A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) destacou em comunicado o aumento da violência contra jornalistas que cobrem manifestações públicas em diversos países e como isso afeta a liberdade de imprensa e de expressão.
Audrey Azoulay, diretora-geral da Unesco, afirmou que “a cobertura de acontecimentos está no centro do trabalho jornalístico, (…) essencial para garantir a liberdade de imprensa e o direito à informação”. De acordo com a entidade, nos últimos anos houve um aumento significativo nos registros de uso desproporcional da força por parte de policiais contra profissionais de imprensa em manifestações.
No comunicado, a Unesco lembra que realizou programas de formação sobre liberdade de imprensa e expressão para cerca de 3.5 mil agentes das forças de segurança de 17 países, e para quase 17 mil juízes e funcionários judiciais na América Latina e na África.
A 15ª edição do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, em 11 e 12 de setembro, já tem confirmadas as participações de três convidados internacionais: Craig Silverman, do BuzzFeed do Canadá; Neena Kapur, especialista em doxing (exposição de dados pessoais na internet) do New York Times; e Cécile Prieur, responsável pela inovação do Le Monde. O evento, que terá inscrições abertas em breve,.será totalmente virtual, com palestras, painéis e bastidores de reportagens sobre a Covid-19, meio ambiente, racismo e ameaças à democracia.
Vale lembrar que o modelo de cobrança do Congresso será diferente: o valor do ingresso será proporcional a dois dias e servirá como referência para os participantes definirem o valor de sua contribuição voluntária. A ideia é garantir a participação dos jornalistas que foram demitidos ou tiveram suas jornadas reduzidas por causa da pandemia.
Em 10 de setembro, um dia antes do Congresso, haverá o 7º Seminário de Pesquisa em Jornalismo Investigativo e a apresentação de trabalhos de conclusão de curso (TCCs), que já está com inscrições abertas. E em 13 de setembro, um dia após do Congresso, haverá a segunda edição do Domingo de Dados, com cursos, oficinas e palestras sobre jornalismo de dados.
A ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF) apresentou em 16/6 uma lista com 30 jornalistas, meios de comunicação e projetos destacados como “heróis da informação” no combate à pandemia da Covid-19. São profissionais e plataformas que estão contribuindo para difundir informações confiáveis e vitais no contexto da crise sanitária. Entre os trabalhos reconhecidos, dois são brasileiros.
São eles o Gabinete de crise, projeto criado pelas organizações de mídia alternativa Papo Reto, Voz das Comunidades e Mulheres em Ação para informar as populações negligenciadas no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro; e a Rede Wayuri, que reúne 17 jornalistas oriundos de oito etnias da Amazônia para evitar a propagação do vírus na região e informar mais de 750 comunidades indígenas. A rede vem produzindo e traduzindo boletins informativos em áudio para diversas línguas nativas.
A organização também prestou homenagem especial aos jornalistas de Guayaquil, primeiro epicentro da epidemia na América Latina. As imagens dos cadáveres deixados nas ruas rodaram o mundo, mas apesar da falta de equipamentos de proteção os jornalistas locais continuaram seu trabalho de informar e realizaram reportagens em áreas altamente contaminadas. Até o final de abril, pelo menos 13 profissionais haviam sucumbido à doença.
“Alguns se arriscaram tanto para informar sobre a realidade da pandemia que perderam suas vidas, enquanto outros ainda estão desaparecidos ou atrás das grades”, constata o secretário-geral da RSF Christophe Deloire. “Processados, agredidos, insultados, muitos pagaram um alto preço por defenderem o direito à informação e lutarem contra os boatos e a desinformação que agravam as consequências da crise sanitária. Esses novos heróis nos lembram de que o jornalismo pode salvar vidas. Eles merecem toda a nossa atenção e admiração”.
O Grupo Bandeirantes decidiu nessa segunda-feira (22/6) pelo afastamento dos apresentadores do Band Notícias. A medida foi tomada após Douglas Santucci testar positivo para a Covid-19. Como medida de segurança, sua colega de bancada Cynthia Martins também foi afastada temporariamente.
Douglas Santucci e Cynthia Martins
Com a decisão, o telejornal ganhou uma dupla interina de apresentadores: Pablo Ribeiro e Joana Treptow.
Em nota enviada à emissora, o Sindicato dos Jornalistas de SP solicitou uma série de ações para garantir a segurança dos profissionais da casa, como comunicação oficial, teste para todos os funcionários e contingenciamento da equipe por home office parcial.
Confira o comunicado:
“Prezados,
Atendendo solicitação da diretoria do Sindicato dos Jornalistas, encaminho o presente pedido de providências, decorrente da informação de que um jornalista assintomático (Douglas Santucci) que trabalhou na redação até ontem, testou positivo para COVID 19.
Diante de tal situação que demanda preocupação aos colegas rogamos sejam tomadas as seguintes medidas pela BAND:
1 – Sejam os jornalistas comunicados formalmente pela empresa da situação, para que possam avaliar se tiveram contato mais próximo com o referido profissional;
2 – Sejam todos os funcionários da empresa imediatamente testados para detectar novos focos de contágio e separar os positivados da redação;
3 – Seja adotada um contingenciamento preventivo, colocando cerca de metade da redação em home office, de preferência aqueles que tiveram contato recente com o referido profissional positivado, a fim de evitar um blackout da redação, caso o contágio se dissemine entre os profissionais presentes na empresa.
Por fim, desde já nos colocamos à disposição para efetuarmos uma reunião remota para discutir a questão.
Christina Lemos é a nova apresentadora do Jornal da Record. Ela estreia na bancada nesta segunda-feira (22/6) no lugar de Adriana Araújo, ao lado de Sérgio Aguiar, que está substituindo a Celso Freitas, afastado preventivamente por causa da pandemia.
Nascida em Cambuquira (MG), Christina é formada em Jornalismo e tem especialização em Ciência Política pela Universidade de Brasília. Trabalhou por 25 anos como repórter especial do Jornal da Record, cobrindo os principais acontecimentos de política e economia na Capital Federal. Também atuou como comentarista de política e moderadora de debates eleitorais das últimas cinco eleições presidenciais. Cobriu por 20 anos a Presidência da República e comandou o programa Brasília ao Vivo, pela Record News. Assina um blog de política no portal R7. Foi laureada Cavagliere dell’Ordine della Stella pelo governo da Itália, em 2019.
Adriana Araújo (Crédito: Edu Moraes / Record TV)
Adriana, que até então era a apresentadora titular do Jornal da Record, comandará uma nova temporada do programa Repórter Record Investigação, que estreará em breve.
Formada em Jornalismo pela PUC-Minas, iniciou a carreira no Diário do Comercio, como repórter de economia em Belo Horizonte. Tornou-se repórter de televisão e passou a cobrir pautas de economia e política diretamente de Brasília. Na Record, apresentou o programa Domingo Espetacular, produziu reportagens para a revista eletrônica da emissora e foi correspondente internacional em Nova York.
O Grupo Globo anunciou que as versões impressas dos jornais Valor Econômico e O Globo deixarão de circular em Brasília e nas cidades de Goiânia, Anápolis, Aparecida de Goiânia e Rio Verde, em Goiás. Segundo a empresa, a mudança, que passará a valer em 1º de julho, é fruto de um processo de “reinvenção e modernização”.
Em comunicado, o Grupo Globo disse estar “atento aos novos comportamentos de consumo de notícia causados pela grande transformação digital que vivemos. Prova disso é que, nessas localidades (Brasília e algumas cidades de Goiás), o número de assinantes digitais já representa seis vezes mais do que o número de assinantes do impresso, o que reforça a opção por um maior foco na operação digital, neste momento”.
Os assinantes das localidades citadas ainda podem acessar o conteúdo dos jornais em seus respectivos sites e apps, incluindo a versão em pdf com o formato de paginação a que os leitores estão acostumados.
A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) realiza uma pesquisa sobre os impactos da pandemia de coronavírus entre jornalistas mulheres. O questionário foi elaborado pelo Conselho de Gênero da entidade.
A pesquisa, além de mapear a situação das mulheres, quer definir uma iniciativa fundamental para ajudar as jornalistas durante e após a pandemia. O questionário está disponível em inglês, espanhol e francês. O prazo para responder é até esta terça-feira (23/6). Participe!
Faleceu em 20/6, aos 28 anos, vítima de coronavírus, a jornalista Letícia Neworal Fava. Formada em 2012, pela Universidade Mackenzie, ela morava em Jundiaí, no interior de São Paulo, onde há quatro anos era analista de Comunicação da Universidade do Futebol.
Pelas redes sociais, a Universidade do Futebol, instituição que estuda e pesquisa mudanças nas diferentes áreas e setores relacionados ao futebol, comunicou a morte de Letícia: “Era uma jovem guerreira, sempre zelosa de suas responsabilidades e marcante personalidade. Deixa uma lacuna no seio da nossa comunidade do futebol”.
O corpo foi enterrado no cemitério Nossa Senhora do Desterro, em Jundiaí.
Amazônia Real, Agência Eco Nordeste, #Colabora, Portal Catarinas e Ponte Jornalismo formaram uma parceria colaborativa para monitorar a violência doméstica durante a pandemia de coronavírus, com o objetivo de dar visibilidade a esse “fenômeno silencioso”. O projeto Um vírus e duas guerras trará ao longo de 2020 diversas reportagens e dados sobre feminicídio durante o isolamento social.
A iniciativa fará um levantamento quadrimestral sobre violência doméstica. Os primeiros dados, obtidos entre março e abril deste ano, apontaram um aumento de 5% nos casos de feminicídio no País, em comparação ao mesmo período de 2019. Nesses dois meses, 195 mulheres foram assassinadas, contra 186 no mesmo período de 2019.
A pesquisa usou dados das secretarias de Segurança Pública de 20 estados. Nove deles registraram juntos um aumento de 54% nos casos de feminicídio. A média observada foi de 0,21 feminicídio a cada 100 mil mulheres. A taxa ficou acima da média em 11 estados.
O Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio) e o projeto Redes Cordiais uniram-se para criar a iniciativa Da rede social à rede de apoio: ciber-resiliência para jornalistas. A proposta é capacitar profissionais de imprensa a utilizarem melhor as ferramentas digitais da atualidade, como mídias sociais, e a tecnologia avançada nas redações. O projeto oferece cursos e aulas online, manuais digitais e uma rede de apoio para jornalistas.
Apoiada pelo Facebook Journalism Project, a iniciativa fará ações concentradas nos meses que antecedem as eleições municipais de 2020, e deve atingir ao menos mil profissionais, com o intuito de reduzir a vulnerabilidade digital, e melhorar a capacidade institucional de veículos que atuarão na cobertura eleitoral.
Fabro Steibel, diretor executivo do ITS Rio, afirmou que “a proteção do jornalista é uma forma de a gente proteger a produção de informação de qualidade. Não tem como combater a desinformação sem promover quem traz informação segura, com metodologia e institucionalidade”.
A primeira aula do projeto será em 14 de julho. Inscreva-se!