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terça-feira, maio 5, 2026

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No Senado, jornalistas perseguidos por ditaduras condenam ataques à imprensa

Evento celebrou o Dia da Liberdade de Imprensa no Brasil e contou com a presença de jornalistas perseguidos por denunciar ilegalidades dos regimes chinês, venezuelano e turco

Por Deco Bancillon

O Senado Federal convidou jornalistas estrangeiros, perseguidos e exilados por ditaduras para debater os riscos de ameaça à democracia quando um país não possui uma imprensa livre. O evento, que celebrou o Dia da Liberdade de Imprensa no Brasil, ocorre em um momento em que veículos de imprensa têm sofrido ataques constantes por parte de grupos da sociedade que pedem a volta de regimes totalitários no país. O evento foi organizado pelo Interlegis, do Senado, e teve a mediação do editor de Política do Metrópoles, Guilherme Waltenberg.

Can Dündar, um jornalista que precisou se exilar na Alemanha após denunciar planos do governo turco para armar milícias na Síria, classificou a volta de regimes antidemocráticos como “uma doença que se alastra pelo mundo”. Ele avalia que a luta pela democracia, pelo estado democrático de direito e pelo respeito aos direitos individuais são bandeiras deveriam unir a todos que desejam um país livre. “Fui punido por revelar segredos de Estado. O público tinha o direito de saber o que o governo turco fazia e eu reportei, e por isso fui preso imediatamente”, relembra.

Assim como Dündar, o jornalista chinês Chang Ping também se exilou na Alemanha. Escritor premiado com o Human Rights Press Awards, de Hong Kong (2014), e com o International Press Freedom Award, do Canada (2016), ele relatou como enfrentou censura e ataques dirigidos a ele, familiares e outros dissidentes políticos após publicar notícias que desagradavam o regime comunista chinês. “A censura usada pelo governo da China é sistêmica e vai além das restrições que vemos. Isso vale para todos os aspectos da vida diária do país. Até uma criança no jardim da infância sabe que não tem o direito de se opor ao partido. Eles dizem que a censura faz com que o país seja mais forte, pintam a censura como algo bom para o povo”, comenta.

Chang Ping: “A censura usada pelo governo da China é sistêmica e vai além das restrições que vemos”

Controle

O advogado e ativista pró-democracia Wilson Leung relatou que a situação da imprensa de Hong Kong – território autônomo chinês – não é muito diferente do que om colega chinês vivenciou na parte continental do país. Leung mencionou o controle do governo sobre o que é veiculado na mídia, que tem sido sistematicamente comprada por empresários aliados e pelo próprio governo. “No momento, Hong Kong tem um único jornal de oposição, que sofre para se manter ativo, pois não consegue adquirir patrocínio de grandes companhias, pressionadas a não apoiarem veículos críticos ao governo. Seu dono já foi preso e teve a casa atacada diversas vezes.”

Wilson Leung: “No momento, Hong Kong tem um único jornal de oposição, que sofre para se manter ativo. Seu dono já foi preso e teve a casa atacada diversas vezes”

O advogado também mencionou a restrição ao acesso e entrada de jornalistas e o severo tratamento aos que trabalham em Hong Kong, com ataques físicos, sequestros e censura às pessoas que se posicionam com informações desfavoráveis ao governo usando a violência policial. “A China usa todas as ferramentas que tem para suprimir o que as pessoas de fora podem dizer. O mundo precisa acordar para esse fato e criar uma estratégia para lidar com isso.”

De acordo com Leung, o governo chinês tem lei de segurança que vai contra os direitos humanos, agindo contra a imprensa dentro e fora do território nacional e boicotando manifestações de oposição. Quem participa de uma manifestação assim perde o emprego, entre outras sanções.

América do Sul

O segundo painel do webinar reuniu três jornalistas da América do Sul: dois da Venezuela e um argentino. Luz Mely Reyes, co-fundadora do jornal independente venezuelano Efecto Cocuyo, contou o dia-a-dia dos repórteres que continuam no país. “Apesar da fome, da falta de combustível para trabalhar e dos blackouts de energia, nós persistimos, insistimos e resistimos porque a vacina contra esses ataques é um jornalismo cada vez maior e melhor.”

Luz Mely contou casos de jornalistas apresentados à justiça como criminosos comuns. O efeito colateral mais danoso da guerra entre governo e mídia, para ela, é o comprometimento da verdade e do direito de ser informado. Ela explicou como o discurso contra os jornalistas começou no início do governo de Hugo Chávez, que já qualificava a imprensa como sua inimiga e inimiga do projeto que ele defendia

“Quando existe uma polarização política, a primeira vítima é a informação. O que importa não é o fato, mas a versão que se conta dele. Tudo se resume em “estar comigo ou estar contra mim”.

Modelo

A venezuelana lamentou que a tentativa de exterminar a imprensa como quarto poder esteja disseminada em outros países latino americanos. “Infelizmente, não é um problema isolado da Venezuela. É praticamente um modelo que se repete no México, Nicarágua, Honduras e Brasil – países em que os jornalistas estão sob ataque. Hoje nós estamos assistindo como governos que se dizem democráticos perseguem e aprisionam jornalistas, bloqueiam os sinais digitais e fazem com que crimes sigam impunes.”

Conterrâneo de Luz Mely, o jornalista venezuelano Ewald Scharfenberg, coeditor do site de jornalismo investigativo Armando.info, trouxe reflexões sobre a polarização política historicamente vivida na Venezuela. Ele ponderou sobre o regime vivido no país hoje e sua relação com as notícias falsas. Ewald lembrou o valor primordial do jornalismo: o de levar informação verdadeira e objetiva para a sociedade.

“Temos de trabalhar de modo colaborativo mesmo diante de um cenário polarizado politicamente. O nosso regime veio difundir a história que foi documentada, que está fundamentada em fatos e que iguala todas as menções que estão circulando nos meios de comunicação”, avaliou, citando a filósofa alemã Hannah Arendt: “Liberdade de opinião é uma farsa quando não se aceitam os fatos”.

Desafios

O argentino Jorge Lanata, fundador do Página 12, jornal que foi alvo de atentados a bomba antes da venda para o Clarín, destacou os desafios da imprensa para que a democracia possa ser exercida. Segundo ele, deve haver uma luta para alinha a liberdade e a justiça, ressaltando que a imprensa e a democracia não são separadas, as duas precisam caminhar juntas para existir. O jornalista argentino também destacou a importância do jornalismo verdadeiro, o que questiona e incomoda. “O verdadeiro jornalista sempre vai incomodar, sempre vai estar em uma tensão com o poder.”

Censura

Ao abrir o evento, o senador e jornalista Lasier Martins (Podemos-RS) relembrou a censura instalada pelo regime militar no Brasil. “Felizmente, vivemos hoje no Brasil tempos democráticos, e a democracia se sustenta sobre o alicerce da liberdade de pensamento, de criação, de expressão e de informação.”

O diretor executivo do Interlegis, o cientista político Márcio Coimbra, avaliou a importância de política e liberdade de expressão andarem juntas no cenário mundial, pois representam a base fundamental da democracia. “O mundo vive um período delicado no que tange a liberdade de informar. O advento das redes sociais e o advento das noticiais falsas tem mexido de forma profunda com o jornalismo e a política. Este é um binômio do qual não podemos nos afastar, uma vez que a política e a liberdade de expressão caminham lado a lado na construção e no fortalecimento de sistemas democráticos.”

Sigilo

O mediador dos painéis sobre liberdade de imprensa foi o editor de política do site Metrópoles, Guilherme Waltenberg. Ele destacou que a democracia precisa de uma imprensa forte para sobreviver e deu exemplo da liberdade de imprensa dos Estados Unidos. “Na democracia mais próspera que se tem notícia em toda a história da humanidade, a liberdade de informar é uma das razões pelas quais aquela sociedade conseguiu se tornar o que é.”

Ele comparou a liberdade da imprensa americana com a do Brasil, onde, apesar de haver uma série de leis que garantem o livre exercício da profissão – inclusive o sigilo da fonte –, a cultura social ainda é bastante arredia à liberdade do jornalismo. “Hoje em dia, quando são publicadas matérias que não são do gosto do atual governo e dos seus apoiadores, a imprensa é chamada de ‘extrema’, como se a imprensa fosse uma força que pudesse desestabilizar governos com muita facilidade ou como se houvesse uma homogeneidade entre todos os jornais, o que não existe.”

O debate do Interlegis foi feito em parceria com o Repórteres Sem Fronteiras – RSF, Global Investigative Journalism Network – GIJN, e com apoio do Instituto Mundial para as Relações Internacionais – IR.wi.

No início do evento, a presidente do Instituto IR.wi, Carolina Valente, falou sobre a liberdade de imprensa e ressaltou que, além do Brasil, essa é uma pauta mundial. “O nosso país está vivento um momento de debates intensos por conta das fake news.”

Projeto News a Live mistura notícias e humor

O jornalista Diego Capela, o publicitário Guilherme Kos, o ator Totonho Lisboa e a comediante Eva Mansk são os responsáveis pelo projeto News a Live, atração virtual que junta jornalismo e piadas. O programa funciona como um telejornal, em que o âncora aciona comentaristas e repórteres para falar sobre os destaques da semana em diversas editorias, com piadas baseadas em fatos reais.

O News a Live vai ao ar toda segunda-feira, às 21h, no Instagram. A edição de 8/6 contou com a participação do comediante Nil Agra.

Diego Capela explica que “a participação dos espectadores e a espontaneidade de todos criam uma atmosfera diferente para o programa, o que torna tudo ainda mais engraçado. A única regra é ter sempre um fato real como gancho para as piadas”.

Com informações do Coletiva.net.

Fotógrafa Gabriela Biló tem dados pessoais expostos

Crédito: Reprodução / Instagram

A repórter fotográfica Gabriela Biló (O Estado de S. Paulo) foi vítima de vazamento de dados pessoais na internet, conhecido como doxxing. Um perfil bolsonarista no Twitter expôs informações como números de RG e CPF, além de endereço e telefone da fotógrafa. O ataque foi semelhante ao que foi feito para atingir Vera Magalhães (TV Cultura), em fevereiro.

Além dos dados, o perfil divulgou vídeos editados que distorcem falas da repórter e que omitem o contexto e diversas ofensas dirigidas a ela. Na ocasião, Gabriela estava em frente à casa da ativista Sara Fernanda Giromini, a Sara Winter, e a edição dos vídeos dá a entender que a repórter ameaçou a ativista, o que não ocorreu.

Foi a própria repórter que divulgou no Twitter que a Polícia Federal estava na residência de Sara Winter, intimada a depor no inquérito das fake news. Desde então, Gabriela vem sofrendo ataques nas redes sociais.

Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) declarou que “se solidariza com a fotógrafa Gabriela Biló e faz um apelo às autoridades e às plataformas das redes sociais para que monitorem e punam as milícias virtuais que querem impor o ódio à nação, usando como arma a intimidação aos jornalistas − especialmente às mulheres, quase sempre enquadradas em discursos estigmatizantes e preconceituosos”.

Órgãos federais descumprem medidas sobre divulgação de dados socioambientais

Levantamento do Monitor de Dados Socioambientais, iniciativa do Achados e Pedidos, projeto financiado pela Fundação Ford e organizado por Abraji, Fiquem Sabendo e Transparência Brasil, aponta que metade dos 44 órgãos ligados ao governo federal que possuem dados socioambientais de interesse público não mantém o Plano de Dados Abertos atualizado. O item é obrigatório desde 2016.

As primeiras informações publicadas pelo Monitor foram construídas com base em conversas com ativistas, organizações e profissionais da imprensa que acompanham rotineiramente o assunto. “A ideia é compartilhar o que achamos do mapeamento para facilitar aos interessados e, ao mesmo tempo, chamar a atenção para a inexistência e a precariedade de informações sobre pontos críticos das questões socioambientais”, explica Marina Atoji, gerente de projetos da Transparência Brasil.

O objetivo do monitoramento, segundo ela, também é pedir a abertura de bases de dados hoje fechadas ao público e, em casos específicos, quando pedidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) forem negados, solicitar judicialmente que as informações de interesse público sejam concedidas.

Nesta primeira etapa do monitoramento, notou-se, por exemplo, que a Fundação Nacional do Índio (Funai), subordinada ao Ministério da Justiça, não disponibiliza e nunca teve um Plano de Dados Abertos. “É um descaso com informações que são preciosas”, pontua Atoji.

O Monitor de Dados Socioambientais está aberto para que jornalistas e organizações que trabalham com a temática possam comunicar o “sumiço” de alguma base de dados ou dificuldades específicas para acessar informações. Para ter acesso, basta responder ao formulário.

(Com informações da Abraji)

Lana Pinheiro deixa o mundo corporativo e estreia na Dinheiro Rural

Lana Pinheiro

Lana Pinheiro é a nova editora da revista Dinheiro Rural, função que assumiu em 1º de junho. É a sua segunda passagem dela pela Editora Três, onde entre 2006 e 2008 foi repórter de economia da IstoÉ Dinheiro.

Com mais de 20 anos de experiência, Lana teve passagens por AutoData, Diário do Grande ABC e Correio Braziliense. Dedicou os últimos 12 anos à comunicação corporativa, atuando como diretora de Comunicação da agência de publicidade DM9DDB e depois, no mesmo cargo, na In Loco.

Veículos formam parceria para divulgar dados sobre o coronavírus

Crédito: iStock

Profissionais de G1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL formaram uma parceria para trabalhar, em conjunto, na coleta e divulgação dos números de contaminados e mortos pela Covid-19. Por causa das restrições impostas pelo Ministério da Saúde no que se refere ao acesso e divulgação dos dados sobre a pandemia, os veículos consultarão diretamente as secretarias de saúde de cada estado e do Distrito Federal.

O trabalho colaborativo será dividido entre os veículos participantes, que compartilharão entre si as informações obtidas, com o objetivo de fornecer um panorama mais próximo da realidade sobre o coronavírus. Isso inclui a evolução e o total de óbitos, além dos números consolidados de casos testados e com resultado positivo para a doença. Segundo o G1, o balanço diário será fechado às 20h.

A iniciativa é uma resposta à decisão do presidente Jair Bolsonaro de atrasar a divulgação dos boletins diários do coronavírus para as 22h, com o objetivo de não serem transmitidos nos telejornais noturnos, segundo reportagem do Correio Braziliense. Vale lembrar que o portal onde o Ministério da Saúde divulgava informações sobre a pandemia não apresenta mais alguns dados relevantes, como números consolidados e o histórico da doença desde o seu começo. O site destaca agora o número de pessoas recuperadas da Covid-19.

O diretor-geral de Jornalismo da Globo Ali Kamel declarou que “a missão do jornalismo é informar. Em que pese a disputa natural entre veículos, o momento de pandemia exige um esforço para que os brasileiros tenham o número mais correto de infectados e óbitos. Face à postura do Ministério da Saúde, a união dos veículos de imprensa tem esse objetivo: dar aos brasileiros um número fiel”.

Intercept Brasil denuncia que Abin pediu dados pessoais de CNHs

The Intercept Brasil publicou no sábado passado (6/6) uma reportagem que denuncia a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) por pedir acesso aos dados pessoais contidos em mais de 76 milhões de carteiras nacionais de habilitação (CNHs) por todo o País.

O site teve acesso a documentos de pessoas envolvidas na negociação que mostram ter a Abin pedido ao Serpro, empresa pública de processamento de dados, informações como nomes, filiação, endereços, telefones, dados dos veículos e fotos presentes nas CNHs.

Segundo o Intercept, o estatuto da Abin informa que a agência existe para municiar o presidente da República com “informações nos assuntos de interesse nacional − ou seja, não cabe à Abin o acesso aos dados das CNHs. A reportagem ouviu dois ex-ministros, de correntes políticas distintas, que classificaram o pedido como “coisa de regime autoritário”. Em nota, a Abin justificou a ação, declarando que “a obtenção, a integração e o compartilhamento de bases de dados são essenciais para o funcionamento da atividade de inteligência”.

Leia a reportagem do Intercept na íntegra.

Curso aborda o papel da mulher na imprensa

O Brasil de Fato MG promove nesta quarta-feira (10/6), das 14 às 17h, o curso online O que a história nos diz sobre jornalismo e feminismo. Ele discutirá o papel da mulher na imprensa, relacionando o jornalismo ao feminismo e destacando a história da imprensa produzida por mulheres durante a primeira e segunda ondas do movimento feminista.

O curso explicará conceitos-chave como feminismo, patriarcado, gênero e divisão sexual do trabalho, e destacará os principais obstáculos que o jornalismo brasileiro enfrenta por causa dos avanços e retrocessos nos direitos das mulheres. A taxa de inscrição é de R$ 20.

Debate respeitoso

Em tempos de quarentena, limpar gavetas e organizar armários é uma boa terapia. No meu caso, em especial, é também a possibilidade de voltar no tempo e me deparar com lembranças de bons momentos da carreira.

Hoje achei esse organograma da redação do Diário de S.Paulo para o ano de 2010, época em que o jornal passava para o controle do J. Hawilla. O que me impressiona é o número de jornalistas na composição do time. Quase 100 pessoas − a grande maioria de repórteres, esse “artigo de luxo” nas redações atuais. Só na editoria de cidades/geral (batizada de Dia a Dia) eram 28!!!!! Esportes tinha quase 15. Desse tempo, além desse saudosismo da grandeza do mercado de trabalho, guardo uma das minhas melhores memórias.

Meses antes da elaboração desse organograma, Leão Serva [NdaR: hoje diretor de Jornalismo da TV Cultura de São Paulo] era assessor de imprensa do governo Serra/Kassab. Não raro ele me ligava na redação para contestar alguma matéria que o Diário publicava, contrária aos interesses do governo. Com toda a sua inteligência, retórica e poder de argumentação, fazia seu trabalho com zelo e, vez ou outra, tentava derrubar a pauta antes que a matéria saísse. Eu, por meu lado, fazia de tudo para não o deixar desqualificar a pauta ou contestar nossos métodos e resultados da apuração. Leão tinha particular implicância com as reportagens que fazíamos em cima de personagens que, individualmente, punham em xeque a qualidade dos serviços públicos ofertados pelo governo. Certa vez, diante de uma matéria que tinha como ponto de partida a reclamação de um cidadão não atendido numa unidade de saúde, o telefone tocou e do outro lado da linha Leão começou a relativizar a matéria. Conversamos uns minutos, apresentamos nossos pontos de vista, até que ele sentenciou:

− Não me parece justo que se publique uma reportagem que critica todo o sistema de saúde por causa de um único caso. Esse é o erro da generalização.

Eu, que já conhecia suas armas, deixei-o falar e, para encerrar a conversa, truquei mesmo sem ter o zap na mão, porque sabia, de fato, que a reclamação era uma crítica solitária de um fiel leitor:

− Leão, enquanto eu for o editor-chefe aqui vai ser assim. Quando você for o editor-chefe você muda as regras…

Pois bem. Dois meses depois, com a venda do jornal da Infoglobo para o grupo de JH, eis que Leão foi apresentado como diretor de Redação. Tremi na base. No nosso primeiro encontro de trabalho, lembrei a ele esse nosso telefonema e deixei-o à vontade para selar meu destino. Demonstrando fidalguia e humildade, Leão não deu importância para a conversa e rebateu com classe:

− Esquece isso; eu estava fazendo o meu trabalho e você, o seu. Os dois estavam certos!

E assim, sem mágoas, ficamos mais de dois anos juntos, ele como diretor de Redação e eu como editor-chefe, liderando essa redação de quase 100 pessoas − lamentando apenas que, já naquela época, o Diário estava perdendo força de vendas e sofrendo os impactos mais severos da falta de identidade provocada pela mudança de nome e por outros erros de estratégia cometidos sob a gestão das Organizações Globo… (No próximo capítulo vou contar detalhes da pesquisa que embasou a mudança de nome do jornal. Aguardem!)

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Consultado por J&Cia sobre a publicação de história que o citava, Leão Serva respondeu:

“Nelson não me contou que narrou esse episódio no Face. Mas é absolutamente fiel.

Estou sorrindo aqui sozinho de lembrar.

Isso aconteceu assim mesmo.

Digo mais: Vanessa Pessoa, grande jornalista, que hoje faz o caminho inverso (é assessora de imprensa da Prefeitura), era a editora de Cidades e vivemos o mesmo encontro.

Fui muito feliz naquele momento exatamente porque senti que duplicamos ambos a compreensão do método jornalístico. Poucos sabem no Brasil de hoje que todos crescemos com os debates.”

Nelson Nunes

A história desta semana é de Nelson Nunes, ex-Gazeta Esportiva, Folha da Tarde, Jornal da Tarde, SBT, Jovem Pan e revista Propaganda e Marketing, que esteve por 22 anos no extinto Diário de S.Paulo. Ele publicou o texto no Facebook em 17/5 e nos autorizou a reproduzir.


Tem alguma história de redação interessante para contar? Mande para [email protected].

Plural é a nova aposta do UOL em jornalismo colaborativo

O UOL lançou Plural, selo editorial que tem como objetivo ampliar as parcerias e coproduções de sua redação com coletivos de produção de conteúdo independentes. A plataforma oferecerá conteúdo original criado por coletivos de periferias e comunidades, em conjunto com jornalistas do portal. O foco será a abordagem de temas contemporâneos à sociedade brasileira, com olhares sobre juventude, mobilidade, política, sustentabilidade, esporte, entretenimento e representatividade, entre outros.

“É uma iniciativa muito importante para tornar o conteúdo do UOL mais rico e diverso”, destaca Murilo Garavello, diretor de conteúdo do UOL. “Queremos ampliar o espaço para pontos de vista, perspectivas, inquietações de partes muito amplas da sociedade que historicamente participam muito pouco do fazer jornalístico e em geral são retratadas por quem vê a situação de fora. É um passo importante do plano de aumentar a diversidade do nosso jornalismo”.

Dentre os coletivos que já integram o projeto estão Periferia em Movimento, Desenrola e Não Me Enrola, Alma Preta e Nós, Mulheres da Periferia. Nas próximas semanas, outras iniciativas, de várias regiões do Brasil, entrarão na rede. O conteúdo estará espalhado por todo o portal e chegará aos usuários em formatos variados, seja como reportagens especiais, perfis, documentários, podcasts, artigos etc.

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