer o pedido para Fernando Soares (11-3861-5280 ou [email protected]). O valor, de R$ 45, inclui frete para todo o
Brasil, e pode ser pago por depósito, transferência ou boleto.