5.4 C
Nova Iorque
sexta-feira, abril 3, 2026

Buy now

" "
Início Site Página 8

Gustavo Mota é o novo CEO do Lance

Gustavo Mota (Crédito: Divulgação/Lance)

O Grupo Lance, especializado na cobertura de Esportes, anunciou Gustavo Mota como seu novo CEO. Mota, que já integrava o conselho da empresa e vinha participando de decisões importantes do negócio, substitui a Paulo Ganime, que estava no cargo de CEO desde 2024.

“Meu compromisso será o de gerar valor em cada interação e transformar o leitor em um usuário ‘lover’, potencializando sua paixão pelo esporte”, declarou o novo CEO. Queremos ir além, com um conteúdo esportivo centrado no público, criando experiências relevantes para os torcedores, fazendo-os não só saber, mas também entender, sentir e fazer.

No novo cargo, Mota concentrará seus esforços em ampliar receitas e aperfeiçoar o modelo flywheel (conteúdo impulsiona audiência), além de planejar novos produtos, serviços e oportunidades comerciais. A ideia é consolidar o Lance como um ecossistema de esportes cada vez mais completo.

Formado em Design Gráfico e pós-graduado em Marketing pelo IBMEC, Mota é especialista em gestão e marketing digital. Tem mais de 25 anos de atuação no mercado digital, com trabalhos focados na criação e escalabilidade de negócios. É fundador da We Do Logos, agência de design para micro e pequenas empresas. Liderou ainda a Escola de CEO, a Sales Club, Grupo Mola e o Instituto Brasileiro de Presença Digital, iniciativas voltadas à formação de lideranças e ao desenvolvimento de empresas orientadas à alta performance.

Outras mudanças no Lance incluem a chegada de Marcos Rayol como novo CTO da empresa. Com isso, Luiz Cruz assume o cargo de Diretor de Inteligência Artificial, sendo responsável por acompanhar os investimentos do Lance no setor.

Daniel Vorcaro, do Banco Master, tinha plano para “quebrar os dentes” de Lauro Jardim, de O Globo

Daniel Vorcaro, do Banco Master, tinha plano para

Lauro Jardim, colunista de O Globo e da rádio CBN, declarou em entrevista na manhã desta quarta-feira (4/3) que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tinha um plano para simular um assalto contra o jornalista, cometer agressões físicas contra ele e “quebrar seus dentes”. Segundo investigações da Polícia Federal, Vorcaro mantinha uma grande estrutura de intimidação e vigilância a pessoas consideradas “inimigas” dos interesses econômicos do Banco Master.

Lauro Jardim (Crédito: Twitter)

A PF teve acesso a diversas mensagens de Vorcaro com aliados para intimidar, vigiar e ameaçar indivíduos considerados seus “adversários”, incluindo Jardim. No caso específico do colunista, Vorcaro declarou que queria “mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”. Essas mensagens foram enviadas ao banqueiro a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, que, segundo investigações, era o responsável por monitorar os “inimigos” de Vorcaro.

“Embora eu tenha certeza que jornalista não é notícia, neste caso sou obrigado a ser notícia”, disse Lauro Jardim, à CBN. “Na troca de mensagens, ele me incluiu, ele planejou e autorizou uma ação contra mim, que seria a seguinte: primeiro me vigiar, me monitorar, descobrir coisas ruins contra mim. Depois simular um assalto e quebrar meus dentes. Foi planejado e dado ok para acontecer”.

Vorcaro foi preso na manhã desta quarta-feira (4/3), como parte da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga o esquema de fraudes no Banco Master. Na decisão que determinou a prisão, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, citou justamente as mensagens de Vocaro em tom intimidatório a seus “inimigos”.

“Verifica-se a presença de fortes indícios de que Vorcaro determinou a Mourão que forjasse um assalto, ou simulasse cenário semelhante, para prejudicar violentamente o jornalista em questão e, a partir do episódio, calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”, declarou o magistrado, que destacou também que o dono do Banco Master mantinha um grupo, chamado de A Turma, utilizado para obter informações pessoais, vigiar e intimidar críticos do conglomerado financeiro.

“Um grupo criminoso mantinha estrutura de vigilância e coerção privada. Identificou-se a emissão de ordens diretas de Daniel Vorcaro para que fossem praticados atos de intimidação de pessoas (dentre as quais, concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas) que seriam vistas como prejudiciais aos interesses da organização, e com vistas à obstrução da justiça”, disse Mendonça.

Em nota, o jornal O Globo repudiou as ameaças a Lauro Jardim: “A ação, como destacado pelo ministro André Mendonça, visava ‘calar a voz da imprensa’, pilar fundamental da democracia. Os envolvidos nessa trama criminosa devem ser investigados e punidos com o rigor da lei. O Globo e seus jornalistas não se intimidarão com ameaças e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público”.

CNN Brasil estreará em março vertical sobre infraestrutura

A CNN Brasil estreará em 16/3 o CNN Infra, vertical focada na cobertura de temas relacionados a Infraestrutura. O projeto terá equipe e produção especializadas, com novos programas, boletins diários, reportagens especiais e debates ao vivo. Além disso, a vertical terá um espaço dedicado exclusivamente ao tema de infraestrutura no site da emissora.

No mesmo dia de estreia da vertical, 16/3, vai ao ar o Alta voltagem, voltado ao setor de energia, às segundas-feiras, a partir das 19h45. Um dia depois, em 17/3, estreia O grande debate infra, programa mensal, que será transmitido às terças-feiras, às 20h. No dia 19/3, vai ao ar o Conexão infra, às quintas-feiras, a partir das 19h45, no CNN Money. E em 25/3, chega o Mapa da mina, sobre mineração, às quartas-feiras, às 19h45, também no CNN Money.

O CNN Infra será coordenado por Daniel Rittner, diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, e que atua na cobertura do setor há mais de 20 anos. Fabrício Julião, repórter e editor especializado em economia, assume o cargo de editor-adjunto da nova vertical. Também farão parte da equipe do projeto Jenifer Ribeiro, ex-repórter da Agência iNFRA, que desde o ano passado atua como analista de infraestrutura na emissora; Robson Rodrigues, recém contratado pela CNN Brasil, com quase duas décadas de cobertura do setor elétrico e temas de energia, com passagens por Folha de S.Paulo, Canal Energia e Valor Econômico; e Gabriel Garcia, repórter de economia em Brasília, que se dedicará exclusivamente à cobertura de temas de mineração.

O projeto terá ainda um time de colunistas e especialistas composto por Maurício Portugal, ex-chefe para Setores de Infraestrutura e Setor Público no Citibank Brasil; Isadora Cohen, ex-secretária-executiva de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo; Gustavo Roque, sócio-fundador da consultoria RCK Global e ex-executivo da mineradora Vale; Joísa Dutra, diretora do FGV-Ceri e ex-diretora da ANEEL; e
David Zylbersztajn, ex-diretor-geral da ANP e ex-secretário de energia de São Paulo.

Sérgio Lüdtke assume secretaria executiva da Abraji

Sérgio Lüdtke (Crédito: Abraji)

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) promoveu nos últimos dias mudanças em seus cargos de liderança. Sérgio Lüdtke assume a função de secretário executivo da entidade, em substituição a Adriana Garcia, que passa a ser consultora de captação, com foco no tradicional Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

Sérgio Lüdtke (Crédito: Abraji)

Lüdtke concentrará seus esforços em projetos de estímulo ao jornalismo de interesse público, defesa da integridade da atividade jornalística, proteção de profissionais investigativos, além do Congresso da Abraji. Anteriormente, ele atuou como coordenador do programa de treinamento da entidade, de 2019 a 2024. No LinkedIn, o novo secretário executivo informou que continuará trabalhando também no projeto Comprova, onde atua como editor-chefe, e no Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor), do qual é presidente, coordenando o Atlas da Notícia.

Adriana Garcia (Crédito: Abraji)

Em post de agradecimento, Adriana escreveu que vai se concentrar no setor de sustentabilidade da entidade, o que, para ela, é “o maior desafio da instituição, e de todo o ecossistema jornalístico”. Além da atuação na Abraji, Adriana, que está na entidade desde 2023, retomará os trabalhos em sua consultoria Orbital Mídia, com parcerias, mentorias e projetos de design estratégico.

Prêmio Andifes de Jornalismo 2025 anuncia vencedores

Crédito: Kenny Eliason/Unsplash

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) divulgou os vencedores do Prêmio Andifes de Jornalismo 2025, que valoriza e reconhece trabalhos jornalísticos sobre a educação brasileira.

Na categoria Educação Básica, o vencedor foi o podcast Café da Manhã, da Folha de S.Paulo, com o episódio As novas investidas reacionárias na educação, assinado por Gustavo Simon, Magê Flores e Gabriela Mayer, com produção e edição de som de Carolina Moraes, Laila Mouallem, Raphael Concli e Thomé Granemann. O episódio analisa o avanço de discursos e iniciativas de caráter reacionário no campo educacional, discutindo seus impactos sobre a escola pública, a liberdade de ensinar e aprender e a formação crítica dos estudantes.

E em Ensino Superior, o prêmio foi para o Mongabay, com a reportagem Tubarões ameaçados viram ‘comida contaminada’ em escolas e hospitais públicos do Brasil, assinada por Karla Mendes, Kuang Keng Kuek Ser, Philip Jacobson, Rebecca Kessler e Fernanda Wenzel. A investigação, feita em parceria com o Pullitzer Center, mostra como a carne de tubarão, frequentemente comercializada sob o nome de cação, tem sido adquirida por meio de compras públicas e destinada a instituições como escolas e hospitais, expondo riscos à saúde humana e levantando alertas ambientais.

Brazil Journal lançará em abril o Page 9, projeto sobre lifestyle

O Brazil Journal anunciou o lançamento do Page 9, nova vertical focada em lifestyle, que cobrirá temas relacionados a moda, viagem, cultura, gastronomia, música, bem-estar, literatura, arte e comportamento. A estreia está prevista para abril.

Paula Merlo (Crédito: Vogue Brasil)

A nova vertical terá um site, uma revista impressa e um negócio de eventos. A ideia é que o Page 9 seja enviado a um mailing qualificado e estará presente em aeroportos, salas VIP, helipontos e academias premium. Para desenvolver o novo projeto, o Brazil Journal contratou Paula Merlo, que trabalhou por cerca de 15 anos na Condé Nast Brasil, boa parte deste tempo como diretora de conteúdo da Vogue Brasil e da Glamour.

“É um desafio excitante. A ideia é ser um ‘playground’, uma pausa, o recreio desse leitor ultraqualificado que já conhece e reconhece as coisas boas da vida,” declarou Paula ao Brazil Journal sobre a novidade. Além do trabalho na Condé Nast Brasil, ela foi apresentadora do projeto de vídeos Momento Estilo, no Globosat, e editora de Especiais na Luxure Media Group.

Thiago Gardinali assina com o SBT

Thiago Gardinali (Crédito: SBT/Instagram)

Thiago Gardinali assinou com o SBT. Ele estreou na segunda-feira (2/3), no comando do programa Se Liga, Brasil, novo telejornal da emissora, que vai ao ar no período matutino da programação, das 6h às 8h30. Até o começo do ano, Gardinali trabalhava na Record TV, como um dos apresentadores do do Balanço Geral Manhã.

O Se Liga, Brasil, trará as principais notícias do Brasil e do mundo, buscando um tom de equilíbrio entre pautas de fôlego e outros assuntos mais leves. A ideia é ajudar os espectadores a começarem o dia já bem informados. Além de comandar o telejornal diretamente do estúdio, Gardinali vai também percorrer as ruas em busca das informações.

Em 2026, Gardinali completa trinta anos de carreira no jornalismo. Antes do SBT e da Record TV, trabalhou também em Jovem Pan, Rede TV e Rede CNT. Atuou em diversas funções do setor, como repórter, apresentador, produtor e diretor de televisão. Foi também correspondente internacional em Estados Unidos, Itália e França. Cobriu a Guerra do Iraque, as Olimpíadas na China e a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul. No Brasil, realizou reportagens em diversas editorias, incluindo a cobertura de acidentes aéreos, enchentes, crimes, eventos culturais e esportivos. Também apresentou programas de debate, de auditório e telejornais.

100 anos de rádio no Brasil: Quando a notícia deixa de ser produto e vira espelho algorítmico

Por Álvaro Bufarah (*)

Durante décadas, ouvir notícias foi um exercício de escolha: ligar o rádio, abrir um jornal, clicar em um site. Em 2025, com o lançamento do Your Personal Podcast pelo Washington Post, essa lógica inverte-se silenciosamente. Já não é mais o ouvinte que escolhe o conteúdo. É o conteúdo que passa a escolher o ouvinte.

O novo produto do jornal permite que cada usuário gere diariamente um “podcast pessoal”, com cerca de quatro notícias moldadas por aquilo que ele já leu, ouviu e pesquisou. As vozes são sintéticas, criadas por inteligência artificial, e os apresentadores mantêm até um tom de conversa casual, simulando a experiência de um programa humano. A promessa é simples e sedutora: notícias sob medida, no ritmo do seu interesse, com a voz que você preferir.

Não se trata apenas de mais um formato. Trata-se de uma mudança ontológica: a notícia deixa de ser um objeto editorial e passa a ser uma interface adaptativa.

Historicamente, o jornalismo baseou-se na ideia de curadoria: alguém seleciona, hierarquiza e organiza os fatos de interesse público. No modelo do Your Personal Podcast, essa curadoria não desaparece, mas é reprogramada. Passa a ser feita por modelos preditivos, que observam padrões de comportamento e constroem um fluxo informativo alinhado ao perfil de cada indivíduo.

A lógica é semelhante à dos algoritmos de streaming musical ou de vídeo: não se entrega o que é mais importante – entrega-se o que é mais provável de ser consumido.

O resultado é um jornalismo que deixa de ser necessariamente coletivo e se torna radicalmente individualizado. Cada cidadão passa a viver dentro de uma bolha sonora personalizada, onde a realidade é narrada a partir de suas próprias preferências, hábitos e vieses.

Um dos aspectos mais simbólicos do projeto é que o episódio se atualiza conforme o noticiário muda. A experiência deixa de ser um programa fechado e se aproxima de um fluxo contínuo de consciência informativa. O podcast já não é mais um produto; é um processo.

Essa ideia dialoga diretamente com pesquisas do Reuters Institute Digital News Report e da Nieman Lab, que apontam uma queda contínua no consumo de notícias em formatos tradicionais e um crescimento expressivo de consumo via áudio, especialmente entre jovens que preferem informação em movimento, multitarefa e personalizada.

O Washington Post admite que o produto é experimental, mas o próprio vocabulário utilizado por seus executivos revela o futuro: eles não falam em audiência, falam em habit-based metrics. O objetivo não é mais volume, é dependência cotidiana.

O projeto nasce da parceria com a ElevenLabs, a mesma empresa que vem estruturando mercados de licenciamento de vozes históricas e narradores sintéticos. O paradoxo é fascinante: quanto mais artificial a voz, mais humana precisa parecer. O maior desafio relatado pelo Post não foi tecnológico, mas cognitivo e cultural: tom, naturalidade, credibilidade, sensação de presença.

Pesquisas do MIT Media Lab e da Stanford HAI já indicam que usuários desenvolvem vínculos emocionais com vozes sintéticas quando elas demonstram consistência, empatia e previsibilidade. Em outras palavras: não é preciso ser humano para gerar afeto – basta simular humanidade de forma convincente.

O podcast pessoal não precisa ser perfeito. Ele só precisa ser suficientemente confortável para se tornar hábito.

A grande questão não é técnica. É política e cultural. Se cada cidadão passa a consumir uma versão privada do noticiário, o que acontece com a ideia de esfera pública compartilhada? O que resta da noção de agenda comum? Que tipo de debate coletivo pode existir quando não ouvimos mais as mesmas narrativas?

(Crédito: creators.spotfy.com)

O Your Personal Podcast antecipa um cenário inquietante: não apenas a música e o entretenimento são personalizados – a própria realidade passa a ser modular.

O jornal deixa de ser praça pública e se transforma em espelho algorítmico. Um espelho que nos mostra apenas aquilo que já gostamos de ver.

Curiosamente, é o áudio – esse meio antigo, invisível e persistente – que se torna o vetor central da personalização extrema. Não porque ele seja mais tecnológico, mas porque se encaixa melhor na vida real: carros, fones, tarefas, deslocamentos, cansaço visual.

Relatórios de Edison Research, Deloitte e PwC indicam que o áudio é hoje o meio mais compatível com a lógica de consumo contínuo, assistivo e algorítmico. O podcast pessoal do Washington Post não é uma inovação isolada. É apenas o primeiro produto de massa de uma categoria que ainda nem tem nome.

Talvez não seja mais podcast.

Talvez seja jornalismo como serviço cognitivo.

No fim, o movimento é simbólico: durante décadas, escutamos a mídia. Agora, a mídia começa a nos escutar em silêncio, armazenando padrões, antecipando desejos e devolvendo versões sob medida do mundo.

O Your Personal Podcast não inaugura apenas um formato. Ele inaugura uma pergunta incômoda: se a informação sempre chega do jeito que eu quero, será que ainda estou sendo informado? Ou apenas confortado?

Fonte primária

  • Washington Post / Digiday (2025) – Your Personal Podcast

Jornalismo, IA e personalização

  • Reuters Institute – Digital News Report 2023–2025
  • Nieman Lab – AI and the Future of Newsrooms
  • Tow Center for Digital Journalism (Columbia)

Voz sintética e cognição

  • MIT Media Lab – Synthetic Voices and Human Perception
  • Stanford HAI – Human-AI Interaction Studies
  • ElevenLabs – Relatórios institucionais

Áudio e comportamento

  • Edison Research – Infinite Dial
  • Deloitte – Digital Media Trends
  • PwC – Global Entertainment & Media Outlook

Álvaro Bufarah

Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.

(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.

Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (45)

Por Assis Ângelo

Não foram muitos os astrônomos e intelectuais que tais que escaparam vivos da fogueira dos juízes malucos do Tribunal do Santo Ofício. Galileu foi uma dessas figuras que ganharam a oportunidade de viver por mais algum tempo ao concordar, sob pressão, com a tese católica de que a Terra seria o centro do Universo.

Pessoas do cotidiano comum, principalmente cristãos-novos, foram denunciadas como hereges e tal e mofaram nos calabouços e arderam nas chamas da Inquisição.

Portugal e Espanha foram dois dos países em que a Inquisição fez a festa.

As vítimas da Inquisição foram milhares e milhares.

Oficialmente, não há notícia de que o Brasil tenha acolhido inquisidores autorizados a julgar e a condenar à fogueira brasileiros e brasileiras dos tempos daquele tribunal. Porém, aqui e ali acham-se registros de pessoas que arderam nas labaredas da Inquisição, em São Paulo.

A prática comum da Inquisição no Brasil era enviar a Portugal pessoas acusadas de feitiçaria, sodomia, bigamia…

Judaísmo era considerado crime.

Segundo a historiadora Anita Novinsky (1922-2021), autora do livro Inquisição: Prisioneiros do Brasil, pelo menos 1.076 pessoas foram levadas do Brasil para Portugal e de lá nunca mais voltaram. Dessa leva, 29 acusados e acusadas morreram na fogueira. Uma dessas pessoas foi a pernambucana Guiomar Nunes (1692-1731).

Guiomar era casada e vivia no interior da Paraíba. Deixou viúvo o marido Francisco e órfãos oito filhos.

O soteropolitano Gregório de Matos e Guerra (1636-1696) estudou em Coimbra e voltou doutor e padre da Igreja Católica Apostólica Romana. Exerceu por pouco tempo o ministério. Isso ocorreu porque ele se recusava a usar batina.

Gregório de Matos e Guerra

Paralelamente à religião católica, Gregório escrevia poemas que nem um condenado. Os temas abordados eram todos e da sua ferina pena não escapavam autoridades políticas e o povaréu em geral, incluindo brancos e pretos, pobres, ricos, comerciantes, cornos e putas.

Gregório morreu em Recife jurando amor a Cristo.

Para esse grande poeta baiano, o sagrado e o profano andavam conjuntamente de mãos dadas na rua e fosse lá onde fosse.

Gregório, que se tornou um dos mais polêmicos poetas do Brasil, foi denunciado à Inquisição no ano de 1685. Escapou das masmorras e de eventual queima na fogueira.

O cego está presente física ou metaforicamente na obra desse excelso brasileiro da Bahia. É dele esta pérola:

 

À procissão de cinza em Pernambuco

 

Um negro magro de sufulié justo,

Dois azorragues de um joá pendentes,

Barbado o Peres, mais dois penitentes,

Seis crianças com asas sem mais custo.

 

De vermelho o mulato mais robusto,

Três fradinhos meninos inocentes,

Dez ou doze brichotes mui agentes,

Vinte ou trinta canelas de ombro onusto.

 

Sem débita reverência seis andores,

Um pendão de algodão tinto em tijuco,

Em fileira dez pares de menores.

 

Atrás um cego, um negro, um mameluco,

Três lotes de rapazes gritadores:

É a procissão de cinza em Pernambuco.

 

Gregório, como muita gente sabe, ganhou o apelido de Boca do Inferno pela verborragia obscena que tanto o caracterizou. Escreveu e falou de tudo o que quis, como o nosso gigante Machado de Assis.

Machado de Assis

Machado, o Bruxo do Cosme Velho, não fazia uso de verbos obscenos. Era seu jeito particular de se manifestar sobre o cotidiano.

Nem temas ligados ao Oriente Médio escaparam do olhar crítico do autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Estão lá nas suas crônicas e contos costumes do mundo árabe. Fala de Deus e de seu filho Jesus, Jerusalém, Israel, uma cristã-nova…

É isso.

Contato pelo http://assisangelo.blogspot.com.

Últimas notícias

pt_BRPortuguese