Segundo informações da Ponte Jornalismo, o fotógrafo João Leoci, o psiquiatra e médico-palhaço Flavio Falcone e outras pessoas foram detidas pela Polícia Civil nesta quinta-feira (1º/9) enquanto trabalhavam em uma ação de redução de danos na região da Cracolândia, no bairro da Luz, centro de São Paulo.
Leoci estava acompanhando o trabalho do psiquiatra Flavio Falcone, que toda quinta-feira realiza atividades e apresentações com dependentes químicos. O fotógrafo registrava ações das forças de segurança durante o chamado “fluxo”, cena aberta de venda e consumo de drogas. Depois de um tempo, policiais civis e o delegado Severino Vasconcelos, do 77º DP, detiveram Flavio e mais 20 pessoas que faziam parte da ação de redução de danos, incluindo Leoci, sob a justificativa de “perturbação da ordem”, mas eles já foram liberados.
Em entrevista ao repórter da Ponte Gil Luiz Mendes, Flavio classificou o ocorrido como “tentativa de criminalização da redução de danos e das pessoas que defendem os usuários e estão denunciando as violações constantes de direitos humanos que essa operação está fazendo”. O psiquiatra disse que fará uma denúncia na Corregedoria da Polícia Civil contra o delegado Severino Vasconcelos.
Por meio de nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou que realizou uma operação na região da “Cracolândia” e encaminhou cerca de 15 pessoas ao 77º DP para elaboração de um BO de “perturbação de sossego”. Segundo a secretaria, moradores da região reclamam com frequência do som alto que ocorre às quintas-feiras.
Sobre o ocorrido, Fausto Salvadori, diretor de Redação da Ponte, escreveu no Twitter que “a Polícia Civil do governo de Rodrigo Garcia acaba de deter ilegalmente um jornalista. Um ataque à liberdade de imprensa em pleno período eleitoral. Ainda mais grave porque João, como sempre faz, cobria o cotidiano das pessoas mais vulnerabilizadas pelo Estado quando foi detido”.
A Associação de Jornalismo Digital (Ajor) chegou à marca de 100 associadas, entre elas este Portal dos Jornalistas, que faz parte da entidade desde agosto de 2021. Dentre as novas associadas estão veículos como Favela em Pauta e portal Terra.
Para celebrar o marco, a Ajor lançou nesta quinta-feira (1º/9) a newsletter Brasis, projeto de curadoria diária com conteúdos feitos pelas associadas, com o objetivo de trazer maior visibilidade ao trabalho feito por elas, além de mostrar um novo olhar sobre renovação de pautas e diversidade no Brasil.
A editora da newsletter é Audrey Furlaneto, autora de uma biografia de Marielle Franco que será lançada em breve, com 15 anos de experiência em redações. Também chega à equipe da Ajor Tainah Ramos, que ocupará o cargo de assistente de comunicação.
Brasis será enviada diariamente por e-mail. A newsletter é dividida em editoriais fixas (Política, Cultura, Meio ambiente, Outras histórias, Investigação, Podcast) e rotativas (Direitos Humanos, Raça e gênero, Checagem, Tecnologia, Esporte), que aparecem em dias alternados durante a semana. Interessados em receber podem fazer a inscrição aqui.
Outra novidade é que a Ajor está agora na plataforma Slack, com canais específicos pensados de acordo com demandas das associadas. A própria Brasis é um desses canais. Na plataforma, será possível que as associadas, entrem em contato com Audrey para informar sobre novos projetos e coberturas especiais que gostariam de ver na newsletter.
Em 19 de novembro, a Ajor realizará seu primeiro evento presencial: o Festival 3i NE 2022, em parceria com a Universidade Católica de Pernambuco. Associadas da entidade na região estão ajudando a pensar na programação e no formato. Interessados em contribuir podem escrever para a equipe da Ajor.
O livro Fake news e desinformação nas eleições de 2020 (Editora Fi), que mostra a visão do eleitorado paulistano em relação a informações falsas no pleito seguinte ao de 2018, será lançado nesta sexta-feira (2/9), às 19h, no campus Monte Alegre da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
O evento contará com um debate sobre o tema com Rosemary Segurado, doutora em ciência política e uma das coordenadoras do livro, e Pollyana Ferrari, pesquisadora em comunicação digital e professora da universidade.
O livro é baseado em uma pesquisa, de caráter qualitativo, realizada pelo Núcleo de Estudos em Arte Mídia e Política (Neamp) da PUC-SP, por meio de grupos de discussão e entrevistas com o eleitorado paulistano, abordando suas percepções sobre fake news, checagem de fatos e as formas como adquiriam informações confiáveis.
“A pesquisa traz uma importante contribuição, já que conseguimos captar o que as eleitoras e os eleitores sabiam e pensavam sobre fake news no pleito seguinte ao de 2018, momento em que a circulação de notícias falsas teve caráter sem precedentes no Brasil”, analisa Rosemary.
O sexto e último episódio da primeira temporada do videocast#diversifica recebeu Erick Mota, da RIC TV/Record-PR, site Regra dos Terços e podcast Distraídos, para debater a realidade de pessoas neurodivergentes no Jornalismo.
Apresentado por Luana Ibelli, o conteúdo faz parte do especial Subjetividades, iniciativa que reúne seis jornalistas para discutir a diversidade na profissão sob a ótica as quais estão inseridos.
Todas as entrevistas estão disponíveis no canal do Portal dos Jornalistas no YouTube e nos principais tocadores de podcast.
E na próxima segunda-feira (5/9), o #diversifica, hub multimídia de conteúdo sobre Diversidade, Equidade e Inclusão da Jornalistas Editora, prepara o lançamento da revista digital do especial Subjetividades.
Produzido por Fernando Soares, editor deste Portal dos Jornalistas, o conteúdo foi extraído das principais reflexões discutidas nos seis episódios do videocast.
O #diversifica é um dos 15 projetos brasileiros selecionados pelo Programa Acelerando a Transformação Digital, financiado pelo Meta Journalism Project, com o apoio de Associação de Jornalismo Digital (Ajor) e Internacional Center for Journalists (ICFJ). Também apoiam a iniciativa Anglo Américan, Énois Conteúdo, GPA, Imagem Corporativa, Itaú, Oboré. PMI Philip Morris e Rádio Guarda-Chuva.
Ao mesmo tempo em que cobram inclusão e diversidade das empresas e da sociedade, organizações de mídia nem sempre escapam de críticas por suas condutas.
O constrangimento mais recente envolve o New York Times. Na semana passada, a Associação Nacional de Jornalistas Hispânicos, a Associação de Jornalistas Asiático-Americanos e a Associação Nacional de Jornalistas Negros uniram-se para condenar o jornal em resposta a um levantamento feito pelo NewsGuild de Nova York, o sindicato dos funcionários do Times.
O problema não foi a quantidade de profissionais negros, hispânicos ou asiáticos nos quadros do jornal, e sim algo mais subjetivo: uma alegada discriminação nas avaliações de desempenho.
A análise do sindicato, com base em dados fornecidos pelo próprio New York Times, constatou que em 2021 mais da metade (56,1%) dos membros do Latino Guild, 39% dos membros do Asian Guild e 37% dos membros do Black Guild que trabalhavam havia três anos ou menos no jornal receberam classificação baixa. Já entre os profissionais sindicalizados brancos, apenas 25,9% foram mal avaliados.
O caso expõe preconceitos velados, que resistem a programas e políticas, nem sempre visíveis e fáceis de serem desconstruídos. E que não são um problema somente do New York Times.
As três associações elogiaram o Times por identificar deficiências quando anunciou um plano para tornar a empresa mais inclusiva, em 2021. O jornal admitiu na época que seus sistemas de recursos humanos e as práticas de gestão “permaneciam subdesenvolvidos”. E assumiu que sem sistemas funcionando bem para definir as maneiras pelas quais as pessoas vivenciam uma organização − contratação, feedback e avaliações, desenvolvimento − a informalidade pode levar a uma falta de consistência e de justiça.
Mas para as três associações não houve avanços desde então. A insatisfação foi agravada pelo fato de o jornal não se ter mostrado aberto ao diálogo, segundo afirmaram as entidades.
Depois que o levantamento foi publicado, uma porta-voz do Times, Danielle Rhoades, disse à NPR (National Public Radio, a rede pública de notícias americana) que as classificações não refletiam preconceito… mas que a empresa estava trabalhando para melhorar o sistema.
O problema apontado pelos representantes dos funcionários vai além de insatisfações ou injustiças individuais. Jornalistas talentosos − ou profissionais talentosos de qualquer outra companhia em que isso também aconteça − tendem a mudar de emprego. E isso torna mais difícil atingir as metas de equidade e inclusão na força de trabalho. A reportagem da NPR citou jornalistas que disseram ter saído do New York Times diante de avaliações frustrantes e incompatíveis com o feedback recebido verbalmente.
Nem todos concordam com essa visão. Jenny Holland, uma jornalista irlandesa-americana que já trabalhou no NYT, escreveu um artigo na revista britânica Spike (reduto de gente “anti-woke”) sobre o assunto, afirmando nunca ter experimentado racismo no jornal.
Sendo ela uma bonita mulher branca de olhos bem azuis, talvez fosse difícil mesmo. Ela não questiona os dados do relatório, mas sugere que “obcecados” enxergam racismo onde não existe. E que as acusações poderiam estar relacionadas a negociações de acordo salarial, com o sindicato acusando o jornal “do pecado mais grave na América liberal, o racismo”.
Se há motivações trabalhistas ou não, o fato é que o relatório tem números, não apenas queixas isoladas ou subjetivas, lembrando a expressão “contra fatos não há argumentos”.
Na manifestação conjunta, Michelle Ye Hee Lee, presidente da organização de jornalistas asiáticos, defendeu a necessidade de as redações questionarem suas culturas e sistemas internos que marginalizam jornalistas de outras etnias e são responsáveis por criar ou contribuir para desequilíbrios − incluindo as avaliações de desempenho.
Um bom alerta, que vale para qualquer tipo de empresa, pois como diz outra expressão popular, “o diabo mora nos detalhes”.
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Escolha até esta quinta-feira, 1º de setembro, os profissionais e veículos +Admirados da Imprensa de Saúde, Ciência e Bem-Estar. Um prêmio do Hospital Israelita Albert Einstein, organizado por Jornalistas&Cia. Vote aqui!
No primeiro turno, que encerrou em 11/8, foram mais de 180 jornalistas indicados nas categorias nacional, regional e colunistas, e 156 veículos/programas/podcasts. Cinquenta e nove jornalistas classificaram-se nacionalmente, muitos dos quais também indicados nas regionais, que somaram 54 profissionais; 24 jornalistas estão entre os finalistas em ambas as categorias. Nessas indicações estão representados 36 diferentes veículos/ programas/podcasts. No total, 72 veículos passaram para o segundo turno nas oito categorias do prêmio, sete dos quais em duas categorias. Veja Saúde foi indicada em três categorias: Site/ Blog, Imprensa Especializada e Canal Digital.
O Prêmio Einstein +Admirados da Imprensa de Saúde, Ciência e Bem-Estar elegerá profissionais e veículos de comunicação dedicados a essas três áreas de atuação. Entre os profissionais, elegerá os TOP 25 Brasil e os TOP 3 das regiões Norte, Nordeste, Centro Oeste, Sudeste e Sul.
Na cerimônia de premiação serão anunciados os TOP 5 Brasil e os campeões regionais além do(a) +Admirado(a) Colunista. Já os veículos disputam o certame nas categorias Agência de Notícias, Canal Digital, Podcast, Programa de Rádio, Programa de TV, Site/Blog, Veículo Impresso e Veículo Impresso Especializado. Para votar, basta clicar neste link e preencher um breve cadastro. A cerimônia de premiação será no dia 10/10, no Salão Chella do Hospital Israelita Albert Einstein em São Paulo.
A Aberje Editorial, da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, lança nesta quinta-feira (1º/9) o livro Reputação e Valor compartilhado – Conversas com CEOs das empresas Líderes em ESG. As autoras são Tatiana Maia Lins e Elisa Prado, especialistas em comunicação corporativa.
A obra traz entrevistas com 13 CEOs de empresas líderes de reputação nos Rankings Merco – As Empresas Mais Responsáveis ESG no Brasil: Luiza Helena Trajano (Magazine Luiza), Marcelo Oromendia (3M), Roberto Funari (Alpargatas), Jean Jereissati (Ambev), Malu Nachreiner (Bayer), Gustavo Werneck (Gerdau), Fábio Coelho (Google), Milton Maluhy Filho (Itaú Unibanco), João Paulo Ferreira (Natura), Marta Díez (Pfizer), Walter Schalka (Suzano), Rafael Chang (Toyota), e Christian Gebara (Vivo).
“Queríamos entender o nível de consciência dos CEOs de diversos setores da economia sobre as vantagens competitivas trazidas pela reputação para atrair talentos, consumidores e investidores”, destacam as autoras.
A obra mostra também como esses CEOs enxergam e se posicionam dentro da agenda ESG, que vem gerando mudanças de investimentos e consumo, além de exigir posturas mais éticas e com visão sistêmica para a geração de valor compartilhado com todos os stakeholders.
O lançamento será nesta quinta-feira (1º/9), a partir das 19h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo. O preço do livro é de R$ 55 e estará disponível no site da Aberje ou na Amazon (versão e-book).
Morreu na semana passada Celso Luis Barbosa Freire, aos 52 anos, no Pará. Em maio, ele foi diagnosticado com câncer em estágio avançado e estava intubado nas últimas semanas na capital paraense. Deixa a esposa e um filho.
Em junho, Celso fez uma cirurgia para a retirada de tumores, mas precisou ser intubado em julho. O estado de saúde chegou a melhorar nas últimas semanas, chegando a ficar estável. Ele passou por um procedimento de ventilação do pulmão direito, e a respiração havia melhorado, mas na madrugada de 24/8 não resistiu.
Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará, Celso passou pelas rádios Cultura e Nazaré. Trabalhava desde 2000 na Rádio Liberal e desde 2016 na Rádio Unama. Ao longo da carreira, venceu mais de 40 prêmios de radiojornalismo. Em 2021, foi o quinto +Premiado Jornalista de 2021 na Região Norte, segundo levantamento realizado por este Portal dos Jornalistas, com 220 pontos no total.
Colegas de profissão publicaram homenagens a Celso em suas redes sociais. O radialista Rodolfo Marques, amigo do jornalista, escreveu: “Celso Freire, um grande amigo, alguém com quem pude ‘ombrear’ na jornada de trabalho por pelo menos 20 anos. Tivemos uma parceria de vida, de trabalho, de amizade. Uma admiração muito grande que tenho por ele, pelo legado que deixou, pelas premiações, por toda trajetória, pelo homem e profissional que foi, e deixa saudade em todos nós”.
No programa Pingos nos Is, a ex-jogadora de vôlei Ana Paula Henkel comentou um vídeo modificado em que Cidral aparenta ter dito que Vera formulou uma pergunta de propósito para provocar Bolsonaro. Na verdade, Cidral estava se referindo a uma fala da candidata Simone Tebet, e não de Vera Magalhães.
No vídeo original, Cidral diz: “O momento mais quente do debate foi quando Simone Tebet e Bolsonaro se enfrentaram e ela disse ‘eu não tenho medo de você’. Eu vou te confessar uma coisa: eu conversei com ela logo na sequência e ela me falou assim: ‘Eu sabia que ele ia ficar nervoso, eu fiz até de propósito, pra mostrar quem ele é’”. A última frase da apresentadora do UOL foi modificada para parecer que foi dita por Vera.
O vídeo editado foi compartilhado no Twitter pelo influenciador bolsonarista Leandro Ruschel, acompanhado de ataques à jornalista da TV Cultura. Após ser desmentido pelo UOL, Ruschel apagou o conteúdo e publicou: “Erramos. Na verdade, ela (Fabíola Cidral) se referia à provocação da candidata Simone Tebet a Bolsonaro”.
Procurada pelo UOL, a Jovem Pan declarou que vai fazer uma retratação na edição desta terça-feira (30/8) do programa Pingos nos Is, a partir das 18h, com a informação correta sobre o vídeo.
Vera entrou em contato com a direção da Jovem Pan para exigir que a retração seja feita pela própria Ana Paula Henkel, que propagou a fake news: “Exigi que a retração venha da mesma pessoa nos mesmos moldes que ela fez a crítica que ela colheu no submundo bolsonarista, que ela colheu em grupos de mensagem, que ela deve achar que é nesse tipo de lugar que se pratica jornalismo”, disse a jornalista da TV Cultura ao UOL.