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segunda-feira, abril 27, 2026

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O coronavírus e os veículos de comunicação – XVI

Veículos independentes formam parceria para monitorar violência doméstica durante a pandemia

Ilustração: Hadna Abreu (Amazônia Real)

Amazônia Real, Agência Eco Nordeste, #Colabora, Portal Catarinas e Ponte Jornalismo formaram uma parceria colaborativa para monitorar a violência doméstica durante a pandemia de coronavírus, com o objetivo de dar visibilidade a esse “fenômeno silencioso”. O projeto Um vírus e duas guerras trará ao longo de 2020 diversas reportagens e dados sobre feminicídio durante o isolamento social.

A iniciativa fará um levantamento quadrimestral sobre violência doméstica. Os primeiros dados, obtidos entre março e abril deste ano, apontaram um aumento de 5% nos casos de feminicídio no País, em comparação ao mesmo período de 2019. Nesses dois meses, 195 mulheres foram assassinadas, contra 186 no mesmo período de 2019.

A pesquisa usou dados das secretarias de Segurança Pública de 20 estados. Nove deles registraram juntos um aumento de 54% nos casos de feminicídio. A média observada foi de 0,21 feminicídio a cada 100 mil mulheres. A taxa ficou acima da média em 11 estados.

Leia a íntegra da reportagem da Agência Eco Nordeste sobre a iniciativa.

Pesquisa da Fenaj mostra como a pandemia afeta os jornalistas

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou em 18/6 os resultados de uma pesquisa sobre os impactos da pandemia de coronavírus nos profissionais de imprensa nas redações, com ou sem vínculo formal de trabalho. Cerca de 55% dos entrevistados declararam aumento de pressão por acúmulo de tarefas, sobrecarga de horário e cobrança por resultados ocasionados pela pandemia.

Norian Segatto, do Departamento de Saúde da Fenaj, explicou que esse aumento de pressão está relacionado às reduções de salário e demissões, que atingiram boa parte das redações. Segundo os dados, houve redução salarial em cerca de 30% dos veículos, e demissões em 20% deles. Segatto disse que isso causa “sobrecarga para quem ficou, com consequente aumento da cobrança e pressão sobre os/as jornalistas”.

A pesquisa, que ouviu 457 profissionais de todo o País, indicou também uma contradição no que se refere à segurança dos profissionais: aproximadamente 79% dos participantes responderam que as empresas têm garantido condições de saúde e segurança para o exercício da profissão, mas apenas 17,5% consideram satisfatória a quantidade de equipamentos de proteção individual fornecida. Além disso, quase 48% dos entrevistados acreditam que as empresas poderiam melhorar as condições de trabalho durante a pandemia.

A presidente da Fenaj Maria José Braga declarou que “a pandemia agravou a situação que já era grave e, principalmente, em relação às condições de trabalho e salário, porque pode não ser maioria, mas é indicativo o contingente de profissionais que teve o salário reduzido, que é gravíssimo para qualquer trabalhador e ainda mais para um trabalhador que não tem um alto salário, como é o caso do jornalista. Ao contrário do que a maioria pensa, a categoria é mal remunerada e, em um salário já baixo, ter 25% de corte é muitíssimo grave”.

Com informações do Sindicato dos Jornalistas de SP.

RSF destaca projetos brasileiros entre os “heróis da informação” contra o coronavírus

A ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF) apresentou em 16/6 uma lista com 30 jornalistas, meios de comunicação e projetos de todo o mundo destacados como “heróis da informação” no combate à pandemia da Covid-19. São profissionais e plataformas que estão contribuindo para difundir informações confiáveis e vitais no contexto da crise sanitária. Entre os trabalhos reconhecidos, dois são brasileiros.

São eles o Gabinete de crise, projeto criado pelas organizações de mídia alternativa Papo RetoVoz das Comunidades e Mulheres em Ação para informar as populações negligenciadas no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro; e a Rede Wayuri, que reúne 17 jornalistas de oito etnias da Amazônia para evitar a propagação do vírus na região e informar mais de 750 comunidades indígenas. A rede vem produzindo e traduzindo boletins informativos em áudio para diversas línguas nativas.

A organização também prestou homenagem especial a profissionais de imprensa de Guayaquil, primeiro epicentro da epidemia na América Latina. Até o final de abril, pelo menos 13 jornalistas do Equador haviam sucumbido à doença.

Outras iniciativas

Pesquisa da ECA “antecipou” o conceito de redação virtual jornalística

Com a pandemia e o consequente isolamento social, o local do trabalho do jornalista e de outros profissionais de comunicação foi deslocado para o ambiente digital. Contudo, esse processo de “virtualização” das atividades jornalísticas já havia começado e a pandemia tem acelerado essa transmutação.

Defendida no final de 2019, a dissertação A redação virtual e as rotinas produtivas nos novos arranjos econômicos alternativos às corporações de mídia, de Ana Flávia Marques, pesquisadora do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho, ensejou o conceito de redação virtual e seu impacto no jornalismo. O trabalho científico avança no desenho conceitual desse novo espaço de produção jornalística.

Para a pesquisadora, a redação é o espaço físico que permite o acompanhamento das transformações do jornalismo. Ela diz que ao olhar para os arranjos alternativos de comunicação foi possível identificar aspectos estruturais da virtualização desta atividade: “É o ambiente em que se modulam e se padronizam as relações de trabalho e é o local possível para se observar como esses jornalistas falam sobre no trabalho em termos ideológicos; como constroem valor de uso e de troca; e como se dão as novas formas culturais das relações de produção, bem como os valores mobilizados para o trabalho e o que levam do trabalho para a sociedade”.

A dissertação pode ser acessada aqui e de forma resumida em artigo aqui

O vírus versus nós

Estamos reproduzindo charges sobre a Covid-19 publicadas na exposição O vírus versus nós, em cartaz no site da Associação dos Cartunistas do Brasil. A desta semana é do brasileiro Custódio (José Custódio Rosa Filho), que desde 1988 faz charges, personagens, tiras e animações para agências de publicidade, sindicatos, revistas, jornais e canais de TV, inclusive do exterior.

Marketing de conteúdo faz jornalistas ganharem mais, diz pesquisa

O setor de marketing de conteúdo é a nova tendência do mercado jornalístico, segundo pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Dos 980 profissionais de imprensa consultados, cerca de 50% de repórteres e editores de redação que migraram para essa área tiveram aumento de salário.

A pesquisa indicou que a grande maioria dos jornalistas que integram o setor são mulheres (72%), com mais de sete anos de formação (70%), e que se concentram na região Sudeste (45%). Além disso, cerca de 46% dos integrantes de marketing de conteúdo vieram de redações.

Apesar de indicar um aumento na remuneração, o estudo indicou também alguns problemas para quem migrou para o setor, como o fato de que quase metade dos profissionais desempenham suas funções sozinhos, sem nenhum colega de profissão (48%). Outro problema identificado no estudo é a falta de formação, treinamento e especialização em marketing de conteúdo, dado que fica ainda pior pelo fato de que parte dos profissionais da área são freelances (22%).

O curso gratuito Estrategista de Marketing de Conteúdo no Instagram, do Berkeley Institute, visa a ajudar a resolver o problema, com dicas e ferramentas essenciais contidas em cartões educacionais que podem ser baixados a qualquer momento. Confira!

Racismo na Copa de 1958 é tema em live de estreia do Portal dos Jornalistas

Seleção brasileira campeã da Copa do Mundo de 1958 (Crédito: Agência O Globo)

O Brasil celebra na próxima segunda-feira (29/6) os 62 anos de seu primeiro título mundial de futebol. Em campo, uma geração marcada pela genialidade de Didi e Garrincha, pelo surgimento de Pelé, mas também pela desconfiança e preconceito aos atletas negros. A história e os bastidores dessa conquista são retratados em Campeões da raça – Os heróis negros da Copa de 1958, de Fábio Mendes. Para marcar a estreia do novo formato de lives do Portal dos Jornalistas, o editor Fernando Soares conversará com o autor, às 16h, no dia em que a data é lembrada. A transmissão estará disponível nas plataformas do Portal dos Jornalistas em Instagram, Facebook e Youtube.

Versão virtual do Acervo Vladimir Herzog será lançada nesta sexta-feira (26/6)

Vladimir Herzog sentado à máquina de escrever, em 1966 (Crédito: Acervo Vladimir Herzog)

O Instituto Vladimir Herzog (IVH) lança nesta sexta-feira (26/6) a versão virtual do Acervo Vladimir Herzog, que disponibiliza cerca de 1.700 itens digitalizados sobre a trajetória profissional e pessoal do jornalista. O lançamento será feito em uma live, às 19h, nas redes sociais do Instituto, em comemoração ao 83º aniversário de Vladimir Herzog, morto pela ditadura militar em 1975. Participarão do evento Rogério Sottili, diretor executivo do Instituto; Ivo Herzog, presidente do Conselho do IVH e filho de Vladimir Herzog; Luis Ludmer, coordenador técnico do Acervo Vladimir Herzog; e Bianca Santana, jornalista e escritora.

Entre os itens disponíveis no acervo, alguns inéditos, estão mais de mil fotografias, muitas delas feitas pelo próprio Herzog; mais de 200 matérias e periódicos escritos e editados por ele, incluindo uma famosa matéria de capa sobre a crise da cultura brasileira, publicada em 1971 no jornal EX; cerca de 60 cartas escritas ou endereçadas a ele; e uma série inédita em parceria com o Museu da Pessoa, com doze depoimentos de familiares e amigos do jornalista.

Rogério Sottili diz que o objetivo de lançar o acervo neste momento é, “além de reiterarmos nosso compromisso com sua memória e de toda sua luta por democracia, também um gesto simbólico de enfrentamento ao revisionismo histórico e de negação dos horrores promovidos pela ditadura militar no Brasil. Queremos falar do que Vlado produziu em vida, de suas críticas sociais, infelizmente ainda atuais, de sua defesa da educação pública. Essa ação faz parte de um projeto maior do Instituto que é promover a Memória, a Verdade e a Justiça – para que possamos conhecer nosso passado e assim romper com os ciclos de violência que se perpetuaram em nossa história”.

 O Itaú Cultural apoia esse projeto desde o início − a iniciativa surgiu durante a concepção da Ocupação Vladimir Herzog, realizada na instituição em 2019 −, e na organização e digitalização do acervo. A Ocupação foi vista por 98,5 mil visitantes, batendo o recorde de público nas exposições do IC no ano passado. No site do evento também há bastante material sobre ele. 

Acesse o Acervo Vladimir Herzog aqui.

Veículos brasileiros são contemplados em projeto do Google que paga por conteúdo jornalístico

Crédito: Arnd Wiegmann/Reuters
Crédito: Arnd Wiegmann/Reuters

O Google anunciou nesta quinta-feira (25/6) um novo programa de licenciamento que pagará pelo conteúdo jornalístico produzido por editores. Veículos de Alemanha, Austrália e Brasil fazem parte da primeira fase de testes do projeto, que deve ser lançado formalmente no fim do ano ou no começo de 2021.

Estado de Minas e Correio Braziliense, dos Diários Associados, e A Gazeta (ES) são os jornais brasileiros escolhidos para a primeira etapa da iniciativa. Os alemães Der Spiegel, Frankfurter Allgemeine Zeitung, Die Zeit e Rheinische Post, e os australianos Schwartz Media, The Conversation e Solstice Media são os outros veículos que integram o projeto que fará parte do Google News e do Discover.

Em entrevista aos Diários Associados, Andrea Fornes, coordenadora de parcerias editoriais do Google, explicou que a iniciativa oferecerá conteúdos até agora exclusivos para assinantes, que estavam disponíveis apenas por meio do paywall: “Nós estabelecemos contratos com os publicadores para abrir esses produtos jornalísticos fechados, com a anuência deles. É uma espécie de demonstração, pensada para atrair mais assinaturas para os jornais, ao mesmo tempo em que fortalece a marca de veículos relevantes e divulga informações de qualidade, de maior profundidade, produzidas por jornalistas profissionais”.

Andrea comenta também que o projeto ajudará o consumidor a focar nas notícias de seu interesse, com eficiência, critério e autonomia, pois ele estará utilizando uma ferramenta cujo conteúdo foi feito por veículos de imprensa confiáveis, evitando assim se perder no meio de tantas notícias, num “mar de informações”.

Com informações da ANJ.

Estudantes da PUC-SP criam projeto para contar histórias de mulheres na quarentena

Crédito: Projeto Alamandas

Alunas do curso de Jornalismo da PUC-SP criaram o Projeto Alamandas, que conta histórias de mulheres paulistas durante o isolamento social, com o objetivo de apresentar problemas e consequências que elas seguem enfrentando em quarentena, e conscientizar o público sobre questões de gênero e feminismo.

Inspirados no livro Sejamos Todos Feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie, as estudantes buscaram mulheres de diferentes classes sociais, econômicas e raciais para relatarem o período de quarentena e suas visões sobre o feminismo.

Camila Barros, uma das alunas responsáveis pelo projeto, explica que a ideia é “deixar o projeto completamente com a cara das entrevistadas. As músicas são escolhas delas, os textos informativos são baseados nos relatos delas, o conteúdo em si é todo criado a partir dessas entrevistas”.

Confira o Projeto Alamandas no Instagram!

Band acerta contratação de Mariana Godoy; Luís Ernesto Lacombe deixa a emissora

Mariana Godoy

O Grupo Bandeirantes confirmou na quarta-feira (24/6) a contratação da apresentadora Mariana Godoy, que chega para trabalhar na BandNews FM, na BandNews TV e possivelmente apresentar o programa matinal Aqui na Band. Segundo Daniel Castro (Notícias da TV/UOL), o acerto gerou uma série de desavenças e polêmicas dentro da emissora. Vildomar Batista, diretor-geral e criador do Aqui na Band, foi demitido nesta quinta-feira (25/6), após declarar que não havia sido avisado da contratação de Godoy, e que ficou sabendo apenas pela imprensa.

Luís Ernesto Lacombe

Em comunicado, a Band anunciou que o apresentador Luís Ernesto Lacombe, que comandava o Aqui na Band, deixou a emissora. Nathália Batista, que apresentava a atração ao lado de Lacombe, foi afastada. Mariana Godoy deve assumir o programa ao lado de outro apresentador que ainda será definido. Segundo Daniel Castro, as medidas são fruto de uma briga ideológica entre os setores de Entretenimento e Jornalismo da emissora, por causa de pautas tendenciosas e debates sobre conservadorismo em favor do presidente Jair Bolsonaro.

No comunicado, a Band escreveu que o Aqui na Band será reformulado. A diretoria da emissora suspendeu a exibição das edições inéditas do programa. Até julho, serão exibidas reprises.

Daniel Castro revelou também que a emissora está conversando com Zeca Camargo para substituir a Lacombe no comando da atração. Camargo anunciou que, após 24 anos de casa, não vai renovar seu contrato com a Globo, que acaba na próxima terça-feira (30/6).

AzMina lança portal Elas no Congresso

Crédito: AzMina

O coletivo AzMina criou o portal Elas no Congresso, que monitora a atuação parlamentar no que se refere aos direitos das mulheres. O site elabora um ranking de deputados e senadores, mostrando quais políticos e partidos estão agindo positivamente e negativamente pela causa.

Quinze organizações que trabalham com direitos das mulheres julgaram cerca de 331 projetos sobre o tema criados em 2019 por parlamentares. Elas avaliaram se os projetos eram favoráveis ou desfavoráveis, e relevantes ou irrelevantes. Com base nesse critério, cada projeto de lei (PL) e cada parlamentar recebeu uma pontuação.

O portal disponibiliza os dados completos, incluindo os critérios de pontuação. Eles podem ser baixados por qualquer um. Confira!

Abraji relança curso sobre jornalismo local

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em parceria com o Facebook Journalism Project, relança o curso Jornalismo Local Sustentável, destinado a profissionais que trabalhem em meios de comunicação de abrangência local ou que tenham projetos para empreender nesse setor. O curso, gratuito, será o mesmo de 2019, com conteúdo igual ao da edição anterior, que teve 3,5 mil inscritos.

As aulas são divididas em quatro módulos: Jornalismo local de qualidade, Territórios e comunidades, Ferramentas digitais para jornalista e Jornalismo economicamente sustentável. Ao longo do curso, os participantes aprenderão sobre fundamentos do jornalismo; uso de smartphones para produção de vídeos; novas linguagens, como dados e podcasts; análise de redes sociais; ferramentas que aumentam a produtividade jornalística; técnicas de medição de audiências, entre outros.  

Marcelo Träsel, presidente da Abraji, destaca a importância do Jornalismo Local. Para ele, “a existência de veículos de imprensa saudáveis nos municípios é fundamental para a democracia, porque é nos municípios que a cidadania acontece todos os dias. Pesquisas mostram que nas cidades onde há jornalismo independente há menos casos de mau uso do dinheiro público. Além disso, o contato com o jornal, emissora ou website local é uma forma de o cidadão conhecer na prática o trabalho dos jornalistas, o que pode contribuir para aumentar a credibilidade na imprensa como um todo”.

As inscrições vão até 30/6 e são limitadas a até 1,5 mil participantes. Caso o número de inscritos seja inferior, a Abraji abrirá uma lista de espera para estudantes de Jornalismo.

Vacina: é preciso encontrar uma contra as fake news

Por Luciana Gurgel, especial para o J&Cia

Luciana Gurgel

Enquanto países que já controlaram a Covid-19 temem a “segunda onda”, outros ainda vivem o drama de contabilizar vidas perdidas e prejuízos à economia. Em comum, todos apostam na vacina contra o coronavírus para dar fim ao pesadelo.

Mas pode não ser tão simples, se os movimentos antivacina conseguirem afetar a contenção da doença. Essa preocupação motivou um estudo da empresa FTIConsulting a respeito de riscos à saúde pública global advindos da disseminação de informações falsas sobre imunização nas redes sociais.

O relatório lembra que teorias conspiratórias envolvendo vacinas não são novidade, mas observa que as redes sociais asseguram condições inigualáveis para a proliferação delas. A fim de avaliar os riscos potenciais, a consultoria tomou como referência a onda de desinformação a respeito da vacina tríplice viral (ou MMR, contra sarampo, rubéola e caxumba). E projetou um cenário preocupante para a imunização contra o coronavirus.

O curioso é que as fake news sobre a MMR tiveram origem sólida. Espalharam-se a partir de um estudo publicado em 1999 na respeitada The Lancet, fonte de referência para cientistas e jornalistas, que associava a vacina ao autismo.

Depois muita controvérsia a publicação retirou o artigo. Seu autor teve a licença cassada. Mas isso foi apenas em 2010, quando os boatos já tinham se espalhado o suficiente para impactar a saúde pública em vários países.

O estudo da FTI Consulting assegura que as notícias sem fundamento causaram queda de 94% para 90% na cobertura vacinatória no Reino Unido entre 2013 e 2019. Os pesquisadores empregaram modelos matemáticos e estatísticas oficiais para isolar outros fatores capazes de influenciar redução, comprovando que as informações falsas desempenharem papel central na decisão de pais não imunizarem os filhos.

A conclusão da FTI é que ideias transmitidas pelas redes sociais afetam o comportamento humano, podendo impactar a saúde pública na vida real. No caso do coronavírus, pessoas podem se recusar a tomar a vacina quando estiver disponível, permitindo que a doença continue a fazer vítimas.

A consultoria conclama os indivíduos a terem cuidado com o que criam e compartilham. E chama as redes sociais à responsabilidade de conter a desinformação. Por fim, aborda a adoção de controles legais sobre as mídias sociais.

Editores ou plataformas de compartilhamento? − Embora o coronavírus tenha motivado algumas redes a agir rápido para remover conteúdo falso, o posicionamento das plataformas digitais continua o mesmo. Sustentam que não são editores como a mídia tradicional, e sim ambientes para partilhar material feito pelos usuários, sendo esse o foco do debate sobre mecanismos de controle.

A boa notícia é que o trabalho feito por meios de comunicação e entidades dedicadas a combater as fake news parece estar sendo eficaz para conscientizar o público sobre os riscos de acreditar em tudo o que chega pelas redes. A seriedade da pandemia pode estar contribuindo, como registram pesquisas.

Uma das mais notórias, sobre a qual falamos aqui, foi feita pela empresa GlobalWebIndex. Indicou que, mesmo figurando como fonte de informação sobre a doença para 47% dos respondentes, as redes sociais alcançaram somente 14% no quesito confiança, o maior gap entre uso e credibilidade.

Todos são responsáveis − É um caminho fácil crucificar as plataformas digitais. Porém, não são as únicas vilãs.

O episódio envolvendo The Lancet acaba de se repetir, com a inacreditável história do artigo científico publicado em maio mostrando riscos cardíacos para pacientes tratados com hidroxicloroquina. Foi removido diante de questionamentos sobre a metodologia por parte do The Guardian depois de ter sido usado até pela OMS para fundamentar a recomendação de suspender o uso da substância.

Responsabilidade e cuidado quando se trata de saúde precisam valer para todo mundo.

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